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risco global?
Crescimento de 2,3% veio dentro do esperado, mas desaceleração interna e tensão no Oriente Médio elevam incertezas sobre inflação e Selic
O Brasil encerrou 2025 com crescimento de 2,3%, número que confirmou as projeções do mercado e consolidou a expansão da atividade econômica. Ainda assim, o resultado mostra desaceleração em relação ao ano anterior e acende o alerta sobre o ritmo de 2026.
Segundo o economista Arnaldo Lima, o dado não altera, por enquanto, o cenário da política monetária. “Veio exatamente em linha com o que os analistas esperavam. Isso não muda a aposta de redução de 0,5 ponto percentual da Selic na próxima reunião”, afirma.
Apesar de o PIB brasileiro ter superado o desempenho de alguns emergentes, o país continua abaixo da média global. Além disso, a desaceleração da formação bruta de capital fixo indica menor ritmo de investimentos, fator que pode limitar o crescimento potencial nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, o cenário internacional adiciona incerteza. A guerra entre Irã e Estados Unidos pressiona o mercado de petróleo e aumenta o risco de impacto sobre inflação e juros no Brasil. Como consequência, investidores monitoram com mais atenção os desdobramentos geopolíticos.
Para Arnaldo, o principal risco no curto prazo está em um choque de oferta. “Choques de oferta tendem a reprecificar o horizonte da política monetária. O canal das expectativas passa a ditar o ritmo”, explica.
Caso o petróleo avance de forma persistente, o IPCA pode sofrer pressão adicional. Ainda assim, o Brasil entra nesse cenário com inflação projetada abaixo de 4% e mercado de trabalho resiliente. Por isso, o país apresenta uma posição mais confortável do que em crises anteriores.
Mesmo assim, a combinação entre desaceleração interna, volatilidade global e ano eleitoral mantém a economia brasileira no centro do debate. O impacto político do crescimento mais moderado ainda é incerto, mas deve ganhar espaço à medida que 2026 se aproxima.