Arquivos Rodrigo Augusto Prando - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/post_autor/rodrigo-augusto-prando/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Sat, 14 Dec 2024 15:51:46 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Lula, a saúde e o futuro político https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/lula-a-saude-e-o-futuro-politico/ Fri, 13 Dec 2024 11:30:05 +0000 https://localhost:8000/?p=49322 Internação do presidente leva a refletir se ele tem e seguirá tendo condições de permanecer à frente do cargo e, eventualmente, concorrer à reeleição

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O Presidente Lula foi submetido, há pouco, a mais um procedimento cirúrgico objetivando aplacar futuros sangramentos na região cerebral. Conta, provavelmente, com a melhor equipe médica e estrutura hospitalar do país. Ainda assim, dada sua idade avançada e sua posição política, pululam especulações, torcida, a favor e contra seu restabelecimento, e, não menos importantes, questões atinentes ao seu futuro político e do Partido dos Trabalhadores (PT).

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Um dos pontos que, nos últimos anos, tem chamado a atenção é como políticos têm sido odiados e como tal sentimento tem ganhado força e impulsionamento pelas redes sociais. Recorde-se quando, há anos, faleceu Ruth Cardoso, esposa de Fernando Henrique Cardoso, e no velório esteve Lula; e, quando Marisa Letícia, esposa de Lula, faleceu, lá estava FHC. Na doença ou na morte, diferenças políticas eram deixadas de lado. Não há disputa, por mais acirrada que possa ser, que não seja escanteada frente aos sentimentos humanos de tristeza, luto e medo da doença. 

No bojo da pandemia, com milhares doentes, morrendo e famílias sendo destruídas pela Covid-19, o então presidente Jair Bolsonaro, fazia piadas e, não raro, desprezava a dor alheia e os aspectos científicos de combate à doença. Houve, então, o momento em que o presidente ficou doente. Um jornalista publicou, à luz da ética do consequencialismo, que, para o Brasil, seria melhor que Bolsonaro morresse, visto que sua gestão durante a pandemia era desastrosa. Imediatamente, bolsonaristas ficaram indignados e até pediram a investigação do articulista. Particularmente, advogo que a vida deve, sempre, ser preservada, bem como a dignidade humana. São anos que faço análise política e não me acostumo com indivíduos e grupos torcendo pela doença, pela morte, de quem quer que seja. Sociologicamente, eu compreendo; eticamente, jamais aceitarei.

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Pois bem, Lula está internado e muitos querem sua recuperação e muitos sua morte. Retirando de campo a paixão, resta-nos uma ponderação racional e, politicamente, importante: tem – e terá – Lula condições físicas de continuar a frente da presidência? Provavelmente, se nada mais grave ocorrer, ele buscará terminar seu mandato. O fulcro da questão, neste caso, é: terá força política (e não saúde) para disputar a reeleição? O PT que, noutras situações, asseverei ser “lulodependente” está preparado para a ausência de seu maior líder? Quem o sucederá? Esse sucessor, no caso, terá a força coesa do partido ou uma fragmentação e lutas intestinas se apresentarão?

Um fato parece claro: doravante, as ações de Lula serão acompanhadas pela oposição com uma lupa e isso implicará, sempre, na pergunta: terá condições de, não apenas governar e tomar as melhores decisões, mas ser candidato à reeleição? Lembremos que Lula disputou a eleição de 1989 e, agora, em 2024 é o presidente pela terceira vez e pleiteia um quarto mandato para 2026-2030.

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No campo da disputa política, os adversários de Lula e do PT procurarão, certamente e dentro do jogo, construir e comunicar uma imagem de fragilidade de Lula, assim como, no EUA, se deu com Biden. Independente se as condições objetivas serão boas ou ruins, a imagem tem poder, mormente, em tempos de sociedade hiperconectada nas redes sociais, com a conjugação de fake news e teorias da conspiração. 

Lula e o PT já devem estar atentos a isso, contudo, um processo de formação de quadros e de novas lideranças parece ter sido colocado em segundo plano e teremos, em breve, a real dimensão desse cenário por ora só projetado.

Assista abaixo ao Segunda Chamada de quinta-feira (12):

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‘Brain rot’: a palavra do ano https://canalmynews.com.br/tecnologia/brain-rot-a-palavra-do-ano-de-oxford-e-o-apodrecimento-mental-na-era-digital/ Thu, 05 Dec 2024 18:00:19 +0000 https://localhost:8000/?p=49122 A tecnologia, como bem sabemos, é uma ferramenta, e seu uso pode ser positivo ou negativo, a depender de quem a usa e de como a usam

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Todos os anos a prestigiosa Universidade de Oxford escolhe a palavra do ano, refletindo tendências linguísticas, sociais e culturais. Em 2024, a palavra escolhida foi “brain rot“, que pode ser traduzida como “cérebro apodrecido” ou “atrofia cerebral”.

O Dicionário de Oxford define “brain rot“como a “suposta deterioração do estado mental ou intelectual de uma pessoa, especialmente vista como resultado do consumo excessivo de material (principalmente conteúdo online) considerado trivial ou pouco desafiador”. Ainda segundo o referido dicionário, o termo foi usado pela primeira vez pelo escritor Henry David Thoreau na obra Walden, ou A vida nos bosques, de 1854.

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No livro, Thoreau descreve uma sociedade em crescente complexidade e sua decisão de se mudar para a propriedade de um amigo, às margens do lago Walden, onde  viveu em uma cabana, construindo móveis, cultivando plantas e preparando sua própria comida. Teve, nesta experiência, descobertas espirituais. Para os dicionaristas de Oxford, ao usar o termo “brain rot“, Thoreau assevera a tendência da sociedade da época em desvalorizar ideias complexas em favor das mais simples. De Thoreau muitos conhecem a obra A desobediência civil e, agora, vale acrescentar à lista Walden, ou A vida nos bosques.

A palavra do ano chegou pela mídia e, paradoxalmente, por meio das redes sociais. Esse cérebro deteriorado e a busca do trivial e de ideias simples em detrimento de conteúdo mais sofisticado e complexo traz à tona outros três livros que, de uma forma ou de outra, podem ser conectados a essa discussão: O cérebro no mundo digital, de Maryanne Wolf; Eu sei o que você anda lendo … como os algoritmos vêm mudando a nossa leitura, escrita e pensamento, de June Lessa Freire; e, o mais recente, A geração ansiosa: como a infância hiperconectada está causando uma epidemia de transtornos mentais, de John Haidt. Penso que, ao menos estes três livros, possam ajudar a melhor compreender o que se passou, na última década, com nosso cérebro.

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A tecnologia, como bem sabemos, é uma ferramenta, e seu uso pode ser positivo ou negativo, a depender de quem a usa e de como a usam. Pois bem, as redes sociais são, assim, meios fundamentais para aproximar indivíduos e grupos, conectando pessoas separadas por enormes distâncias ou posições sociais; permitem acesso à informações incomensuráveis e consolidação de conhecimentos em todas as áreas do saber humano e podem, especialmente no campo político, mobilizar energias para o campo democrático e republicano.

Por outro lado, podem, também, servir de plataforma para o discurso de ódio, para as fake news, teorias da conspiração, pós-verdades, negacionismo e ataques aos alicerces dos valores democráticos. O cérebro, bastante plástico, principalmente nos anos iniciais das crianças, estão sendo moldados não mais num mundo – como aduz Haidt – do livre brincar e sim num mundo hiperconectado, do smartphone. Nossa sociabilidade, portanto, depende de um cérebro social e este vai perdendo conexões reais de interação entre as pessoas para “encontros” frios, distantes e  para a cultura da  velocidade, do imediatismo e superficialidade.

Quem, nos dias que correm, educam seus filhos ou são professores, tem indícios de que isso – o cérebro deteriorado –  está presente nas crianças e jovens de forma avassaladora. Cabe investir em relacionamentos presenciais e saudáveis, muita leitura (de livros) e uso comedido das redes sociais. O cérebro pode apodrecer, mas, também, pode tornar-se ativo, crítico e generoso de acordo com nossas experiências.

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Fake news, golpe e magnicídio https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/fake-news-golpe-e-magnicidio-o-enredo-do-bolsonarismo/ Thu, 28 Nov 2024 11:33:33 +0000 https://localhost:8000/?p=48901 Plano golpista foi bem estruturado e contava com diversos núcleos de atuação, entre eles o Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral

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A última semana foi, para muitos, em compasso de espera. No último dia 19 de novembro, a Polícia Federal (PF) realizou a Operação Contragolpe. Tal fato levou figuras proeminentes do bolsonarismo a serem presas, bem como desnudou a participação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista após sua derrota eleitoral. Uma semana depois, na terça-feira (26), um robusto documento de 884 páginas veio à tona.

No referido inquérito lê-se o seguinte: “No contexto da presente investigação apurou-se a constituição de uma organização criminosa, com seus integrantes atuando, mediante divisão de tarefas, com o fim de obtenção de vantagem consistente em tentar manter o então Presidente da República JAIR BOLSONARO no poder, a partir da consumação de um Golpe de Estado e da Abolição do Estado Democrático de Direito, restringindo o exercício do Poder Judiciário e impedindo a posse do então presidente eleito”. Aqui, contudo, vale uma fundamental observação: havia um planejamento de magnicídio — assassinato de pessoas notórias. No caso, o sequestro e morte do ministro Alexandre de Moraes e da chapa presidencial vencedora, Lula e Alckmin.

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Ademais, as provas coligidas permitiram a PF indicar a existência e coordenação de núcleos de atuação: a) Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral; b) Núcleo Responsável por Incitar Militares a Aderirem ao Golpe de Estado; c) Núcleo Jurídico; d) Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas; e) Núcleo de Inteligência Paralela; e, por fim, f) Núcleo Operacional para cumprimento de medidas coercitivas.

A investigação apresenta fatos, colhidos ao longo da investigação, que se iniciam em 2019 e chegam até o de 8 de Janeiro, com o ataque às sedes dos três Poderes, em Brasília. A lógica permite a compreensão da construção de uma trajetória bem articulada: de 1) uma ideia, 2) da divulgação dessa ideia, 3) da organização de indivíduos e grupos em torno dessa ideia e 4) da concretização operacional desta ideia.

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O presidencialismo de confrontação de Bolsonaro sempre foi de ataque à democracia e suas instituições. Todavia, havia a necessidade de tornar esse confronto mais claro e de fácil comunicação. Neste caso, o tema força do bolsonarismo foi a construção – assentada em fake news, pós-verdade, negacionismo e teorias da conspiração – de que as urnas eletrônicas eram passíveis de fraude e, portanto, colocar em dúvida a legitimidade do sistema eleitoral, bem como de contestar uma possível derrota na eleição de 2022.

Depreende-se, da leitura do inquérito, que o plano de ruptura institucional não logrou êxito porque, mesmo com todo o esforço e recursos empregados pelos atores golpistas, não houve adesão do Comandante do Exército, Freire Gomes e o da Aeronáutica, Baptista Júnior. O Comandante da Marinha, Almir Garnier, se colocou à disposição de Bolsonaro na colaboração do plano em voga e, por isso, é um dos indiciados.

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Agora, temos o seguinte cenário: a narrativa bolsonarista aponta que, no máximo, houve uma intenção de golpe e assassinatos, mas não sua concretização. Juridicamente, contudo, tal narrativa não se sustenta, visto que a legislação prevê a punição para o plano de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A narrativa bolsonarista, portanto, terá que confrontar um inquérito técnico e juridicamente abundante em evidências, produzido pela PF, um órgão de Estado. Por fim, importante rememorar que justiça não é vingança e que, doravante, as instituições seguirão seus ritos e os acusados terão, na democracia, o direito à defesa e ao contraditório.

Entenda por que julgamento do caso do golpe pode demorar:

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Assassinatos e o gabinete do golpe https://canalmynews.com.br/politica/assassinatos-e-o-gabinete-do-golpe/ Wed, 20 Nov 2024 21:16:26 +0000 https://localhost:8000/?p=48742 Prisões de imponentes figuras do meio militar mostram que o extremismo bolsonarista vai, aos poucos, encontrando a resposta das instituições

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Uma operação da Polícia Federal (PF) mexeu no já polarizado ambiente político nacional, em ação que teve como alvo um general da reserva e militares membros de um grupo de elite do Exército, os chamados “kids pretos“.

Na terça-feira (19), a PF prendeu o general reformado Mário Fernandes; o policial federal Wladimir Matos Soares, responsável pela segurança de Lula; e Hélio Ferreira Lima, Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo, todos kids pretos. A investigação – ainda em andamento – vai desnudando não apenas a trama golpista, de não reconhecer o resultado das eleições de 2022 e a vitória da chapa Lula-Alckmin, mas assassinatos de autoridades.

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A “Petição 13.326 Distrito Federal”, cuja relatoria é do ministro Alexandre de Moraes, assevera que: “A investigação da Polícia Federal demonstra que as ações operacionais ilícitas executadas por militares com formação em Forças Especiais (FE) do Exército, com participação de General de Brigada da reserva, e com a finalidade, inicialmente, de monitoramento de Ministro deste SUPREMA CORTE, para a execução de sua prisão ilegal e possível assassinato e, posteriormente, com o planejamento dos homicídios do Presidente e Vice-Presidente eleitos — LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA e GERALDO ALCKMIN —, com a finalidade de impedir a posse do governo legitimamente eleito e restringir o livre exercício da Democracia e do Poder judiciário brasileiro […]”.

O avanço das investigações indica que não havia, apenas, acampamentos defronte aos quartéis do Exército de militantes indignados com o resultado eleitoral. Não havia, apenas, indivíduos revoltados que, em janeiro de 2023, atacaram as sedes dos três Poderes em Brasília. Havia, segundo os fatos coligidos na investigação, uma organização efetiva buscando um golpe de Estado e, obviamente, o não reconhecimento da vitória de Lula e, mais ainda, com os assassinatos acima explicitados e a continuidade ilegal do Presidente Bolsonaro, derrotado eleitoralmente.

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As prisões, especialmente de um general, apresentam poderoso elemento simbólico, deixando assaz preocupados figuras como o general Braga Netto (na investigação tido como ciente do plano golpista e ainda cedendo sua residência para as reuniões), o ex-ajudante de ordens e delator Mauro Cid (que pode ter seu acordo de delação cancelado e voltar à prisão) e Bolsonaro que, supostamente, teria ciência das ações planejadas e, ainda, seria o principal beneficiado caso a intenção golpista chegasse ao seu termo.

Neste cenário, depreende-se que não apenas os executores dos ataques do 8 de janeiro e os financiadores foram – e são – alvos da PF, mas, também, os autores intelectuais. Houve até mesmo a preparação de um novo gabinete: o “gabinete institucional da crise” já renomeado para “gabinete do golpe”, cuja função seria a de ser uma resposta à morte de Lula e de Alexandre Moraes. Lula, por exemplo, poderia ser morto envenenado. Moraes, com artilharia pesada. E, não menos importante, os militares admitiam que poderia ocorrer danos colaterais, como a  morte de seguranças e militares responsáveis pela proteção das referidas autoridades.

Não bastasse o ataque, na semana passada ao STF, e a morte do agressor que se explodiu; agora, prisões de imponentes figuras do meio militar. O extremismo bolsonarista vai, aos poucos, encontrando a resposta das instituições. E os democratas devem se lembrar: justiça não é vingança, e todos, na república, são iguais perante a lei.

‘Grave’: veja repercussão de descoberta da PF sobre tentativa de matar Lula, Moraes e Alckmin:

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Extrema direita, ódio e explosões em Brasília https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/extrema-direita-odio-e-explosoes-em-brasilia/ Sat, 16 Nov 2024 16:41:54 +0000 https://localhost:8000/?p=48573 Autor de atentado não é 'lobo solitário'; crime teve origem no gabinete do ódio, esquema de disseminação de fake news e ataques às instituições democráticas

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Na última quarta-feira (13), a capital federal, Brasília, especialmente a Praça dos Três Poderes, defronte o Supremo Tribunal Federal (STF), foi palco de um novo ataque contra as instituições. Desta vez, o resultado foi a morte do agressor que, intencionalmente, se explodiu.

Francisco Wanderley Luiz foi candidato a vereador pelo Partido Liberal (PL) em Rio do Sul (SC), sua cidade natal, mas não foi eleito. Em seu carro, foi até Brasília, carregando quilos de explosivos. Conseguiu detonar parte dos artefatos do próprio carro. Na sequência, foi até o STF, onde disparou mais explosivos. Num ato final, deitou-se num dos artefatos que, detonado, lhe desfigurou e o levou à morte.

Antes mesmo da perícia, os jornalistas já tinham tido acesso ao nome, nome de familiares, endereço e histórico do autor das explosões. Luiz nutriu-se num ambiente – virtual e, provavelmente, real – de discurso de ódio, no qual o adversário político é transformado em inimigo e, na lógica bélica, inimigo deve ser eliminado.

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Ademais, sua conduta vai se radicalizando e seu ódio, não mais retórico apenas, é direcionado ao SFT, em particular, ao ministro Alexandre de Moraes. Segundo depoimento da ex-mulher de Luiz, ele queria matar Moraes, e depois tirar a própria vida. Cumpriu parte de sua missão. O busílis é que, desta feita, não foi apenas o patrimônio das sedes dos Três Poderes que sofreu danos, como se deu no 8 de janeiro de 2023, mas uma vida foi perdida.

Francisco Wanderley Luiz construiu um plano, compartilhava ideias nos grupos dos quais participava e, ainda de acordo com a ex-esposa, tinha obsessão por eliminar Moraes. Quase a deixou louca, disse, pois só falava de “política, política e política”. A ação violenta e extremada de Luiz, em Brasília, chegou em péssimo momento para o bolsonarismo e para o ex-presidente Jair Bolsonaro. Há pouco, estavam todos efusivos com a vitória de Donald Trump, nos Estados Unidos. Acreditavam numa possibilidade de anistia aos presos do 8 de janeiro e, não menos importante, conseguir a reversão da inelegibilidade de Bolsonaro.

Politicamente, essa agenda (anistia e reversão da inelegibilidade) perde força; juridicamente, as respostas dos ministros do STF foram contundentes. Alexandre de Moraes asseverou não se tratar de um “lobo solitário” ou mero suicídio, e sim de uma evento articulado e que se iniciou, segundo suas palavras, lá atrás, com o famigerado “gabinete do ódio”, tendo sequência com os ataques do 8 de janeiro e, agora, com as explosões e morte na Praça dos Três Poderes. Nas palavras de Moraes: “Não existe possibilidade de pacificação com anistia a criminosos”. Discurso mais claro não há.

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Para além das dimensões política e jurídicas do ato, há, não menos importante, uma possível análise sociológica, amparadas em dois autores clássicos da Sociologia: Émile Durkheim e Max Weber. Durkheim, em sua obra acerca do suicídio, constitui uma tipologia. No caso em tela, teríamos o chamado suicídio altruísta (também nomeado de suicídio heroico ou religioso), pois graças a força do grupo frente ao indivíduo, este não faz valer seu direito à vida e se mata por imperativos sociais e pela sua forte ligação ao grupo que pertence (exemplos: homens bombas, kamikazes e etc.).

Já Weber, ao focar no sentido que os indivíduos atribuem às suas ações sociais, aduziria que houve uma ação social racional com relação a valores. Isso porque o ator sabia, racionalmente, o resultado a ser atingido, bem como usou os meios adequados para tal intento. Também teve sua motivação ligada aos valores que considera fundamentais em sua vida, uma ética da convicção, por assim dizer, assentada numa ideologia extremista.

