PT precisa se reinventar após resultado eleitoral, avalia cientista político Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

PT precisa se reinventar após resultado eleitoral, avalia cientista político

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André César aponta arrogância, erros estratégicos e dificuldade do partido em dialogar com novos segmentos do eleitorado como fatores para o desempenho nas urnas

O resultado do primeiro turno expôs fragilidades na estratégia do PT e reacendeu o debate sobre a necessidade de renovação do partido. Na avaliação do cientista político André César, a legenda precisa repensar sua atuação e até iniciar uma espécie de “refundação” para evitar o risco de se tornar anacrônica. Para ele, o PT perdeu capacidade de diálogo com segmentos importantes da sociedade, como empreendedores, trabalhadores de aplicativos e profissionais autônomos. César também reconhece a existência de uma postura de arrogância e soberba dentro do partido, além de classificar a campanha como “atabalhoada” e marcada por decisões tomadas de forma reativa.

Para o segundo turno, o especialista considera que a disputa permanece aberta e que a campanha de Lula terá como principal desafio conquistar os eleitores que não compareceram às urnas. Mais de 30 milhões de pessoas se abstiveram, segundo a análise apresentada na entrevista, e esse contingente pode ser decisivo em uma eleição apertada. César também alerta para a necessidade de evitar novos episódios que possam ser explorados nas redes sociais. Segundo ele, a direita demonstrou maior domínio do ambiente digital, enquanto a esquerda continua “três passos atrás”. Nesse cenário, declarações improvisadas e episódios envolvendo religião, símbolos nacionais e outras controvérsias podem ganhar proporções maiores durante a campanha.

A entrevista também destacou a mudança no cenário político nacional e o crescimento do PL, que surpreendeu parte dos analistas. César avaliou que o PT subestimou a candidatura de Flávio Bolsonaro e esperou que uma frente ampla e a exploração de denúncias envolvendo o chamado caso Master fossem suficientes para garantir vantagem. Para o cientista político, o resultado mostra que há muitos derrotados entre os principais caciques da política tradicional e levanta dúvidas sobre a composição do Congresso a partir do próximo ano. Ele ainda criticou a crescente presença de influenciadores na política, defendendo a valorização de políticos com experiência e capacidade de articulação para lidar com o novo cenário parlamentar.

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