Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo
MEI
País alcança 23,9 milhões de empresas ativas, enquanto 7,7 milhões enfrentam dificuldade para pagar dívidas
O Brasil encerrou 2025 com um número recorde de pequenos negócios ativos: 23,9 milhões de CNPJs, segundo levantamento do Sebrae com base em dados da Receita Federal. O crescimento foi de 9,7% em relação a 2024, mesmo em um cenário marcado por juros elevados e desaceleração econômica.
Apesar da expansão, o avanço vem acompanhado de um sinal de alerta. O número de empresas inadimplentes também atingiu recorde, chegando a 7,7 milhões — alta de 27% em comparação com 2022. O dado reflete as dificuldades enfrentadas por empreendedores em um ambiente de crédito mais caro e custos financeiros elevados.
Ao longo de 2025, foram abertas 4,9 milhões de empresas, enquanto 2,8 milhões fecharam as portas. O movimento indica um mercado dinâmico, mas também marcado por alta rotatividade e desafios na sobrevivência dos negócios.
A composição dos pequenos negócios também mudou nos últimos anos. Os microempreendedores individuais (MEIs), que representavam 59,7% em 2022, passaram a 51,8% no fim de 2025. Já as micro e pequenas empresas (MPEs) cresceram de 40,3% para 48,2% no mesmo período, aproximando-se do total de MEIs.
O setor de serviços lidera com folga, concentrando 54,8% dos pequenos negócios, seguido pelo comércio (28,1%), indústria (8,8%) e construção civil (7,6%). Segundo o Sebrae, essa predominância reforça o perfil urbano da economia brasileira, fortemente baseada em atividades de prestação de serviços.
São Paulo concentra a maior quantidade de pequenos negócios do país, com 6,9 milhões de empresas — cerca de 29% do total nacional. Ainda assim, o estado aparece apenas na terceira posição proporcional, com 18 mil negócios por 100 mil habitantes, atrás de Santa Catarina e Paraná.
Mesmo com condições financeiras mais restritivas, o crédito segue em expansão. A carteira de crédito dos MEIs cresceu 82,8% entre 2022 e 2025, alcançando R$ 70,2 bilhões. Já entre as micro e pequenas empresas, o aumento foi de 34,7%, chegando a R$ 512,8 bilhões.
Para o Sebrae, o cenário mostra um paradoxo: enquanto o empreendedorismo segue forte, impulsionado pela abertura de novos negócios, a sustentabilidade dessas empresas enfrenta maior pressão. A combinação de juros altos, crescimento moderado da economia e aumento dos custos tem dificultado a capacidade de parte dos empreendedores de manter as contas em dia.