O extremismo político — no caso, valores de uma  extrema direita —, alicerçado sobre discurso de ódio, fake news, negacionismo, pós-verdade e teorias da conspiração, criam um ambiente tóxico para a democracia, num coordenado ataque aos pressupostos civilizacionais e às instituições. Temos, e teremos, assegurada a liberdade de expressão e, paralela a esta, a responsabilidade por nossos discursos e ações. O momento reclama cautela e maior presença do Estado Democrático de Direito, e não de ódio e violência.

Veja por que investigação classifica atentado como terrorista e os indícios de que ele teria sido planejad0:

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A vitória de Trump e alguns possíveis desdobramentos para o Brasil https://canalmynews.com.br/internacional/a-vitoria-de-trump-e-alguns-possiveis-desdobramentos-para-o-brasil/ Fri, 08 Nov 2024 21:20:22 +0000 https://localhost:8000/?p=48392 Retorno do republicano à Casa Branca reforça discursos e condutas de políticos populistas de extrema direita, tidos por muitos como 'perseguidos pelo sistema'

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A robusta vitória do republicano Donald Trump em relação à democrata Kamala Harris repercutiu, como não poderia deixar de ser, em todo o mundo.

São múltiplas as análises sobre o impacto da vitória do republicano no que tange à guerra entre Ucrânia e Rússia, aos conflitos no Oriente Médio (Israel, grupos terroristas e países árabes) e às relações comerciais com a China e os demais países — Trump sempre asseverou ter uma visão protecionista e, com isso, aumentou os impostos para a entrada de mercadorias nos EUA, impactando negativamente a economia de outros países. Muitos questionam o impacto do novo mandato de Trump para a democracia nos EUA e, não menos importante, no cenário global.

Os americanos assistirão, em breve, à posse do primeiro presidente eleito com uma condenação criminal (e que ainda responde por outros três processos). As ações políticas de Trump levaram-no ao encontro da Justiça nos seguintes casos: 1) apropriar-se de documentos sigilosos da Casa Branca; 2) tentar interferir no resultado das eleições em 2020 (quando foi derrotado por Joe Biden) e 3) das relações e incentivo à invasão do Congresso americano em janeiro de 2021.

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Nos três casos, as acusações são graves e demonstram o desrespeito de Trump em relação às regras, às instituições e à democracia. Rememore-se, também, que, durante a pandemia, na condição de presidente, ainhou-se ao negacionismo, tão comum a outros líderes mundiais. Certa vez, chegou a declarar que desinfetante injetado nos doentes poderia trazer a cura, eliminando o coronavírus. Muitos aplicaram desinfetante em seus corpos, seguindo a peculiar e equivocada lógica do presidente.

E, agora, no Brasil? Quais seriam os desdobramentos no cenário nacional? Obviamente, é cedo para projetar os impactos econômicos ou mesmo na agenda ambiental e da sustentabilidade. Todavia, já se pode vislumbrar elementos presentes no discurso político interno. Há muito se diz que, nas relações internacionais, presidentes não devem ter amizade com outros presidentes e sim defender os interesses de seus países. Muito se diz também que devem evitar declarações públicas de apoio a algum candidato durante as contendas eleitorais.

Bolsonaro, quando presidente, apoiou efusivamente Trump e, quando este foi derrotado, foi um dos últimos chefes de Estado a cumprimentar Biden pela vitória. Nos dias que correm, Lula também escolheu o lado e externou sua simpatia por Kamala Harris.

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Independente de questões mais pessoais dos líderes políticos e suas preferências ideológicas, o fato é que o retorno de Trump – tido por muitos como triunfal – é um reforço a discursos e condutas de políticos populistas de extrema direita, principalmente no campo digital. Não à toa, figura ímpar nesse processo é Elon Musk que, além de apoiar o presidente eleito, é cotado para assumir alguma posição na arquitetura do novo governo.

Por aqui, bolsonaristas comemoram a vitória do republicano e aumentam a pressão para que a inelegibilidade imposta ao ex-presidente seja derrubada por um ato do Poder Legislativo. Da mesma forma, esperam pela aprovação de um projeto de anistia aos presos pelos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

O retorno de Trump reforça, lá e aqui, o discurso messiânico e salvacionista, tão caro aos populistas e, não raro, conjugado à retórica de que são – Trump e Bolsonaro – perseguidos politicamente pelo “sistema”. Há quem diga que, ainda que as eleições municipais mal tenham terminado, o primeiro turno de 2026 já começou.

Entenda o que vitória de Trump revela sobre o eleitor americano e o que podemos esperar do mandato:

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As eleições municipais de 2024 e as perspectivas do bolsonarismo: algumas breves ponderações https://canalmynews.com.br/politica/as-eleicoes-municipais-de-2024-e-as-perspectivas-do-bolsonarismo-algumas-breves-ponderacoes/ Fri, 01 Nov 2024 19:28:10 +0000 https://localhost:8000/?p=48159 Resultados do pleito evidenciaram a força da centro-direita e da direita em todo o país, enquanto o campo progressista foi fragorosamente derrotado

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Ao fim e ao cabo do processo eleitoral, ficam as questões de sempre: quem ganhou e quem perdeu? Quem saiu fortalecido e quem saiu enfraquecido? Como ficam os grandes “padrinhos” – Lula e Bolsonaro?

Os resultados foram, em quase todo o Brasil, de demonstração de força da centro-direita e da direita. Assim, o Presidente Lula, o PT e os partidos de esquerda — ou, se preferirem, do campo progressista — foram fragorosamente derrotados. Há, para muitos, a necessidade de uma profunda reflexão deste campo político objetivando compreender os fatos da realidade, sua agenda e sua conexão com a sociedade e o eleitorado que se apresenta mais conservador e menos propenso aos discursos característicos dos progressistas. Contudo, vamos, aqui, agora, tratar das perspectivas do bolsonarismo e, mais detidamente, de Jair Bolsonaro.

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O Partido Liberal (PL) de Bolsonaro foi a legenda que mais conquistou prefeituras dentre os 103 municípios com mais de 200 mil eleitores. O PL ganhou em 16 cidades e “fez” quatro capitais: Maceió, Rio Branco, Cuiabá e Aracaju. Pode-se, então, asseverar que isso fortalece Bolsonaro?

Obviamente que a presença do ex-presidente no PL é assaz importante, como foi, também, para o PSL (Partido Social Liberal) na ocasião da eleição na qual Bolsonaro foi eleito. Em 2018, ao concorrer e vencer a disputa presidencial, Bolsonaro catapultou o PSL, antes nanico, para um partido com vultuosos recursos do fundo partidário. Entretanto, buscando dominar o partido, acabou rompendo e governou o país desfiliado por um período e, em 2022, foi para o PL, tendo sido derrotado na busca da reeleição por Lula.

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Em sua trajetória, Bolsonaro foi filiado aos seguintes partidos: Partido Democrata Cristão (1989-1993); Partido Progressista Reformador (1993-1995); Partido Progressista Brasileiro (1995-2003); Partido Trabalhista Brasileiro (2003-2005), Partido da Frente Liberal (2005-2005), Partido Progressista (2005-2016), Partido Social Cristão (2016-2018), Partido Social Liberal (2018-2019); de 2019 até 2021 ficou sem partido; e, finalmente, Partido Liberal (2021- até agora). Neste sentido, tendo vida política tão diversa no âmbito dos partidos pelos quais passou, a pergunta pode ser feita: essas vitórias do PL nesta eleição devem-se somente a presença de Bolsonaro ou à articulação política realizada pelo presidente do partido, Valdemar da Costa Neto?

Há, por exemplo, aqueles que, na avaliação da força de Bolsonaro,  buscaram verificar como foram os resultados de seus ex-ministros ou de figuras importantes em seu governo no pleito em voga. Vejamos: Marcelo Queiroga, ex-ministro da Saúde, perdeu em João Pessoa; Gilson Machado, ex-ministro do Turismo, perdeu no Recife e Alexandre Ramagen, ex-chefe da Abin, foi derrotado no Rio de Janeiro.

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Há, ainda, a disputa direta com o Governador Ronaldo Caiado, na qual o candidato de Bolsonaro (Fred Rodrigues, do PL) foi derrotado em Goiânia pelo candidato (Sandro Mabel) apoiado pelo governador Caiado. Em que pese que  a direita e a centro-direita tenham “colorido”, hegemonicamente,  o mapa político do Brasil; no entanto, ao que tudo indica o extremismo bolsonarista e o próprio Bolsonaro saíram enfraquecidos.

Na cidade de São Paulo, um caso duplamente emblemático, apresenta dois personagens: Ricardo Nunes e Pablo Marçal. Ricardo Nunes (MDB), reeleito, teve o apoio do Governador Tarcísio de Freitas e ao longo da campanha foi, praticamente, desprezado por Bolsonaro. No discurso da vitória, Nunes referiu-se a Tarcísio como “líder maior” e um amigo que “lhe deu a mão na hora mais difícil”. Citou Bolsonaro en passant ao agradecer a indicação do vice. Recado mais claro não há.

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Tarcísio, que apostou em Nunes desde o começo, termina maior; Bolsonaro, titubeante, saiu menor. Outro nome, em São Paulo, que traz medo ao bolsonarismo é Pablo Marçal (PRTB). Ele mostrou, claramente, que os votos do bolsonarismo não acompanham, sempre, as indicações de Bolsonaro — e que, derrotado por Lula e inelegível, o ex-presidente pode concretamente perder espaço e força no campo da direita e até do populismo da extrema-direita.

Não faz muito, tendo sua liderança questionada por jornalistas, Bolsonaro afirmou – em visita ao Senado —  não enxergar a hipótese de uma direita sem sua presença. Disse, ainda: “Já tentaram várias vezes, não conseguiram. Esses caras […] não sabem a linguagem do povo, isso é uma utopia, para muitos uma utopia. Toda vez que tentaram se arvorar como líder através de likes ou lacrações, [a direita] não chegou a lugar nenhum”. A declaração do ex-presidente tem sentido e é ligada aos fatos: sua força política é evidente e ele sabe disso, mas, na condição de ator político, ele parece desprezar ou minimizar outras lideranças que podem assumir protagonismo no jogo político.

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Partindo da afirmação de Bolsonaro, dois de seus possíveis herdeiros – Ronaldo Caiado  e Tarcísio de Freitas – não são figuras carismáticas (“não sabem a linguagem do povo”) e, nisso, Bolsonaro tem razão. Mas, no primeiro turno, em São Paulo, Pablo Marçal foi disruptivo e encaixou bem o discurso antissistema que caracterizou a ascensão de Bolsonaro em 2018. Marçal tem carisma, tem domínio das ferramentas digitais e tem recursos financeiros abundantes.

Se, em 2018, Bolsonaro foi um ator político que interpretou um papel canalizando inúmeras insatisfações da população; em 2024, Marçal foi ator e o próprio roteirista de sua candidatura, e com mais sofisticação intelectual que Bolsonaro. Ainda no campo da direita, há Nikolas Ferreira (PL), deputado federal por Minas Gerais. Ele se apresenta como uma liderança que domina o estilo de lacração e memes do populismo digital e muitos já o consideram um potencial nome para a disputa presidencial no futuro.

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Um outro aspecto que incomodou Bolsonaro, nestes dias que correm, foi o fato de que Arthur Lira (PP), presidente da Câmara dos Deputados, retirou o chamado PL da Anistia da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que pretende criar uma comissão especial para a tramitação desta proposta. Esse projeto de lei tem o objetivo de anistiar os envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes no 8 de janeiro. Bolsonaro, especialmente, tem interesse neste projeto, já que, juridicamente, a decisão pode lhe favorecer. Ele é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por ser um dos articuladores e principal interessado num golpe para evitar o início do governo Lula.

À guisa de finalização deste escrito, trago à tona uma conversa entre dois colegas professores. Um deles, indignado, dizia: “Eu assisti a um comentarista de política dizendo que Bolsonaro foi um dos grandes derrotados desta eleição, mas como pode se ele nem candidato foi?”. E o outro, incrédulo, respondeu: “Isso, como pode ser derrotado se nem concorreu?”. Nos meandros da política há vitórias de pirro que apequenam os atores políticos e derrotas que engrandecem os perdedores. Seja política ou moralmente.

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Nunes reeleito e Boulos enfraquecido https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/nunes-reeleito-e-boulos-enfraquecido/ Tue, 29 Oct 2024 15:27:18 +0000 https://localhost:8000/?p=48031 Candidato derrotado do PSOL teve, neste segundo turno, votação muito próxima daquela de 2020, mesmo tendo mais recursos e o apoio do presidente Lula

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O segundo turno na cidade de São Paulo seguiu a lógica do país: foi uma vitória do incumbente, Ricardo Nunes (MDB), num cenário no qual a reeleição nos municípios chegou a ficar na casa dos 80% — em 2020, ano pandêmico, ficou em cerca de 60%. Guilherme Boulos (PSOL) teve, neste segundo turno, votação muito próxima daquela de 2020, mesmo tendo mais recursos e o apoio do Presidente Lula (PT).

Os institutos de pesquisa foram bastante precisos nos dois turnos: no primeiro, apontavam um empate triplo entre Nunes, Boulos e Pablo Marçal (PRTB); no segundo, sempre apontaram uma boa distância entre Nunes e Boulos. A diferença entre Nunes (59,35% dos votos válidos) e Boulos (40,65%) foi dentro, por exemplo, da margem de erro do Datafolha que apontou, na véspera: Nunes com 57% e Boulos com 43%.

Nunes – assim como os demais prefeitos reeleitos – contou com a força da máquina, com uma coligação forte, vereadores nas ruas pedindo votos e apoio firme e presente do governador Tarcísio de Freitas. Apesar de ter demorado para que fosse conhecido pelos paulistanos, uma vez que herdou a prefeitura do falecido Bruno Covas, o poder da máquina e a cidade com obras em andamento foram elementos importantes da candidatura e lhe garantiram a vitória.

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Jair Bolsonaro (PL) dirigiu a Nunes um apoio reticente, protocolar, fraco mesmo. O ex-presidente – derrotado por Lula e inelegível – saiu menor do que entrou nessa eleição, e não apenas em São Paulo. Se, no primeiro turno, Nunes sentiu o impacto da candidatura de Marçal e correu risco de se ver alijado da disputa final, agora, os votos de Marçal foram em massa para o prefeito reeleito.

Tarcísio se consagrou como o grande vencedor desta eleição, uma vez que foi o cabo eleitoral de Nunes. Mas, no dia da votação de segundo turno, um fato ocorrido desabona a presença dele. O governador, sem provas, asseverou que integrantes da facção criminosa PCC teriam orientado familiares e apoiadores a votar em Boulos. Tal fato mancha a trajetória de Tarciso e terá, por certo, consequências jurídicas no âmbito eleitoral.

Boulos, por sua vez, tem sua segunda derrota – a primeira, em 2020, foi para o tucano Bruno Covas. Diz-se muito acerca da proximidade dos votos obtidos por Boulos, no segundo turno, em 2020 e em 2024, indicando um possível teto do psolista, que tem sua imagem construída e comunicada por sua participação no movimento social de luta pela moradia. Embora afirme ter orgulho de sua trajetória, há uma percepção de que sua conduta está ligada à invasão de propriedades privadas.

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Marçal, no primeiro turno, atacou todos os adversários, com agressividade conjugada às fake news. Fez insinuações de que Boulos era 1) usuário de cocaína; 2) de que havia sido preso por porte de drogas (desmentido rapidamente por tratar-se de um homônimo); e 3) apresentou um laudo falso antes do primeiro turno afirmando que Boulos havia sido internado por surto psicótico por uso de cocaína (já demostrado ser falso o documento pelas autoridades policiais).

Apesar de todo esse histórico, Boulos achou uma boa ideia participar de uma “entrevista” de emprego com Marçal, proposta que Nunes recusou. Politicamente, o psolista fez um movimento político em busca do voto por mudança que estaria no eleitorado marçalista; biograficamente, todavia, foi uma ação de legitimar a conduta de Marçal de ataque à civilidade política e aos adversários. E, por fim, tal ação não trouxe nada de votos e, pior, Boulos ganhou apenas em três distritos eleitorais em São Paulo.

Nunes, vencedor, sai fortalecido, junto com Tarcíso e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e um dos impulsionadores da campanha do prefeito reeleito — o PSD foi o maior vitorioso no segundo turno das eleições deste ano, elegendo nove de seus candidatos, o maior número entre os partidos. Boulos sai derrotado, enfraquecido, ao lado de Lula e do campo progressista.

Entenda por que Tarcísio, Kassab e Marçal saem mais fortes das eleições, apesar das tretas da direita:

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Reta final da disputa à prefeitura de São Paulo https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/reta-final-da-disputa-a-prefeitura-de-sao-paulo/ Sat, 26 Oct 2024 15:18:43 +0000 https://localhost:8000/?p=47967 Boulos apostou no discurso da mudança e, perto do segundo turno, deixou de lado a estratégia 'paz e amor' para adotar postura mais agressiva; tática, no entanto, se mostrou insuficiente

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Estamos a poucos dias do segundo turno da eleição municipal. Em São Paulo, temos Ricardo Nunes (MDB) e Guilherme Boulos (PSOL) numa situação distinta do primeiro turno, na qual até o fim da apuração, havia, praticamente, um empate triplos entre Nunes, Boulos e Pablo Marçal (PRTB). Neste segundo turno, Nunes — atual prefeito, com a máquina nas mãos, coligação robusta e muitos vereadores nas ruas — tem situação bem mais confortável do que Boulos.

Boulos apostou no discurso assentado na mudança. Quis, em muitos momentos, reafirmar a polarização, trazendo à tona Lula (seu padrinho) e Bolsonaro (apoiador de Nunes), buscando rememorar a eleição presidencial de 2022. Uma chuva, nem tão forte, foi capaz de deixar milhares de paulistanos sem energia e, com isso, a campanha do psolista se empolgou e quis carimbar em Nunes a culpa pelo ocorrido. Não foi suficiente, e o prefeito conseguiu, no tempo certo, apresentar sua narrativa e direcionou parte das críticas à Enel e ao governo Lula.

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Nunes, por sua vez, buscou trazer a campanha para o campo da comparação entre as biografias: do prefeito, realizador de obras e moderado; contra Boulos, cuja imagem percebida por muitos é de um radical, dado sua atuação nos movimentos sociais pela luta por moradia. O prefeito não teve um Bolsonaro ativo no primeiro turno e, mesmo agora, foi assaz singela a participação do ex-presidente.

Todavia, a presença e entusiasmo do governo Tarcísio de Freitas fez, simbolicamente, a diferença a favor de Nunes. Se, no primeiro turno, o prefeito foi considerado, por alguns, como fraco ou moderado demais para o gosto do bolsonarismo, agora, é uma imagem que se distancia daquela construída a respeito de Boulos.

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Tendo ficado em terceiro lugar, Marçal tem um considerável número de votos e estes, segundo as pesquisas, foram direcionados majoritariamente para Nunes. Mesmo Tabata Amaral (PSD) e José Luís Datena (PSDB) tendo declarado apoio a Boulos, o deputado encontra-se em desvantagem em relação ao prefeito.

A pesquisa Quaest, divulgada na última quarta-feira (23), apresenta Nunes com 44% e Boulos com 35% das intenções de voto. Já a pesquisa Datafolha, da última quinta (24), coloca o prefeito com 49% e o candidato do PSOL com 35%. Houve variação positiva para Boulos e Nunes caiu alguns pontos se comparado com pesquisas anteriores. Contudo, isso se mostrou insuficiente, até o momento, para colocar em risco a virtual reeleição do prefeito.

