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Pesquisa com 2 mil pessoas mostra que 78% consideraram verdadeira uma notícia falsa construída com tom sensacionalista
Um estudo do Laboratório de Inteligência sobre Narrativas e Algoritmos (LINA), do Instituto Oyá, mostrou como o apelo emocional pode aumentar a adesão a conteúdos falsos durante o período eleitoral. Em um teste com 2 mil participantes, uma notícia falsa sobre eventos climáticos extremos foi considerada verdadeira por 78% dos entrevistados.
A narrativa comparava as enchentes no Rio Grande do Sul ao furacão Katrina, nos Estados Unidos, e utilizava informações inventadas em um tom sensacionalista. Em contraste, uma notícia verdadeira, baseada em dados técnicos e históricos do Cemaden e do INPE, teve adesão de 69% dos participantes.
Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a carga emocional de uma narrativa pode se sobrepor à evidência científica e à checagem de fatos. Para o estudo, esse cenário representa um risco para o ambiente informativo durante o ano eleitoral, especialmente diante da circulação rápida de conteúdos nas plataformas digitais.
A pesquisa também apontou preocupação com o uso da inteligência artificial na produção de desinformação. Oito em cada dez brasileiros, ou 81%, afirmaram saber que a tecnologia pode produzir deepfakes, como vídeos, imagens e áudios manipulados. Os pesquisadores avaliam que a combinação entre ferramentas de IA, narrativas emocionalmente persuasivas e baixa confiança nas instituições pode aumentar a vulnerabilidade à desinformação.