Foto: BBC
Declaração do presidente em entrevista à TV Globo provoca reação de lideranças políticas e expõe desconforto na esquerda diante da defesa de redução da idade penal para crimes hediondos
A declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em defesa da redução da maioridade penal para crimes hediondos provocou reações no cenário político e levou lideranças da esquerda a ajustar o discurso sobre o tema. Segundo análise da CNN Brasil, a fala foi recebida com críticas por integrantes do PL, que apontaram oportunismo eleitoral na mudança de posicionamento do petista.
O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), classificou a declaração como “enganação” e afirmou que a mudança teria motivação eleitoral. “Essa fala soa artificial. É uma enganação e claramente oportunismo eleitoreiro, como a promessa de picanha em 2022”, disse à CNN. O senador Izalci Lucas (PL-DF) também questionou a sinalização do presidente e declarou que o eleitor não acreditaria na mudança.
Entre setores da esquerda, a declaração também provocou desconforto, já que o PT e seus aliados historicamente se posicionam contra a redução da maioridade penal. O historiador Rogério Sotilli, ex-secretário nacional de Direitos Humanos e diretor do Instituto Vladimir Herzog, avaliou a fala como um movimento estratégico para reduzir danos políticos, mas alertou para um possível desgaste com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Apesar das críticas, integrantes do PT reconhecem que o tema dialoga com parte do eleitorado, especialmente entre grupos que defendem punições mais severas para crimes hediondos. Gutierrez Barbosa, coordenador do setorial inter-religioso do partido, afirmou que a pauta representa um anseio social e tem proximidade com posições de setores evangélicos. A declaração de Lula, porém, reacendeu o debate sobre a coerência histórica do partido e os efeitos eleitorais de uma eventual mudança de posição.