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No universo das metáforas futebolísticas, Nunes joga parado, não se arriscando muito em sair para o jogo – inclusive participação em debates e sabatinas. Boulos, no caso, tem que se defender, construir o ataque, cruzar a bola e se apresentar na área para fazer o gol. Há quem assevere que o candidato do PSOL teve uma crise de identidade durante a campanha.

Começou paz e amor; perdeu a paciência com Marçal, no episódio da carteira de trabalho; teve que atacar Nunes de forma incisiva, mas não podia parecer radical para assustar o eleitor; e, agora, no final, além de buscar votos no eleitor do então candidato do PRTB, aceitou uma sabatina proposta por ele com os dois candidatos (que Nunes descartou peremptoriamente).

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Vale lembrar que, no debate Record/Estadão, Boulos, ao estilo de Marçal, anunciou que algo “grave” sobre Nunes seria apresentando durante a semana. Até a manhã deste sábado (26), nada nesse sentido havia sido divulgado.

Em três dias saberemos quem será o prefeito eleito de São Paulo. Os números e o cenário são francamente favoráveis a Nunes, contudo, fatos extraordinários podem ocorrer e uma virada de Boulos se apresentar. Política não é ciência exata e isso traz emoção até o final!

Saiba como foi o debate da Globo na reta final da disputa pela prefeitura de São Paulo:

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O debate acerca dos debates na cidade de São Paulo https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/o-debate-acerca-dos-debates-na-cidade-de-sao-paulo/ Tue, 24 Sep 2024 21:23:16 +0000 https://localhost:8000/?p=47041 Pablo Marçal deixou claro desde o início que tem pouco apreço pela democracia, pelos partidos políticos, pelas instituições e pelas regras do jogo

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Cidadãos e eleitores foram, neste período eleitoral, expostos à disputa política nos mais de 5 mil municípios do Brasil. Elegeremos, em breve, vereadores e prefeitos, membros do Poder Legislativo e os chefes do Executivo, respectivamente. Na cidade de São Paulo, especialmente, pululam os adjetivos usados para definir os inúmeros debates entre os candidatos e poucos são positivos.

Já há, em curso, um debate que avalia se vale a pena manter debates no período eleitoral ou, ao menos, se esse modelo não se encontra esgotado, superado mesmo. Obviamente, São Paulo tem candidatos comprometidos com o debate político civilizado, com a democracia, com ideias, propostas e com respeito às regras e aos adversários.

No entanto, existe também, Pablo Marçal, que deixou claro desde o ínicio seu pouco apreço pela democracia, pelos partidos políticos, pelas instituições e pelas regras do jogo. Marçal, ressalte-se, é sintoma e não a causa de uma situação que, para muitos, avança na direção de uma anomia e de aprofundamento da crise das democracias liberais representativas.

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Questionamentos sobre o modelo dos debates são válidos. Classicamente, temos perguntas de candidato para candidato, direito a réplica e a tréplica; perguntas dos jornalistas; perguntas do público (telespectadores e internautas) e direito à resposta em caso de ofensa à honra. O fato é que não há modelo que sirva quando surgem figuras carismáticas, populistas, extremistas e avessas às regras. Simplesmente, não se enquadram e isso é parte de seu DNA político.

Não raro, o olhar do populismo extremista é de quem não entende o outro candidato como adversário e sim como inimigo. Mais do que isso, o mundo se divide em dois grandes grupos: os que estão comigo e são amigos (eu e o povo) e os inimigos (todos os demais candidatos, partidos, mídia, intelectuais, instituições, etc.).

A retórica do ódio nos debates, as ofensas, fake news, pós-verdades, distintos negacionismo e teorias da conspiração não são invenções recentes e tampouco de Marçal, pois atores políticos como Donald Trump, Nicolas Maduro, Jair Bolsonaro, entre tantos outros servem-se desse expediente corrosivo à democracia. Um outro aspecto: esses candidatos se colocam, quase sempre, na condição de vítimas, perseguidos pelos sistema, mas consideram-se ungidos e assumem postura messiânica.

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Some-se a esse quadro geral o fato de que vivemos numa sociedade hiperconectada em rede, cuja força das redes sociais e das big techs são evidentes. Temos, ademais, uma lógica inerente aos algoritmos que selecionam e impulsionam conteúdos que mobilizam os sentimentos: medo, raiva, ódio, angústia, frustação, alegria, excitação. Desta forma, na sociedade e nos debates políticos o conteúdo racional, ponderado, explanado com clareza, com propostas concretas e não milagrosas, perdem espaço.

Alguém, então, indaga: não se pode excluir figuras extremistas e corrosivas? A democracia não traz em seu bojo a diversidade? Mas, ao valorizar a diversidade e a pluralidade não estaria a democracia refém daqueles que usam a democracia, a liberdade de expressão e as instituições para justamente solapar essas conquistas civilizacionais? Aqui, o famoso paradoxo da tolerância. Não é simples resolver um problema assaz complexo.

Não bastassem a violência retórica e as fake news – que muitos entendem como mera liberdade de expressão – vivenciamos episódios de violência física. José Luiz Datena, no debate da TV Cultura, atingiu Marçal com uma cadeira; no debate promovido pelo Flow News, Marçal foi expulso por descumprimento das regras acordadas e um de seus assessores agrediu o marketeiro do prefeito Ricardo Nunes com um soco, o deixando ensanguentado. Isso tudo é a pura e evidente negação da política, que busca equacionar e resolver os conflitos por meio do diálogo, dentro das instituições e respeitando as leis.

À guisa de finalização, é importante enfatizar que este artigo não pode – e nem pretende – esgotar o tema em tela. Social e politicamente temos que, com tenacidade democrática, ética e respeito às leis, enfrentar essas e tantas outras questões. Os debates devem retornar à normalidade e a violência, toda ela, deve ser condenada e capturada pelas leis.

O tempo das redes sociais e da sociedade são sempre mais velozes que as instituições e suas legislações, por exemplo. Todavia, temos em nossa sociedade um manancial de  inteligência, vontade, generosidade e desejo de ampliar a liberdade e a busca de melhor convivência social. A realidade reclama que nos posicionemos de forma clara: democracia, civilidade, respeito às regras e valorização da política, isolando a violência e o extremismo, sempre!

Veja momento em que Marçal é expulso de debate e ocorre a agressão nos bastidores do debate do Flow:

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Pablo Marçal: do incômodo ao medo no bojo do bolsonarismo https://canalmynews.com.br/opiniao/pablo-marcal-do-incomodo-ao-medo-no-bojo-do-bolsonarismo/ Wed, 28 Aug 2024 23:47:40 +0000 https://localhost:8000/?p=46199 Ao se apresentar como antissistema, candidato turbinado pelo algoritmos das redes sociais traz medo em meio ao entorno de Jair Bolsonaro

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O clássico Nicolau Maquiavel assevera, em O Príncipe, que sua “intenção [é] escrever coisas que sejam úteis a quem se interesse, […] ir direto à verdade efetiva da coisa que à imaginação em torno dela”. Maquiavel, portanto, tem a força de apresentar a tese fundamental do realismo político: a política é o que ela é e não o que gostaríamos que ela fosse.

Assim, prezado leitores, vamos, panoramicamente, nos deter na figura política de Pablo Marçal, coach e empresário, que já embaralhou a disputa à prefeitura da cidade de São Paulo, bem como trouxe à tona, num primeiro momento, incômodo e, agora, medo no bojo do bolsonarismo. Assim, focando naquilo que é de interesse, a questão é: o que quer Marçal?

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A resposta, imediata e incompleta, é: ser eleito prefeito de São Paulo. O objetivo no curtíssimo prazo é, sem dúvida, ser eleito e, segundo o próprio Marçal, isso ocorrerá ainda no primeiro turno. De um certo desprezo por sua trajetória, imagem e ideias, Marçal já se encontra, segundo algumas pesquisas, num empate triplo, dentro da margem de erro, com Guilherme Boulos e Ricardo Nunes. Sondagens de alguns institutos já o colocam na primeira posição (em que pesem desconfianças acerca da veracidade da informação). Com isso, há um crescimento consistente de Marçal e queda de Nunes e de Boulos, ambos, segundo se esperava, os protagonistas da repetição da polarização, já que temos bolsonarismo e lulopetismo como as forças apoiadoras dos candidatos.

Marçal, hoje, apresenta-se numa situação mais confortável de candidato antissistema, contra o establishment, antipolítica e turbinado pelo algoritmos das redes sociais, onde ele é dotado de impressionante musculatura comunicacional. Em suas falas e debates dos quais participou, usa uma retórica não apenas antissistema, mas, também, conjuga o conhecimento de anos de trajetória como coach e empresário, usando a retórica da prosperidade. Ataca todos os candidatos por serem “comunistas” e se consagra como o único representante da direita.

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O fato, a verdade objetiva, é que Marçal traz medo em meio ao entorno de Jair Bolsonaro. A retórica e o figurino de Marçal não apenas encaixaram na disputa à prefeitura, mas encanta os bolsonaristas em valores que lhes são caros e que, para muitos, já não estão tão próximos de Bolsonaro, que além de derrotado em 2022, está inelegível. Nesse sentido, a discussão de quem seriam os herdeiros do espólio político de Bolsonaro (Michele Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Romeu Zema, Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado, etc.) encontra, agora, um personagem que, ao que tudo indica, pode ser o que o eleitor de direita e da extrema-direita queriam e não conseguiram com Bolsonaro.

Obviamente, há muitas semelhanças entre Marçal e Bolsonaro, e, para além da superfície, elementos que os distinguem. Vamos a eles. Marçal é novo e apresenta disposição e vigor físico, enquanto Bolsonaro já tem mais idade e vem apresentando problemas recorrentes de saúde após a facada. Marçal é, ao mesmo tempo, ator e roteirista em suas redes sociais, tem conhecimento e domínio. Bolsonaro era excelente ator, mas o roteirista de suas redes foi filho, Carlos Bolsonaro e, depois, dezenas de profissionais.

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Marçal apresenta-se como empresário milionário, vindo de baixo e, não raro, afirma que todos, com ele na política, terão direito de ficar ricos e serão, segundo suas palavras, “abençoados”. Bolsonaro nunca empreendeu, saiu do Exército e adentrou à política. Ainda, tem a família toda envolvida nas distintas esferas do poder. Essas diferenças, contudo, não significam, como afirma Maquiavel, a verdade efetiva, mas são as imagens construídas e comunicadas.

Marçal, portanto, pode não apenas ocupar o espaço de Bolsonaro – já que o poder não fica órfão – e, não menos importante, trazer considerável percentual de bolsonaristas para seu projeto. Até porque, dados indicam que número considerável de eleitores bolsonaristas não votará em Nunes, candidato de Bolsonaro, e sim em Marçal. O cenário, assim, pode favorecer substancialmente Marçal e enfraquecendo o bolsonarismo original.

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Já chegou aos meus ouvidos o termo “marçalismo”, um bolsonarismo turbinado e mais conhecedor e preciso no uso dos algoritmos das redes sociais. Não espantaria — e isso traz pânico ao bolsonarismo originário — se Bolsonaro e sua família, junto com o PL e Valdemar Costa Neto, fossem jogados na “vala” da velha política, do sistema, e fossem superados por um Marçal ou outro líder hipertrofiado nos valores presentes neste campo político.

O trecho, a seguir, foi retirado de um excelente livro: “Os engenheiros do caos: como as fake news, as teoria da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar as eleições”, de Giuliano Da Empoli, publicado em 2019, no Brasil, pela Editora Vestígio:

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“[…] O ponto de ruptura se aproxima rapidamente”. […] Ainda mais porque liberar os animal spirits, as pulsões mais secretas e violentas do público, é relativamente fácil, enquanto seguir o caminho inverso é bem mais difícil. Trump, Salvini, Bolsonaro e os outros estão destinados, cedo ou tarde, a frustrar as demandas que geraram e a perder o consenso dos eleitores. Mas o estilo político que racistas, mentiras deliberadas e complôs, depois de ficado à margem do sistema durante décadas, já ocupa o centro nevrálgico. As novas gerações que observam hoje a política estão recebendo uma educação cívica feita de comportamentos e palavras de ordem que irão condicionar suas atitudes futuras. Uma vez os tabus quebrados, não é mais possível colar de novo: quando os líderes atuais saírem de moda, é pouco provável que os eleitores, acostumados às drogas fortes do nacional-populismo, peçam de novo a camomila dos partidos tradicionais. Sua demanda será por algo novo e talvez ainda mais forte”.

As criaturas liberadas pelo bolsonarismo podem devorar seus criadores. Em entrevista à emissora Globo News, Marçal afirmou – ao ser questionado em relação aos recentes conflitos com os bolsonaristas — que a direita não está rachada, e que ele chegou até onde chegou sem Bolsonaro, mas que respeita o ex-presidente. Disse desejar que, na direita, se tenham mil pessoas igual a Bolsonaro, Marçal e o deputado federal Nikolas Ferreira. Foi enfático ao asseverar que sua exposição e força nas pesquisas de intenção de voto estão naquilo que ele representa: princípio, valores e propósito. Depois, concluiu a resposta ao questionamento dos jornalistas da seguinte maneira: “Eu não quero tomar nada de Bolsonaro, a liberdade não tem dono.”

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Marçal lembra a criatura kriptoniana que, no filme Batman vs. Superman: a origem da Justiça, cada vez que é atacada fica mais forte. O fim está numa lança de kriptonita cravada no peito da criatura que, na sequência, acaba matando Superman. A questão, aqui, é simples: numa democracia não se elimina inimigos, e não há lanças alienígenas ou soluções mágicas. As redes sociais do infleunciador foram tiradas do ar por decisão judicial. A narrativa é de censura. Mal foram derrubadas, já há milhares de seguidores em suas novas contas. Jornalistas buscam respostas racionais para desestabilizar Marçal. Ele responde com evasivas, piadas e palavras chocantes. Tem dado certo.

A política existe para, entre outras atividades, resolver os conflitos por meio do diálogo, dentro das instituições e à luz da lei. Importante acompanhar essa trajetória de Marçal e seu estilo bolsonarista anabolizado. Aguardemos para descobrir qual será a escolha do eleitor e a reação das instituições e dos demais atores políticos.

Veja o que está acontecendo com as estratégias de campanha diante do polêmico adversário Pablo Marçal:

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A disputa da prefeitura de São Paulo: atores políticos e estratégias https://canalmynews.com.br/opiniao/a-disputa-da-prefeitura-de-sao-paulo-atores-politicos-e-estrategias/ Wed, 28 Aug 2024 23:19:57 +0000 https://localhost:8000/?p=46194 Disputa pela administração da maior cidade da América Latina tem girado em torno de Marçal; Tabata vem ganhando destaque, inclusive no confronto direto com o influenciador

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A disputa pela prefeitura da cidade de São Paulo distancia-se de projetos, de apresentação de propostas, ideias ou debates civilizados. A eleição de São Paulo foi, até aqui, não sobre São Paulo, e sim sobre Pablo Marçal, o candidato do nanico PRTB (aquele do famoso aerotrem de Levy Fidelix). Haveria, para mim e tantos outros, uma repetição da polarização já vivida no Brasil: Nunes (no bolsonarismo) e Boulos (no lulopetismo). Nada disso. Marçal é o personagem da vez, e sua força que incomodava já assusta os adversários. Vamos, então, aos atores políticos e parte de suas estratégias, ao menos aquelas visíveis.

O atual prefeito, Ricardo Nunes, do MDB, partido tradicional, não conseguiu apresentar-se como aquele tem a força da máquina e o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro; Nunes saiu-se bem nos primeiros dois debates. Sendo o alvo de todos, não perdeu a calma e apresentou as realizações de sua gestão, mas não teve uma identidade política claramente construída e comunicada aos eleitores.

Com longa trajetória nas lutas sociais, Guilherme Boulos (PSOL), por sua vez, trouxe propostas e mostrou a que veio. Mas foi desestabilizado por Marçal, que apresentou acusações sem provas, como, por exemplo, de que o deputado seria usuário de cocaína.

Leia mais: Nunes, Boulos e Datena confirmam participação no debate MyNews/TV Gazeta, neste domingo (1º)

José Luiz Datena, do PSDB, parecia uma novidade. Cheguei a pensar que, com sua experiência de televisão, seria capaz de conter os arroubos retóricos e agressivos de Marçal e se colocar como uma terceira via. Contudo, ele não se encontrou nos dois primeiros debates, sem apresentar propostas concretas. No último debate, se ausentou.

Por fim, Marina Helena, do Novo, está em situação de difícil projeção. A direita tem Nunes e Marçal. Enquanto isso, as pautas apresentadas por ela representam, segundo dizem, a retomada de teses e valores caros ao bolsonarismo.

Quem, até aqui, tem conseguido se sobressair — inclusive no confronto direto com Marçal — é Tabata Amaral, deputada, do PSB (partido do vice-presidente, Geraldo Alckmin). Tabata tem como força motriz sua trajetória da periferia de São Paulo até seus estudos na renomada Universidade de Havard, nos Estados Unidos.

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O foco dela são propostas, especialmente, na área educacional, e suas realizações durante o mandato de deputada. A candidata encarna a racionalidade e o conhecimento necessário à ação política. Há, não menos importante, o entendimento de Tábata que estas eleições têm na figura de Marçal o grande tema. Assim, Tabata – mais do que Nunes, Datena e Boulos que não foram ao último debate – tem sido a antagonista de Marçal. No debate com presença de Marçal, Helena e Tabata, esta fez provocações diretas ao afirmar que covardes não eram apenas os que não foram ao debate, mas quem foi e não respondia nenhum questionamento, no caso, Marçal.

As últimas rodadas de pesquisa apresentam a queda tanto de Boulos e de Nunes e o avanço consistente de Marçal. Tabata, neste cenário, ainda não apresenta musculatura para a ida a um potencial segundo turno, pois manteve-se discreta nas intenções de votos. Neste sentido, visualizava-se um empate triplo, dentro da margem de erro, entre Boulos, Nunes e Marçal na primeira colocação. Já circulam novas pesquisas que colocam Marçal em primeiro lugar na disputa.

Eleições conjugam, a um só tempo, emoção e razão. A política, tendo como elemento nuclear o poder, colocará, novamente, as opções: conquistar o poder, tentar manter o poder, avançar no poder conquistado e nunca recuar. Veremos a quem o paulistano confiará sua prefeitura e o poder nos próximos quatro anos. Veremos.

Veja se tempo de televisão em horário eleitoral pode mudar ou não o jogo na disputa por São Paulo:

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Como foi o primeiro debate dos candidatos à Prefeitura de São Paulo? https://canalmynews.com.br/politica/debate-prefeitura-de-sao-paulo-2024/ Fri, 09 Aug 2024 16:21:32 +0000 https://localhost:8000/?p=45782 Em um hipotético ranking de desempenho, Ricardo Nunes (MDB) e Tabata Amaral (PSB) estariam empatados em primeiro lugar

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O primeiro debate televisivo com os candidatos à Prefeitura de São Paulo ocorreu na noite de quinta-feira (9). Participaram o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB); Guilherme Boulos (PSOL), José Luiz Datena (PSDB), Tabata Amaral (PSB) e Pablo Marçal (PRTB).

