Entre “desorganização” e busca por alianças: os bastidores da campanha de Lula no 2º turno Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

Entre “desorganização” e busca por alianças: os bastidores da campanha de Lula no 2º turno

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Com críticas internas, mudanças na coordenação e pressão por redes digitais, o PT tenta reestruturar a estratégia contra Flávio Bolsonaro.

A reta final do segundo turno impôs urgência na cúpula da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, um momento de forte reorganização analisado pelos jornalistas Mara Luquet e Evandro Éboli. Diante do cenário adverso nas pesquisas, a candidatura petista passa por ajustes profundos. Portanto, o partido tenta corrigir rumos rapidamente para buscar uma virada contra Flávio Bolsonaro.

A tensão nos bastidores aumentou após o vazamento de um vídeo gravado em um hotel. Nele, Lula afirmou que esta é a campanha “mais desorganizada” da qual participa desde 1989. Como consequência, o episódio acelerou mudanças no comando da articulação política. Éboli revelou que a coordenação, antes centralizada em Edinho Silva, vem sendo reformulada. Por isso, governadores reeleitos do Nordeste ganharam protagonismo imediato, como Rafael Fonteles, Camilo Santana e Elmano de Freitas.

O dilema das redes digitais: “dancinhas” ou alianças políticas?

A presença de Lula nas plataformas digitais tornou-se outro ponto de forte debate. A tentativa de atrair jovens com conteúdos performáticos gerou divergências sobre sua real eficácia.

Para Mara Luquet, ver o candidato no TikTok soa “forçado e artificial”. A jornalista defende que a força de Lula sempre esteve na construção de frentes políticas. Nesse sentido, seria mais eficiente produzir reacts a falas de adversários extremistas do que tentar rivalizar em dancinhas.

Além disso, Iago Yoshimi apontou o problema do engessamento provocado por marqueteiros. Yoshimi destacou que a espontaneidade de Lula em podcasts é o que gera aproximação real com o público. Contudo, o excesso de cautela recomendado pela assessoria acaba travando essa linguagem natural.

Ajustes na imagem e o peso das alianças regionais

Outro fator delicado debatido no ambiente político diz respeito às figuras que cercam o candidato. Luquet e Yoshimi repercutiram uma declaração da ex-senadora Kátia Abreu, que sintetizou os bastidores com a frase “menos Janja e mais Alckmin”, amplamente aplaudida por setores do próprio PT. O comentário reflete a avaliação de interlocutores de que a imagem da primeira-dama gera resistências em certas faixas do eleitorado, enquanto a projeção do vice-presidente acena diretamente para o eleitor de centro e setores produtivos.

Por outro lado, o diagnóstico de analistas políticos e da própria coordenação petista é de que a virada depende fundamentalmente do empenho nas ruas e da superação da abstenção em colégios eleitorais estratégicos. Éboli lembrou que, enquanto a campanha busca conter a abstenção principalmente no Nordeste — onde governadores reeleitos foram acionados para mobilizar a militância —, o tempo corre contra o PT. A criação de fatos políticos diários tornou-se uma necessidade vital para impedir que a candidatura de Flávio Bolsonaro consolide a narrativa de vitória antecipada no noticiário nacional.

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