Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Foto: Estadão
Com o nome novamente no centro do debate político, filho do presidente Lula volta ao noticiário após decisão da CPMI do INSS
Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é o filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Ele é um dos cinco filhos do presidente e, historicamente, o mais citado em disputas políticas envolvendo a família Lula.
Formado em Biologia pela Universidade Paulista (Unip), iniciou a carreira longe dos holofotes, trabalhando como monitor no Zoológico de São Paulo. A projeção nacional veio durante o primeiro mandato presidencial do pai, quando passou a atuar no setor empresarial, tornando-se sócio da Gamecorp — posteriormente rebatizada como G4 Entretenimento — empresa voltada à produção de conteúdo para TV por assinatura, internet e telefonia.
O crescimento da companhia, impulsionado por investimentos milionários de empresas de telecomunicações, colocou Lulinha no centro de controvérsias políticas e jurídicas ao longo dos anos. Durante a Operação Lava Jato, ele chegou a ser citado em investigações sobre supostos recebimentos de valores, mas não houve condenações relacionadas a essas acusações.
O empresário volta agora ao foco após a CPMI do INSS aprovar a quebra de seu sigilo bancário. A medida foi tomada após mensagens apreendidas pela Polícia Federal mencionarem seu nome em conversas ligadas ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, investigado por suspeitas envolvendo descontos previdenciários e articulações comerciais em Brasília.
As investigações também apontam relações do grupo com negociações no setor de saúde, incluindo tentativas de contratos para fornecimento de medicamentos à base de cannabis medicinal ao Sistema Único de Saúde (SUS). Uma empresária citada no caso, amiga de Lulinha, foi alvo de operação policial e nega irregularidades.
Segundo o relator da comissão, há suspeita de que o filho do presidente pudesse ter atuado como sócio oculto do empresário investigado. A defesa de Lulinha rejeita a acusação, afirma que ele não participou de fraudes no INSS nem recebeu recursos ilícitos e informou ter solicitado acesso aos autos do inquérito no Supremo Tribunal Federal para acompanhar a apuração.
Embora o nome tenha sido mencionado por testemunhas e em mensagens analisadas pela Polícia Federal, Lulinha não foi alvo direto de fases da operação que investiga o esquema. Parlamentares governistas sustentam que não há provas documentais que o vinculem às irregularidades e classificam a iniciativa como politização da comissão.
Nos últimos meses, o entorno familiar do presidente também esteve sob maior exposição pública. Outro filho de Lula, Luís Cláudio Lula da Silva, protagonizou uma polêmica após a divulgação de mensagens privadas enviadas à então esposa nas quais fazia críticas à primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, episódio que ampliou a repercussão política envolvendo a família presidencial.
A relação dele com o caso já havia gerado disputa política anteriormente. Em dezembro, a CPMI chegou a rejeitar um pedido de convocação do empresário para depor. Na ocasião, integrantes da base governista afirmaram que as solicitações estavam baseadas em narrativas sem comprovação material. A sessão que aprovou a quebra de sigilo terminou em clima de forte tensão no Congresso, com troca de acusações e empurra-empurra entre parlamentares após a votação.
O episódio reforça como Lulinha permanece, há mais de duas décadas, uma figura recorrente nas disputas políticas nacionais, frequentemente citado em embates entre governo e oposição sempre que investigações alcançam pessoas próximas ao poder presidencial.