SUS não precisa de piano de cauda na recepção, promessa de Flávio Bolsonaro vira alvo de críticas Jornal Do MyNews

SUS não precisa de piano de cauda na recepção, promessa de Flávio Bolsonaro vira alvo de críticas

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Em entrevista ao Jornal MyNews, a médica sanitarista Ligia Bahia questiona a viabilidade do modelo e defende uma rede pública regionalizada e acessível.

A proposta de levar um “padrão Einstein” ao Sistema Único de Saúde (SUS) gerou questionamentos sobre o futuro da saúde pública. Flávio Bolsonaro (PL) apresentou a ideia durante o debate presidencial da Band. Em entrevista ao Jornal MyNews, nesta segunda-feira (19), a médica sanitarista e pesquisadora Ligia Bahia criticou a proposta. Para ela, o modelo não responde às principais necessidades do sistema público.

Durante o debate, Flávio afirmou que convidou Cláudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, para assumir o Ministério da Saúde em um eventual governo. Além disso, o candidato defendeu a integração de informações médicas por meio de um prontuário eletrônico único e o uso da telemedicina.

SUS padrão Einstein: quais são os limites do modelo?

Para Ligia Bahia, a referência a um hospital de alto padrão não resolve, por si só, os desafios do SUS. A pesquisadora questiona a ideia de reproduzir uma estrutura de alto custo em toda a rede pública. Segundo ela, o sistema precisa priorizar o acesso, a qualidade do atendimento e a distribuição dos recursos.

Além disso, a médica critica a associação entre excelência médica e instalações luxuosas. Na avaliação dela, essa visão deixa de lado as necessidades básicas de milhões de brasileiros. O SUS precisa garantir equipes preparadas, equipamentos adequados e atendimento de qualidade em diferentes regiões.

Por isso, Ligia defende uma rede organizada conforme a complexidade de cada caso. Nem todo hospital precisa oferecer a mesma estrutura. O essencial é garantir que cada unidade tenha condições de atender seus pacientes e encaminhar casos graves para centros especializados.

Hospitais regionais podem reduzir custos

A pesquisadora usa o exemplo de um paciente com apendicite para explicar seu argumento. Nesse caso, não é necessário recorrer a um hospital com nove aparelhos de ressonância magnética. Uma unidade regional, com equipe capacitada e estrutura cirúrgica adequada, pode realizar o atendimento.

Por outro lado, hospitais de referência continuam importantes para casos graves e procedimentos complexos. Portanto, a solução não é dispensar centros especializados, mas definir o papel de cada unidade dentro da rede pública.

Dessa forma, o SUS pode distribuir melhor seus recursos. Em vez de concentrar investimentos em grandes estruturas, o sistema pode fortalecer hospitais regionais e ampliar o atendimento perto da população. Quando necessário, os pacientes seriam encaminhados para unidades especializadas.

Proposta levanta debate sobre desigualdade

Ligia Bahia também relaciona a discussão às desigualdades sociais. Para ela, um modelo baseado em estruturas de alto custo pode ignorar as necessidades de pessoas pobres, negras e moradores das periferias. Esses grupos dependem dos serviços públicos para acessar consultas, exames e tratamentos.

Por isso, a médica defende uma rede padronizada em qualidade, mas adaptada às necessidades de cada região. Isso significa oferecer condições adequadas de atendimento em todas as unidades. No entanto, não significa reproduzir a estrutura de um hospital de elite em todo o país.

Na avaliação da pesquisadora, a proposta de Flávio Bolsonaro revela uma compreensão limitada dos desafios do SUS. O sistema precisa atender a população de forma universal, com eficiência e equidade. Para isso, deve priorizar as necessidades dos pacientes, e não apenas a infraestrutura hospitalar.

O debate sobre o “padrão Einstein” coloca em evidência uma questão central: como melhorar a saúde pública sem concentrar recursos em estruturas de alto custo? Para Ligia Bahia, o caminho passa pelo fortalecimento de uma rede integrada e regionalizada. Assim, cada unidade pode oferecer atendimento adequado à população e encaminhar pacientes conforme a complexidade de cada caso.

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