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Alta do diesel pressiona o setor e levanta alerta para paralisações; presidente da SETCESP diz que problema central é o preço do combustível
O aumento do preço do diesel no Brasil, que já acumula alta próxima de 19% desde o fim de fevereiro, tem pressionado o setor de transporte de cargas e reacendido o debate sobre uma possível paralisação de caminhoneiros. O cenário é influenciado principalmente pelas tensões no Oriente Médio, que impactam o mercado global de petróleo.
Apesar das medidas adotadas pelo governo federal, como a zeragem de PIS/Cofins e a criação de subsídios para conter os custos, o efeito tem sido considerado limitado. Isso porque, logo após os anúncios, houve reajuste de 38 centavos por litro nas refinarias, reduzindo o impacto no preço final pago nas bombas.
Em entrevista, o presidente da SETCESP, Marcelo Rodrigues, afirmou que o setor vê com preocupação a possibilidade de paralisação, já que os caminhoneiros representam cerca de um terço da frota nacional e atuam em áreas estratégicas da economia. “Vemos com grande preocupação essa possível paralisação”, disse.
Segundo ele, o principal problema não está apenas no cumprimento do frete mínimo, mas no custo do combustível. “O problema não é somente a fiscalização, o problema é o preço em si. O problema está no preço do combustível”, afirmou.
Rodrigues também alertou que, mesmo sem uma greve formal, os impactos já podem ser sentidos. “O simples fato de o caminhoneiro não querer viajar já vai atrapalhar a economia brasileira”, disse .
Diante desse cenário, o Ministério dos Transportes e a Agência Nacional de Transportes Terrestres anunciaram medidas mais rígidas para garantir o cumprimento da tabela do frete, incluindo suspensão de empresas irregulares e intensificação da fiscalização. Para o setor, no entanto, essas ações são insuficientes para resolver o problema central.
“O problema começou com o preço do diesel. Não é porque há descumprimento do piso mínimo que isso vai se resolver apenas com fiscalização”, afirmou Rodrigues, defendendo medidas mais diretas para conter a alta do combustível.