Deputadas da bancada do PSol durante votação na CCJ da Câmara sobre prisão de Chiquinho Brazão ! Foto: Evandro Éboli/MyNews
Por 47 votos a 15, direção do PSol decidiu não compor federação com o PT e segue independente, mas fechou apoio à reeleição de Lula
Na última quarta-feira, esquerda e direita se abraçaram e votaram juntos a emenda constitucional da segurança pública, Foram votações em dois turnos, com placar elástico nas duas vezes, com 487 e 461 votos a favor, respectivamente. Único partido que orientou contra, e assim encaminhou os votos, foi o PSol, e sua aliança com a Rede. Seus dez parlamentares votaram contrariamente a imensa maioria.
O argumento básico, nesse caso, é que o texto acordado entre PL, PT e Centrão era muito punitivista e, nas palavras do deputado Chico Alencar (PSol-RJ), no seu discurso naquela noite, levaria à “Bukelização” da segurança no país. Se referia a Nayib Bukele, presidente de El Salvador, que fez do encarceramento em massa sua “marca registrada” e que tem entre seus admiradores, que vão lá fazer foto nas penitenciárias, a bancada da extrema-direita brasileira.
Toda essa introdução para falar da independência do PSol em seus posicionamentos, se goste ou não. Neste sábado, o partido decidiu que não irá compor com o PT numa federação, que implicaria em compromissos obrigatórios com as posições do partido de Lula e na perda de sua independência no seu proceder.
Por 47 votos favoráveis e 15 contrários, o Diretório Nacional do PSol rejeitou essa estreita parceria com o PT, mas tirou a posição de apoiar a reeleição de Lula. Quem acompanha as votações na Câmara, não há senador do PSol, está acostumado com as orientações do partido distinta várias vezes da decidida pelo PT. Muitas vezes, como nessa da PEC da Segurança Pública, o PSol vota sozinho. Ou, não surpresa, alinhado às vezes com o Novo, geralmente em pautas econômicas, mas cada legenda com suas razões.
Rejeitar a federação não significa que o PSol é contra o governo. Ao contrário de quem assim imagina, o partido de Luiza Erundina, Ivan Valente, Melchionna, Sâmia e do líder do Tarcísio Motta é defensor a ferro e fogo de Lula e, por ele, briga e muitas vezes faz enfrentamento mais duro com os bolsonaristas do que os petistas. O PSol é, provavelmente, o partido “campeão” em ações no Conselho de Ética contra os quebradores de decoro.
A ideia de levar o PSol à sua federação partiu do ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral do Planalto), mas não encontrou eco na sua legenda. Os psolistas que defenderam essa posição argumentaram também facilitar votações nas eleições, aproveitando a expressiva votação do PT para Legislativo.
Exemplo da defesa do PSol ao governo: o deputado Pastor Henrique Veira (PSol-RJ) integra a Comissão de Segurança Pública, controlada pela bancada da bala, e a enfrenta praticamente sozinho. Os integrantes do PT ali pouco aparecem. Se aparecem, evitam o debate duro com essa turma, ao contrário do pastor.
O PSol já é “federalizado” com a Rede, de Heloisa Helena, Túlio Gadelha e Ricardo Galvão. O PT tem na sua federação o PCdoB e o PV. O projeto da segurança pública irá ao Senado, onde deverá ser aprovado sem resistência.