Influência de Vorcaro alcança mais de 20 altas autoridades nos Poderes Daniel Vorcaro, mesmo figura pública desconhecida, manteve uma rede de gente influente dos três Poderes

Influência de Vorcaro alcança mais de 20 altas autoridades nos Poderes

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A cada dia surge o nome de algum “figurão” da República no entorno do dono do Master, o que demonstra o tamanho de sua influência nesse meio

Numa conta de padaria, com um papel e uma caneta na mão se chega ao número de altas autoridades que, de uma maneira ou outra, está sob a influência de Daniel Vorcaro, o banqueiro controlador do Master. A cada dia surge o nome de algum “figurão” da República no seu entorno, o que não significa que tem relação com as acusações que o envolvem. Mas mostram o tamanho de sua influência.

Vorcaro, mesmo uma figura pública desconhecida, construiu uma teia relações importantes, que vão de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a políticos influentes no Congresso Nacional e também no Palácio do Planalto. O número de altas autoridades nesse rol de proximidade com Vorcaro ultrapassa, ao menos, duas dezenas, vinte nomes. Alguns deles:

Dias Toffoli – relator do caso Master no STF, avocou para si o inquérito, ofusca o trabalho da Polícia Federal e com mantém vínculo com um resort, que já teria sido de seus irmãos, onde recebeu empresários;

Alexandre de Moraes – a mulher do ministro, Viviane Barci, fez um contrato de R$ 129 milhões com o Master; o ministro estaria estimulando Toffoli a seguir como relator do caso, apesar de todo noticiário desfavorável;

Ibaneis Rocha – o governador do Distrito Federal está envolvido nas investigações que apuram a venda do Master para o BRB, frustrada pelo Banco Central; é alvo de impeachment da oposição;

Cláudio Castro – operação da PF no Rio apura suspeitas de irregularidades no Rioprevidência, fundo de previdência do servidores do Estado; o presidente do fundo, Deivis Antunes, foi um dos alvos da ação e indicado pelo governador;

Ricardo Lewandowski – mesmo como ministro da Justiça, seu escritório atuou para o Banco Master, com uma pagamento mensal de R$ 250 mil; quando assumiu a pasta, ele deixou o escritório, administrado por sua mulher e filho;

Ciro Nogueira –  o senador e presidente do Progressistas tem amizade com Vorcaro e chegou a articular no Congresso ampliação de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de pagamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que dá lastro para cobrir rombos dos bancos;

Jhonatan de Jesus – o ministro do TCU questionou a razão de o Banco Central liquidar o Master, depois de alvo de críticas, recuou; era deputado e chegou ao tribunal indicado pelo ex-presidente Arthur Lira, e foi aprovado pelo Congresso;

Guido Mantega – ex-ministro da Fazenda no governo do PT, Guido Mantega foi contratado pelo Master e chegou levar Vorcaro a uma reunião com o presidente Lula no final de 2024.

Outros nomes importantes da política que estão surgindo e citados nas relações do Master estão: o senador Jaques Wagner (indicou Lewandowski para o Master); Davi Alcolumbre (aliados de Alcolumbre conduziram o Amapá Previdência, que teve prejuízo de R$ 400 milhões com papéis do Master); Augusto Botelho (ex-secretário Nacional de Justiça, é advogado um envolvido no caso e viajou no jatinho com Toffoli para assistir a final da Libertadores, em Lima).

O presidente Lula recebeu Vorcaro no final de 2024, numa reunião no Palácio do Planalto e discutiu o assunto no final do ano passado com o ministro Fernando Haddad (Fazenda) e Dias Toffoli.

Também aparecem nessas relações de Vorcaro o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA), o ministro Rui Costa (Casa Civil), Marco Aurélio Ribeira, o Marcola, chefe do gabinete pessoal de Lula.

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