Numa avaliação de um debate eleitoral pode-se usar inúmeros ferramentais analíticos. Lança-se mão da análise da relação entre conteúdo e forma, ou seja, há um conteúdo – valores, ideias, propostas e domínio dos dados acerca da realidade, por exemplo; e há a forma – como o candidato expressa suas ideias, sua forma de falar, clareza, dicção, postura corporal, empatia, respeito ou agressividade, só para se fixar em alguns dos aspectos mais relevantes. Por isso, indicar quem venceu um debate traz à tona um conjunto de dimensões e estas, obviamente, não agradaram nem cidadãos, cientistas políticos e, tampouco, a militância.

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Política não é ciência exata. Ainda assim, vamos às questões que merecem maior atenção. Em um hipotético palanque, em primeiro lugar, estariam Nunes e Tabata, empatados; na segunda posição, Guilherme Boulos. Em terceiro, levemente acima, estaria José Luiz Datena. E, na última posição, Pablo Marçal. Tal classificação indica que Nunes é o melhor e Marçal o pior? Jamais. Aqui, como dito, são avaliados forma e conteúdo e o desempenho no debate.

Como era esperado, Nunes foi o alvo dos ataques, já que busca a reeleição. Foi afrontado por todos, indistintamente, e, ponto positivo para ele, não perdeu a calma, não foi agressivo. Não interessa se suas respostas eram corretas naquele momento, pois no calor, na emoção, números e dados dão sensação de segurança e domínio, e não podem ser verificados com tanta rapidez.

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Tabata, por sua vez, teve o papel principal de desconstruir Marçal que, após a pergunta da candidata, foi desrespeitoso e atacou não apenas ela, mas os demais adversários. A candidata do PSB foi segura, apresentou propostas e mandou um petardo na direção do prefeito, que respondeu acerca de uma suposta agressão à sua esposa e um boletim de ocorrência sobre o episódio.

Boulos é o polarizador com Nunes, este apoiado por Bolsonaro e aquele por Lula. Boulos também apresentou propostas, como o “Poupa Tempo da Saúde”, mas não respondeu sobre Venezuela e outras provocações ideológicas.

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Datena, em suas falas, demonstrou que apresentar um programa televisivo é diferente de debater na televisão, já que teve breves lapsos na fala e perdeu-se na gestão do seu tempo. Além disso, o tucano não conseguiu apresentar propostas concretas, mas quis posicionar-se como “terceira via” – entre Nunes e Boulos – e como candidato independente.

Retomando Marçal e suas intervenções, o que ficou evidente é seu estilo agressivo, buscando a posição de outsider, num discurso de ataque à política e ao sistema. Suas propostas, segundo muitos, são fantasiosas e irrealizáveis. Também pareceu conjugar uma retórica de coach com a teologia da prosperidade, querendo mudar o mindset dos cidadãos para que possam enriquecer.

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Em síntese, Nunes é a continuidade. Quer mostrar que contribuiu a São Paulo com grandes feitos e que conhece a capital paulista; Tabata apresenta-se como oriunda da periferia da cidade, deputada federal atuante e defensora inexorável da educação; Boulos pautou-se na sua trajetória no bojo dos movimentos sociais, propostas para saúde e parceria com Lula; Datena quer a imagem de independente e capaz de romper as bolhas da polarização e conhecedor dos temas atinentes à segurança pública; por fim, Marçal é extremamente hábil nas redes sociais, em que tem milhões de seguidores engajados. Ele mostra querer ser o único candidato da direita, já que, para ele, Nunes não é a verdadeira direita, e os demais seriam de outro espectro ideológico.

Vamos, doravante, acompanhar a construção e a comunicação da imagem política dos candidatos!

Veja a análise do debate entre Nunes, Boulos, Datena, Tabata e Marçal:

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A corrida eleitoral à Prefeitura de São Paulo: empate triplo https://canalmynews.com.br/opiniao/a-corrida-eleitoral-a-prefeitura-de-sao-paulo-empate-triplo/ Fri, 02 Aug 2024 14:27:31 +0000 https://localhost:8000/?p=45599 Segundo a última pesquisa Quaest, Ricardo Nunes (MDB) aparece com 20% das intenções de voto, enquanto José Luiz Datena (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) têm, ambos, 19%

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Fim das férias escolares, retorno às atividades laborais de muitos e eis que temos acesso à última pesquisa Quaest, divulgada em 30 de julho, apresentando um triplo empate técnico: Ricardo Nunes (MDB), José Luiz Datena (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL). Vejamos.

A pesquisa traz os seguintes números: Nunes tem 20% (tinha 22% na pesquisa anterior); Datena com 19% (tinha 17%); Boulos com 19% (tinha 21%); Pablo Marçal PRTB com 12% (tinha 10%) e Tabata Amaral PSB tem 5% (tinha 6%).  Fiquemos com estes aqui indicados, por ora. A pior notícia, como se pode depreender dos números, é para Nunes, que é o atual prefeito. Tem a máquina nas mãos e perdeu 2 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior. Boulos, por sua vez, também perdeu 2 pontos. E, no caso, a melhor notícia é para Datena, que ganhou 2 pontos, assim como Marçal, mas este não se encontra no campo de empate técnico. Desta forma, há, aqui, no momento, um tríplice empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa entre Nunes, Datena e Boulos.

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Parece, portanto, que Datena conseguiu mexer no quadro eleitoral, já que tudo indicava uma continuidade da polarização entre Nunes, apoiado por Bolsonaro, contra Boulos, apoiado por Lula. O PSDB, que passou de protagonista da política nacional e do estado de São Paulo, para um partido desarticulado e fragmentado, pode voltar e ter luz própria com Datena. Muitos inclusive este escriba não levavam a sério a possibilidade de Datena concorrer à eleição, pois já havia desistido de sua candidatura em quatro situações anteriores (duas municipais e duas para o Senado). Contudo, Datena, apresentador e jornalista, parece ter negociado com a emissora na qual trabalha uma expressiva redução de seu salário no caso de derrota e de sua volta à televisão. Além disso, no evento que oficializou sua candidatura, Datena enfrentou protestos ao seu nome, especialmente por parte de tucanos favoráveis a Nunes. Parece que era o que faltava para Datena, de fato, ao se assumir candidato: uma boa “briga” partidária. Outro aspecto é que Datena terá como vice o experiente tucano José Aníbal, além, obviamente, dos bons nomes que o PSDB tem em São Paulo (seja na prefeitura ou no governo do estado).

Já há, inclusive, alguns que ventilam a possibilidade de uma desistência de Marçal para apoiar Datena. Isso cairia como uma bomba nas candidaturas de Nunes e Boulos. Se, em novas rodadas de pesquisa, Datena se consolidar como capaz de ir para um segundo turno, contra Nunes ou Boulos, suas condições objetivas melhoram substancialmente. Talvez ainda seja cedo para cravar este fato, mas é possível que o nome de Datena reúna as condições de quebrar a polarização entre bolsonaristas e lulopetistas. Se Marçal tem força nas redes sociais, Datena conhece a cidade de São Paulo e, na condição de apresentador, pode se sair muito bem no corpo a corpo com o eleitor, nos debates e nos programas produzidos para rádio e televisão. Com o retorno à prefeitura, os tucanos podem recuperar parte de seu prestígio e projetar novos voos.

É fundamental acompanhar as pesquisas de outros institutos para verificar se esse triplo empate técnico se apresenta. E, não menos importante, é analisar como as campanhas de Nunes e Boulos vão reagir ao personagem Datena. As emoções, sempre presentes na vida política, prometem presença até o final dessa eleição municipal. Emoção e razão: dois elementos no bojo das escolhas eleitorais.

Entenda como Pablo Marçal na disputa por São Paulo pode favorecer Nunes e ser um risco para Boulos:

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Filiação política e o engajamento pelo ódio https://canalmynews.com.br/colunistas/filiacao-politica-e-o-engajamento-pelo-odio/ Mon, 08 Jul 2024 16:23:47 +0000 https://localhost:8000/?p=44511 Pesquisa mostra que mais pessoas estão se filiando a partidos no Brasil; entre os novos filiados, 70% consideram aversão e ódio ao rival político um motivo relevante para aderir a uma legenda

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Em recente matéria publicada no Estadão, 01/06/24, página A6, de Hugo Henud, há a apresentação de uma pesquisa realizada por cientistas políticos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP) acerca do aumento da filiação partidária no Brasil. Vejamos.

Paradoxalmente, num ambiente de rejeição à política e de desconfiança em relação aos partidos políticos houve o aumento da filiação partidária em nosso país. Como explicar tal paradoxo? A investigação traz à tona o fato de que “entre os filiados, cerca de 70% consideram, em algum grau, a aversão e o ódio ao rival político como motivos relevantes para aderir a uma legenda”. Nas palavras de Pedro Paulo de Assis, pesquisador do Departamento de Política da USP: “Queríamos entender por que a filiação partidária estava aumentando, mesmo diante do crescente descrédito e desconfiança com relação aos partidos. Então, descobrimos que o ódio e a rejeição ao adversário motivam não só a filiação, mas também são fatores que tornam os filiados muito mais engajados na vida partidária”. Esse fenômeno foi denominado, pelos pesquisadores, como “engajamento pelo ódio”.

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Essa pesquisa, de certa forma, corrobora teses de outros cientistas políticos e teóricos. Giuliano Da Empoli publicou, em 2019, a obra Os engenheiros do caos, cujo subtítulo “Como as fake news, as teorias da conspiração e os algoritmos estão sendo utilizados para disseminar ódio, medo e influenciar as eleições” vai de encontro com a ideia do “engajamento pelo ódio”. Na mesma linha, o livro de Felipe Nunes e Thomas Traumann, Biografia do abismo (2023), apresenta que nossa polarização política já se tornou uma “calcificação” e que visões de mundo que alicerçam as ideologias políticas acabam por dividir indivíduos e grupos não apenas no período eleitoral, mas que isso invade o núcleo familiar, a sociabilidade nas escolas e universidades, nas empresas, enfim, nossa vida está em constante tensão dada a polarização/calcificação vivenciada politicamente.

O quadrante histórico, por assim dizer, nos faz sentir, pensar e agir a respeito da política de uma forma desencontrada, fraturada e, por isso, gerando traumas evidentes. Políticos eleitos, nossos representantes, estão, cada vez menos, apresentando um projeto para o país ou, mais simplesmente, suas propostas de ação política. Muito melhor é lacrar, engajar, fazer cortes e, assim, apresentar-se como vitorioso não num franco e profundo debate de ideias acerca de nossos problemas reais e sim numa rápido vídeo para as redes sociais. Não raro, políticos e seus assessores os “engenheiros do caos” conjugam fake news, pós-verdades, negacionismos e teorias da conspiração e tudo isso para ganhar forças nas redes sociais, impulsionados por algoritmos que captam a força do medo, do ódio e do ressentimento, por exemplo. Neste caso, não há adversários políticos que devem, democraticamente, conviver e sim inimigos que devem ser destruídos, em sua trajetória, em sua reputação e em seus ideais e sonhos.

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Os partidos políticos e seus operadores, que são intermediários, têm, infelizmente, se nutrido desses elementos atinentes ao ódio e, com isso, apequenam a Política. Reina, em muitos casos, uma mediocridade e mesquinharia que ganha likes e viraliza, mas é vazio de conteúdo, de ideias, de projetos, de conceitos, de conhecimento e informação.

A situação será dramática no curto e médio prazo neste universo político. No longo prazo, já asseverou Keynes, estaremos mortos…

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O Rio Grande do Sul: a sua e a nossa tragédia https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/o-rio-grande-do-sul-a-sua-e-a-nossa-tragedia/ Tue, 14 May 2024 16:52:41 +0000 https://localhost:8000/?p=43025 Sabemos – prezado leitor e prezada leitora – da catastrófica situação de nossos concidadãos, moradores do estado do Rio Grande do Sul, atingidos por chuvas incessantes que causaram mortes e perdas materiais inimagináveis. A vida cotidiana, assim como no período pandêmico, a normalidade, está suspensa. Sociologicamente, há um contexto de patologia social e, por isso, há que se preocupar para que não se degenere para uma anomia.

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Segundo estimativas do governo gaúcho, serão necessários R$ 19 bilhões para a reconstrução do estado, em ações de: resposta, assistência, reestabelecimento e reconstrução. É, por certo, o maior desafio político sobre um governador, no caso, Eduardo Leite, nos últimos 50 ou 100 anos. E, o pior, é pensar e projetar que tais eventos climáticos extremos poderão, num curto espaço de tempo, se repetirem trazendo tudo isso à tona novamente. Especialistas já asseveram acerca da necessidade de mudar cidades inteiras de lugar. Mudar uma cidade de lugar? Sim, pois a continuidade desta formação territorial trará, não raro, novas situações de catástrofe.

Uma população que, neste momento, vivencia o choque da perda – humana, de seus animais de estimação, de seus bens materiais – e que terá que, social e psicologicamente, reconfigurar suas vidas. Rememoremos as guerras, os rompimentos de barragens, os terremotos e os incêndios de grandes proporções. Tudo isso traz não apenas feridas físicas, perdas materiais, mas, sobretudo, impacto na saúde mental dos atingidos, todos, indistintamente, sentem e sentirão os resultados da vivência traumática em tela.

Não bastassem as desgraças já ocorridas e a projeção de novas chuvas e a queda intensa da temperatura, pululam nas redes sociais e nas ruas um conjunto de fake news que são direcionadas para intenções distantes da ética e da decência humana. A fake news não é uma mera, simples, mentirinha. Ela é produzida com objetivo de ser uma mensagem fraudulenta em seu conteúdo e que toma a forma de uma informação assentada em fatos, da realidade, mas que causará prejuízo econômico, político e, por isso, trará vantagens para seus disseminadores. Observe-se que o mecanismo da fake news, das teorias da conspiração, da pós-verdade e dos distintos tipos de negacionismo sempre busca captar atenção por conta do apelo emocional, de uma informação extraordinária, de uma grande conspiração das elites, dos governos, que, por isso, tem que ser compartilhada antes que a tirem de circulação. Assim, em pouco tempo ganham as redes, as ruas e formam narrativas que pouco tem de compromisso com a verdade factual.

Todos nós podemos, de alguma forma, contribuir. Pode-se contribuir com doações (financeiras ou itens de necessidade), com doação de trabalho voluntário, com ações de conscientização e não divulgando fake news e informações incompletas ou não verificadas. O momento reclama, de cada um, uma reflexão de que, independente de nosso grupo ou classe social, nossa vida poder mudar abruptamente e que teremos que tratar de forma profunda, séria e científica da relação da humanidade com a natureza, da ocupação do solo e da formação de nossas cidades. Estaremos, em breve, em período eleitoral e cabe, como cidadão e eleitor, questionar candidatos a prefeito e vereador: o que propõem no que tange a estes temas? Às catástrofes? A ocupação do solo? Aquecimento global?.

Se, enfim, tudo isso seja demasiado difícil para alguns, lembro da simplicidade de meus pais, de cultura caipira: “muito ajuda quem não atrapalha”. Sigamos em solidariedade e apresentando valores que possam minorar o sofrimento em voga. A tragédia que é deles é, na verdade, nossa.

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O Rio Grande do Sul, sua tragédia e as fake news https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/o-rio-grande-do-sul-sua-tragedia-e-as-fake-news/ Tue, 14 May 2024 16:43:52 +0000 https://localhost:8000/?p=43023 O Brasil – e o mundo – está inexoravelmente ligado não apenas à realidade social, mas às narrativas acerca desta realidade, não raro, a um conjunto de fake news, pós-verdades, negacionismos e teorias da conspiração. E isso, infelizmente, tem se repetido nos dias que correm no que tange à tragédia vivenciada pelo povo gaúcho.

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Não faz muito, publiquei, em parceria com minha colega Deysi Cioccari, o livro “Fake news na política” (Editora Almedina – Coleção MyNews Explica), e, nesta obra, asseveramos o seguinte:
“A mídia tradicional – jornais, revistas, rádio e televisão – cai numa armadilha ao repercutir de forma indignada as fake news, pós-verdades e teorias da conspiração. Jornalistas profissionais estão, não raro, ao lado de especialistas para desmontar, ponto por ponto, as fake news. Passam parte do tempo de um telejornal informando a partir dos pressupostos que aprenderam nas universidades: ouvem as fontes, usam do senso crítico, apresentam dados, etc. Terminam seu trabalho satisfeitos, pois acreditam que, com isso, eliminaram aquela fake news. Ledo engano. Os formuladores das fake news é que estão extasiados, pois suas criações ganharam o horário nobre, invadiram o espaço da mídia tradicional, pautaram o sistema e o establishment.”

O jornalista, aquele seriamente comprometido com a informação de qualidade, acaba, querendo ou não, tendo contato com a fake news e esta não é apenas uma “mentirinha”, uma “outra forma de interpretar a realidade”. Ela, em verdade, é criada e, hoje, disseminada numa surpreendente velocidade por conta dos algoritmos das redes sociais. É formulada com objetivos claros de trazer vantagens – econômicas ou políticas – para quem as desenvolve e prejuízos para os que são atingidos por ela. Há uma indústria bem fundamentada que tem a seu serviço os “engenheiros do caos”, título do livro de Giuliano Da Empoli.

Se, de um lado, existe a produção massiva de fake news e teorias da conspiração, por exemplo; de outro, há uma corrida na tentativa da mídia, de agências checadoras e de pesquisadores em desmentir, contextualizar e apresentar os fatos conectados à realidade. Temos à disposição algumas agências de checagem: Agência Lupa, Aos Fatos, Fato ou Fake e Comprova. Muitos estudiosos fazem um trabalho abnegado de apresentar a anatomia de uma fake news e como ela impacta o debate público e até mesmo o Estado Democrático de Direito. Não se pode negar que a qualidade da democracia depende, em larga medida, da qualidade da informação que o cidadão tem acesso. Nos últimos dias, pesquisadores identificaram alguns núcleos de fake news atinentes à tragédia no sul do país: 1) o governo não faz nada para ajudar, então, civil ajuda civil; 2) o Estado é ausente, ineficiente, especialmente, o Exército; 3) disseminação de pânico econômico, com indicação de desabastecimento e, com isso, corrida aos supermercados para estocagem de alimentos. A origem de parte substantiva dessas fake news são perfis de extrema direita que, entre outros objetivos, querem rotular o atual governo e, ainda, atacar as Forças Armadas, mormente o Exército, pois não perdoam o fato de o alto comando não ter aderido e dado sequência aos atos do 08 de janeiro e nem aos intentos golpistas de um cenário já conhecido e investigado.

Já não bastasse a tragédia em si, há que se dedicar tempo e energia em desmontar falsas narrativas e toda a sorte de fake news que pululam nas redes sociais e nas conversas cotidianas. Tenhamos consciência e senso crítico. Antes de assumir certezas ou compartilhar algo, questione, verifique e exerça sua cidadania.

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Cenários Políticos nos Estados: Pesquisa Genial/Quaest https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/cenarios-politicos-nos-estados-pesquisa-genial-quaest/ Sat, 13 Apr 2024 02:48:31 +0000 https://localhost:8000/?p=42928 A recente pesquisa Genial/Quaest “Cenários Políticos nos Estados” – São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás – veio à tona e, obviamente, tem seus dados interpretados e amplificados no âmbito da mídia e das redes sociais.

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A recente pesquisa Genial/Quaest “Cenários Políticos nos Estados” – São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás – veio à tona e, obviamente, tem seus dados interpretados e amplificados no âmbito da mídia e das redes sociais. Segundo informações do instituto, a investigação deu-se entre os dias 04 e 07 de abril, com eleitores com 16 anos ou mais e cujo índice de confiabilidade é de 95%.

