Arquivos bolsonarismo - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/bolsonarismo/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Wed, 19 Feb 2025 19:48:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Oposição reage a denúncia da PGR contra Bolsonaro: “Querem matar o Bolsonaro politicamente” https://canalmynews.com.br/politica/oposicao-reage-a-denuncia-da-pgr-contra-bolsonaro-querem-matar-o-bolsonaro-politicamente/ Wed, 19 Feb 2025 19:48:08 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=52090 Pronunciamentos acontecem após reunião com o ex-presidente pela manhã, em Brasília

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Parlamentares apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), questionaram a legitimidade da denúncia oferecida pela Procuradoria Geral da República (PGR), que indica Bolsonaro como líder da trama golpista. As declarações aconteceram durante pronunciamento à imprensa nesta quarta-feira, 19 de fevereiro de 2024, na Câmara dos Deputados.

 

O deputado Coronel Zucco (PL/RS), que mais cedo recebeu Bolsonaro e um pequeno grupo de colegas da oposição em seu apartamento funcional, em Brasília, afirmou que o momento atual entre os colegas é de união e que a denúncia “tenta transformar o direito à crítica em delito” e tem o objetivo de “matar o Bolsonaro politicamente”. 

 

“Teremos possibilidade de defesa para o presidente Bolsonaro, ou ele já entra condenado a 20, 30, 40 anos de prisão?”, continua. “É sempre bom lembrar que Bolsonaro será julgado por aqueles que se vangloriam de terem derrotado o bolsonarismo”. 

 

Para o senador Rogério Marinho (PL/RN), líder da oposição na Casa Alta, os processos jurídicos da denúncia na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), presidida pelo ministro Alexandre de Moraes, são de isenção questionável.

 

“Como nós podemos acreditar na isenção desse processo. Na isenção de um ministro que preside este inquérito e se coloca como principal adversário do principal acusado”, disse o senador, ao se referir ao inquérito produzido pela Polícia Federal (PF), que serviu de base para a denúncia. 

 

Na denúncia divulgada ontem, 18, o ex-presidente foi acusado de cinco crimes: organização criminosa armada, abolição violenta do Estado democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A pena máxima, caso seja condenado, pode chegar a 46 anos de prisão. Outras 33 pessoas também foram indicadas, incluindo autoridades do governo de Bolsonaro. 

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Fake news, golpe e magnicídio https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/fake-news-golpe-e-magnicidio-o-enredo-do-bolsonarismo/ Thu, 28 Nov 2024 11:33:33 +0000 https://localhost:8000/?p=48901 Plano golpista foi bem estruturado e contava com diversos núcleos de atuação, entre eles o Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral

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A última semana foi, para muitos, em compasso de espera. No último dia 19 de novembro, a Polícia Federal (PF) realizou a Operação Contragolpe. Tal fato levou figuras proeminentes do bolsonarismo a serem presas, bem como desnudou a participação direta do ex-presidente Jair Bolsonaro na trama golpista após sua derrota eleitoral. Uma semana depois, na terça-feira (26), um robusto documento de 884 páginas veio à tona.

No referido inquérito lê-se o seguinte: “No contexto da presente investigação apurou-se a constituição de uma organização criminosa, com seus integrantes atuando, mediante divisão de tarefas, com o fim de obtenção de vantagem consistente em tentar manter o então Presidente da República JAIR BOLSONARO no poder, a partir da consumação de um Golpe de Estado e da Abolição do Estado Democrático de Direito, restringindo o exercício do Poder Judiciário e impedindo a posse do então presidente eleito”. Aqui, contudo, vale uma fundamental observação: havia um planejamento de magnicídio — assassinato de pessoas notórias. No caso, o sequestro e morte do ministro Alexandre de Moraes e da chapa presidencial vencedora, Lula e Alckmin.

Leia mais: Bolsonaro atuou de forma ‘direta e efetiva’ para tentar golpe, diz PF

Ademais, as provas coligidas permitiram a PF indicar a existência e coordenação de núcleos de atuação: a) Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral; b) Núcleo Responsável por Incitar Militares a Aderirem ao Golpe de Estado; c) Núcleo Jurídico; d) Núcleo Operacional de Apoio às Ações Golpistas; e) Núcleo de Inteligência Paralela; e, por fim, f) Núcleo Operacional para cumprimento de medidas coercitivas.

