Foto: Instituto Liberal
A fixação de uma meta de inflação inalcançável e o descompasso dos gastos públicos forçam o Banco Central a manter taxas extremas que sufocam o cidadão
A insistência em uma meta de inflação de 3% impõe ao país uma taxa de juros desproporcional. Historicamente, o Brasil só atingiu esse patamar em cenários extremos, como valorização cambial nociva às exportações, recessão profunda ou paralisação na pandemia. Além disso, a economia brasileira carrega uma rígida indexação em contratos, tarifas públicas, aluguéis e mensalidades. Como o piso inflacionário viável situa-se em 4%, a cobrança atual força o Banco Central a calibrar os juros em níveis astronômicos.
O governo adota um comportamento antagônico ao combater a inflação. Enquanto a autoridade monetária encarece o crédito para desacelerar o consumo, a gestão fiscal expande os gastos públicos e estimula a demanda. Essa contradição equivale a submeter o país a choques térmicos simultâneos. Além disso, a despesa com juros elevados alimenta a dívida pública de forma descontrolada. Consequentemente, o risco fiscal assusta investidores, encarece o câmbio e agrava o endividamento geral.
A elevação dos juros demonstra ineficácia contra a alta no setor de serviços. Tarifas públicas, educação e saúde respondem a reajustes contratuais prévios e ignoram a taxa Selic. A política monetária afeta apenas serviços pessoais e o consumo imediato. Aplicar juros altos para conter preços engessados representa uma dosagem excessiva do remédio errado. O combate à inflação exige instrumentos alternativos e o fim de subsídios e isenções ineficientes que corroem o orçamento.
Os efeitos dessa política recaem diretamente sobre a sociedade brasileira. A Selic elevada encarece os financiamentos habitacionais, o crédito para automóveis e os empréstimos empresariais. Pequenos empreendedores sofrem para obter capital de giro e manter suas atividades operacionais. Famílias comprometem expressiva parcela do orçamento mensal apenas para cobrir juros acumulados. Portanto, a manutenção dessa estrutura penaliza a atividade produtiva e trava o desenvolvimento nacional.