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Jornal Do MyNews
Jornalista e pesquisador analisa os riscos do crime organizado, a influência política das milícias e o futuro da segurança pública nas eleições de 2026.
O avanço das milícias e do crime organizado representa um desafio para a segurança pública brasileira. Em entrevista ao Jornal MyNews nesta terça-feira (20), o jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso alertou para os riscos de um eventual governo de Flávio Bolsonaro. Segundo ele, o histórico político do senador levanta dúvidas sobre a disposição de enfrentar essas organizações.
Para compreender esse cenário, Paes Manso recomenda observar o Rio de Janeiro. O pesquisador explica que as milícias ampliaram sua influência sobre o poder público e passaram a enxergar os governadores como mediadores de seus interesses.
Dessa forma, o problema vai além da ocupação de territórios. Esses grupos também disputam poder político e controle de atividades econômicas ilegais. Como consequência, o Estado corre o risco de perder autonomia diante de organizações que desafiam sua autoridade.
Além disso, Paes Manso aponta uma mudança na concepção de Estado. Segundo sua análise, o projeto político associado a Flávio Bolsonaro se distancia do modelo consolidado após a redemocratização. Naquele período, o poder público assumiu um papel central na redução das desigualdades por meio de políticas nacionais.
Em contrapartida, o pesquisador avalia que grupos ligados a mercados ilegais enxergam o governo como um obstáculo aos próprios negócios. Nesse contexto, o enfraquecimento das instituições pode comprometer o Estado Democrático de Direito e dificultar o combate ao crime organizado.
Paes Manso também descreve as milícias como forças armadas que protegem os interesses de grupos econômicos envolvidos em mercados paralelos. Para ilustrar sua análise sobre as relações entre dinheiro e poder, ele mencionou o caso do Banco Master.
A comparação ajuda a explicar uma lógica na qual interesses privados buscam influenciar as estruturas estatais. Assim, o governo deixa de ser visto como responsável por garantir direitos e passa a ser tratado como um espaço de disputa por poder e recursos.
Ao analisar uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, Paes Manso demonstrou ceticismo quanto à possibilidade de um enfrentamento efetivo das organizações criminosas. Na avaliação do pesquisador, as relações políticas desses grupos podem dificultar o combate às suas estruturas.
Por isso, o debate eleitoral sobre segurança pública precisa ir além das propostas de repressão e do endurecimento penal. É necessário discutir como o Estado pode recuperar territórios, preservar a autonomia das instituições e enfrentar organizações que combinam poder econômico, influência política e violência.