Deputado Federal pelo PSOL, do Rio de Janeiro, Tarcísio Motta, falou sobre Brazão, acusado de mandar matar Marielle e das milícias
O Segunda Chamada, do canal MyNews, foi ao ar no último dia 24 de fevereiro e teve a honra de receber o deputado federal pelo PSOL do Rio de Janeiro, Tarcísio Motta. O programa debateu diversos temas, entre eles o andamento do processo de cassação de Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) na Câmara dos Deputados e também sobre Milícias. Preso há 11 meses, acusado de ser um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco, o deputado continua recebendo salário e benefícios parlamentares.
Tarcísio, aliás, esteve na bancada acompanhado do jornalista e colunista do MyNews Evandro Éboli e do cientista político e presidente do Instituto Cultiva, Rudá Ricci. A apresentação ficou por conta do comunicador Afonso Marangoni.
Leia Mais: Com “Ainda Estou Aqui”, familiares de 82 desaparecidos buscam novas certidões de óbito
Contudo, antes de ser deputado, Tarcísio Motta exerceu mandatos como vereador e também tentou se eleger governador em duas oportunidades, além de disputar a Prefeitura do Rio nas eleições de 2024. Durante o programa, foi questionado sobre um dos maiores problemas da cidade carioca: a milícia, especialmente sua influência na política estadual e nacional.
“Como a gente retira o poder político que esses grupos criminosos armados, que controlam territórios, têm? Porque eles controlam territórios a partir da força da arma para suprir ganhos econômicos, mas também para manter o poder sobre os territórios. E eles só conseguem fazer isso porque ocupam espaços no aparelho de Estado. Essa é a lógica. O caso da Marielle deveria ser revelador dessa questão: sem retirar o poder político dessas pessoas, você não resolve a raiz do problema. Qual era a questão colocada ali? Meu partido, o PSOL, seja por conta do Marcelo Freixo, seja pela nossa atuação na Câmara dos Vereadores ou pela nossa atuação política mais ampla, estava em crescimento acelerado. O Freixo havia chegado ao segundo turno nas eleições municipais, nossas bancadas cresciam de tamanho”, disse o deputado.
NÃO PERCA: Exclusivo: Roubo, resgate e lucro: O novo esquema que movimenta milhões no Rio;
*”Na bancada que elege Marielle, o PSOL foi o partido com maior quantidade de votos na cidade do Rio de Janeiro. E há uma identificação de uma parte da milícia à qual o Brazão tem ligações de que esse obstáculo precisava ser contido. Foi um atentado terrorista, uma tentativa de provocar medo naqueles que ocupavam postos que significavam obstáculos. E essa é a explicação. Não é que a Marielle tenha votado em um projeto de lei específico, mas ela fazia parte de um coletivo, de um processo que se tornava um obstáculo político para o avanço das milícias. Incomodava pelas votações na Câmara de Vereadores, na Alerj, etc.
Prender o Brazão, condenar o Brazão, cassar o Brazão não resolve o problema. Isso faz parte da justiça para este caso específico e, sem dúvida, ele precisa ser punido. Em nome da justiça, como amigo da Marielle e por toda a minha família, precisamos desse processo. Mas esse caso precisa nos alertar sobre a questão política que está por trás.
No ano passado, nós e uma série de movimentos sociais – não apenas o PSOL, mas também outros partidos de esquerda e entidades de direitos humanos – lançamos a campanha ‘Com a milícia não tem jogo’. Curioso que a extrema direita e a direita tradicional diziam ‘Com o tráfico tem jogo’. E nós respondíamos que não, até porque as fronteiras entre tráfico e milícia desapareceram nos últimos anos”*, concluiu Tarcísio Motta.