A investigação apresenta fatos, colhidos ao longo da investigação, que se iniciam em 2019 e chegam até o de 8 de Janeiro, com o ataque às sedes dos três Poderes, em Brasília. A lógica permite a compreensão da construção de uma trajetória bem articulada: de 1) uma ideia, 2) da divulgação dessa ideia, 3) da organização de indivíduos e grupos em torno dessa ideia e 4) da concretização operacional desta ideia.

Leia mais: ‘Essa era a arquitetura do golpe’: entenda por que Bolsonaro criou rixa com o STF

O presidencialismo de confrontação de Bolsonaro sempre foi de ataque à democracia e suas instituições. Todavia, havia a necessidade de tornar esse confronto mais claro e de fácil comunicação. Neste caso, o tema força do bolsonarismo foi a construção – assentada em fake news, pós-verdade, negacionismo e teorias da conspiração – de que as urnas eletrônicas eram passíveis de fraude e, portanto, colocar em dúvida a legitimidade do sistema eleitoral, bem como de contestar uma possível derrota na eleição de 2022.

Depreende-se, da leitura do inquérito, que o plano de ruptura institucional não logrou êxito porque, mesmo com todo o esforço e recursos empregados pelos atores golpistas, não houve adesão do Comandante do Exército, Freire Gomes e o da Aeronáutica, Baptista Júnior. O Comandante da Marinha, Almir Garnier, se colocou à disposição de Bolsonaro na colaboração do plano em voga e, por isso, é um dos indiciados.

Leia mais: Bolsonarismo não aceita o fim do período autoritário, diz especialista em extrema direita

Agora, temos o seguinte cenário: a narrativa bolsonarista aponta que, no máximo, houve uma intenção de golpe e assassinatos, mas não sua concretização. Juridicamente, contudo, tal narrativa não se sustenta, visto que a legislação prevê a punição para o plano de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

A narrativa bolsonarista, portanto, terá que confrontar um inquérito técnico e juridicamente abundante em evidências, produzido pela PF, um órgão de Estado. Por fim, importante rememorar que justiça não é vingança e que, doravante, as instituições seguirão seus ritos e os acusados terão, na democracia, o direito à defesa e ao contraditório.

Entenda por que julgamento do caso do golpe pode demorar:

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Bolsonaro na Paulista em 25/02: e agora? https://canalmynews.com.br/politica/rodrigo-augusto-prando/bolsonaro-na-paulista-em-25-02-e-agora/ Mon, 26 Feb 2024 20:24:06 +0000 https://localhost:8000/?p=42519 Os atos transcorreram sem violência e sem cartazes atacando o STF e seus ministros, as urnas eletrônicas ou outros atores políticos de forma mais explícita

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No domingo, 25/02/24, o ex-presidente Jair Bolsonaro esteve na Avenida Paulista num ato convocado por ele após várias operações da Polícia Federal (PF) objetivando investigações que abarcam a cúpula do bolsonarismo.

Obviamente, nas redes sociais há as várias narrativas quando se trata de ocupar – física e simbolicamente – o espaço da Paulista. Os bolsonaristas consideram a manifestação gigante e os opositores afirmam que ela “flopou”. Existem os que gostam de contrariar a realidade dos fatos, a verdade factual; contudo, aqui, cabe uma análise desapaixonada e objetiva: a manifestação foi, sim, superlativa. E não seria diferente. As pesquisas já demonstraram, alhures, que após um ano da eleição de 2022, os eleitores repetiriam seus votos em Lula e em Bolsonaro. No final de 2023, foi lançado o livro “Biografia do abismo: como a polarização divide famílias, desafia empresas e compromete o futuro do Brasil”, de Felipe Nunes e Thomas Traumann. Na referida obra, os autores afirmam que já não há uma polarização e sim uma “calcificação” em duas grandes posições políticas e valorativas: o lulopetismo e o bolsonarismo. Tendo isso em vista, nada de espantoso a Paulista tomada de bolsonaristas e, num país fraturado politicamente, se Lula fizesse chamamento idêntico, as ruas também seriam tomadas por seus apoiadores. Bolsonaro e Lula são líderes carismáticos. O bolsonarismo e lulismo têm força política e não reconhecer isso é negar a realidade.

