O sequestro do orçamento pelos penduricalhos e votos Foto: Agência Brasil CONTAS PÚBLICAS

O sequestro do orçamento pelos penduricalhos e votos

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O sequestro de recursos por penduricalhos da elite e isenções eleitoreiras asfixia instituições, deixa idosos sem recursos e abandona empresas estratégicas à própria sorte

O Orçamento brasileiro foi sequestrado por uma elite corporativista e pelo populismo eleitoreiro. Não é apenas uma má gestão, o que já seria bem grave. O que vemos hoje é uma simbiose perversa: de um lado, o festival de penduricalhos que blinda o topo da pirâmide do funcionalismo. De outro, as políticas populistas atrás de votos. A mais recente delas a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil feaks. Isenção de ocasião para a classe média atrás do aplauso fácil, que não se confirmou dizem as pesquisas de popularidade, mas ajuda a cavar o abismo fiscal onde as políticas públicas estão sendo jogadas.

É a política do “curto prazo” vencendo qualquer projeto de nação. Enquanto Brasília se perde em acenos eleitorais, o motor do Estado funde por falta de óleo.

A realidade não perdoa o deboche orçamentário. No BPC, o Benefício de Pestação Continuada, que atende idosos, o que vemos é uma crueldade burocrática: uma multidão perdeu seu tostão da sobrevivência. Enquanto isso o dinheiro vaza por frestas muito mais bem articuladas no Legislativo e no Judiciário.

Até a soberania nacional entra no balcão de liquidação. Olhe para a Avibras: o sindicato teve que fazer o papel que seria do Estado para garantir pagamentos, porque o governo simplesmente lavou as mãos. Não há investimento, não há aporte, não há amanhã para uma empresa estratégica. O Estado brasileiro abdicou de governar para apenas “gerir o varejo” dos votos.

O Ministério Público da União é o exemplo mais recente que tive acesso dessa autofagia. O órgão está sendo corroído por dentro. Enquanto o servidor vê o orçamento do órgão ser consumido pelos penduricalhos dos membros, o reajuste e a qualificação básica ficam no papel. Além disso, o MPU está desativando vários polos de atendimento, por exemplo.

O Brasil está parando porque o Orçamento deixou de ser uma ferramenta de desenvolvimento para ser um mecanismo de transferência de renda reversa. O paroquialismo venceu a nação. E olha que eu ainda nem entrei no esgoto das emendas parlamentares. Ali é onde o pouco que sobra de transparência é enterrado sem direito a velório.

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