Katia Chubaci
CRIME
Justiça negou a quebra de sigilo dos celulares apreendidos, o que dificulta a coleta de provas essenciais. Entidade aponta falha educacional grave e reage a manobras das famílias para “limpar a imagem” dos envolvidos.
O Fórum Animal vai à Justiça. Em parceria com um instituto de Florianópolis, a entidade moverá uma ação civil contra os pais dos adolescentes acusados de matar o cão comunitário Orelha. O objetivo é claro: responsabilizar as famílias pela conduta dos filhos e garantir que a barbárie não termine em impunidade.
A medida responde diretamente à postura controversa dos responsáveis. Relatos indicam que, logo após o crime, os pais enviaram um dos jovens para a Disney. Além disso, contrataram empresas especializadas para apagar rastros digitais e melhorar a imagem dos envolvidos. Em vez de colaborar com as investigações, as famílias optaram pelo silêncio e pela blindagem denunciam entidades protetoras de animais.
Falha na educação
Kátia Chubaci, da Confederação Brasileira de Proteção Animal, critica duramente essa estratégia. Para a veterinária, a crueldade dos jovens reflete um erro educacional gravíssimo. “Se meu filho errou, eu tenho que corrigir e não passar a mão na cabeça”, disparou.
Contudo, Chubaci ressalta que a mobilização rejeita a vingança desmedida. A meta é o cumprimento estrito da justiça. “A gente só quer que eles sejam julgados no rigor da lei. Ninguém pede prisão perpétua; a pena é educativa”, pontuou.
Obstáculos e indignação
Entretanto, o caminho judicial apresenta barreiras. Inicialmente, uma juíza demorou uma semana apenas para se declarar impedida. Posteriormente, a Justiça negou a quebra de sigilo dos celulares apreendidos, o que dificulta a coleta de provas essenciais. Enquanto isso, as famílias divulgam notas de inocência e rotulam a revolta popular como desinformação.
Apesar das tentativas de abafar o caso, a morte de Orelha gerou um fenômeno raro. O crime uniu o Brasil acima de qualquer divisão política. O país não acordou mobilizado por escândalos partidários, mas pela violência contra um animal indefeso. Neste momento, não existe esquerda ou direita. Existe apenas indignação e tristeza. Afinal, a reação a essa barbárie é o que define o que ainda resta de humano em nós.