Foto: Congresso em Foco
Felipe Salto defende aprovação de um plano de consolidação das contas públicas ainda em 2026, com medidas graduais ao longo de quatro anos e foco no controle de gastos obrigatórios e renúncias fiscais
A eventual eleição de Flávio Bolsonaro (PL) não assegura, por si só, o equilíbrio das contas públicas, avalia Felipe Salto, economista-chefe e sócio da Warren Investimentos, em entrevista ao Painel S.A., da Folha. Segundo ele, a reação positiva do mercado financeiro à vitória do senador no primeiro turno não significa que o país terá automaticamente uma trajetória fiscal sustentável. O próximo presidente, independentemente de quem vencer, precisará apresentar um programa consistente de ajuste diante de uma dívida pública elevada e crescente.
Para Salto, o plano fiscal deve ser aprovado ainda neste ano, mas implementado gradualmente, ao longo de quatro anos, para evitar impactos excessivos sobre a atividade econômica. Entre as prioridades estão conter o avanço das despesas obrigatórias e revisar os gastos tributários, que incluem renúncias fiscais. O economista considera inviável um corte abrupto de despesas, especialmente diante da perspectiva de crescimento de apenas 1% do PIB em 2027, e avalia que uma correção brusca poderia provocar recessão e dificultar a aprovação das medidas no Congresso.
O economista também defende o aproveitamento do atual arcabouço fiscal, com ajustes nos parâmetros e a adoção de um limite mais restritivo, em vez da criação de novas regras a cada mandato. Na avaliação dele, o debate precisa deixar de se concentrar no desenho das normas e avançar para medidas concretas de reorganização das contas públicas. Com a pressão fiscal estimada em R$ 48,6 bilhões decorrente de medidas eleitorais do governo Lula, o próximo presidente terá de compatibilizar a revisão do Orçamento de 2027 com a construção de um superávit, sem comprometer de forma abrupta o crescimento econômico.