O primeiro dado apresentado é “Aprovação do Governo Lula/Estado”. Temos, assim, que, no Brasil, o governo é aprovado por 51% e desaprovado por 46% e não sabem ou não responderam (NS/NR) são 3%.

Seguindo para os quatro estados pesquisados, os números são os seguintes: em São Paulo – 50% aprova, 48% desaprova e NS/NR 2%; nas Minas Gerais – 52% aprova, 47% desaprova e 1% NS/NR; no Paraná 44% aprova, 54% desaprova e 2% NS/NR e em Goiás – 49% aprova, 50% desaprova e 1% NS/NR. Neste caso, os números são ruins para o atual governo federal, já que em São Paulo e Minas Gerais o governo é aprovado praticamente na margem de empate técnico e é bem desaprovado no Paraná e desaprovado também na margem de empate técnico em Goiás.

Dessa forma, os números continuam a refletir aquilo que Felipe Nunes e Thomas Traumann já asseveraram em seu livro “Biografia do abismo”, de que a polarização política já se transformou em uma “calcificação”, pois temos, praticamente, metade da população aprovando o Governo Lula e metade desaprovando.

No que tange aos números acerca da “Aprovação do governo estadual/Estado” os governadores tidos como de oposição: Tarcísio Freitas, Romeu Zema, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado têm números muito melhores que Lula. Em São Paulo – 62% aprova o governo estadual, 29% desaprova e 9% NS/NR; nas Minas Gerais – 62% aprova o governo estadual, 31% desaprova e 7% NS/NR; no Paraná – 79% aprova, 17% desaprova e 4% NS/NR e em Goiás – 86% aprova o governo estadual, 12% desaprova e 2% NS/NR. A realidade, aqui, é, como dito acima, péssima para Lula e muito boa para os governadores que, há tempos, são colocados como herdeiros do espólio eleitoral de Jair Bolsonaro que está inelegível.

Embora Ratinho Júnior, Governador do Paraná tenha 79% de aprovação e Ronaldo Caiado, Governador de Goiás, tenha 86% de aprovação e Tarcísio de Freitas (SP) e Romeu Zema (MG) tenham 62%, destes quatro o nome mais forte numa potencial disputa presidencial ainda continua sendo Tarcísio de Freitas. Freitas tem, entre todos, a posição mais confortável, pois poderá concorrer à reeleição em São Paulo ou, caso Lula esteja enfraquecido politicamente, pode vislumbrar o Planalto. No caso de permanecer em São Paulo, o nome que ganha visibilidade e força, dada a sua competitividade no bojo do bolsonarismo, é a ex-primeira dada, Michelle Bolsonaro.

Entre tantos outros dados passíveis de interpretação da pesquisa em tela, temos “Economia”, na qual a pergunta foi “Nos últimos 12 meses, a ____ melhorou ou piorou?/Estado de São Paulo”. Vejamos: […] a Economia do Brasil melhorou para 23%, Ficou igual para 32%, Piorou para 42% e NS/NR 3%. Já em relação à Economia de São Paulo, temos: Melhorou para 26%, Ficou igual para 41% e Piorou para 30% e NS/NR 4%. Por fim, ainda no estado de São Paulo, em relação “à sua situação financeira”, temos que Melhorou para 26%, Ficou igual para 42%, Piorou para 30% e NS/NR com 0.

Só para se ter uma ideia: nos outros estados para todos a Economia do Brasil piorou: 45% em Minas Gerais e em Goiás e 49% no Paraná. Aqui, talvez o dado mais preocupante para o Governo Lula. A economia continua uma variável assaz importante na composição da aprovação/desaprovação de um governo e da construção da decisão do voto.

O Governo Lula reclama – alicerçado sobre os dados aqui indicados –  mudanças caso queira melhorar seus números de aprovação e, de outro lado,  os Governadores de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Goiás estão fortalecidos neste cenário “calcificado” e se colocam como opção para 2026. Lula e seus ministros não trouxeram, ainda, nenhum fato ou uma marca capaz de eletrificar a opinião pública de forma positiva. Lula, já asseveram nos corredores de Brasília, ou desencadeia uma ação mais concreta objetivando trazer elementos positivos e que possam ser apreendidos pela população ou terá enorme dificuldade no restante de seu mandato e de sua reeleição/sucessão.

Lula, ainda, olha no retrovisor e parece estar surpreso com esse Brasil “calcificado” e com uma aposição mais vigorosa do que teve que enfrentar nos seus dois mandatos anteriores. Há quem diga que uma reforma ministerial começa a se desenhar com mais clareza na tentativa de melhorar a avaliação do governo.

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Elon Musk: política, leis e as redes sociais https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/elon-musk-politica-leis-e-as-redes-sociais/ Sat, 13 Apr 2024 02:41:12 +0000 https://localhost:8000/?p=42923 Musk tem poder, sem dúvida alguma, mas não a autoridade, que é o poder autorizado pela lei

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Um texto de Rodrigo Prando em parceria com Maurício Felberg


Há alguns dias, o conhecido empresário norte-americano Elon Musk, fez uso de suas onipresentes redes sociais para manifestar sua visão de mundo, seus valores e, no que aqui interessa considerar, suas opiniões acerca do Brasil em geral e do Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em particular. Suas palavras – escritas ou ditas – trazem, em seu bojo, elementos atinentes à política, às leis e à regulamentação das redes sociais. Vejamos.

Musk afirmou, por exemplo, nos últimos capítulos desta trama, que o Ministro Moraes seria “um ditador brutal”, que “colocou o dedo na balança para eleger Lula” e ponderou, segundo sua lógica particular: “como Alexandre de Moraes se tornou ditador do Brasil? Ele tem Lula na ‘coleira’”. Independente de se tratar de um bilionário ou de um pobre professor, a todos é permitido expressar opiniões, para que se possa, por meio das redes sociais, provocar um debate acerca de temas afeitos à democracia, às leis, ditadura, autocracia, instituições sociais, entre tantos outros. Todavia, opiniões serão, em grande parte das vezes, escrutinadas pela sociedade, pela imprensa livre, por especialistas e intelectuais públicos. Assim, as afirmações de Musk em relação ao Brasil e a Alexandre de Moraes não encontram respaldo nos fatos, na realidade, já que não vivemos numa ditadura e nem o poder de Moraes é ilimitado a ponto de ter o Presidente da República numa “coleira”. Em que pese a sua expressão deselegante, Musk tem, aqui, um papel político bem delineado: assume uma clara posição no espectro político afeita a uma extrema direita que, não faz muito, planejou o ataque ao Estado Democrático no Brasil. As redes sociais extremistas estão celebrando explicitamente os ataques de Musk a Moraes e, especialmente, revitalizando fake news, pós-verdades e teorias da conspiração acerca de nosso processo eleitoral e das urnas eletrônicas e sua segurança. Politicamente, Musk sabe o que diz e para quem diz. Ideologicamente, a visão e valores de Musk invocam de maneira rasa o clichê da defesa da “liberdade de expressão”. Suas críticas a Moraes – e o Ministro pode e deve ser criticado – verdadeiras ou não, podem até não gerar consequências jurídicas contra ele pessoalmente. Mas suas empresas, companhia e grupo econômico, em geral, não podem jamais desrespeitar leis e as decisões emanadas da Justiça, como anunciado por seu mecenas.

Num artigo recente sobre o Projeto de Lei 2630, os autores deste escrito já asseveravam o seguinte: “Imaginem, prezados leitores, caso questionassem, no século XIX, Rockfeller e JP Morgan sobre as leis antitruste. Certamente, seriam contrários a qualquer ação legal que limitasse seus negócios e lucros. Impossível, hoje, tolerar modelos empresariais que esmaguem a concorrência com o objetivo de monopolizar o mercado, tornar reféns seus usuários de quaisquer serviços e agindo sem transparência e, pior, negando-se a atender ordens das autoridades ou determinações judiciais. A própria soberania dos Estados pode ser colocada em xeque a prevalecer ações sem a devida regulação, com ações políticas e campo legal”.

Musk tem poder, sem dúvida alguma, mas não a autoridade, que é o poder autorizado pela lei. Não há nenhuma Corte, seja na primeira instância ou o STF, que indicará ou obrigará a fazer a gestão de suas organizações de uma forma ou de outra. Foge muito do razoável Musk pretender usar de seu poder econômico visando constranger ou manipular situações políticas no Brasil ou qualquer Estado de Direito. Críticas são sempre bem-vindas, mas para serem responsáveis e eficazes, reclamam, essencialmente, argumentos respaldados em verdade factual e civilidade nos termos propostos. Já em meados dos anos 1990, nos cursos de Ciências Sociais, com inúmeros teóricos estudando o fenômeno da globalização, havia a preocupação que os gigantescos conglomerados econômicos pudessem aviltar ou atacar a soberania dos Estados Nação.

O que ocorre no cenário atual, do qual esse arroubo protagonizado por Elon Musk foi o mais recente capítulo, é uma verdadeira crise de poder dos Estados, enquanto entes públicos destinados à mitigação das desigualdades sociais e protagonistas do desenvolvimento econômico das nações, que hoje têm sua posição ameaçada pelas gigantes corporações privadas multinacionais (ou mundiais), no geral, e uma indisfarçável crise de identidade do Poder Judiciário brasileiro (mais especificamente do seu Supremo Tribunal Federal), aqui no particular. Por essas razões, é que os articulistas que aqui se expressam, já haviam manifestado seu entendimento, no sentido  de que era fundamental que o Congresso Nacional concluísse o que se esperava do Legislativo, propondo mecanismos responsáveis espelhados principalmente nos modelos europeus, para que o uso da internet não fosse tido como terra sem lei, preservada sempre a liberdade de expressão, com o objetivo fulcral de tirar do Judiciário brasileiro esse protagonismo e ativismo político que o transformou de forma anabolizada num “super Poder”, acima dos demais, desequilibrando perigosamente o sistema de constitucional de freios e contrapesos, num fenômeno diagnosticado por muitos estudiosos como “juristocracia”.

A entrada na arena do impetuoso Elon Musk, movendo mais uma peça nesse conturbado tabuleiro, portanto, não surpreende, explicitando as pautas e inflamando o “Fla-Flu” – a calcificação política – que se tornou o debate público. Dos Ministros da Suprema Corte sempre se espera discrição e fuga dos holofotes, evitando debates políticos, mormente em mídias sociais. Ao que tudo indica, o Ministro Moraes acabou aceitando a provação de Musk e, por isso, novos capítulos dessa crise no bojo das instituições certamente virão.

O que se lamenta, e muito, nessa briga de rua sem vencedores, foi o Ministro Moraes ter mais uma vez agido reflexivamente, mordendo a isca da provocação e escancarando novamente o momento de crise institucional do Judiciário. A conferir os próximos capítulos.

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Marielle, o Rio de Janeiro e a anomia https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/marielle-o-rio-de-janeiro-e-a-anomia/ Wed, 03 Apr 2024 22:54:02 +0000 https://localhost:8000/?p=42823 Ideologia, posições políticas, fake news e distintas teorias da conspiração povoaram o imaginário popular e dos atores políticos.

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Ao que tudo indica, estamos chegando à resolução do crime que vitimou vereadora Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes.

Já se sabia quem havia executado o crime, faltava, porém, os mandantes e a motivação. As investigações chegaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) e lá foi homologada a delação premiada de Ronie Lessa, executor de Marielle. Nesta delação, foram implicados os irmãos Brazão – Chiquinho Brazão (deputado federal) e Domingos Brazão (Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio) e Rivaldo Barbosa, que chefiava a Polícia Civil do Rio de Janeiro à época dos assassinatos. No que tange à motivação, as investigações da Polícia Federal (PF) indicam que Marielle foi morta por sua atuação contra um esquema de loteamentos de terra em áreas dominadas pela milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro.

O tempo decorrido desde o crime até as últimas prisões, foi, simbolicamente, no campo político, um tempo de uma pergunta que não tinha resposta: “Quem matou Marielle?”. Ideologia, posições políticas, fake news e distintas teorias da conspiração povoaram o imaginário popular e dos atores políticos.

Segundo Luiz Carlos Azedo, jornalista e arguto analista da política brasileira, temos que “A prisão do deputado federal Chiquinho Brazão, que tem foro privilegiado, rompe a blindagem do esquema mafioso, porque o caso está no Supremo, saiu da esfera da Justiça fluminense. O ministro Gilmar Mendes, do STF, diante dos fatos, disse que é preciso refundar as instituições políticas e os órgãos de segurança pública do Rio de Janeiro. Ainda, de acordo com Azedo: “Essas conexões são conhecidas nos meios policiais, jurídicos e políticos, mas estavam blindadas pela profundidade e extensão do crime organizado e pelo pacto de silêncio entre as autoridades no Rio de Janeiro. A maioria não se manifesta porque tem medo de morrer, como aconteceu com Marielle”.

O cenário da violência, no Brasil, é um dos temas de maior preocupação dos cidadãos e isso é, empiricamente, captado e demonstrado por meio de pesquisas. Nas aulas introdutórias de Ciência Política, ensina-se que, dentre muitos dos autores que tratam do Estado, temos, em Max Weber, uma importante definição: o Estado caracteriza-se pelo monopólio legitimo da violência. Assim, somente o Estado e suas instituições podem, dentro da lei, por meio de suas Forças Armadas e de suas polícias, exercer a violência, caso seja necessário. Por isso, um traficante e um miliciano, por exemplo, têm poder (possuem armas e capacidade de coação, intimidação e até agressões fatais), mas não têm autoridade – que é um poder autorizado, alicerçado sobre as leis, num Estado Democrático de Direito. Infelizmente, no Rio de Janeiro as fronteiras entre poder, autoridade, Estado, violência, crime e instituições estão, há tempos, se dissolvendo, criando aquilo que, na Sociologia, é definido como anomia, um estado no qual há clara ausência de normas, regras e dos laços de solidariedade no bojo da sociedade. Em verdade, contraditoriamente, a anomia tornou-se normal.

Refundar as instituições políticas e os órgãos de segurança do Rio de Janeiro, conforme asseverou Gilmar Mendes, é urgente, sem dúvida. A questão é que envolve uma complexa relação entre as instituições, a cultura política e própria cultura e comportamento de indivíduos e grupos. Como, enfim, consertar o motor com o carro em movimento e acelerando? Uma sugestão de leitura, se me permitem: “A república das milícias”, de Bruno Paes Manso, da Editora Todavia, de 2020.

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Corrida à prefeitura de São Paulo: análise da pesquisa Datafolha https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/corrida-a-prefeitura-de-sao-paulo-analise-da-pesquisa-datafolha-de-11-03-23/ Tue, 12 Mar 2024 16:01:40 +0000 https://localhost:8000/?p=42684 Ao que tudo indica – em que pese o distanciamento do pleito (que será em outubro) – há no topo das intenções de voto Boulos e Nunes

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Foi, há pouco (11/03/24), divulgada a Pesquisa Datafolha de intenção de voto para a prefeitura de São Paulo. O levantamento levou em conta a resposta de 1.090 eleitores entre os dias 7 e 8 de março. Vamos, inicialmente, aos números.

Guilherme Boulos (PSOL) tem 30%; Ricardo Nunes (MDB) com 29%; Branco, nulo ou nenhum com 14%; Tabata Amaral (PSB) com 8%; Marina Helena (Novo) apresenta 7%; Não sabem são 6%; Kim Kataguiri (União) com 4% e Altino (PSTU) tem 2%. No outro cenário sem Kim Kataguiri, temos o seguinte: Ricardo Nunes 30%; Guilherme Boulos 29%; Tabata Amaral 9%; Marina Helena com 7%; Altino com 1%; Branco, nulo e nenhum com 16% e Não sabem com 7%. Já no cenário sem Kim Kataguiri e Tabata Amaral há os seguintes números: Boulos com 33%; Nunes com 33%; Helena com 8%; Altino com 2%; Branco, nulo ou nenhum com 17% e Não sabem com 7%.

Nestes três cenários, com respostas induzidas, nos quais os nomes dos candidatos são apresentados para o eleitor/respondente há em todos um empate técnico entre Boulos e Nunes, isolados com cerca de 60% das intenções de votos (cerca de metade para cada um deles). Logo abaixo, no escalão intermediário, temos Tabata Amaral e Marina Helena também empatadas tecnicamente e no último escalão Kim Kataguiri e Altino também tecnicamente empatados. No cenário sem Kataguiri, Nunes fica a frente com 30% e Boulos em segundo lugar com 29% e na projeção sem Kataguiri e Amaral, Boulos e Nunes apresentam empate com 33%. Uma surpresa, nesta rodada de pesquisa induzida, foi o nome de Marina Helena, do partido Novo. Para muitos, inclusive os próprios realizadores da pesquisa, há uma concreta possibilidade de que Marina Helena tenha sido confundida com Marina Silva, do partido Rede, atual ministra do Meio Ambiente e que tem recall por ter participado de três eleições presidenciais.

Já na pesquisa espontânea, na qual o eleitor/respondente indica o candidato, temos: Boulos com 14%; Nunes com 8%; Atual prefeito com 2%; Candidato do PT/Lula com 1%; Branco, nulo e nenhum com 7% e Não sabe com 60%. Aqui, percebe-se, nitidamente, que os únicos que são lembrados pelos eleitores são Boulos e Nunes ou, ainda, o “Atual prefeito” ou o “Candidato do PT/Lula”, com vantagem para Boulos, a frente fora do empate técnico. Isso, para o prefeito Ricardo Nunes não é uma boa notícia, contudo, também não chega a acender a luz vermelha da campanha. O prefeito de São Paulo que assumiu após a morte de Bruno Covas ainda não é tão conhecido pelo paulistano e terá tempo para se apresentar ao eleitorado.

Ao que tudo indica – em que pese o distanciamento do pleito (que será em outubro) – há no topo das intenções de voto Boulos (oposição) e Nunes (situação). Tal fato já é entendido como a reprodução, no nível municipal, da polarização derivada da eleição de 2022, já que Boulos será o candidato apoiado por Lula e terá como vice Marta Suplicy, que retorna ao PT e Nunes apoiado por Bolsonaro. Com esse quadro se estabilizando nas próximas rodadas, teremos, como em 2022, enorme dificuldade da consolidação de uma “terceira via” (Tabata Amaral, Marina Helena ou Kim Kataguiri). Obviamente, é cedo para bater o martelo e uma eleição em dois turnos se desenha e, ainda, imprevisível pois haverá a apresentação dos candidatos, a modulação de seus discursos, apresentação de suas propostas e realizações e a mobilização nas ruas e nas redes sociais.

Importante, ao longo do tempo, acompanhar os números trazidos pelas novas rodadas das pesquisas e o desempenho dos candidatos na apresentação de sua visão de mundo, trajetória e suas ideias para a cidade de São Paulo.

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Na Paulista, o mesmo Bolsonaro, mas dois discursos distintos https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/na-paulista-o-mesmo-bolsonaro-mas-dois-discursos-distintos/ Tue, 27 Feb 2024 15:23:38 +0000 https://localhost:8000/?p=42531 Justiça não é vingança. Todos, indistintamente, têm direito à ampla defesa e ao contraditório

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No dia 25/02/24, a Avenida Paulista foi palco de uma imensa manifestação em apoio ao ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. A Paulista, assim chamada com intimidade pelos paulistanos, é, quase sempre, palco de manifestações, a favor ou contra políticos ou governos e, portanto, a ocupação de seu espaço significa, geralmente, demonstração de força ou de capital político. Bolsonaro é, portanto, um líder político que congrega um enorme apoio popular, com carisma e apoio no campo dos valores sociais que se coloca como representante.

