Além dos bilhões, o colapso moral no caso Banco Master Fraude

Além dos bilhões, o colapso moral no caso Banco Master

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” O ministro tem 129 milhões de razões para não querer que a coisa se espalhe”, diz Tafner

Esqueça o rombo bilionário. No caso do Banco Master, a cifra astronômica é apenas a ponta do iceberg. Para o economista Paulo Tafner, presidente do Instituto Mobilidade Desenvolvimento Social, o prejuízo financeiro é o menor dos problemas, pois o mercado consegue absorvê-lo. O perigo real não mora no cofre, mas nos alicerces das nossas instituições. O escândalo revela uma teia de relações perigosas entre o setor privado fraudulento e o topo do poder público, expondo um risco político sem precedentes.

Essa trama revela uma “imbricação perniciosa” entre o Judiciário e o banco. Conexões comerciais lucrativas envolvem diretamente familiares de ministros da Suprema Corte. Por exemplo, a esposa de um magistrado detém um contrato milionário sem paralelos no mercado jurídico. ” O ministro tem 129 milhões de razões para não querer que a coisa se espalhe”, diz Tafner nesta conversa no MyNews Entrevista, veja a íntegra abaixo.

Além disso, irmãos de outro ministro atuam como operadores do banco com ganhos multimilionários. Consequentemente, surge um conflito de interesses insustentável: ministros que deveriam ser exemplos de retidão julgam causas de uma instituição ligada financeiramente aos seus próprios parentes.

Ademais, o risco de impunidade cresce através de manobras jurídicas calculadas. Para Tafner, a atuação do ministro Dias Toffoli levanta alertas graves sobre a anulação de provas. Ao impor um prazo impossível de apenas 24 horas para a Polícia Federal realizar buscas em dezenas de endereços, o magistrado criou uma “filigrana jurídica”. Na prática, esse movimento prepara o terreno para anular todo o material obtido sob o pretexto de descumprimento de ordem. Portanto, o país assiste à repetição de um padrão de blindagem que torna as cúpulas do poder intocáveis pela justiça.

Infelizmente, o escândalo não é um fato isolado, mas a reedição de mecanismos de corrupção sistêmica. O Banco Master operava como suporte financeiro para políticos e abrigava ex-ministros de Estado em seu conselho. Desse modo, o caso ressuscita o modus operandi de esquemas como o Mensalão e o Petrolão. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário voltam a trafegar com desenvoltura em ambientes fraudulentos. Esse cenário trava a modernização do mercado e sinaliza um profundo retrocesso moral para a nação.

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