Brasil fala em ‘preocupação’ com ordem de prisão de opositor de Maduro Nicolás Maduro em visita oficial ao Brasil em maio de 2023 | Foto: Ricardo Stuckert/PR MANIPULAÇÃO

Brasil fala em ‘preocupação’ com ordem de prisão de opositor de Maduro

Retaliação a González afeta compromissos assumidos pelo governo venezuelano envolvendo um processo eleitoral democrático

00:00
  • Brasil e Colômbia declararam “profunda preocupação” na noite de 3 set de 2024 com a ordem de prisão de Edmundo González, opositor de Nicolás Maduro, emitida pela Procuradoria‑Geral da Venezuela em 2 set.
  • A prisão foi solicitada após González faltar três vezes ao Ministério Público para explicar a divulgação de atas eleitorais que a oposição afirma comprovar sua vitória nas eleições de 28 jul.
  • Os governos alegam que a medida viola os Acordos de Barbados, mediado pela Noruega, que garantiam um processo eleitoral democrático e tolerância política.
  • Segundo a nota, a ação judicial dificulta a busca por solução pacífica e o diálogo entre as principais forças políticas venezuelanas.

O governo brasileiro manifestou “profunda preocupação” com a decisão da Procuradoria-Geral da Venezuela de pedir a prisão de Edmundo González, um dos líderes da oposição ao governo de Nicolás Maduro. A nota conjunta com o governo da Colômbia foi divulgada na noite dessa terça-feira (3).

Segundo a nota, o pedido de prisão de González afeta os compromissos assumidos nos Acordos de Barbados, quando governo e oposição, mediados pela Noruega, firmaram compromissos envolvendo um processo eleitoral democrático no país sul-americano.

“Os governos de Brasil e Colômbia manifestam profunda preocupação com a ordem de apreensão emitida pela Justiça venezuelana contra o candidato presidencial Edmundo González Urrutia, no dia de ontem, 2 de setembro. Esta medida judicial afeta gravemente os compromissos assumidos pelo Governo venezuelano no âmbito dos Acordos de Barbados, em que governo e oposição reafirmaram seu compromisso com o fortalecimento da democracia e a promoção de uma cultura de tolerância e convivência. Dificulta, ademais, a busca por solução pacífica, com base no diálogo entre as principais forças políticas venezuelanas”, afirmaram os governos do Brasil e da Colômbia.

O pedido de prisão contra Edmundo González foi emitido após ele não comparecer pela terceira vez à sede do Ministério Público para explicar a publicação de supostas atas eleitorais que dariam vitória a ele nas eleições ocorridas em 28 de julho. A oposição diz ter publicado mais de 80% das atas na internet que comprovariam a vitória de González. O governo, no entanto, acusa a oposição de falsificar mais de 9 mil atas publicadas na rede.

O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), órgão responsável pela divulgação do resultado das eleições, afirmou que Maduro venceu o pleito, mas não divulgou as atas eleitorais das mais de 30 mil mesas de votação. Os documentos, no entanto, foram entregues à Justiça no início de agosto.

Assista abaixo ao Segunda Chamada sobre o assunto:

Relacionados