O Super Bowl da lama: o “jogo de empurra” no caso Vorcaro CPMI

O Super Bowl da lama: o “jogo de empurra” no caso Vorcaro

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Entre o “Super Bowl” da CPMI e a caça aos privilégios de Dino, Brasília se prepara para o depoimento sem filtros de Vorcaro e o fim da farra dos penduricalhos

O Congresso Nacional vive um verdadeiro jogo de batata quente com o escândalo envolvendo o banqueiro Vorcaro. De um lado, a oposição tenta pendurar a conta no Palácio do Planalto devido aos encontros do empresário com o presidente Lula. Do outro, o governo faz malabarismos para empurrar o empresário direto para o colo do bolsonarismo. Na CPMI do INSS, o mantra que ecoa nos corredores é um só: esse Vorcaro não me pertence.

A expectativa para o dia 26 de fevereiro é cinematográfica, sendo tratada nos bastidores como o Super Bowl da lama política. O empresário prometeu dispensar o habeas corpus e falar tudo, abrindo o coração de peito aberto no Congresso Nacional. Por isso, a recomendação nos bastidores é estocar a pipoca e garantir a poltrona. A guerra de narrativas entre esquerda e direita promete ser um dos eventos mais explosivos do ano legislativo.

Enquanto o circo político se arma, os números revelados são assustadores e mostram a profundidade do buraco. O Banco Master teve mais de 250 mil contratos de crédito consignado suspensos por falta de comprovação de autenticidade. O esquema não atingiu apenas grandes centros, mas também cidades pequenas de 3 mil habitantes, onde o banco assediava regimes de previdência municipal. O prejuízo para os aposentados é grave, pois eles não possuem fundo garantidor.

Paralelamente ao caos do Master, o ministro Flávio Dino emerge no STF como o caçador de penduricalhos do dinheiro público. Dino disparou críticas ácidas contra o que chamou de Império dos Penduricalhos, citando auxílios exóticos como os de panetone e peru. O ministro determinou um pente-fino em gratificações que extrapolam o teto constitucional em todas as esferas. Com sua ironia fina, ele busca colocar ordem no orçamento enquanto o Congresso se perde em disputas de poder.

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