Desinformação promovida por Bolsonaro mata, diz epidemiologista Jair Bolsonaro no Aeroporto de Vitória, Espirito Santo. Foto: Alan Santos/PR/Fotos Públicas Morte

Desinformação promovida por Bolsonaro mata, diz epidemiologista

Ethel Maciel diz que o ministro da Saúde é “fantoche” do presidente da República

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  • Presidente Jair Bolsonaro, em discurso no Ministério do Turismo em 10 de outubro, afirmou que negocia com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a desobrigação do uso de máscara para vacinados ou infectados.
  • A epidemiologista Ethel Maciel classificou a declaração como “desinformação que mata” e criticou a falta de conhecimento do presidente em saúde.
  • Especialistas alertam que, com média de 70 mil casos diários de Covid‑19 no Brasil, o uso de máscara continua essencial até avançar a vacinação.
  • O Ministério da Saúde não confirmou a mudança e reforçou a necessidade de manutenção das medidas de proteção.

“Esse tipo de desinformação mata”. É assim que a enfermeira doutora em epidemiologia Ethel Maciel classifica as informações passadas pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em seus discursos. Em entrevista ao MyNews, ela falou sobre a importância do uso da máscara, mesmo depois da pessoa estar vacinada.

Na última quinta-feira (10), em discurso na feito em evento do Ministério do Turismo, Bolsonaro afirmou que estava tratando com Marcelo Queiroga, atual Ministro da Saúde, a desobrigação do uso de máscara para pessoas que já tenham tomado vacina ou que já tenham sido infectadas com o coronavírus. Especialistas condenaram a fala do presidente e reforçaram que o uso da máscara é necessário e precisa continuar enquanto a vacinação não avança.

“Esse tipo de desinformação mata. Nós estamos com muitos casos novos por dia, estamos com uma média de 70 mil pessoas doentes todos os dias de covid-19 no Brasil, nós estamos em uma pandemia descontrolada. Mesmo que você esteja vacinado, você precisa continuar usando máscara. O presidente não tem nenhuma formação em saúde, ele é uma pessoa que desconhece protocolos, ele conhece a formação dele, formação militar, ele não tem nenhum conhecimento sobre isso e nunca tentou ter durante todo esse período da pandemia. Temos lutado todos os dias contra a desinformação, que é feita pelo protagonista máximo do país, o presidente, o que é bastante triste”, avalia Maciel.

Após o discurso de Bolsonaro, o ministro Marcelo Queiroga afirmou que iria avaliar o pedido do presidente e que a pasta iria realizar um estudo para analisar a sugestão.

“Infelizmente, nós estamos assistindo o ministro da Saúde Queiroga, que tem uma história, é uma pessoa séria, se transformar em um fantoche dessa situação toda, com esse pedido que é esdrúxulo nesse momento. Não faz sentido. Nós estamos aprendendo com os outros países e quando a gente chegar a um pouco mais de 40% de pessoas vacinadas com as duas doses, as medidas de prevenção, de máscara, distanciamento físico, eles podem ter uma flexibilização, mas nós estamos muito longe disso”, argumenta doutora em epidemiologia

Sobre a CPI da Pandemia, foi aprovado a quebra do sigilo telemático de algumas pessoas ligadas ao presidente e a um suposto gabinete paralelo do governo. “Vimos algumas matérias de investigação jornalística que até apontaram como a compra de medicamentos fez com que algumas empresas no Brasil, que fabricam esses medicamentos, aumentassem seus lucros de 600%. Então são coisas que eu acho que a gente precisa investigar sim e essa quebra, ela vai ser fundamental para a gente poder entender quem se beneficiou dessas políticas”, analisa Maciel.

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