A guerra na era digital: tecnologia, inteligência artificial e dilemas éticos Ataques de EUA e Israel atingem infraestrutura em Teerã enquanto aliados do Irã se limitam a manifestações diplomáticas de apoio. Foto: Arash Khamooshi

A guerra na era digital: tecnologia, inteligência artificial e dilemas éticos

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Estudo da Ativaweb identifica mais de 178 milhões de menções nas redes sobre guerra entre EUA, Israel e Irã

Levantamento aponta forte predominância de críticas ao conflito e revela que a guerra também está sendo travada no ambiente digital

Um estudo conduzido pela Ativaweb DataLab, empresa brasileira especializada em análise de Big Data e comportamento digital, identificou 178.547.988 menções nas redes sociais relacionadas ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã desde o início da escalada militar no Oriente Médio.

A análise considerou dados públicos de plataformas como Facebook, Instagram, X, TikTok e YouTube, utilizando técnicas de engenharia de interpretação algorítmica para mapear volume de menções, hashtags predominantes, líderes políticos citados e sentimento digital associado ao tema.

Segundo o levantamento, o conflito rapidamente se transformou em um evento narrativo global, com forte repercussão nas redes sociais em diferentes regiões do planeta.

“O volume de interações mostra que a guerra não está restrita ao campo militar. Ela também ocorre no ambiente digital, onde bilhões de pessoas acompanham, comentam e interpretam os acontecimentos em tempo real”, explica Alek Maracajá, CEO da Ativaweb e especialista em análise de dados digitais.

A análise também aponta que a guerra contemporânea está cada vez mais associada à disputa informacional nas plataformas digitais. Vídeos e imagens criados com inteligência artificial passaram a circular amplamente nas redes sociais mostrando explosões, ataques ou situações militares que muitas vezes nunca aconteceram.

Conteúdos manipulados digitalmente mostram, por exemplo, mísseis atingindo cidades ou cenas de combate simuladas que rapidamente ganham grande alcance nas plataformas.

Esse fenômeno contribui para confundir a percepção pública do conflito e reforça o papel da desinformação como uma nova ferramenta estratégica em guerras contemporâneas.

Brasil aparece entre os países que mais discutem o conflito

O estudo identificou os países com maior volume de interações sobre o tema. Estados Unidos, Israel e Irã lideram o debate global, seguidos por países com forte presença digital ou interesse geopolítico.

Entre os dez países com maior volume de menções estão:

Estados Unidos
Israel
Irã
Brasil
Turquia
Índia
Alemanha
Reino Unido
França
Canadá

De acordo com a análise da Ativaweb, o Brasil aparece entre os quatro países que mais discutem a guerra nas redes, reflexo do alto nível de participação da população brasileira em plataformas digitais e do impacto econômico global do conflito.

Sentimento digital mostra maioria crítica à guerra

Além do volume de interações, o estudo analisou o sentimento predominante nas conversas digitais.

Os dados indicam que 48% das menções apresentam posicionamento crítico em relação ao conflito, enquanto 32% têm caráter informativo ou neutro e apenas 20% demonstram apoio às ações militares.

Entre os principais fatores associados às críticas estão:

* temor de escalada militar global
* impacto no preço do petróleo e da energia
* preocupação com vítimas civis
* risco de ampliação do conflito no Oriente Médio

“A análise de sentimento mostra que, mesmo em países aliados aos Estados Unidos ou a Israel, o debate digital apresenta forte presença de questionamentos sobre os impactos econômicos e humanitários da guerra”, afirma Maracajá.

Guerra também ocorre no campo da tecnologia

O estudo aponta ainda que o conflito atual possui forte dimensão tecnológica.

Segundo a Ativaweb, operações de guerra cibernética, inteligência artificial militar, drones, satélites e sistemas de análise de dados fazem parte da dinâmica estratégica do confronto.

Empresas de tecnologia como Google, Amazon, Microsoft, Palantir e Nvidia aparecem no debate internacional por fornecerem infraestrutura digital, serviços de nuvem ou sistemas de inteligência utilizados em ambientes militares.

“Os conflitos contemporâneos não são travados apenas com armas. Eles também envolvem dados, infraestrutura digital e disputa de narrativas nas redes sociais”, afirma o especialista.

Conflito se transforma em fenômeno global de percepção pública

Para a Ativaweb DataLab, o volume de dados coletados demonstra que a guerra ultrapassou o campo geopolítico tradicional e passou a impactar diretamente o ambiente informacional global.

“Em um mundo hiperconectado, guerras não são apenas travadas com armas. Elas são interpretadas, amplificadas e didisputadas no ambiente digital”, conclui Maracajá.

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