Debate pode afastar eleitores? Especialista alerta para risco de abstenção no 2º turno Jornal Do MyNews

Debate pode afastar eleitores? Especialista alerta para risco de abstenção no 2º turno

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Em entrevista ao Jornal MyNews, sociólogo e CEO da Indexa Pesquisas avalia que o confronto pode aumentar o desinteresse dos eleitores e favorecer a abstenção.

O debate entre Lula e Flávio Bolsonaro foi marcado por ataques, desgaste e poucas propostas concretas. Em entrevista ao Jornal MyNews nesta segunda-feira (19), o sociólogo e cientista político Arilton Freres, CEO da Indexa Pesquisas, avaliou que o confronto teve um tom rasteiro e pouca perspectiva para o eleitor. Por isso, ele considera que esse tipo de discussão pode ampliar o desinteresse pela disputa e contribuir para o aumento da abstenção no segundo turno.

Debate favoreceu ataques em vez de propostas

Para Freres, o formato do debate acabou favorecendo uma disputa de ataques pessoais, em vez de abrir espaço para propostas. Nesse sentido, o analista avaliou que o encontro se transformou em uma espécie de “rinha”, cenário que, na sua leitura, atendia aos interesses da estratégia de Flávio Bolsonaro.

Além disso, Freres esperava que o candidato do PL adotasse uma postura semelhante à vista na eleição municipal de São Paulo, considerando sua aproximação com Pablo Marçal. No entanto, a discussão acabou concentrada em acusações e momentos de confronto, com pouco espaço para a apresentação de ideias.

Candidatos priorizaram o confronto

Durante o debate, Flávio buscou explorar acusações contra Lula e produzir momentos que pudessem render cortes para as redes sociais. Na avaliação de Freres, faltou ao candidato uma preocupação maior em apresentar propostas e responder às questões colocadas.

Lula, por sua vez, demonstrou impaciência diante da dinâmica do debate e da repetição dos ataques. Assim, o encontro perdeu oportunidades de aprofundar temas importantes para o eleitorado.

O cientista político descreveu o confronto como uma conversa entre interlocutores que pouco se escutavam. Para ele, faltaram troca de argumentos e disposição para discutir os problemas do país. Como resultado, o debate se tornou desgastante e ofereceu poucas informações novas para quem buscava conhecer melhor as propostas dos candidatos.

Lula perdeu a chance de se diferenciar

Freres também analisou a estratégia eleitoral diante do cenário das pesquisas. Para quem aparece atrás, o debate representa uma oportunidade de dialogar com os eleitores indecisos e demonstrar disposição para governar.

Nesse contexto, o analista avalia que Lula perdeu a chance de se diferenciar de Flávio de maneira mais contundente. Embora o presidente tenha apresentado momentos mais propositivos do que o adversário, essa postura não foi suficiente para explorar todo o potencial do confronto.

Ataques podem ampliar a abstenção

Por fim, Freres alertou para o risco de debates centrados em ataques afastarem parte do eleitorado. Quando os candidatos priorizam acusações em vez de propostas, os eleitores podem ter mais dificuldade para identificar diferenças concretas entre os projetos políticos.

Com a disputa cada vez mais acirrada, os candidatos precisam conquistar quem ainda não decidiu o voto. Entretanto, se o confronto continuar concentrado em ataques pessoais, a campanha poderá enfrentar dificuldades para mobilizar eleitores indecisos e reduzir o desinteresse pela eleição.

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