Especialistas orientam doações seguras para vítimas da tragédia de MG Tragédia em MG. Foto: CNN crise humanitária

Especialistas orientam doações seguras para vítimas da tragédia de MG

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Enchentes deixaram mortos, desaparecidos e milhares de desabrigados na Zona da Mata mineira; especialistas explicam formas seguras de doação e alertam para a fase de reconstrução

As fortes chuvas que atingiram municípios da Zona da Mata de Minas Gerais provocaram um cenário de destruição, com mortos, desaparecidos e milhares de pessoas desalojadas. Enchentes e deslizamentos deixaram bairros inteiros alagados, residências destruídas e famílias obrigadas a abandonar suas casas às pressas.

Equipes da Defesa Civil, voluntários e organizações humanitárias continuam mobilizados no atendimento emergencial, enquanto cresce a mobilização nacional para arrecadar doações e auxiliar na recuperação das áreas afetadas. Especialistas alertam, no entanto, que ajudar exige organização e atenção para garantir que os recursos cheguem de forma eficiente a quem mais precisa.

Como ajudar as vítimas

De acordo com o diretor de Comunicação da VV Inteligência Humanitária, Andre Fran, as necessidades mais urgentes envolvem itens básicos para sobrevivência imediata.

“Geralmente nesse momento são aquelas necessidades que a gente imagina: roupa para quem ficou desabrigado, medicamentos básicos, água — muita água — e algo que muita gente não pensa é na ajuda psicológica”, afirma. Segundo ele, profissionais da área de saúde mental tornam-se fundamentais após desastres desse porte, já que muitas vítimas enfrentam perdas materiais e emocionais profundas.

Apesar da boa intenção da população em doar roupas e objetos, Fran explica que a forma mais eficiente de ajuda costuma ser a contribuição financeira, desde que realizada com segurança.

“Muitas vezes doar dinheiro é a melhor forma, desde que seja para uma organização séria, com trabalho comprovado. Assim o recurso é direcionado exatamente para o que está faltando naquele momento”, diz.

O especialista alerta ainda para o risco de golpes em períodos de grande mobilização solidária e diz que o ideal é enviar para organizações reconhecidas e que já tiveram atuação em casos como esses. Alguns exemplos são: VV Inteligência Humanitária, HUMUS e outras. Também há pontos de coletas como as do próprio Governo e Fundação Banco do Brasil.

Ele também destaca que o maior desafio começa após o período inicial da tragédia, quando diminui a atenção pública. Nessa fase, há menos divulgação da mídia e consequentemente, uma diminuição no número de voluntários e recursos para a reinserção das vítimas da sociedade.

Situação dos animais

Além do atendimento às vítimas humanas, equipes especializadas também atuam no resgate de animais atingidos pelas enchentes. O Grupo de Resposta a Animais em Desastres (GRAD) enviou profissionais para Juiz de Fora ainda nas primeiras horas após o desastre.

A médica veterinária Carla Sassi, integrante da operação, explica que o trabalho ocorre de forma contínua desde o início das chuvas.

“O GRAD já atua nesses cenários há mais de 15 anos e já participou de mais de 100 missões. Nas primeiras horas após a ocorrência, uma equipe já se deslocou para Juiz de Fora para iniciar os resgates”, afirma.

Atualmente, 12 profissionais atuam diretamente nas áreas atingidas, com apoio logístico de outros integrantes responsáveis pela organização da operação. Segundo a profissional, o número de resgates segue crescendo.

“Já são mais de 100 animais resgatados entre cães, gatos, aves e cavalos, todos atendidos, estabilizados e encaminhados para locais seguros”, diz.

Os animais recebem diferentes destinos após o atendimento veterinário. Alguns retornam às famílias que estão em abrigos provisórios — que passaram a aceitar a permanência dos pets — enquanto outros seguem para o canil municipal, clínicas veterinárias ou lares temporários organizados por voluntários. A demanda segue alta porque muitos animais ficaram presos em casa no momento da tragédia.

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