CPMI do INSS caminha para o fim atirando para todos os lados Reunião da CPMI do INSS nesta quinta-feira, que aprovou convocação da Martha Graeff, ex-namorada de Vorcaro | Foto: Evandro Éboli/MyNews

CPMI do INSS caminha para o fim atirando para todos os lados

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Nesta quinta, oposição e governo aprovaram ida de ex-namorada de Vorcaro e acertaram levar Galípolo e Roberto Campos, ex-BC, na comissão

Nos seus últimos suspiros, a CPMI do INSS caminha para seu fim atirando para todos os lados. Nesses oito meses de funcionamento, a comissão ouviu envolvidos e acusados relevantes esquema – caso do “Careca do INSS” -, trouxe algumas revelações, mas deu muito palco e palanque para seus integrantes, todos de olho nas eleições de outubro. A ordem foi lacrar.

Nesta quinta (12), a CPMI, em acordo entre governo e oposição, aprovou a convocação de Martha Graeff, ex-namorada de Daniel Vorcaro, e do pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro e um de seus principais braços no esquema apontado pela Polícia Federal, no qual o dono do Master é apontado como “chefe da organização criminosa”.

Martha aparece na primeira leva, até agora, de quebra de sigilo dos dados de Vorcaro entregue à CPMI como interlocutora privilegiada das articulações do ex-namorado com autoridades de todos os Poderes. Por essa razão, entende o deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), autor do requerimento, a necessidade de ouvi-la:

“Na condição de pessoa de extrema confiança de Daniel Vorcaro, a Sra. Martha Graeff pode fornecer detalhes essenciais sobre a rotina, os contatos e a rede de influência que o Banco Master mantinha em Brasília, o que é crucial para entender se houve facilitação em negócios ou blindagem jurídica”, afirmou Kim Kataguiri, na sua justificativa.

No acordo ainda ficou acertado que a CPMI irá votar semana que vem a convocação do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e de seu antecessor, Roberto Campos Neto. Lembrando que ministros do STF têm emitido decisões desobrigando convocações de autoridades. Campos já foi beneficiado por uma decisão dessa natureza.

Na reunião desta quinta, o governo impôs sua maioria e conseguiu barrar algumas convocações, caso da empresária Roberta Lucshinger, que já foi alvo de uma operação da Polícia Federal e que é apontada como amiga de Lulinha, para quem, diz a oposição, teria feito repasses de dinheiro. Ela é próxima de Camilo Antunes, o Careca do INSS.

O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já anunciou que irá recorrer ao STF para tentar prorrogar o prazo de funcionamento da comissão, que se encerra no final desse mês de março. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não deverá atender ao pedido de que se estenda os trabalhos.

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