Há aqueles que fazem uma leitura afirmando ser irônico que Bolsonaro tenha convocado um ato em defesa do Estado Democrático de Direito, especialmente, porque pesa sobre o ex-presidente e seu núcleo de poder investigações acerca de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito. A Constituição brasileira garante a todos – de esquerda, de centro e de direita – o direito à manifestação pacífica, sem armas e previamente comunicada às autoridades. E, no caso em tela, as ruas ganham densidade no âmbito de uma visão de mundo que congrega os bolsonaristas, com “conservadores cristãos”, liberais, ferrenhos antipetistas, representantes do agronegócio e até os dispostos às rupturas institucionais (Nunes e Traumann esmiuçam os dados em seu livro).

O ato na Paulista é, sem dúvida, demonstração de força política. De inegável capacidade de mobilização no âmbito político e social, nas redes e nas ruas. Em que pese Bolsonaro ser o primeiro presidente não ser reeleito após a aprovação do estatuto da reeleição e de estar inelegível, o bolsonarismo – com ou sem Bolsonaro – veio para ficar. Aqui, todavia, caberia uma pergunta: e agora? Como ficam as investigações após tamanha demonstração de força? Tendo a crer que a manifestação em nada mudará o curso das investigações. Há, no caso, duas lógicas e tempos distintos: a lógica e o tempo da política e a lógica e o tempo da justiça.  Desta forma, a lógica da força política não terá força para intervir no âmbito jurídico. Bolsonaro, noutras vezes, até mesmo na Paulista, na condição de presidente, Comandante-em-Chefe das Forças Armadas, demonstrou musculatura política e fez ameaças às instituições com foco no Supremo Tribunal Federal (STF). E, mesmo assim, foi derrotado na eleição, está inelegível e acuado pelas investigações da PF e inquéritos no STF.

Os atos transcorreram sem violência e sem cartazes atacando o STF e seus ministros, as urnas eletrônicas ou outros atores políticos de forma mais explícita. Um jornalista mandou-me mensagem: “Professor: foi só o Bolsonaro pedir que não houve cartazes e ataques durante do ato. E se ele tivesse feito isso quando foi derrotado, pedindo para os apoiadores deixar os acampamentos e reconhecido a derrota?”.

Sempre temos um: “E se …”.

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14 x 13: Governadores se dividem entre apoio à democracia ou ao Bolsonarismo https://canalmynews.com.br/balaio-do-kotscho/14-x-13-governadores-se-dividem-entre-apoio-a-democracia-ou-ao-bolsonarismo/ Tue, 09 Jan 2024 19:35:28 +0000 https://localhost:8000/?p=41900 Nada menos que 14 governadores, obedecendo ao comando bolsonarista, deram desculpas esfarrapadas para não participar do evento suprapartidário

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O placar foi apertado, mas os governadores ausentes ganharam dos presentes no ato em defesa da democracia, que reuniu os chefes dos três poderes, na segunda-feira em Brasília, um ano após o golpe fracassado dos bolsonaristas naquele trágico dia 8 de janeiro de 2023, que agora vai ficar tristemente gravado na nossa história.

Nada menos que 14 governadores, obedecendo ao comando bolsonarista, deram desculpas esfarrapadas para não participar  do evento suprapartidário. Além deles, Arthur Lira, do PP, partido que faz parte da base governista, presidente da Câmara e líder do centrão, alegou problemas de saúde na família para ficar em Alagoas, onde tinha se encontrado dias antes com o ex-presidente.

Quem deu o maior vexame foi o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do partido Novo, linha auxiliar do bolsonarismo. Depois de fazer suspense durante vários dias, Zema só confirmou presença em cima da hora, foi a Brasília, mas não apareceu na solenidade marcada para o Salão Negro do Senado.

