Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Brasil de Fato
Candidatos prometem manter a transferência de renda, mas divergem sobre o futuro do programa: enquanto o petista propõe aperfeiçoar a proteção social, o senador aposta na qualificação profissional e na inserção no mercado de trabalho
Criado em 2003, durante o primeiro governo Lula, o Bolsa Família se consolidou como uma das principais políticas sociais do país, atendendo atualmente 19,28 milhões de beneficiários. Às vésperas da eleição presidencial de 2026, o programa volta ao centro do debate entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que defendem a continuidade do benefício, mas apresentam propostas diferentes para seu funcionamento e seus objetivos.
Lula promete manter, aperfeiçoar e ampliar as políticas de transferência de renda, com atenção especial a crianças e adolescentes. Em seu plano de governo, não estabelece um novo valor para o benefício, mas reforça o compromisso com a proteção das famílias em situação de vulnerabilidade. O presidente também defende que o crescimento econômico, a geração de empregos de qualidade e os investimentos em educação permitam reduzir, a longo prazo, a dependência do auxílio.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, afirma que manterá os programas sociais, mas propõe utilizá-los como uma ponte para o emprego formal e a autonomia financeira. Seu plano prevê prioridade para beneficiários em ações de qualificação profissional, primeiro emprego e intermediação de mão de obra, além da possibilidade de retorno ao benefício em caso de desemprego, desde que os critérios de elegibilidade sejam atendidos. A proposta também prevê aperfeiçoamento da gestão e combate a fraudes.
Apesar das diferenças, os dois candidatos reconhecem a importância da continuidade do Bolsa Família para famílias de baixa renda. Flávio critica o reajuste de 15,04% anunciado por Lula em setembro de 2026, que elevou o benefício mínimo para R$ 691, mas afirmou que manteria o novo valor caso fosse eleito. O debate envolve ainda a chamada Regra de Proteção, que permite a permanência temporária no programa quando a renda familiar aumenta, buscando evitar que o medo de perder o auxílio desestimule a busca por emprego formal.