Cabe, aqui, contudo, rememorar o discurso de Bolsonaro em 07/09/21 na mesma Paulista. Na ocasião, o discurso foi duro, com ataques diversos e ameaças evidentes. Direcionado ao Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, Bolsonaro afirmou: “temos um ministro do Supremo que ousa continuar fazendo aquilo que nós não admitimos. Ou esse ministro se enquadra ou ele pede para sair”. Continuou: “dizer a esse indivíduo que ele tem tempo ainda para se redimir. Tem tempo ainda para arquivar seus inquéritos. Ou melhor, acabou o tempo dele. Sai, Alexandre de Moraes. Deixa de ser canalha”. E, ainda: “qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, esse presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou. Além de Moraes, Bolsonaro atacou a segurança e legitimidade do processo eleitoral, especialmente, no que tange às urnas eletrônicas.

Rapidamente, o mundo político e jurídico começou, no mesmo dia, a analisar o discurso presidencial e suas consequências. Lembro-me de meu telefone tocando com os jornalistas querendo saber se haveria golpe ou ruptura institucional. Em verdade, foi realizada uma grande operação para distensionar o ambiente e reparar os excessos retóricos no bojo do bolsonarismo. Michel Temer, ex-presidente, foi chamado às pressas e foi intermediário de uma carta endereçada a Alexandre de Moraes na qual Bolsonaro buscava desculpar-se e retroceder em seu presidencialismo de confrontação. A pergunta, no caso, é a seguinte: o que aconteceu quando –  no exercício do mandato presidencial, como comandante em chefe das Forças Armadas e com as ruas repletas de bolsonaristas – Bolsonaro ameaçou as instituições e o Ministro Moraes? Resposta: nada. As investigações e inquéritos continuaram no âmbito jurídico e Bolsonaro atuando no campo político em busca de sua reeleição. Ademais, em 2022, Bolsonaro foi o primeiro presidente não reeleito desde a aprovação do estatuto da reeleição, sendo derrotado por Lula e, logo depois, foi condenado na Justiça Eleitoral à inelegibilidade.

Agora, em 2024, há um Bolsonaro que, embora ainda tenha força e capital político, não se encontra mais no poder. A manifestação de 25/02/24 é superlativa, mas o discurso, dessa vez, foi bem ameno e em tom calculado, já que tanto Bolsonaro como Silas Malafaia foram assessorados juridicamente. Foi Malafaia quem fez, retoricamente, o tom subir em relação, novamente, ao Ministro Moraes, ao STF e ao Tribunal Superior Eleitoral. Bolsonaro, por sua vez, reclamou de perseguição, negou a tentativa de golpe (pela qual é investigado) e pediu anistia aos que foram julgados e presos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Em suas palavras, Bolsonaro afirmou: “O que busco é a pacificação, é passar uma borracha no passado. É buscar uma maneira de nós vivermos em paz, não continuarmos sobressaltados”. Na sequência, afirmou, acerca dos presos pelo 08/01/23: “Nós não queremos mais que seus filhos sejam órfãos de pais vivos. A conciliação, nós já anistiamos no passado quem fez barbaridade no Brasil. Agora, nós pedimos a todos os 513 deputados, 81 senadores, um projeto de anistia, para que seja feita justiça no nosso Brasil”. No que tange às acusações de participar da articulação de um golpe, o ex-presidente asseverou que: “Golpe é tanque na rua, é arma, é conspiração. É trazer classes políticas para seu lado, empresariais, isso que é golpe. Nada disso foi feito no Brasil”.

No dia 25/02/24, Bolsonaro mostrou força política, lotando a Paulista, e, ao mesmo tempo, sua fragilidade e um líder acuado. Nos idos de 2021, no auge de seu poder, Bolsonaro ameaçou, recuou e voltou aos ataques até o período eleitoral. Politicamente, Bolsonaro nunca desmobilizou sua base de apoio, nas redes e nas ruas, desde 2018 quando foi eleito. Bolsonaro é o único ex-presidente que, após o fim de seu mandato e de sua derrota, não submergiu. Continua ativo, mobilizando sua militância e com apoios na sociedade e em parte considerável da classe política. Outra vez, uma questão: qual a consequência, neste caso, de um discurso ameno e apaziguador, para o futuro de Bolsonaro na dimensão jurídica? Provavelmente, as instituições – no caso o STF, justiça eleitoral, polícia federal – continuarão seguindo com as investigações.

Que se enfatize que o ex-presidente é, no momento, investigado. Sua situação política é ruim (não reeleito e inelegível) e sua situação jurídica se deteriora conforme é divulgado o mosaico montado nos inquéritos em curso. Há, na política e na justiça (no Direito), temporalidades e lógicas distintas. Desde Montesquieu, o pressuposto da separação e exercício harmonioso entre os Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) é o norte que, num Estado Democrático de Direito, deve ser seguido. Justiça não é vingança. Todos, indistintamente, têm direito à ampla defesa e ao contraditório. E todos são, numa república, iguais perante a lei. Nem mais e nem menos: iguais.

O Brasil não está apenas polarizado e sim “calcificado”, conforme aduziram Felipe Nunes e Thomas Traumann, em seu livro “Biografia do abismo”. Não reconhecer isso e não reconhecer a força da liderança carismática de Bolsonaro e de Lula é não compreender a realidade política do país, é não entender que, na política, há a busca, manutenção e, quando possível, a ampliação do poder conquistado.

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Bolsonaro na Paulista em 25/02: e agora? https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/bolsonaro-na-paulista-em-25-02-e-agora/ Mon, 26 Feb 2024 20:24:06 +0000 https://localhost:8000/?p=42519 Os atos transcorreram sem violência e sem cartazes atacando o STF e seus ministros, as urnas eletrônicas ou outros atores políticos de forma mais explícita

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No domingo, 25/02/24, o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve na Avenida Paulista num ato convocado por ele após várias operações da Polícia Federal (PF) objetivando investigações que abarcam a cúpula do bolsonarismo.

Obviamente, nas redes sociais há as várias narrativas quando se trata de ocupar – física e simbolicamente – o espaço da Paulista. Os bolsonaristas consideram a manifestação gigante e os opositores afirmam que ela “flopou”. Existem os que gostam de contrariar a realidade dos fatos, a verdade factual; contudo, aqui, cabe uma análise desapaixonada e objetiva: a manifestação foi, sim, superlativa. E não seria diferente. As pesquisas já demonstraram, alhures, que após um ano da eleição de 2022, os eleitores repetiriam seus votos em Lula e em Bolsonaro. No final de 2023, foi lançado o livro “Biografia do abismo: como a polarização divide famílias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil”, de Felipe Nunes e Thomas Traumann. Na referida obra, os autores afirmam que já não há uma polarização e sim uma “calcificação” em duas grandes posições políticas e valorativas: o lulopetismo e o bolsonarismo. Tendo isso em vista, nada de espantoso a Paulista tomada de bolsonaristas e, num país fraturado politicamente, se Lula fizesse chamamento idêntico, as ruas também seriam tomadas por seus apoiadores. Bolsonaro e Lula são líderes carismáticos. O bolsonarismo e lulismo têm força política e não reconhecer isso é negar a realidade.

Há aqueles que fazem uma leitura afirmando ser irônico que Bolsonaro tenha convocado um ato em defesa do Estado Democrático de Direito, especialmente, porque pesa sobre o ex-presidente e seu núcleo de poder investigações acerca de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A Constituição brasileira garante a todos – de esquerda, de centro e de direita – o direito à manifestação pacífica, sem armas e previamente comunicada às autoridades. E, no caso em tela, as ruas ganham densidade no âmbito de uma visão de mundo que congrega os bolsonaristas, com “conservadores cristãos”, liberais, ferrenhos antipetistas, representantes do agronegócio e até os dispostos às rupturas institucionais (Nunes e Traumann esmiuçam os dados em seu livro).

O ato na Paulista é, sem dúvida, demonstração de força política. De inegável capacidade de mobilização no âmbito político e social, nas redes e nas ruas. Em que pese Bolsonaro ser o primeiro presidente não ser reeleito após a aprovação do estatuto da reeleição e de estar inelegível, o bolsonarismo – com ou sem Bolsonaro – veio para ficar. Aqui, todavia, caberia uma pergunta: e agora? Como ficam as investigações após tamanha demonstração de força? Tendo a crer que a manifestação em nada mudará o curso das investigações. Há, no caso, duas lógicas e tempos distintos: a lógica e o tempo da política e a lógica e o tempo da justiça.  Desta forma, a lógica da força política não terá força para intervir no âmbito jurídico. Bolsonaro, noutras vezes, até mesmo na Paulista, na condição de presidente, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, demonstrou musculatura política e fez ameaças às instituições com foco no Supremo Tribunal Federal (STF). E, mesmo assim, foi derrotado na eleição, está inelegível e acuado pelas investigações da PF e inquéritos no STF.

Os atos transcorreram sem violência e sem cartazes atacando o STF e seus ministros, as urnas eletrônicas ou outros atores políticos de forma mais explícita. Um jornalista mandou-me mensagem: “Professor: foi só o Bolsonaro pedir que não houve cartazes e ataques durante do ato. E se ele tivesse feito isso quando foi derrotado, pedindo para os apoiadores deixar os acampamentos e reconhecido a derrota?”.

Sempre temos um: “E se …”.

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O Brasil volta às urnas https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/o-brasil-volta-as-urnas/ Wed, 07 Feb 2024 22:01:16 +0000 https://localhost:8000/?p=42304 Cabe ao cidadão acompanhar o desempenho daqueles que foram referendados pelos seus votos

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Agora, em 2024, o país volta às urnas. Nas eleições vindouras escolheremos prefeitos e vereadores. Para se ter uma ideia, serão cerca de 5.472 prefeitos eleitos ou reeleitos e 58.208 vereadores (dados de 2020). Não é pouca coisa.

O saudoso político André Franco Montoro afirmava que “ninguém vive na União ou no estado, as pessoas vivem no município”. E, neste sentido, que as eleições municipais ganham importância já que prefeitos e vereadores são os políticos mais próximos dos cidadãos, são os que, primordialmente, zelam pela vida coletiva num espaço geográfico delimitado. Costumo – em entrevistas – afirmar que a democracia reclama uma temporalidade: um antes, um durante e um depois.

Antes das eleições, devem os cidadãos procurar conhecer a vida pregressa do candidato, seja a prefeito ou vereador; conhecer sua trajetória pública, suas realizações na iniciativa privada, no bojo da sociedade civil ou nas esferas governamentais. Todos nós, nos dias que correm, podemos ser objeto de pesquisa nos mecanismos de buscas na Internet, nas redes sociais e até mesmo em organizações que constituem ranking dos políticos e, ainda, se são ou não ficha limpa.

Já durante as eleições – que são festas cívicas da democracia – não se pode esquecer que, politicamente, disputa-se o poder e que este poder deve ser um meio, uma ferramenta, para se chegar a uma finalidade, finalidade, espera-se, democrática, republicana e assenta nas leis do Estado Democrático e de Direito. Nos dias que antecedem a votação ou mesmo no dia da eleição é primordial que se compreenda que há valores e projetos políticos que, provavelmente, se chocarão e, não raro, de forma explícita e até mais dura no campo do debate, todavia, na política temos adversários e não inimigos. Com os adversários convivemos democraticamente e os inimigos, numa lógica bélica, devem ser eliminados.

E, por fim, há o depois, o tempo após o resultado eleitoral. Cabe ao cidadão acompanhar o desempenho daqueles que foram referendados pelos seus votos. A política traz, em seu bojo, assim como a cidadania ativa, direitos e deveres.

É muito mais fácil acompanhar os mandatos com auxílio das redes sociais e dos sites da prefeitura e da câmara dos vereadores do que foi num passado não muito distante. Políticos devem ser acompanhados de perto e, no caso, cobrados pelas suas promessas ou pelos seus planos de governo. Uma imprensa livre e atuante ajuda neste papel de fiscalização dos poderosos.

No que tange à disputa pelas prefeituras, os prefeitos que buscam a reeleição possuem, geralmente, vantagens competitivas. Dispõem da máquina pública, têm verbas para obras e cargos para nomeações; lideram seus secretários de governo lutando por votos e, consequentemente, pelas suas permanências em um cargo de confiança; bem como um conjunto de vereadores que, nos bairros, nas regiões da cidade, pedirão voto não apenas para eles, mas, também, para os prefeitos.

Os candidatos oposicionistas devem, sempre, ponderar como enfrentar aquele que já ocupa do poder. A situação tem vantagem, obviamente, mas a oposição deve ter acesso às pesquisas que avaliam o governo e a aprovação do prefeito. Prefeitos com alta rejeição costumam perder a disputa pela reeleição. Dados de 2020 – da Justiça Eleitoral – apresentam um alto índice de reeleição: foram 62,9% dos já haviam sido eleitos em 2016.

Lembrando que, em 2020, tivemos uma eleição em plena crise pandêmica e o humor do eleitor não estava indicando o desejo de mudanças. Esse ano será diferente, ao menos é isso que esperam os candidatos que desejam apear os prefeitos do poder.

O país continua polarizado politicamente, contudo, espera-se que a lógica local – com seus problemas – prevaleça nesta disputa em detrimento de uma retórica de confrontação e questões nacionais.

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Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/flavio-dino-no-supremo-tribunal-federal/ Fri, 15 Dec 2023 01:57:50 +0000 https://localhost:8000/?p=41795 Dino, ontem, ficou mais de dez horas sendo sabatinado – junto com Paulo Gonet (também aprovado como o novo Procurador Geral da República) – e obteve 47 votos favoráveis, 31 contrários e 2 abstenções.

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Muitos jornalistas usaram de metáfora futebolística para noticiar a sabatina e a votação no Senado de Flávio Dino para o Superior Tribunal Federal (STF). Assim, ventilava-se, em Brasília, que gol feio é gol e que partida vencida por 1 x 0 é também vitória.

Dino, ontem, ficou mais de dez horas sendo sabatinado – junto com Paulo Gonet (também aprovado como o novo Procurador Geral da República) – e obteve 47 votos favoráveis, 31 contrários e 2 abstenções. Eram necessários 41 votos dentre os 81 senadores. Assim, o novo ministro do STF tomará posse, ao que tudo indica, em 22/02/2024.

Dino, ao longo da sabatina, frustrou seus adversários políticos que tinham a crença que ele poderia perder a calma e aceitar os ataques ao longo dos questionamentos. Em suas respostas, Dino conjugou seu saber jurídico, compreensão do jogo político e, não raro, recorreu a trechos bíblicos objetivando clarear sua trajetória e ideias. Não houve, neste primeiro ano de Governo Lula, ministro que tenha sido mais atacado do que Dino. E isso se deve ao fato de que foi o ministro que enfrentou, diretamente, as ações do dia 08 de janeiro, quando foram atacadas as sedes dos três poderes por bolsonaristas extremistas. A partir deste momento, as narrativas fantasiosas, queriam colar em Dino e no governo, um misto de cumplicidade e incompetência em lidar com a turba golpista.

No mundo da pós-verdade bolsonarista, Dino era coniventemente responsável pelos atos atentatórios ao Estado Democrático de Direito e, por isso, numa grande conspiração, não permitiu acesso às imagens do episódio, entre muitas outras acusações.

Além disso, Dino tem origem ideológica e no campo dos valores no comunismo e tal fato é um prato cheio para alimentar a retórica da guerra cultural encampada pela extrema-direita. No entanto, Dino é católico e, como demonstrou na sabatina e em outras ocasiões, é leitor e conhecedor da Bíblia. Houve até mesmo um momento durante sua fala na Comissão de Constituição de Justiça ao responder a um senador de que, embora respeitasse voto acerca do aborto da ministra do STF, ele discordava e que tal posição era pública, de conhecimento de muitos. Seus adversários – e Dino fez questão de usar o termo adversário político e não inimigo – trouxeram à tona todo o conjunto de fake news que pulularam nas redes sociais e foram, com calma e didatismo, rebatidas uma a uma.

Na política, nos tempos que correm, vale mais a lacração, os memes e os cortes para alimentar as redes sociais do que uma visão mais abrangente e profunda dos fenômenos políticos e sociais. E, aqui, outro ponto: Dino irritou demasiadamente os bolsonaristas pelo fato de, nas redes ou nas comissões que foi convidado a falar, responder com ironia, inteligência e até deboche (na cartilha bolsonarista e olavista estas condutas são exclusivas deles).

No mais, muitos senadores usaram a sabatina de Dino como palco para alimentar as críticas ao STF no geral e a muitos ministros em particular.

Flávio Dino chegará ao STF depois de ter sido juiz, governador, senador da república e ministro de Estado. Certamente, terá ao seu lado ministros considerados poderosos como Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes (que, explicitamente, foram seus apoiadores junto a Lula). Dino herdará 344 ações e estas incluem temas afeitos à CPI da Covid, ações contra Jair Bolsonaro e Juscelino Filho, ministro de Lula.

Aguardemos sua postura como ministro do Supremo.

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Violência, Estado e linchamentos https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/violencia-estado-e-linchamentos/ Thu, 07 Dec 2023 13:37:33 +0000 https://localhost:8000/?p=41687 Intrinsicamente humana, a violência é mais ou menos aceita a depender da configuração histórica dos países

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A sociedade brasileira é assaz violenta e isso pode ser comprovado nos relatos cotidianos dos cidadãos ou nas pesquisas científicas. Intrinsicamente humana, a violência é mais ou menos aceita a depender da configuração histórica dos países, de sua cultura, instituições, no limite, da relação entre o Estado e a sociedade.

Max Weber, clássico da teoria sociológica, afirma que o Estado se caracteriza pelo monopólio legítimo da violência, ou seja, somente por meio das polícias e das forças armadas o Estado pode usar, legalmente, o poder de coação e atingir seus objetivos. Outro aspecto interessante é a diferença entre poder e autoridade. Assim, por exemplo, um traficante e uma milícia têm, efetivamente, poder, já que reúne recursos capazes de violentamente coagir indivíduos e grupos. Já no âmbito legal, policiais são dotados de autoridade, já que podem exercer um poder autorizado por lei.

Criminosos são poderosos, contudo, não se configuram em autoridades.

Nos tempos que correm, cenas de violência dominam a mídia. Em grandes capitais, como São Paulo e Rio de Janeiro, pululam notícias de furtos e roubos, estupros, agressões e assassinatos. No centro de São Paulo, na região da Cracolândia (que, atualmente, se espalhou), grupos atacam pedestres, carros têm seus vidros arrebentados visando os celulares e, não raro, lojas e outros comércios são invadidos e roubados.

No Rio de Janeiro, na nobre região de Copacabana, transeuntes são cercados e agredidos, com intensidade que gera indignação e revolta. Invariavelmente, a população reclama por mais segurança, por ações mais enérgicas por parte das forças policiais.

No entanto, para muitos o Estado e suas instituições estão ausentes, omissos ou mesmo incapazes de responder à situação em voga. Tal cenário, portanto, pode gerar aquilo que, na Sociologia, chama-se de anomia: um contexto social no qual as regras são incapazes de produzir normalidade no bojo da sociedade.

Em períodos anômicos, formam-se grupos que se autointitulam vigilantes, protetores, e atuam, ilegalmente, como policiais, tribunais e executores daqueles que são considerados infratores, criminosos.

