Descompasso na aposentadoria: 92% dos brasileiros não veem garantia de estabilidade financeira em INSS Itaboraí (RJ) - Hospital Tavares Bastos, local já serviu de hospital-colônia durante a época do isolamento compulsório das pessoas com hanseníase e, ainda hoje, é residência para dezenas de pacientes e ex-pacientes (Tomaz Silva/Agência Brasil) INSS

Descompasso na aposentadoria: 92% dos brasileiros não veem garantia de estabilidade financeira em INSS

Tamanho do texto:

Pesquisa revela que a maioria da população reconhece as limitações do INSS, mas a preocupação ainda não se traduz em planejamento concreto

A dependência da previdência pública como única fonte de renda no futuro perdeu força no imaginário do brasileiro. Uma pesquisa nacional realizada pela Icatu Seguros em parceria com a agência Conversion revelou que 92% dos entrevistados acreditam que os benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) não serão suficientes para assegurar sua estabilidade financeira na velhice. Além disso, expressivos 95% das pessoas declaram não possuir recursos suficientes para parar de trabalhar no momento.

Apesar da percepção nítida dos riscos, há um claro descompasso entre a conscientização da população e a ação prática de poupar. O levantamento aponta que 62% dos brasileiros não possuem plano de previdência privada, enquanto 49% afirmam que ainda nem começaram a se organizar ou estão apenas nos estágios iniciais de preparação. Mesmo entre os cidadãos que já conseguiram acumular alguma reserva financeira, 46% reconhecem que o montante guardado permanece bem abaixo do necessário para manter o padrão de vida desejado.

Desigualdades de gênero, geração e renda

O estudo destaca que as diferenças sociais e demográficas influenciam diretamente o nível de preparação para a velhice. A Geração X (de 45 a 60 anos) desponta como a mais desprotegida, com 70% dos entrevistados afirmando não se sentirem prontos para se aposentar. Entre as mulheres, a vulnerabilidade é ainda mais marcante: 29% ainda não iniciaram qualquer planejamento, o dobro do índice registrado entre os homens (14%).

A renda familiar também se mostra um fator decisivo na capacidade de poupar a longo prazo. Nas famílias com rendimentos de até R$ 1.000, cerca de 64,7% dos entrevistados relatam ainda não ter começado a se preparar. Essa parcela desce drasticamente para apenas 3,2% no grupo com renda superior a R$ 28.000, evidenciando o impacto do orçamento no planejamento do futuro.

Estratégias e os maiores receios do brasileiro

Para quem já começou a guardar recursos, a busca pela renda complementar se concentra majoritariamente em ativos de baixo risco. CDBs e Tesouro Direto lideram as escolhas (61%), seguidos pela tradicional caderneta de poupança (40%), investimentos em imóveis (34%) e planos de previdência privada (27%). A busca por orientação ainda é predominantemente informal, com 66% recorrendo a familiares e amigos em vez de especialistas.

Por fim, o levantamento mostra que a ansiedade sobre a aposentadoria está centrada no temor do esgotamento financeiro. A falta de uma reserva de emergência desponta como a maior inquietação para 30% da população, enquanto o medo de que o dinheiro acabe antes do fim da vida atormenta 24% dos ouvidos. Especialistas apontam que a ampliação da educação financeira será fundamental para transformar esse receio em ação prática.

Relacionados