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Líder do Partido Missão rejeita alianças com Lula e Flávio Bolsonaro e ironiza militância com sinais cifrados nas redes
A apuração do primeiro turno das eleições presidenciais deixou um rastro de frustração e incertezas nos bastidores do Partido Missão. Apesar da intensa presença digital e do engajamento de militantes, o candidato Renan Santos não ultrapassou a marca dos 3% dos votos válidos. O resultado aquém do esperado desencadeou um movimento de forte ressentimento por parte da liderança do partido, que agora se vê no centro de uma disputa acirrada pelo eleitorado de centro-direita para o segundo turno.
Durante o Café do MyNews desta quinta-feira (8), o colunista Iago Yoshimi pontuou que conversou com especialistas e com a campanha de Renan Santos, confirmando que apoiar Lula é um movimento “totalmente inconcebível” e “inviável” para o núcleo da candidatura. Já a jornalista Mara Luquet destacou o clima de desapontamento do líder partidário, notando que a sensação não é de mera mágoa, mas de um “sentimento ressentido” e indignado com a escolha do eleitorado, comparando a postura de Renan à de Ciro Gomes após o pleito de 2018. Por sua vez, Evandro Éboli relembrou a trajetória do MBL e ressaltou que Renan Santos se posicionou vocalmente contra Flávio Bolsonaro, inclusive desferindo duras críticas no final do primeiro turno.
Longe de pregar a neutralidade de forma tradicional, Renan passou a publicar conteúdos cifrados nas redes sociais que têm alimentado especulações em todo o espectro político. Em um dos vídeos mais comentados — citado durante o debate por Iago Yoshimi —, o dirigente exibiu um tapete vermelho “vintage de 1822”, cuja soma dos algarismos do ano resulta no número 13. A referência foi interpretada por militantes como um “apito de cachorro” direcionado à esquerda.
Apesar das provocações e do assédio da militância petista — que tenta atrair os cerca de 2,6 milhões de eleitores do Missão sob o argumento de “sobrevivência política” contra a consolidação de Flávio Bolsonaro —, a cúpula do partido garante que uma aliança com o PT está fora de cogitação. Historicamente ligado ao impeachment de Dilma Rousseff e com um histórico de duras críticas a Lula, Renan Santos já se posicionou de forma taxativa contra a candidatura governista.
A postura de distanciamento, no entanto, coloca o Partido Missão sob pressão dupla. De um lado, interlocutores da candidatura de Flávio Bolsonaro buscam o eleitorado da legenda por enxergá-lo como um voto útil decisivo para o segundo turno. De outro, a própria militância interna do MBL e do Missão demonstra divisão: enquanto parte do eleitorado inclina-se pragmaticamente para o voto no número 22 devido ao antipetismo raiz, a coordenação nacional reluta em conceder apoio à família Bolsonaro.
Entre ironias e desabafos, a bancada do partido tenta digerir os desdobramentos da votação. Mara Luquet e Evandro Éboli reagiram com bom humor às declarações do deputado federal Kim Kataguiri, que brincou nas redes sociais sobre uma promessa antiga de que renunciaria ao mandato caso Renan obtivesse menos de 3% dos votos — descartando a ideia em seguida ao lembrar que seu mandato atual termina em poucos meses e ele já foi reeleito.
Sem indicação oficial de voto nulo ou apoio formal a qualquer dos finalistas, o Partido Missão entra na fase decisiva da campanha isolado, mas ciente de que o seu eleitorado se tornou uma das fatias mais disputadas na reta final da eleição.