CRIME
Mobilização nacional destaca a crise da proteção animal no Brasil, onde 60% dos animais em abrigos são vítimas diretas de agressões e negligência
Neste domingo, 1º de fevereiro de 2026, uma onda de indignação tomou as principais capitais brasileiras. Na Avenida Paulista, em São Paulo, centenas de manifestantes ocuparam o vão livre do MASP com seus pets e cartazes em punho. Além disso, o grupo entoou gritos de “Justiça para Orelha” para cobrar punições mais severas contra agressores. Da mesma forma, ativistas no Paraná se mobilizaram no sábado (31) em Curitiba e Toledo. Nessas cidades, os manifestantes homenagearam os cães Orelha e Abacate enquanto arrecadavam toneladas de ração para apoiar protetores independentes.
Ademais, o movimento ganhou força em outros pontos estratégicos do país ao longo do final de semana. No Rio de Janeiro e em Brasília, tutores organizaram a “Cãominhada da Justiça” no ParkDog, enquanto em Belo Horizonte os protestos ocorreram durante a tradicional Feira Hippie. Nesse sentido, os atos buscam frear uma escalada de violência alarmante. Para se ter uma ideia, as autoridades policiais já instauraram 601 inquéritos por maus-tratos apenas nas primeiras semanas de janeiro de 2026, o que evidencia a urgência de uma resposta do Estado.
Em paralelo a isso, os números recentes revelam um cenário de guerra contra a fauna doméstica. Nos últimos três anos, o Brasil acumulou cerca de 57 mil casos de violência, com o estado de São Paulo concentrando 15,7 mil desses registros. Outro ponto relevante é o salto drástico no Judiciário: em 2025, o sistema registrou 4.919 novos processos — uma média de 13 novas ações por dia. Esse volume representa um crescimento explosivo de 1.400% desde 2021, o que sobrecarrega as instituições e revolta a sociedade civil.
Por fim, as ONGs seguem como a principal barreira contra essa negligência sistêmica. Atualmente, essas entidades abrigam 185 mil animais, sendo que os maus-tratos vitimaram diretamente 60% desse total. Portanto, o grito por Orelha atravessa as fronteiras das homenagens individuais e se torna um marco político. A sociedade brasileira agora exige que as projeções de abandono para 2024 e 2025 não se tornem o novo normal, transformando a dor em uma cobrança efetiva por leis que realmente protejam quem não tem voz.