Por acordo unânime, Câmara também aprova medidas de reciprocidades a países e blocos econômicos que sobretaxarem o Brasil; texto vai à sanção do presidente Lula
A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira projeto que autoriza o governo a adotar medidas em contraposição a países ou blocos econômicos que dificultarem, com medidas de restrição, as exportações de produtos brasileiros. Em especial, se criarem sobretaxas aos produtos, como anunciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O projeto do tarifaço, agora, vai à sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tratado como o PL da reciprocidade, o texto foi aprovado numa tramitação célere no Congresso Nacional, tanto no Senado como na Câmara. No Senado, o placar foi 70 a 0 e, na Câmara, passou após votação simbólica, num acordo, que é quando os parlamentares não votam individualmente.
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Em meio a uma obstrução na Câmara, o PL, de Jair Bolsonaro, até chegou a anunciar essa postura, mas como anteviu que seria atropelado na votação, acabou anunciando apoio à proposta, defendida pelo governo. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), justificou que não se tratava de um aceno ao Palácio do Planalto, mas ao agronegócio brasileiro.
“O agro é muito maltratado por esse governo. O agro está gemendo lágrimas de sangue. Nós, do PL, não somos contra o agro, o atual governo é que está contra o setor”, disse Sóstenes.
O deputado Ivan Valente (PSol-RJ) ironizou a posição do partido do ex-presidente e disse que o PL arregou, que significa se amedrontar.
“O PL arregou. Viu que seria um tiro no pé (manter a obstrução na votação contra o tarifaço do Trump). Acham que o Trump e o Musk vão salvar Bolsonaro da cadeia. E, agora, serão obrigados a votar a favor. Mas se quiserem dar um tiro no pé, eu agradeço. Podem dar um tiro no pé e votem contra o povo brasileiro”, afirmou Valente.