Almoço do MyNews
Cientista política analisa o peso do eleitorado feminino na disputa presidencial de 2026 e alerta para o avanço de discursos antifeministas e os riscos de retrocessos nos direitos das mulheres.
Em entrevista ao Almoço MyNews nesta sexta-feira (16), Luiza Duarte Bissoli analisa a disputa pelo eleitorado feminino e alerta para o risco de retrocessos nos direitos das mulheres.
O voto feminino pode ter um papel decisivo na eleição presidencial de 2026. A avaliação é de Luiza Duarte Bissoli, doutora em Ciência Política pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em entrevista ao Almoço MyNews nesta sexta-feira (16), ela analisou a disputa pelo eleitorado feminino e o cenário político atual.
Segundo Bissoli, o peso das mulheres nas urnas torna esse eleitorado estratégico para os candidatos. Por isso, a disputa por esses votos tem ganhado força, especialmente na corrida pelo Executivo.
Além disso, a pesquisadora destacou a influência da rejeição aos dois candidatos. Para ela, muitos eleitores já definiram suas escolhas e dificilmente mudarão de posição. Nesse cenário, os eleitores que ainda não se decidiram podem ter um papel importante no resultado. Assim, o voto feminino deve ocupar um espaço central nas estratégias eleitorais.
Durante a entrevista, Bissoli também comentou o crescimento de movimentos contrários ao feminismo e aos direitos das mulheres em setores da direita. Nesse contexto, ela citou a eleição de figuras como Eduarda Campopiano.
Para a pesquisadora, a retomada de debates sobre direitos já conquistados representa um sinal de alerta. Ela questiona por que essas garantias voltaram ao centro da discussão política. Além disso, avalia que setores da direita testam os limites do que a sociedade aceita ao contestar essas conquistas.
Na visão de Bissoli, outras pautas deveriam receber mais atenção no debate público. Afinal, direitos fundamentais das mulheres não deveriam voltar a ser tratados como questões em aberto.
A cientista política também ressaltou que esse movimento não ocorre apenas no Brasil. Pelo contrário, a contestação dos direitos das mulheres faz parte de um cenário internacional mais amplo. Dessa forma, o avanço de discursos antifeministas levanta preocupações sobre possíveis retrocessos sociais.
Bissoli ainda alertou que as conquistas sociais não representam garantias permanentes. Segundo ela, direitos que pareciam consolidados podem voltar a ser questionados. Por isso, a própria normalização desse debate merece atenção.
Nesse sentido, a análise remete ao livro O Conto da Aia, da escritora Margaret Atwood. Na obra, uma sociedade autoritária retira das mulheres direitos e autonomia. A história ilustra como garantias fundamentais podem desaparecer quando estruturas políticas e sociais passam a restringi-las.
Por fim, a entrevista destacou dois pontos centrais para a eleição de 2026: a importância do voto feminino e os desafios para preservar os direitos das mulheres. Em meio à polarização política, a disputa eleitoral também coloca em evidência diferentes visões sobre o papel das mulheres na sociedade.