José de Souza Martins, sociólogo e especialista no estudo dos linchamentos, afirma que:

A justiça formal e oficial deixou de aplicar a pena de morte, ainda no Império, abolida por lei, mas o povo continuou a adotá-la em sua mesma forma antiga através dos linchamentos. Trágica expressão do divórcio entre o legal e o real que historicamente preside os impasses da sociedade brasileira, divórcio entre o poder e o povo, entre o Estado e a sociedade. Os linchamentos, de certo modo, são manifestações de agravamento dessa tensão constitutiva do que somos. Crescem numericamente quando aumenta a insegurança em relação à proteção que a sociedade deve receber do Estado, quando as instituições não se mostram eficazes no cumprimento de suas funções, quando há medo em relação ao que a sociedade é e ao lugar que cada um nela ocupa”.

Motoristas têm usado seus carros como armas para impedir roubos; jovens estão formando grupos de vigilantes para proteger seus bairros e moradores. São, em grande parte das vezes, apoiados e aplaudidos. Vivemos numa sociedade fraturada e violenta.

Não há, obviamente, respostas simples à violência. O problema não é, apenas, jurídico e sim sociológico e político. Reclama, enfim, um equacionamento distante do sedutor simplismo.

A resolução exige inteligência, coragem e ações no âmbito governamental e na própria sociedade que, em algum momento, deverá escolher entre a barbárie ou a vida civilizada.

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Pesquisa Genial/Quaest e a melhora da avaliação do Governo Lula https://canalmynews.com.br/brasil/pesquisa-genial-quaest-e-a-melhora-da-avaliacao-do-governo-lula/ Mon, 21 Aug 2023 21:23:31 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38995 O resultado da pesquisa traz alegria ao Planalto, pois há uma sensível melhora na avaliação da gestão petista e da figura do Presidente Lula

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Divulgada (16/08/23) a nova rodada da pesquisa Genial/Quaest com a avaliação do Governo Lula. O resultado da pesquisa traz alegria ao Planalto, pois há uma sensível melhora na avaliação da gestão petista e da figura do Presidente Lula.

Parte substancial das respostas é a partir da premissa “Aprovação do trabalho que o presidente Lula está fazendo”. Há, portanto, o resultado geral e a segmentação dos respondentes por região, sexo, idade, escolaridade, renda familiar, cor/raça e por religião. Por questão de espaço, não serão abordadas todas estas dimensões.

No quesito “Aprovação do trabalho que o presidente Lula está fazendo” houve uma evolução positiva de 56% de aprovação, em junho, para 60%, em agosto; dos que desaprovam o governo, houve queda de 40% para 35%. Em um recorte regional, o presidente tem os seguintes números: Nordeste (de 71% para 72% de aprovação); Sudeste (de 51% para 55%); Sul (de 48% para 59%) e Centro Oeste-Norte (de 56% para 52% – as únicas regiões com queda na aprovação. Boas notícias em relação ao Sul e Sudeste para Lula.

No campo religioso, para os católicos a aprovação do trabalho que o Presidente Lula realiza sai de 61% para 63% e entre os evangélicos a variação positiva indica uma aprovação que era de 44% para 50%. Sabidamente, desde as sondagens eleitorais, Lula teve maior aprovação entre os católicos e, agora, há percepção de que o governo conseguiu se comunicar com os evangélicos e que este segmento do eleitorado sentiu uma melhora no quadro geral de sua situação de vida nestes meses que abarca a pesquisa em tela.

No que tange aos eleitores que votaram no segundo turno, mais algumas boas surpresas. Dos que votaram em Lula no 2º turno a aprovação subiu de 90% para 93% e a desaprovação de 7% para 5%; já entre aqueles que votaram em Bolsonaro no 2º turno a desaprovação de Lula caiu de 76% para 70% e a aprovação subiu de 22% para 25%.

Obviamente, a interpretação da pesquisa e a análise dos dados podem ser a partir de inúmeras perspectivas e, aqui, quero destacar a melhora entre os evangélicos – segmento que está na base do eleitor bolsonarista – e a queda de 6p.p. da desaprovação entre os eleitores bolsoranistas e a variação positiva de 3p.p. na avaliação positiva do trabalho do Presidente Lula. Ser melhor avaliado em grupos sociais que foram, majoritariamente, apoiadores de Bolsonaro é notícia assaz positiva para o governo em voga. Impactos em ações governamentais como o “desenrola” e a venda de carros com descontos, bem como a percepção geral que as dificuldades do primeiro semestre – com os ataques de 08/01/23 e dificuldades de governabilidade de formar uma base de apoio – começam a ser superadas. Bolsonaro foi adepto do presidencialismo de confrontação e Lula, com minirreforma ministerial, diálogo com o Centrão e Arthur Lira, retoma o presidencialismo de coalizão.

Por enquanto, comemoração em Brasília, mas o recente apagão e aumento no preço dos combustíveis podem trazer impacto negativo na próxima rodada. Pesquisa com dados positivos gera ambiente de boas expectativas, na política e na economia. Veremos.


Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

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Uma gangorra para Tarcísio e Zema https://canalmynews.com.br/brasil/uma-gangorra-para-tarcisio-e-zema/ Wed, 16 Aug 2023 13:28:06 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38886 As últimas semanas foram de sobe e desce, uma verdadeira gangorra para os governadores Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, de São Paulo e das Minas Gerais

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As últimas semanas foram de sobe e desce, uma verdadeira gangorra para os governadores Tarcísio de Freitas e Romeu Zema, de São Paulo e das Minas Gerais, respectivamente. Ambos, em momentos distintos, ocuparam espaço com destaque na mídia por conta de suas declarações e ações políticas.

Cabe, antes, entender o porquê desta gangorra política-midiática. Após a inelegibilidade de Jair Bolsonaro há uma disputa no bojo do bolsonarismo para ver quem ficará com o seu espólio eleitoral. Pesquisas quantitativa e qualitativas colocam Tarcísio, Michele Bolsonaro, Zema, principalmente, como aqueles que podem ganhar com a ausência do ex-presidente na próxima disputa eleitoral, em 2026. Na direita e na extrema-direita a força do bolsonarismo é considerável e não pode ser desprezada, contudo, sem Bolsonaro, há que se lembrar que o poder não fica órfão e na ausência do capitão alguém ocupará seu lugar.

Tarcísio é considerado o principal quadro com capacidade de substituir Bolsonaro. Governadores de São Paulo, independente de qual partido, sempre ocupam o espaço de potenciais presidenciáveis. Se, os atos de ataque aos três Poderes, em 08/01/23, fizeram com que Tarcísio tenha, inicialmente, se afastado de Bolsonaro e dos extremistas, suas últimas ações o colocam em evidência em temas caros ao eleitorado conservador e de perfil bolsonarista. Ações policiais desencadeadas no litoral de São Paulo resultado inúmeras mortes guindou o governador ao centro do debate ao, em suas palavras, considerar que a ação da PM não foi desproporcional. Tal fala, todavia, engendrou críticas, pois a ação e as mortes ainda não foram devidamente investigadas. Mas, se há críticas; há, também, elogio da militância e de parcela da população que se sente acuada pela violência e cobram mais vigor das polícias. Outro tema atinente aos costumes e de predileção do bolsonaristas é a educação e, neste caso, novamente, decisões do secretário de educação de São Paulo suscitaram duras críticas. Em primeiro lugar, ao se vislumbrar a retirada dos livros que sempre fizeram parte da escola pública e que seriam substituídos por livros eletrônicos; e, em segundo lugar, a ideia de que os diretores escolares acompanhassem as aulas dos professores e preenchessem relatórios semanais.

Zema, logo após o destaque de Tarcísio, procurou seu lugar ao sol, mas o resultado, provavelmente, foi pior do que o de seu colega paulista. Zema ventilou a ideia de criação de um bloco Sudeste-Sul nos moldes do bloco formado pelos governadores da Região Nordeste. Até aqui, tudo bem. O busílis da questão foram suas afirmações de caráter depreciativo aos estados nordestinos, como sendo pouco produtivos: “vaquinhas que produzem pouco”, em suas palavras. Não faz muito, Zema compartilha frase do falecido Olavo de Carvalho: “Estudar de menos e opinar demais. Essa é a melhor desgraça do brasileiro”. Os torpedos críticos foram lançados na direção de Zema: preconceituoso, separatista, crime de lesa-pátria e tantos outros impublicáveis. Diferente de Tarcísio, Zema não poderá disputar a reeleição para governador e, por isso, seus movimentos são de busca do eleitor bolsonarista. Seus valores e discursos acerca do Nordeste chocam parcela dos brasileiros, mas, certamente, cativam mentes e corações bolsonaristas e, conquistando esse eleitorado, pode vislumbrar voos mais altos.

Tarcísio afirmou, dias atrás, que não será candidato à presidência (embora seja “o” candidato no campo bolsonarista) e que apoiará quem Bolsonaro indicar. Com isso, não quer “queimar a largada” como fez João Doria. Veremos, nos próximos dias, se Zema submerge ou avança na escalada retórica. 2026 tá logo aí!


Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

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Diversidade no Supremo Tribunal Federal: por uma perspectiva inclusiva https://canalmynews.com.br/politica/diversidade-no-supremo-tribunal-federal-por-uma-perspectiva-inclusiva/ Tue, 06 Jun 2023 17:33:35 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=37974 Artigo do Prof. Dr. Rodrigo Prando, cientista político do Mackenzie, autor da coleção MyNews Explica em colaboração com a Profª. Dra. Aline Freitas da faculdade de Direito do Mackenzie.

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As cúpulas dos Poderes possuem sua composição de forma bastante conhecida, sendo no Executivo e no Legislativo por eleições e no Judiciário – no Supremo Tribunal Federal (STF) – por meio de Ministros, em um total de onze, nomeados pelo Presidente da República após aprovação da escolha por maioria no Senado Federal.

Recentemente este último assunto tem ganhado força nos meios de comunicação dada a possibilidade de que durante o mandato, o Presidente Lula possa vir indicar até três novos ministros. Os requisitos constitucionais para que alguém possa ocupar esta vaga são: ser brasileiro nato, ter entre 35 e 70 anos, reputação ilibada e notável saber jurídico.

A idade mínima é a referência para também alguém poder se candidatar à Presidência, a máxima, por sua vez, permite o exercício da atividade pelo eventual ministro indicado até os 75 anos, quando se dá aposentadoria compulsória dos servidores. Quanto à reputação ilibada, refere-se à uma pessoa conhecida na sociedade por ser idônea, moral e íntegra. Já o notável saber jurídico da necessidade de que a pessoa comprove os conhecimentos necessários à atuação no Supremo Tribunal Federal, não se exigindo seja Juiz de Carreira.

Além dessas exigências constitucionais, tem a sociedade manifestado interesse de que o STF possa contemplar a diversidade do povo brasileiro. Não por menos, há pouco tempo importantes lideranças e entidades assinaram “Manifesto por Juristas Negras no Supremo Tribunal Federal” e Juristas renomados assinaram Carta enviada à Presidência com apoio à indicação de candidato cego. Por isso, respectivamente, nomes como da advogada Vera Lúcia Araújo e do advogado e Professor Alberto do Amaral Júnior são ventilados no âmbito da sociedade brasileira.

O que representaria a nomeação de pessoas com esse perfil? A diversidade e inclusão em qualquer agrupamento tem demonstrado apenas impacto positivo decorrente da valorização da igualdade entre as pessoas, que ainda é um sério problema no país. Os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU apontam a necessidade de que as Instituições atuem pela Paz e, entre tantas outras metas, a superação de toda e qualquer forma de discriminação, o que passa pela efetivação da igualdade entre as pessoas.

Sabidamente, existem nomes que ganham notoriedade junto ao Presidente Lula e, para a próxima vaga, um dos mais cotados é de Cristiano Zanin, advogado. Dada a magnitude da ocupação de uma cadeira no STF, há, sem dúvida, uma questão bidimensional: a seara jurídica atinente às funções daquele Poder e a seara política, já que, nem sempre, há harmonia entre estes mesmos poderes e instituições. Não raro, a política, nos últimos tempos, tem sido assaz judicializada e, ainda, decisões que deveriam ser tomadas no espaço parlamentar acabam no STF, seja por inação dos atores políticos ou por outros motivos.

Por meio das próximas nomeações, espera-se que o STF esteja mais alinhado com os anseios da sociedade e com as proposições da Agenda 2030. Em resumo, o Brasil só tem a ganhar com a diversidade e inclusão. Um STF diverso corrobora o Estado Democrático de Direito e alicerça-se sobre valores republicanos saudáveis.

Aline da Silva Freitas é Professora da Faculdade de Direito do Mackenzie, Doutora em Direitos Humanos e Mestre em Direito Político e Econômico.

Rodrigo Augusto Prando é Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

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O ataque à democracia e o desprezo pela civilidade https://canalmynews.com.br/politica/o-ataque-a-democracia-e-o-desprezo-pela-civilidade/ Tue, 10 Jan 2023 11:46:31 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=35322 O dia oito de janeiro de 2023, no ataque orquestrado aos Três Poderes da República, marcará, de forma indelével, nossa história e nossa sociedade, numa profunda cicatriz

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“E se pensas que burlas as normas penais. Insuflas, agitas e gritas demais. A lei logo vai te abraçar, infrator. Com seus braços de estivador” (Chico Buarque).

O dia oito de janeiro de 2023 marcará, de forma indelével, nossa história, nossa sociedade, numa profunda cicatriz. Foi orquestrado um ataque, simultâneo, aos três Poderes da República, um ataque, no limite, à democracia e ao nosso Estado Democrático de Direito.

As imagens mostram uma turba enfurecida depredando as instalações do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto. Não foi nosso Capitólio, foi pior, muito pior, já que foi organizado e financiado objetivando ocupar e trazer o caos não só ao Distrito Federal, mas, também, a multiplicação destas ações nos vários estados brasileiros, com fechamento de estradas, refinarias, paralisação dos caminhões, entre outras estratégias amplamente divulgadas nas redes sociais ocupadas por bolsonaristas da extrema-direita.

Os eventos do domingo, em Brasília, não se resumiu a uma depredação, apenas. Não foram os prédios, os móveis, documentos e obras de arte de valor incalculável destruídos; foram torpedos de ódio direcionados aos valores da democracia, da vida republicana e das leis.

O ataque foi material e imaterial, simbólico. Nada, absolutamente nada, do que ocorreu foi por acaso ou uma surpresa para os que acompanharam de perto a política brasileira e mundial nos últimos anos. A divulgação da ocupação da Praça dos Três Poderes e a invasão dos prédios, bem como a continuidade em pontos e cidades estratégicas do país foi prenunciada pelos próprios bolsonaristas e foram captadas por estudiosos e por jornalistas que se debruçam na temática da extrema direita.

A destruição assistida, ao vivo, nas televisões ou nas redes sociais, não teria como promover uma ruptura, um golpe, já que, para isso, as condições objetivas demandam mais do que ônibus, refeições, banheiros químicos e barracas. Se, objetivamente, as condições de um golpe não se apresentam; ao menos, agora, está claro que, subjetivamente, nós temos muitos indivíduos e grupos dispostos, com vontade e com influenciadores, jornalistas, empresários e pessoas comuns que se afirmam do lado oposto da democracia.

Domingo, 08/01/23, demarcou, definitivamente, uma fronteira e que foi ultrapassada. Não eram apenas manifestações de descontentamento com as urnas, com o sistema eleitoral, com o resultado das eleições. Não. O desejo é de não aceitar a democracia e suas regras; de não aceitar a convivência dos três Poderes, sendo basilar que cada poder sirva de freio e contrapeso aos demais; o desejo é de instaurar o caos e, com isso, aguardar um líder messiânico e autocrata capaz de impor ordem e submeter todos os que pensam de forma diferente à tirania.

A aposta no caos está no pensamento, na ideologia, difundida por Steve Bannon, Alexander Dugin e no falecido Olavo de Carvalho, para ficar nos mais conhecidos. São os que não apenas querem bloquear e destruir a democracia, mas que são contrários às conquistas da Modernidade, do Iluminismo e das democracias liberais.

Há autores e livros que nos indicam as facetas e as dimensões deste fenômeno, alguns, à guisa de exemplo: “Tempestade ideológica – bolsonarismo: a alt-right e o populismo iliberal no Brasil”, de Michele Prado; “Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político”, de João Cezar de Castro Rocha e “Brasil em transe: bolsonarismo, nova direita e desdemocratização”, de Rosana Pinheiro-Machado e Adriano de Freixo e “Menos Marx, mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil”, de Camila Rocha.

Que fique claro, límpido, evidente: o terrorismo doméstico, nos moldes da definição do FBI está entre nós e não são aloprados, uma minoria, um punhado de fanáticos. Muitos riram do comportamento dos bolsonaristas que foram acampar nas portas dos quartéis, de suas orações, de seu choro, do pedido de intervenção militar e até do pedido de ajuda aos extraterrestres. Tudo isso formou um caldo de cultura que, há muito, se faz presente na vida politica e no cotidiano dos brasileiros.

Ao final e ao cabo da eleição, o candidato derrotado não reconhece a vitória de seu adversário e coloca-se num silêncio eloquente, num silêncio que fala muito. Rodovias foram bloqueadas, tiros desferidos contra postos operacionais de concessionárias nas estradas, um órgão que não chegou aquele que aguardava transplante, um menino que quase ficou cego e que teve um pai desesperado pedindo para seguir viagem, ônibus queimados e um quase jogado de cima de um viaduto e até uma bomba sendo colocada num caminhão tanque que seria levado ao aeroporto de Brasília e que, segundo a fala do autor, deveria desencadear a decretação de um “estado de sítio” e de intervenção militar.

Isso tudo que aqui foi descrito e que está amplamente divulgado pelos meios de comunicação é resultado – direto e indireto – de um ataque à política, aos políticos e às instituições. A violência existe, sempre existiu, mas é monopólio do Estado nas sociedades alicerçadas sobre as leis e sobre a democracia. O Estado e a política, bem como as instituições e a própria democracia não são perfeitos. A violência, em Brasília e noutras áreas de nosso país, nega a política, é o contrário da política, que visa resolver os conflitos por intermédio do diálogo, no ambiente institucional, com regras e leis.

Negar e atacar a democracia e o Estado e seus Poderes, independente de quem é o político que ocupa o poder, é apostar no caos, na anomia e no distanciamento da civilidade, do convívio e de qualquer projeto de vida coletiva.

Que os lamentáveis episódios que assistimos sejam objeto de investigação, dentro da lei. Sem vingança e sem perseguições, apenas a força da lei e das instituições. Que agentes públicos entendam que sua função é proteger o cidadão, o patrimônio público, independente de quaisquer colorações políticas. O Estado, suas instituições, como as polícias e Forças Armadas, são permanentes, não podem, jamais, ser instrumentalizadas por qualquer político, partido ou ideologia.

Fiquemos, por fim, com uma reflexão: o que queremos para nossa sociedade? Paz, tranquilidade, leis e instituições funcionando no bojo da democracia ou o vandalismo, a destruição e a violência, simbólica e concreta em nossas ruas? Em que pese que a letra de Chico Buarque, do “Hino de Duran”, foi escrita em outro contexto, mas uma das suas estrofes parece bem atual e necessária: “A lei logo vai te abraçar, infrator”.

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A eleição de 2022, seus resultados e consequências https://canalmynews.com.br/politica/a-eleicao-de-2022-seus-resultados-e-consequencias/ Sat, 29 Oct 2022 19:25:48 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34440 "Esta eleição é o maior teste de resiliência para as nossas instituições"

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O Brasil está, como diria o mestre Florestan Fernandes, em compasso de espera. A eleição de 2022 não é, apenas, a escolha de presidente, governadores, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Não. Esta eleição é o maior teste de resiliência para as nossas instituições e, no limite, para a democracia brasileira.

