Dinheiro, Real Moeda brasileira. Foto: José Cruz / Agência Brasil
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Alfredo Cardoso afirma que o modelo brasileiro concentra custos demais no hospital e defende atenção primária, reabilitação e home care como caminhos para reduzir desperdícios
Metade do custo da saúde suplementar no Brasil está concentrada na internação, mas, para Alfredo Cardoso, CEO do Grupo Valsa Saúde, o problema central não é a falta de leitos, e sim o uso errado deles. Em entrevista ao My News, o executivo afirmou que o sistema brasileiro segue excessivamente dependente do hospital de alta complexidade, mesmo em casos que poderiam ser resolvidos fora dele, com mais eficiência e menor custo.
Segundo Cardoso, o hospital virou ao mesmo tempo o centro e o gargalo da assistência. Isso porque estruturas de alta complexidade, desenhadas para atender casos graves, acabam sendo usadas também por pacientes de média e baixa complexidade ou por pessoas que já poderiam ter deixado esse ambiente, mas seguem internadas além do necessário. Na avaliação dele, essa lógica encarece toda a cadeia, já que o custo da estrutura hospitalar é diluído mesmo entre pacientes que não precisam de toda a tecnologia disponível.
A aposta da Valsa Saúde é inverter essa lógica com uma jornada mais centrada no paciente. O grupo atua com atenção primária, acompanhamento de pessoas com doenças crônicas, reabilitação pós-hospitalar e home care. A ideia, segundo o CEO, é oferecer cuidado no tempo certo, evitar idas desnecessárias ao pronto-socorro e reduzir o tempo de permanência em hospitais de alta complexidade. “O que ele precisa agora é menos tech e mais touch”, resumiu Cardoso ao defender um modelo mais voltado à recuperação funcional do paciente.
Cardoso diz que o desafio agora é cultural e financeiro. De um lado, o paciente brasileiro foi acostumado a buscar o hospital como primeira resposta. De outro, o sistema ainda remunera melhor quem realiza mais procedimentos, e não necessariamente quem gera mais eficiência. Segundo ele, pacientes acompanhados de forma proativa pelo grupo chegam a ter custo até 35% menor do que perfis semelhantes fora desse modelo. Para o executivo, sem mudar a lógica de pagamento e o foco da assistência, a saúde suplementar tende a ficar “cada vez mais cara, mais excludente” e distante das necessidades reais da população.