O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto discursa no congresso Mercado Global de Carbono, no Jardim Botânico, zona sul do Rio. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
CASO MASTER
CPMI do INSS marcou para dia 5 presença do banqueiro na comissão; PT reage e irá atuar para convocar ex-presidente do BC na gestão Bolsonaro
O Congresso Nacional nem voltou aos trabalhos, mas a CPMI do INSS está preparando o ambiente para retomar as sessões e em clima de grande expectativa. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG) marcou para o próximo dia 5 o depoimento de Daniel Vorcaro, gestor do Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central.
A convocação de Vorcaro tinha sido aprovada no ano passado, mas para tratar da exploração de empréstimos consignados pela instituição. Agora, toda a investigação que o envolve deverá ser tema da audiência e muito provável disputa entre oposição e governo.
Os opositores vão tentar colar a imagem de Vorcaro ao governo de Lula, explorando as citações do nome do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski, cujo escritório prestou serviços ao banqueiro, do senador Jaques Wagner, quem teria indicado o ex-ministro do STF ao Master e até mesmo do presidente da República, que recebeu o investigado em reuniões fora da agenda.
Pelo lado do governo, o deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentou requerimento para convocação de Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, que teria tido conhecimento dos desvios do Master e não teria adotado medidas. Neto teria atuado na proteção da instituição, diz o petista no requerimento, com base em reportagem do “Estado de S. Paulo”.
O deputado argumenta em outubro de 2021, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) encaminhou expediente ao BC alertando para o aumento expressivo de reclamações desde março de 2019 sobre oferta irregular e descontos indevidos de consignados em benefícios previdenciários.
“O bolsonarismo rouba ou deixa roubar. A leniência de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central permitiu que o Master mantivesse práticas que lesaram aposentados e pensionistas do INSS. A CPMI vai apurar responsabilidades, identificar quem protegeu esse esquema e quem lucrou com o dinheiro dos mais vulneráveis”, afirmou.