Foto: Nelson Jr./Ascom/TSE
Jornal Do MyNews
No Jornal MyNews, Iago Bolívar questiona o impacto fiscal das medidas de Lula para MEIs e estudantes e cobra detalhes sobre as promessas de cortes de gastos de Flávio Bolsonaro.
Na primeira entrevista do Jornal MyNews desta quarta-feira (14), Iago Bolívar, diretor de conteúdo do Jota, analisou as medidas de Lula para microempreendedores individuais (MEIs) e estudantes, além do debate sobre o fim da escala 6×1. Para ele, o governo tenta avançar em várias frentes ao mesmo tempo, mas corre o risco de aumentar a pressão sobre as contas públicas. Ao explicar sua avaliação, comparou a estratégia a “aprender trigonometria depois de ter falhado em uma questão mais lógica de aritmética”.
Bolívar questionou como o governo pretende financiar as novas medidas e quais despesas poderão sofrer ajustes. Segundo ele, a análise precisa considerar as compensações orçamentárias, e não apenas os gastos anunciados. “É fácil ver o gasto quando não se olha a compensação”, afirmou.
Além disso, o diretor de conteúdo comparou a estratégia de Lula à adotada pelo governo Jair Bolsonaro em 2022, quando o então presidente ampliou o Auxílio Brasil. Para Bolívar, porém, existe uma diferença importante entre os dois casos: a forma de acomodar as despesas nas regras fiscais. Ele lembrou que Bolsonaro recorreu a medidas que contornaram o teto de gastos para ampliar o benefício. Já o governo atual precisa explicar como financiará seus compromissos e quais serão os efeitos sobre o orçamento.
O analista também questionou como as novas despesas podem afetar a política industrial e os investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Nesse sentido, cobrou clareza sobre a origem dos recursos e as prioridades do governo. “Se existe um espaço para arbitrar no orçamento, é esse aumento”, afirmou, ao discutir as possibilidades de remanejamento de despesas.
Por fim, Bolívar analisou as propostas econômicas de Flávio Bolsonaro e questionou a viabilidade de um ajuste fiscal sem cortes concretos nos gastos públicos. Para ele, prometer economia não basta: é preciso detalhar quais despesas serão reduzidas e como o plano será executado. “Se não se explica o tesouraço, ele está no éter”, afirmou. A crítica coloca no centro do debate a distância entre as promessas de campanha e as medidas necessárias para viabilizá-las.