Ataque ao Irã. Foto: UOL
Giro internacional
Países latino-americanos adotam posições opostas após ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, expondo divisões políticas na região
As reações dos países latino-americanos ao conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã evidenciam um continente politicamente dividido diante da nova escalada militar no Oriente Médio.
Desde os ataques conduzidos por Washington e Tel Aviv no sábado (28) — que provocaram a resposta iraniana com disparos de mísseis na região — governos da América Latina passaram a adotar posições distintas, que vão da condenação aberta à operação até manifestações de apoio.
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A presidente do México, Claudia Sheinbaum, pediu prioridade à proteção de civis após o agravamento da guerra. A líder mexicana criticou o bombardeio que atingiu uma escola feminina no Irã, episódio que deixou mais de uma centena de mortos segundo autoridades iranianas, e defendeu uma solução diplomática para o conflito.
Em linha semelhante, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, classificou a ofensiva militar como uma violação do direito internacional e condenou a ação conduzida pelos Estados Unidos e Israel.
Na Colômbia, Gustavo Petro também criticou os bombardeios e voltou a defender a retomada do diálogo internacional com o Irã, argumentando que apenas negociações poderiam evitar uma escalada nuclear no Oriente Médio.
Na direção oposta, o governo argentino de Javier Milei celebrou a operação militar que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. Em comunicado oficial, Buenos Aires afirmou esperar que a ofensiva contribua para o fim de décadas de violações de direitos humanos no país.
A administração argentina também relembrou o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 1994 — ataque atribuído pela Justiça do país ao Irã e ao Hezbollah.
O Paraguai adotou postura semelhante ao reforçar solidariedade a Israel e condenar os ataques iranianos contra países do Golfo. O chanceler paraguaio chegou a conversar com autoridades israelenses para reafirmar apoio diplomático e cooperação internacional contra o terrorismo.
Aliada histórica de Teerã, a Venezuela inicialmente criticou a opção pela via militar em meio a negociações internacionais ainda em andamento. Horas depois, porém, o governo venezuelano retirou das redes sociais o comunicado oficial que condenava a ofensiva, sem apresentar explicações públicas.
O cenário reflete um padrão já observado em crises internacionais recentes: governos latino-americanos alinhados a agendas mais à esquerda tendem a condenar intervenções militares externas, enquanto administrações próximas aos Estados Unidos e a Israel adotam tom mais favorável às operações.
Com a guerra ampliando tensões globais e aumentando o risco de prolongamento do conflito, a divisão política regional expõe também diferentes visões sobre soberania, segurança internacional e o papel das potências militares no sistema global.