A explosão do preço petróleo ameaça a economia brasileira Oriente Médio

A explosão do preço petróleo ameaça a economia brasileira

Tamanho do texto:

Guerra arrasta a economia global. No Brasil, o choque nos combustíveis pode pressionar a inflação e ameaça retardar a queda dos juros no Copom

O preço do petróleo chegou a bater os 120 dólares na madrugada desta segunda-feira. É o maior preço em 4 anos. O fechamento do Estreito de Ormuz pode provocar fortes interrupções na oferta de petróleo e levar o barril a US$ 150 ou mais, dizem analistas. Com relatos de cortes de produção em países do Golfo e riscos crescentes ao transporte marítimo, o mercado teme uma escassez significativa de petróleo caso o conflito se prolongue. O Brasil não passará ileso e sofrerá os impactos. O maior deles neste momento pode ser o enfraquecimento num esperado início de afrouxamento monetário. A expectativa era de cortes de 0,5 ponto percentual, mas esta expectativa já se reduziu para 0,25 e há quem acredite que nem mesmo isso ocorra na próxima reunião do Copom.

Ramon Coser, sócio da Valor Investimentos, diz que o mercado perdeu completamente a sua referência de preços. O Irã escala a crise ao nomear líderes radicais. Simultaneamente, Israel e os Estados Unidos intensificam os ataques. Por causa disso, a imprevisibilidade toma conta de tudo. Consequentemente, oscilações extremas vão ditar o ritmo da economia global no curto prazo.

Imediatamente, o choque atinge em cheio a Petrobras e a inflação brasileira. Hoje, a estatal enfrenta um dilema urgente. Ela precisa repassar a alta do petróleo para as refinarias. Afinal, essa medida protege o caixa da empresa. Contudo, esse repasse impulsiona o IPCA na mesma hora. Coser relembra os erros da gestão Dilma. Naquela época, o governo segurou artificialmente os preços e destruiu o balanço da companhia. Logo, a Petrobras fará o reajuste para evitar um novo desastre econômico.

Inevitavelmente, esse aumento nos combustíveis pressiona o Banco Central. Como o próprio mercado já antecipa, a ameaça inflacionária freia o otimismo. Ainda assim, Coser enxerga algum espaço para a redução, pois o IPCA anterior fechou em baixa. No entanto, o Copom adotará extrema cautela. Desse modo, a autoridade monetária aplicará um corte muito mais tímido apostam alguns analistas.

Além da energia, a crise contamina toda a cadeia global. O choque encarece desde os fertilizantes até as passagens aéreas. Polos logísticos gigantes, como Dubai, perdem voos e esvaziam seus aeroportos. Em suma, a geopolítica do petróleo cria um efeito dominó implacável. Ela eleva o custo de vida e derruba o consumo no mundo inteiro.

Compartilhar:

Relacionados