Foto: Jovem Pan
Desafios e impasses no ecossistema digital marcam as estratégias de campanha para o 2º turno das eleições presidenciais
A poucas semanas do segundo turno, a adaptação ao ambiente digital virou o fiel da balança no debate político. No Café do MyNews, os jornalistas Mara Luquet, Evandro Éboli e Rudolfo Lago debateram as fragilidades e as apostas das campanhas — especialmente as resistências internas do PT no ecossistema das redes e na disputa pela narrativa pública.
Pesquisa indica Flávio Bolsonaro com 49% e Lula com 45% no segundo turno
Um dos pontos abordados no debate foi o contraste entre a política tradicional e a velocidade exigida pela internet. Para eles, a emergência de novas lideranças parlamentares da esquerda tem demonstrado uma capacidade técnica e articulada de furar bolhas ideológicas.
Além disso, a estratégia da esquerda mudou ao evitar o tom abertamente polarizado. Agora, esses quadros buscam falar diretamente com o eleitor moderado de direita. Como resultado, essa postura surge como um dos raros acertos de comunicação da campanha progressista. No entanto, Éboli e Luquet alertam para a falta de tempo, afinal, a presença dessas jovens lideranças prova que o PT demorou para aproveitar o próprio talento interno.
A grande dificuldade de conexão direta do presidente Lula com a linguagem das redes sociais também entrou em pauta. Enquanto a oposição atua com agilidade orgânica no meio digital, a postura do PT continua centralizada e analógica.
Nesse contexto, o jornalista Rudolfo Lago trouxe análises e alertas feitos pelo ex-ministro Ricardo Berzoini. Em primeiro lugar, Berzoini apontou que o clima de “já ganhou” gerou uma acomodação perigosa no primeiro turno. Consequentemente, a militância produziu pouca mobilização prática na reta inicial.
Por essa razão, Berzoini defendeu a urgência da micro-segmentação de público, inspirando-se no modelo de Barack Obama em 2008. Dessa forma, a campanha deveria abandonar discursos genéricos para focar em nichos específicos, como mulheres e aposentados. Além disso, ele sugeriu um trabalho de “formiguinha” no mapa eleitoral: a equipe precisa cruzar dados para identificar perdas de votos e agir cirurgicamente nesses municípios.
Outro dilema levantado pelos jornalistas diz respeito aos erros estratégicos na construção de narrativas da campanha petista. A insistência em focar no resgate histórico de feitos passados contrasta com a demanda do eleitorado por propostas futuras e por uma presença digital constante.
Ao mesmo tempo, discursos e triunfalismos precoces do campo oposto — liderado por Flávio Bolsonaro — começam a acender alertas pelo risco de tropeços decorrentes do excesso de confiança.
Em uma reta final marcada pelo cancelamento de debates e pela calcificação de votos nas pesquisas, Luquet, Éboli e Lago concluem que o diferencial destas últimas semanas não estará no volume do discurso tradicional, mas sim na eficiência técnica com que cada lado conseguirá dialogar de forma segmentada, ágil e convincente na palma da mão do eleitor.