Foto: Ricardo Stuckert e Vittor Sales
planos de governo
Candidatos ao segundo turno apresentam visões distintas sobre desmatamento, transição energética e mineração, mas coincidem na exploração da Margem Equatorial
Segundo reportagem de Emanuelle Menezes, publicada originalmente pelo portal SBT News, os candidatos ao segundo turno presidencial, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), apresentam caminhos divergentes para o setor socioambiental e de energia no Brasil. As propostas dos programas de governo para a gestão 2027-2030 contrastam no papel do Estado, na regulação e nas metas climáticas.
Na agenda contra o desmatamento, as metas e abordagens diferem. O senador Flávio Bolsonaro propõe zerar a derrubada ilegal até 2029. Para isso, ele planeja investir em monitoramento por satélite e inteligência artificial. Além disso, defende fortalecer a fiscalização sem criar regras adicionais para produtores rurais.
Por outro lado, o presidente Lula visa ao desmatamento líquido zero até 2030. Sua estratégia combina o combate à degradação com a recuperação florestal. Além disso, o petista sugere ampliar terras destinadas a unidades de conservação, terras indígenas e quilombolas.
Apesar das divergências ideológicas, ambos os postulantes concordam sobre a exploração de petróleo na Margem Equatorial. Para os dois candidatos, a região representa um ativo estratégico para a segurança energética e a arrecadação.
No entanto, as divergências reaparecem na matriz energética:
Flávio Bolsonaro: defende acelerar o licenciamento ambiental e expandir a infraestrutura de gás natural. Além disso, apoia o uso de fracking (fraturamento hidráulico) e a redução de encargos na conta de luz.
Lula: foca em metas de redução de emissões e no fortalecimento de fundos públicos, como o Fundo Clima. Paralelamente, prioriza a expansão de renováveis e o combate à pobreza energética.
No setor mineral, a disputa estratégica ganha contornos geopolíticos. O Brasil possui reservas expressivas de minerais essenciais para tecnologias limpas.
De um lado, Flávio Bolsonaro sugere parcerias diretas com os Estados Unidos. O objetivo é atrair investimentos privados e reduzir a dependência ocidental da China. Por outro lado, Lula enfatiza a agregação de valor nacional. O petista defende o processamento interno da matéria-prima para fortalecer a indústria brasileira.