A Instituição Fiscal Independente (IFI) divulgou nesta quinta-feira (19) o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de março, que aponta melhora no resultado primário agregado dos municípios brasileiros em 2025, ao mesmo tempo em que evidencia o avanço dos gastos com o Benefício de Prestação Continuada (BPC). O documento também chama atenção para riscos fiscais decorrentes do cenário internacional, marcado por conflitos e instabilidade econômica .
Na abertura do relatório, os diretores da IFI destacam que a combinação entre fragilidade fiscal interna e turbulências externas tem impactado negativamente as expectativas para a economia brasileira. Segundo a análise, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pressiona os preços do petróleo e ameaça o comércio global, podendo gerar reflexos sobre inflação, juros e crescimento econômico no país.
Diante desse cenário, a IFI optou por aguardar maior clareza sobre os desdobramentos internacionais antes de revisar projeções mais detalhadas. Ainda assim, o relatório aponta que variáveis como arrecadação, resultado da Petrobras, dividendos e custo da dívida pública podem ser diretamente afetadas, ampliando os desafios fiscais no curto e médio prazo.
No campo das despesas, o destaque é o crescimento do BPC, que somou R$ 127,2 bilhões em 2025 — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB) e a 5,3% da despesa primária da União. Trata-se do maior aumento médio real entre as principais despesas primárias nos últimos dez anos, impulsionado tanto pela valorização do salário mínimo quanto pelo aumento do número de beneficiários.
A tendência de alta deve continuar nos próximos anos. Segundo a IFI, os gastos com o benefício podem alcançar entre 1,2% e 1,4% do PIB até 2035, o que reforça a pressão estrutural sobre as contas públicas. O relatório também aponta que a expansão do programa tem relação com fatores como envelhecimento da população, ampliação de diagnósticos e aumento de concessões judiciais.
Por outro lado, o RAF indica melhora no resultado primário dos municípios, que atingiu 0,05% do PIB em 2025. Apesar do avanço, a IFI ressalta que o cenário fiscal é bastante desigual entre as cidades brasileiras. A maioria dos municípios é de pequeno porte e altamente dependente de transferências federais e estaduais — nas cidades com menos de 10 mil habitantes, essa dependência chega a 88% das receitas primárias.