Uma eleição que, em seu segundo turno, coloca Lula e Bolsonaro, dois líderes com carisma e que, aos seus nomes, foram acrescentados os sufixos “ismos”: lulismo e bolsonarismo. O “ismo”, em nossa cultura política, diz muito do cenário em tela. Pesquisas indicam que Bolsonaro é rejeitado por 50% e Lula por 45% dos respondentes. A musculatura política e eleitoral de ambos não permitiu que uma terceira via fosse possível, contudo, o vitorioso no próximo domingo não será o escolhido por conta de suas virtudes, de seus méritos, de suas propostas ou projeto de governo; o escolhido, no caso, será, para muitos, o “menos pior”, o menos rejeitado. A disputa está acirrada e será assim durante todo o domingo ao longo da apuração dos votos.

Lula quis resolver a eleição no primeiro turno e, para usar a metáfora esportiva da corrida eleitoral, desejava uma prova dos 100 metros rasos para chegar na frente e colocar um fim à disputa; Bolsonaro, por sua vez, desejou uma meia maratona, objetivando chegar mais forte no segundo turno, com uma economia turbinada pelo Auxílio Brasil e com a força política regada com o orçamento secreto para sua base de apoio por todo o país. Matematicamente, sabe-se que, na eleição presidencial, quem ganha o primeiro turno costuma ganhar no segundo. No que tange aos governos estudais, essa lógica também prepondera, contudo, já houve viradas tento o segundo colocado superando o primeiro no segundo turno.

As campanhas, nas últimas semanas, foram um festival de fake news, teorias da conspiração e pós-verdade. Se, em 2018, o bolsonarismo reinou sozinho nas redes sociais, agora, o PT, com Janones, usou da mesma estratégia e igualou a disputa, ou seja, ficamos num péssimo patamar de ausência de propostas e hipertrofia dos ataques e narrativas obscuras, fantasiosas e, não raro, de violência retórica. Muito se tratou do termo “polarização política”. O lulopetismo foi pródigo em dividir-nos entre “nós” x “eles” e, ainda, fez sucesso com sua narrativa de que os tucanos haviam deixado delegado uma “herança maldita”. Hoje, Alckmin é vice de Lula, Fernando Henrique  Cardoso e os economistas do Plano Real e tucanos históricos estão apoiando Lula.

Bolsonaro governou o país, nestes anos, naquilo que chamei de “presidencialismo de confrontação”, dividindo a política entre “amigos” X “inimigos”, “nova” X “velha” política e, atualmente, entre o “bem” e o “mal”, numa alusão à uma guerra santa. Bolsonaro não criou a polarização, mas seu perfil lhe permitiu surfar a onda como poucos poderiam. Há, no entanto, uma diferença a ser considerada. O PT promovia uma polarização eleitoral e, depois, convivia dentro dos limites da normalidade com os seus adversários; o bolsonarismo, em sua essência, levou a polarização para além das eleições e conseguiu eletrizar o país, pautar a mídia tradicional e manter sua base coesa e aguerrida na defesa dos valores do “mito” e contra a esquerda no geral e Lula e o PT em particular.

Domingo terá, no seu bojo, a escolha do futuro presidente, seja a volta de Lula ou a continuidade de Bolsonaro. Há, essencialmente, que se pensar no dia seguinte e como seguiremos, já que nossa sociedade está fraturada. As relações sociais – na família, no trabalho e noutros espaços – foram cindidas, deterioradas e canceladas por conta da política. Agressões e mortes foram noticiadas. Isso tudo é o contrário da política, da democracia e de uma visão de futuro generosa. Urge retomar a civilidade e o respeito. Não será fácil, mas é possível e isso dependerá, em larga medida, da
sinalização do presidente eleito. Quererá um ambiente de tensionamento e esgarçamento do tecido democrático ou será um reconstrutor dos laços rompidos, individuais e coletivamente?

O futuro é projeto, é esperança de dias melhores. Somos responsáveis pelos resultados não das eleições, apenas, mas, essencialmente, somos eticamente responsáveis pelas ações que desencadeamos e pelas suas consequências, sejam positivas ou não. Que a soberania do povo, segundo nossa Constituição, seja respeitada e preservada.

*Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

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O último debate presidencial: faltam propostas e sobram memes https://canalmynews.com.br/politica/o-ultimo-debate-presidencial-faltam-propostas-e-sobram-memes/ https://canalmynews.com.br/politica/o-ultimo-debate-presidencial-faltam-propostas-e-sobram-memes/#respond Fri, 30 Sep 2022 21:14:28 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34026 Foram avolumados ataques que apequenam as eleições e a democracia. E personagem postiço que opera no nível da pós-verdade e das fake news

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Último debate antes do primeiro turno encerrado, há pouco. De um lado, os que consideraram um show de horrores, degradando a nossa democracia; doutro lado, os que avaliam como positivo, pois sempre é importante ver e ouvir, ainda que minimamente, as propostas dos candidatos. Estiveram presentes: Luís Inácio Lula da Silva, Jair Bolsonaro, Ciro Gomes, Simone Tebet, Luiz Felipe D’Ávila, Soraya Thronicke e Padre Kelmon.

Na dianteira das pesquisa, com chances matemáticas de vencer no primeiro turno, Lula seria, como não poderia deixar de ser, alvo de todos ali presentes, especialmente, de Bolsonaro. Já no primeiro bloco, confronto direto de Ciro e Lula e o petista ao tratar de economia faz, novamente, referências ao passado, aos seus governos, aos resultados que considera importantes voltarem à tona e à memória do eleitor. Ciro assaz incomodado com a campanha pelo voto útil desencadeado pelo PT quer, ao mesmo tempo, antagonizar com Lula e Bolsonaro. Lula, debatendo com Ciro, questiona: “você parece nervoso”. De fato, o pedetista naquele momento chegou a gaguejar levemente. Na sequência, a dobradinha da noite: Bolsonaro e Padre Kelmon.

Ao tratar do Auxílio Brasil, Kelmon teceu elogios a Bolsonaro e este abriu sua caixa de ferramentas e deu o tom do que teríamos: ataques à esquerda e a Lula, valorização da família, contra a ideologia de gênero, contra a liberação das drogas, armamentista e com críticas à Rede Globo e à mídia. Ali, também, começou a saga dos direitos de resposta. Lula foi chamado de chefe de quadrilha ao tratarem da corrupção em seu governo. Bolsonaro e Lula, usando o direito de resposta, se atacam e protagonizam o momento mais tenso naquele bloco Ciro continuou a centrar suas críticas em Lula ao responder a D’Ávila. Bolsonaro questiona Tebet acerca do assassinato de Celso Daniel e indica que foi Lula o mentor intelectual do crime. Tebet afirma que o presidente é covarde e que esta pergunta poderia ser feita diretamente a Lula que estava presente. Tebet, assim, preferiu tratar da fome e faz críticas a Bolsonaro, aliás, como foi neste e nos demais debates.

Bolsonaro tinha a intenção de confrontar Lula de forma direta e quando teve a oportunidade preferiu chamar outros adversários, terceirizando seus ataques. Neste quesito, Padre Kelmon foi, como dito por Thronicke, um grande cabo eleitoral de Bolsonaro. Aliás, Thronicke foi quem confrontou Kelmon com mais intensidade até gerando momentos cômicos que, certamente, renderão centenas de memes. Lula, preparado para responder a Bolsonaro, acabou escorregando e perdeu a calma com Kelmon que, como dito, estava, claramente, a serviço de Bolsonaro. Ambos – Kelmon e Lula – foram responsáveis por outro momento de tensão e partiram para um bate-boca e tiveram os microfones cortados. Bonner, o mediador do debate, perdeu a paciência em vários momentos e, mais ainda, com Kelmon. D’Ávila, por sua vez, dada sua agenda liberal, acabou servindo de escada para Bolsonaro e foi instado a criticar a esquerda e, consequentemente, Lula.

Foi, no geral, um debate de poucas propostas e avolumados ataques que apequenam as eleições e a democracia. Um debate gerador de memes com muita lacração para as campanhas. Tebet, novamente, destaca-se buscando elevar o nível do debate; Ciro, ainda que nervoso, buscou deslindar seu projeto nacional; D’Ávila e Thronicke têm dificuldades de avançar num campo polarizado; Bolsonaro segue seu caminho já conhecido de conjugar pautas conversadoras, um certo liberalismo, as liberdades individuais e os ataques à esquerda no geral e a Lula em particular; por fim, Padre Kelmon personagem postiço presta desserviço ao debate, opera no nível da pós-verdade e das fake news e avilta o processo democrático.

 

*Rodrigo Augusto Prando é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

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Às vésperas do primeiro turno: Bolsonaro, Lula e o voto útil https://canalmynews.com.br/politica/as-vesperas-do-primeiro-turno-bolsonaro-lula-e-o-voto-util/ https://canalmynews.com.br/politica/as-vesperas-do-primeiro-turno-bolsonaro-lula-e-o-voto-util/#respond Fri, 23 Sep 2022 12:21:13 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=33900 Se, porventura, o PT vencer agora é, sem dúvida, mais pela rejeição a Bolsonaro e o medo de ruptura institucional que o presidente plantou na sociedade do que pelas virtudes ou plano de governo de Lula.

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Em pouco mais de uma semana teremos o primeiro turno das eleições. Com estabilidade nas pesquisas de intenção de voto, temos o ex-presidente Lula à frente – com chances matemáticas de vitória já no primeiro turno – seguido pelo presidente Bolsonaro e, praticamente, com chances reduzidíssimas de avançar, Ciro Gomes e Simone Tebet.

Até o momento, todos os esforços do governo não surtiram o efeito esperado, ou seja, a melhoria da intenção de voto em Bolsonaro e a diminuição de sua rejeição. Foram volumosos recursos para o Auxílio Brasil, subsídios para caminhoneiros, taxistas e sucessivas intervenções políticas na Petrobrás que levaram à diminuição do valor dos combustíveis. No geral, o cenário econômico é favorável ao governo, com nítidos sinais de melhora, contudo, mesmo assim, Bolsonaro segue estagnado e Lula consegue avançar. Ouvi, de um taxista, com atenção, que ele havia votado em Bolsonaro em 2018, mas que não votaria nesta eleição e me disse, sinteticamente: “Se o Bolsonaro tivesse comprado a vacina, não falasse tanta bobagem, tivesse ficado quieto, estaria eleito de novo”. E completou: “Minha esposa não pode nem ouvir falar o nome dele”. Escrevi, nos primórdios do governo, que o bolsonarismo substituía o “presidencialismo de coalização” por um presidencialismo de confrontação. Bolsonaro – na condição de presidente – não desceu do palanque e sua ação política foi o confronto, o tensionamento constante com a sociedade e as instituições, promovendo um esgarçamento do tecido democrático com seus arroubos autoritários. Tal fato revelou-se, de um lado, positivo, já que manteve sua base de apoio coesa, resiliente e constantemente inflamada; por outro, negativamente, conseguiu uma reprovação de seu governo, em muitos casos, acima de 50%.

Lula, por sua vez, diferente de Bolsonaro, fez um aceno ao centro político. Trouxe, como vice, Geraldo Alckmin, tucano histórico e seu adversário em eleições passadas, objetivando amainar sua imagem e sinalizar diálogo e moderação ao mercado e aos demais atores políticos. Lula disputa, direta ou indiretamente, todas as eleições desde 1989. Sua imagem construída e comunidade é marca forte na política brasileira. Foi eleito e reeleito, fez a sucessora, foi investigado, acusado, condenado e preso, mesmo preso levou, em 2018, Haddad para o segundo turno e, agora, tem posição consolidada na liderança desta disputa. Institutos de pesquisa apontam a probabilidade de uma vitória de Lula no primeiro turno e, por isso, o movimento do voto útil toma dimensão de uma pressão intensa, especialmente, sobre Ciro. As pesquisas indicam que os que decidiram votar em Lula e em Bolsonaro, 80% estão convictos de seus votos e não mudarão sua escolha; no que tange a Ciro e Tebet, cerca de 50% admitem mudar o voto já no primeiro turno. Assim, não apenas Lula verbaliza esse pedido de voto útil para finalizar a eleição rapidamente, como, também, artistas, intelectuais, jornalistas e políticos que ou insinuam o voto útil ou diretamente pedem que Ciro desista e apoie Lula.

Politicamente, o lulopetismo busca colocar-se como defensor da democracia contra uma postura beligerante e com ameaças de ruptura sinalizadas por Bolsonaro ao longo de seu mandato. O PT, no primeiro turno, nunca venceu, só foi derrotado. Se, porventura, o PT vencer agora é, sem dúvida, mais pela rejeição a Bolsonaro e o medo de ruptura institucional que o presidente plantou na sociedade do que pelas virtudes ou plano de governo de Lula. Novamente, uma eleição alicerçada sobre a rejeição, o medo e, infelizmente, episódios de violência, simbólica e física. O eleitor é o soberano e sua escolha deverá ser respeitada, política e juridicamente. Aguardemos!

 

*Rodrigo Augusto Prando é professor e pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia, pela Unesp.

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Pesquisa Genial/Quaest: algumas considerações https://canalmynews.com.br/politica/pesquisa-genial-quaest-algumas-consideracoes/ Wed, 09 Feb 2022 23:11:07 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=23608 Pesquisa divulgada nesta terça-feira entrevistou 2.000 pessoas e traz aspectos que merecem destaque para o cenário político eleitoral de 2022

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A pesquisa da Genial/Quaest divulgada em 09/02/22, cuja coleta foi realizada entre 03/02 a 06/02, com 2.000 entrevistas e com margem de erro de 2 pontos percentuais traz alguns aspectos que merecem destaque. Vejamos.

Em relação à avaliação do Governo Bolsonaro, temos que 51% consideram negativo, 25% consideram regular, 22% positivo e 2% não sabem ou não responderam. Em termos de região, a maior desaprovação, de 61%, é da Região Nordeste, seguido do Sul com 49%, Norte 48%, Sudeste 47% e Centro-Oeste com 42%. No quesito sexo, as mulheres (54%) desaprovam mais que os homens (48%). Questionados de como o presidente está lidando com determinados problemas, temos o seguinte: combate à corrupção (62% desaprovam e 36% aprovam); redução da violência/criminalidade (61% desaprovam e 35% aprovam); geração de novos empregos (63% desaprovam e 33% aprovam); combate à Covid (65% desaprovam e 32% aprovam) e combate à inflação (80% reprovam e 18% aprovam) – as somas não chegam aos 100%, pois, aqui, desconsiderei os percentuais dos que não sabem ou não responderam.

Pesquisa Quantitativa avalia cenário eleitoral. Fonte: Genial/Quaest

Avaliação do Governo do Presidente Bolsonaro. Fonte: Genial/Quaest

Os dados acima já são conhecidos de Bolsonaro e, especialmente, dos líderes do Centrão. A reprovação de seu governo é altíssima no Brasil todo, mas é maior no Nordeste e entre o eleitorado feminino. O Nordeste sempre foi espaço de maior aceitação e intenção de voto de Lula e, no caso, Bolsonaro buscará ações que lhe possibilitem diminuir sua rejeição. Em relação às mulheres, pesquisas para consumo interno dos partidos, demonstram que, especialmente, as mães reprovam as atitudes do presidente em relação à vacinação das crianças, cujos atrasos e desdém lhe renderam esses números. Além disso, na dimensão temática há 80% que desaprovam o combate à inflação e isso significa, ao menos neste momento, que a econômica terá mais peso e importância nesta eleição. O custo de vida, preço de alimentos, combustíveis, entre outros, mudou o humor do brasileiro e o cenário econômico deteriora os índices de Bolsonaro.

Nas intenções de voto de forma espontânea, na qual os respondentes não têm acesso aos nomes dos candidatos, temos que 48% estão indecisos, 28% votariam em Lula, 16% em Bolsonaro e 4% nos outros candidatos. Já quando temos as respostas estimuladas, com a visualização dos nomes dos candidatos, temos Lula com 46%, Bolsonaro 24%, Sérgio Moro com 8% e Ciro Gomes com 7%. Todos os cenários, acima, são para o primeiro turno. Há um aspecto positivo e outro negativo para os candidatos abaixo de Lula e Bolsonaro. É positivo que, na espontânea, há um universo de 48% de indecisos a serem conquistados, contudo, um ponto negativo é que 58% afirmam que sua escolha do candidato é definitiva e 40% de que podem mudar essa escolha caso algo aconteça.

Intenção de voto para Presidente | Espontânea

Intenção de voto para Presidente | Espontânea. Fonte: Genial/Quaest

Em qualquer dos cenários – espontânea ou estimulada – Lula encontra-se bem à frente de Bolsonaro. Lula está, direta ou indiretamente, nas disputas à presidência desde 1989. Perdeu para Collor, para FHC duas vezes, foi eleito duas vezes, fez Dilma sua sucessora duas vezes e levou, mesmo estando preso, Haddad ao segundo turno em 2018. O esforço do petista e sua estratégia, com Alckmin de vice e um aceno ao centro político, é para faturar a eleição de outubro no primeiro turno. Um sonho para os petistas, pois, no primeiro turno, foram derrotados duas vezes por FHC e, quando se sagraram vitoriosos, sempre foi no segundo turno.

Outros dados da pesquisa merecem destaque. Quando questionados como se informam sobre política, principalmente, os entrevistados afirmaram que pela televisão (51%), redes sociais e WhatsApp (24%) e sites e blogs (10%). Em relação a isso, a avaliação do Governo Bolsonaro tem elementos interessantes. Dos que se informam sobre política pela televisão, 59% são avaliações negativas; 24% regulares e 15% positivas. Já daqueles que se informam por meio das redes sociais, 43% de negativas, 25% de regulares e 31% de positivas. E, por último, os que se informam por sites, blogs e portais de notícias temos 52% de negativas, 17% de regulares e 30% de positivas.

Depreende-se, dos números acima, que, desde 2018, na campanha, Bolsonaro apresenta força nas redes sociais. Não à toa que, à época, enquanto adversários montavam suas equipes de campanha digitais, Bolsonaro, há tempos, já era chamado de mito. O presidencialismo de confrontação assumido por Bolsonaro, com ataques cotidianos a inimigos, reais e imaginários, internos e externos, cumpre seu papel de manter sua base de apoio coesa e, especialmente, nas redes sociais, cuja aprovação é melhor se cotejada aos que se informam pela televisão, com quase 60% de reprovação do atual governo.

Quem prefere que vença as eleições de 2022. Fonte: Genial/Quaest

Quem prefere que vença as eleições de 2022. Fonte: Genial/Quaest

Enfim, os números da Genial/Quaest apresentam, na intenção de voto, proximidade com outros institutos (Lula em primeiro, Bolsonaro em segundo e a “terceira via” ainda na casa de um dígito com Moro e Ciro). Entretanto, as novidades acerca dos temas (inflação, corrupção, violência e Covid) são importantes para a construção das estratégias discursivas e para os planos de governo dos candidatos. No que tange à fonte de informação política (televisão, redes sociais, WhatsApp, blogs) a situação de Bolsonaro é péssima para quem acompanha televisão, mas não é tão confortável quanto se imaginaria nas redes sociais. Aguardemos as próximas rodadas.


Quem é Rodrigo Augusto Prando?

Professor e Pesquisador da Universidade Presbiteriana Mackenzie, do Centro de Ciências Sociais e Aplicadas. Graduado em Ciências Sociais, Mestre e Doutor em Sociologia pela Unesp.

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