Papel do Marketing na política: Olhar inteligente nas eleições com Gaby Morais Foto: Arquivo Pessoal

Papel do Marketing na política: Olhar inteligente nas eleições com Gaby Morais

Na segunda entrevista para o MyNews, falamos sobre a presença feminina na função de marqueteira

O site do MyNews está com uma série de entrevistas. Agora é hora de desvendar o papel do marqueteiro na política brasileira. Depois da conversa com Guto Araújo, chegou a vez de conhecer o trabalho de Gaby Morais. Ela fala sobre sua carreira, o marketing com políticos em geral e analisa o cenário atual.

R: Atuar como estrategista política é mais do que somente construir campanhas: é construir pontes entre causas, pessoas e propósitos. Comecei minha trajetória há mais de duas décadas, movida por uma inquietação profunda diante da sub-representação feminina e da falta de autenticidade no discurso político. Ao longo dos anos, me especializei em marketing político, com mestrado na Espanha e experiências em campanhas nacionais e internacionais.

Papel do Marqueteiro

O marqueteiro hoje não é mais apenas um executor técnico — ele se tornou um arquiteto de posicionamentos, alguém que precisa aliar sensibilidade social, leitura estratégica de cenário e uma escuta ativa e constante da população. Com o avanço da polarização, da inteligência artificial e da velocidade das redes, nosso papel ganhou ainda mais responsabilidade: temos que gerar conexão genuína, traduzir intenções em mensagens que mobilizem e proteger a reputação de nossos candidatos com consistência e verdade. E quem não estiver estrategicamente preparado desde já, vai somente reagir, não liderar.

VEJA: O papel do marqueteiro nas eleições: Guto Araujo analisa desafios ao MyNews

Mulheres em cargos políticos

O número de mulheres em cargos políticos cresceu nos últimos anos, mas ainda segue pequeno em comparação ao de homens. Gaby analisa formas de mudar esse cenário nas próximas eleições.

R: Com ação estratégica e coletiva. Sempre digo que mulher pode, deve e precisa ajudar outra mulher. O crescimento da representatividade feminina não é apenas uma questão de cota, é uma questão de justiça histórica, de sensibilidade no olhar para políticas públicas, e de inovação. A mudança começa com educação política desde cedo, passa pelo incentivo à liderança nas comunidades e precisa chegar às urnas. Precisamos formar mulheres para a política com preparo técnico, emocional e espiritual. É isso que faço diariamente com minhas mentorias, palestras e projetos: evidenciar que nosso olhar transforma. Mas também é preciso que os partidos deixem de ver candidatas como números e vejam-nas como líderes transformadoras.

Frase de Lula sobre Gleisi

Recentemente, o presidente Lula afirmou que escolheu Gleisi para um ministério por achá-la bonita. Gaby comenta a declaração e os danos que ela pode causar, afinal, trata-se de um líder nacional.

R: Infelizmente, essa declaração expõe uma visão antiquada e ainda impregnada de machismo estrutural, que reduz uma mulher — extremamente qualificada — a uma característica estética. Isso é simbólico, porque comunica a outras mulheres que, mesmo em altos cargos, sua competência pode ser invisibilizada. E mais: enfraquece a credibilidade da própria liderança que a indicou. Um líder que deseja construir um projeto democrático e inclusivo precisa urgentemente rever sua forma de comunicar e compreender o impacto de suas palavras na formação da opinião pública. A fala de Lula não apenas minimiza Gleisi, mas compromete o esforço coletivo de tantas mulheres que lutam para serem reconhecidas por seus méritos.

Comunicação e Marketing juntos, segundo Gaby

Além disso, Gaby também é jornalista e encerra a entrevista ao MyNews destacando sua visão sobre o debate político nas redes sociais e na imprensa. Ela também comenta sobre o momento ideal para um pré-candidato começar a trabalhar com um marqueteiro.

R: O debate político nas redes e na imprensa está em transformação. Há excesso de ruído e falta de escuta. A polarização sequestrou a capacidade de diálogo e transformou muitas redes em ringues. Porém, acredito que é nesse ambiente que mais precisamos atuar com estratégia, verdade e coragem. A imprensa ainda tem um papel vital, mas precisa se reinventar para ser ponte e não muro.

Quanto ao tempo para iniciar a campanha: quanto antes, melhor. Uma construção de marca política exige tempo, consistência e coerência. Quem só começar em ano eleitoral já entra atrasado. Uma boa estratégia precisa ser pensada com pelo menos dois anos de antecedência — não só para consolidar imagem, mas para corrigir rotas com inteligência. A campanha do futuro é constante, e quem entender isso, estará sempre à frente”, concluiu Gaby Morais, ao MyNews.

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