É O PIX, IDIOTA Manifestações

É O PIX, IDIOTA

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Na manifestação de apoio a Lula na Paulista, dificuldades para receber pagamentos frustraram ambulantes e alimentaram teaoria da conspiração contra o queridinho dos brasileiros

É o Pix, idiota. Na Avenida Paulista tomada por apoiadores de Lula neste domingo (11), a adaptação da conhecida frase sobre o peso da economia nas eleições ganhou sentido entre vendedores de churrasquinho e cerveja. Havia uma multidão de potenciais clientes. O problema, segundo os ambulantes que entrevistei, era receber.

 

A reclamação se repetia: o sinal de celular não pegava, os pagamentos por Pix não se completavam e os cartões também apresentavam dificuldades. Mas era o Pix que dominava as conversas. Sem ele, público grande não se traduzia em dinheiro no bolso.

Adriano, um dos vendedores com quem conversei, esperava faturar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil. Segundo seu relato, conseguiu apenas R$ 800, recebidos em dinheiro. A maior parte de suas vendas costuma sair por Pix. Neste domingo, a dificuldade para concluir as transferências frustrou a expectativa de aproveitar o movimento.

Ele frequenta manifestações de diferentes campos políticos. Vai a atos de esquerda, de direita, onde houver gente e oportunidade de vender. Seu termômetro é o de quem trabalha no meio da multidão: considerou enorme a manifestação de apoio a Lula, a maior que viu nos útimos tempos. Essa percepção não é uma contagem de público. É a avaliação de um comerciante habituado a circular nesses eventos.

Para os vendedores ouvidos, a questão mais urgente era quanto daquela multidão conseguiria comprar. Eles estavam ali para trabalhar. A falta de conexão interrompia as vendas e aumentava a irritação.

Foi nesse ambiente que começou a tomar forma uma teoria da conspiração contra Flávio Bolsonaro. Nas conversas que ouvi, surgiu a suspeita de que ele, por seu alinhamento com Trump, teria orquestrado um boicote ao Pix durante a manifestação de Lula.

Não apareceu evidência que sustentasse essa acusação. Os relatos sobre dificuldades de conexão não permitem concluir que houve sabotagem, muito menos atribuí-la a um candidato. A hipótese parecia pouco provável, mas encontrou terreno na frustração de quem via clientes à frente e não conseguia receber.

É nesse sentido que a falta de conexão pode ter colaborado com a campanha de Lula: além de irritar os comerciantes, alimentou uma narrativa desfavorável ao adversário. Não é possível afirmar que tenha mudado votos. Mas, entre os vendedores entrevistados, o problema de pagamento ganhou interpretação política.

O episódio também mostrou como o Pix pode pesar nesta eleição. Para quem depende dele para vender uma cerveja ou um churrasquinho, sua importância aparece no caixa, antes de aparecer no discurso de qualquer candidato. A perspectiva de ficar sem esse meio de pagamento toca diretamente a renda de quem está no corre.

Adriano resumiu esse impacto em dois valores: os R$ 3 mil a R$ 4 mil que esperava vender e os R$ 460 que disse ter recebido em dinheiro. Entre uma cifra e outra, havia uma multidão e uma conexão que não funcionava.

Na Paulista, o Pix também esteve presente. Pela falta que fez.

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