Flávio Bolsonaro pode perder mandato por faltas ao Senado, avalia advogado Jornal Do MyNews

Flávio Bolsonaro pode perder mandato por faltas ao Senado, avalia advogado

Em entrevista ao Jornal MyNews, Rogério Mehanna analisa os efeitos jurídicos da saída do senador do Brasil e as possíveis consequências para sua elegibilidade

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  • Em entrevista ao Jornal MyNews nesta terça‑feira (27), o advogado Rogério Mehanna alertou que Flávio Bolsonaro pode perder o mandato no Senado por ausências.
  • A Constituição Federal prevê a perda do mandato de senadores que faltarem a um terço das sessões ordinárias, exceto em caso de licença ou missão autorizada.
  • Se o limite for ultrapassado, o Senado pode abrir procedimento para avaliar a perda e, se confirmada, convocar o suplente.
  • O risco surgiu após a saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, que pode acarretar o acúmulo das faltas mencionadas.

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil pode trazer consequências para o exercício de seu mandato no Senado. Em entrevista ao Jornal MyNews nesta terça-feira (27), o advogado especialista em Direito Eleitoral e Político Rogério Mehanna explicou os possíveis desdobramentos jurídicos do caso.

Com mais de 17 anos de atuação em processos eleitorais, Mehanna analisou a possibilidade de o senador acumular faltas às sessões do Congresso. Segundo ele, esse cenário poderia levar à abertura de um procedimento para avaliar a perda do mandato parlamentar.

Faltas podem levar à perda do mandato

De acordo com Mehanna, uma das possibilidades é que Flávio acumule ausências e passe a responder a um processo no Senado. Nesse cenário, a Casa poderia convocar o suplente caso a perda do mandato fosse formalizada.

A Constituição Federal prevê a perda do mandato de deputados e senadores que deixarem de comparecer a um terço das sessões ordinárias de sua Casa legislativa em cada sessão legislativa, salvo nos casos de licença ou missão autorizada. O procedimento deve respeitar as regras constitucionais e garantir o direito de defesa. Constituição Federal, artigo 55.

Entretanto, o advogado ponderou que o fim do mandato pode interferir no andamento de um eventual processo. Como Flávio está na etapa final de seu mandato, segundo a análise apresentada na entrevista, o procedimento pode perder seu objeto caso termine antes de uma decisão definitiva.

Possível inelegibilidade depende do desfecho

Outro ponto discutido na entrevista foi a possibilidade de Flávio ficar inelegível. Mehanna explicou que a perda do mandato pode produzir consequências eleitorais, a depender do fundamento jurídico e da decisão que resultar do procedimento.

A Lei Complementar nº 64, conhecida como Lei de Inelegibilidade, prevê restrições para parlamentares que perdem o mandato nas hipóteses indicadas na legislação. A norma estabelece inelegibilidade por oito anos, contados da decisão que decretar a perda do cargo eletivo, nos casos previstos no artigo 1º, inciso I, alínea “b”. Lei Complementar nº 64/1990, no TSE.

No entanto, a aplicação dessa regra depende do enquadramento jurídico do caso. A simples ausência do parlamentar no país não determina, por si só, a perda do mandato ou a inelegibilidade.

Fim do mandato pode ocorrer antes de uma decisão

Na avaliação de Mehanna, uma questão central será o tempo necessário para a tramitação de um eventual processo. O advogado considera que o mandato pode terminar antes de uma decisão capaz de produzir consequências eleitorais.

Assim, o caso envolve dois possíveis desdobramentos: a abertura de um procedimento por faltas e a análise dos efeitos de uma eventual perda do mandato sobre a elegibilidade do senador.

A definição dependerá dos fatos apurados, das regras aplicáveis e das decisões das instâncias competentes. Até lá, as consequências mencionadas na entrevista permanecem como hipóteses jurídicas, e não como sanções já determinadas.

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