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Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Almoço Do MyNews
Renato Dorgan analisa o impacto da rejeição, da mobilização digital e das alianças políticas nas estratégias de Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da disputa presidencial.
As estratégias eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro na reta final da disputa presidencial foram tema da entrevista com Renato Dorgan no Almoço MyNews desta quarta-feira (21). Cientista político, especialista em pesquisas eleitorais, CEO do Instituto Travessia Pesquisas e cofundador da Camp.Brasil, Dorgan analisou os movimentos das campanhas e discutiu qual caminho pode ser mais eficaz: diminuir a rejeição do próprio candidato ou aumentar a rejeição do adversário.
Na avaliação de Dorgan, a escolha entre reduzir a própria rejeição e ampliar a do adversário é uma questão central para as campanhas. Na reta final, cada movimento pode influenciar a percepção dos eleitores, especialmente daqueles que ainda não definiram completamente seu voto. Por isso, a comunicação política e a capacidade de mobilização ganham importância à medida que a votação se aproxima.
Além disso, o especialista destacou o papel do tempo na decisão eleitoral. Segundo ele, parte dos eleitores amadurece sua escolha nas últimas horas antes da votação, com um momento importante no sábado, depois do almoço. Dessa forma, as campanhas precisam aproveitar o período final para consolidar apoios, dialogar com os indecisos e reduzir as resistências ao candidato.
Dorgan também avaliou que o segundo turno ficou mais difícil para Flávio Bolsonaro após a reação da esquerda no ambiente digital. A mobilização nas redes sociais passou a representar um fator relevante na disputa, dificultando a transformação das vantagens políticas do candidato em uma liderança mais expressiva nas pesquisas eleitorais.
Apesar das alianças com candidatos que não avançaram ao segundo turno e da presença de nomes ligados ao seu campo político nas disputas pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, Flávio não conseguiu abrir a vantagem que poderia ser esperada diante desse cenário. Assim, o apoio político acumulado não se traduziu automaticamente em crescimento nas intenções de voto.
A análise de Renato Dorgan reforça que o desempenho no primeiro turno não determina o resultado final. Mesmo quando um candidato demonstra força eleitoral e reúne apoios importantes, a dinâmica da campanha pode mudar com a reorganização dos adversários, a circulação de mensagens nas redes sociais e a movimentação dos eleitores indecisos.
Nesse contexto, as estratégias eleitorais de Lula e Flávio Bolsonaro precisam ser avaliadas também pela capacidade de conquistar votos na reta final. Mais do que mobilizar apoiadores já convencidos, as campanhas enfrentam o desafio de alcançar eleitores resistentes e transformar suas estratégias de comunicação em votos efetivos.
A entrevista no Almoço MyNews discutiu, portanto, como rejeição, mobilização digital, alianças políticas e o momento da decisão do eleitor podem influenciar o desfecho da disputa presidencial.