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DÍVIDA EXTERNA
O especialista Vinícius Flores pondera que, apesar do custo fiscal elevado, volume de reservas garante estabilidade no curto prazo
O Brasil voltou a registrar uma dívida externa superior ao volume de reservas internacionais — marca de US$ 400 bilhões que encerra um ciclo de 19 anos em que o país se manteve como credor líquido. Em entrevista ao Canal MyNews, o analista Vinícius Flores explicou que a mudança reflete o déficit contínuo nas transações correntes, impulsionado pela remessa de lucros de multinacionais e pelo aumento do consumo de serviços e produtos importados. No entanto, o especialista descarta o risco de ataques especulativos no curto prazo. Afinal, o estoque de divisas do Banco Central ainda garante estabilidade ao mercado cambial.
Além disso, Flores destacou o descompasso entre o custo da dívida e o crescimento do país. Como grande parte da dívida segue atrelada à taxa Selic, o custo de rolagem gira em torno de 12,5% ao ano. Em contrapartida, o crescimento nominal do PIB fica entre 5% e 7%. Assim, essa equação faz com que a relação dívida/PIB cresça a cada ano.
No front político, o especialista falou sobre o uso de plataformas internacionais de predição, como Polymarket e Kalshi. Atualmente, o mercado financeiro utiliza essas ferramentas porque elas precificam cenários em tempo real. Segundo Flores, esses dados indicam uma tendência de vitória de Flávio Bolsonaro sobre Lula no segundo turno. Assim, por serem mais dinâmicas do que as pesquisas tradicionais, essas cotações ajudam os investidores a antecipar os movimentos da Bolsa de Valores (B3).
Diante deste cenário de volatilidade e pressão fiscal, Vinícius Flores recomenda que o investidor foque na proteção patrimonial e na diversificação geográfica de ativos. O analista orienta ampliar a exposição em moedas fortes, como o dólar, e buscar participação no ciclo global de inteligência artificial por meio de grandes empresas de tecnologia no exterior ou via BDRs. A alocação internacional surge, na avaliação do especialista, como a principal estratégia para mitigar os riscos de longo prazo associados ao custo fiscal brasileiro.