Jornal Do MyNews
Analista da Stratton Capital avalia como a pesquisa Quaest e a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro influenciam as expectativas dos investidores e o desempenho dos ativos brasileiros
A disputa eleitoral já movimenta as expectativas dos investidores no Brasil. Em entrevista ao Jornal MyNews nesta quarta-feira (14), Vinicius Flores, analista de ações da Stratton Capital Investment Advisory, comentou a reação do mercado à pesquisa Quaest. O levantamento mostra Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto, contra 44% de Lula em um eventual segundo turno. Segundo Flores, o mercado tem reagido de forma positiva a esse cenário, especialmente diante da possibilidade de vitória de Flávio. Para ele, essa leitura está ligada às expectativas econômicas dos investidores, e não necessariamente às suas preferências políticas.
Além da disputa eleitoral, Flores destacou a influência do mercado internacional sobre a bolsa brasileira. Segundo o analista, investidores estrangeiros têm papel importante na movimentação dos ativos nacionais. Para acompanhar esse fluxo, ele citou o EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que reúne ações brasileiras. De acordo com sua análise, o ativo registra uma valorização expressiva no ano, em linha com o movimento de outros mercados emergentes, como o colombiano.
No entanto, Flores apontou uma diferença no comportamento recente desses mercados. Enquanto bolsas de outros países emergentes ficaram relativamente estáveis durante determinados períodos, os ativos brasileiros avançaram com as notícias sobre a eleição. Assim, o analista avalia que a disputa política interna passou a influenciar as decisões dos investidores. Esse movimento se soma às tendências internacionais e pode afetar as expectativas para a bolsa brasileira.
Apesar da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro na pesquisa Quaest, o resultado indica empate técnico com Lula, considerando a margem de erro do levantamento. O cenário também inclui 8% de votos brancos e nulos e 7% de eleitores indecisos. Esses números mostram que parte do eleitorado ainda não definiu sua posição.
Já na pesquisa espontânea, em que os entrevistados citam seus candidatos sem receber uma lista de nomes, Flávio aparece com 43%, enquanto Lula registra 42%. Portanto, os dois cenários apontam uma disputa equilibrada. Para Flores, o cenário eleitoral merece atenção dos investidores, pois as expectativas sobre o resultado podem influenciar o comportamento dos ativos brasileiros.