Para se justificar, gravou um vídeo envergonhando diante do Ministério da Fazenda para dizer que tinha deixado de comparecer porque recebeu informações do seu partido de que o ato tinha um “cunho político”.

Ora, ele é o que como governador de um grande estado da federação, apenas um empresário? Pode existir evento mais político e mais importante institucionalmente do que se reunir para condenar os atos golpistas e defender a democracia e o Estado de Direito?

Esse placar e o mapa dos governadores ausentes e presentes mostra também que o país continua rachado ao meio: o norte e nordeste fechados com o presidente da República e o regime democrático, e o sul e sudeste dominados ainda pelos esbirros  do bolsonarismo, que impedem a união e a pacificação do país, defendidas nos discursos, sem deixar de se cobrar a punição severa dos mentores e principais responsáveis pela intentona golpista.

Desenhou-se assim, precocemente, um cenário beligerante para este ano de 2024, ano de eleições municipais, que mais uma vez colocarão frente a frente a civilização e a barbárie, como nas presidenciais de 2018 e de 2022.

Com o principal líder dos golpistas fora de combate até 2030, condenado pelo Superior Tribunal Eleitoral, os governadores ausentes disputam o seu espólio de votos.

“Força-tarefa contra o golpismo se renova e, e ausentes passam recibo”, resumiu muito bem Bruno Boghossian, em sua brilhante análise do evento publicada hoje na Folha.

Termina assim: “Mesmo que quisessem marcar alguns pontos com Bolsonaro ou apenas evitar que Lula tirasse proveito de suas presenças, aquela pareceu uma péssima hora para marcar uma posição”. De fato, passaram recibo, com medo de serem atacados pelas milícias digitais bolsonaristas que continuam a todo vapor.

Nestas horas, não se admite coluna do meio: ou você está a favor da democracia e das instituições, ou fica do lado do arbítrio e do retrocesso, que levaram à invasão e à destruição das sedes dos três poderes em Brasília, por inconformismo com o resultado das urnas, as mesmas que elegeram também os governadores ausentes.

Vida que segue.

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Tática de guerrilha https://canalmynews.com.br/politica/politica-com-bosco/tatica-de-guerrilha/ Mon, 17 Jul 2023 18:31:28 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38513 Radicalismo programado aumenta na proporção do avanço da aliança ao centro

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Na medida em que o governo avança nas negociações com vistas à consolidação de uma aliança ao centro e à direita, essencial para sua estabilidade parlamentar, aumenta a intolerância programada da extrema-direita.

Não há coincidência, mas uma clara relação de causa e efeito. A melhora da economia, a perspectiva de mais espaço às forças conservadoras no governo, e a percepção de alguma calmaria no ambiente político reduzem a visibilidade dos extremistas e radicais.

A reação é a produção de episódios, com aparência de confrontos pontuais, que em seu conjunto configura uma articulada busca pela continuidade da polarização ideológica que marcou a eleição de 2018 e permeou todo o governo Bolsonaro, sob a liderança pessoal do ex-presidente.

A CPMI dos atos de 8 de janeiro é a fonte das senhas para manter mobilizado o eleitorado absolutamente fiel ao ex-presidente, ainda estimado entre 12 e 15%, tarefa que conta com o estímulo do comando do PL, interessado no capital eleitoral do ex-presidente nas eleições municipais e, quem sabe, por mais tempo.

É na comissão que parlamentares, inclusive os que a ela não pertencem, exibem toda a capacidade de obstrução radical protagonizando escândalos de toda a sorte – de cenas de transfobia a choros convulsivos pelos presos por vandalismo, transformados em vítimas injustiçadas.

Fora da comissão, em declarações estudadas, como a do deputado Eduardo Bolsonaro comparando professores a traficantes, tenta-se reavivar a polarização. Nas ruas, em aeroportos e shoppings, em aeronaves, dentro e fora do país, sucedem-se ataques a juízes do Supremo Tribunal Federal, por ativistas órfãos desde a derrota eleitoral de outubro de 2022.

A lista é extensa – já foram alvos os ministros Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandovski e seu substituto, Cristiano Zanin e, mais recentemente, Alexandre de Moraes, que preside o Tribunal Superior Eleitoral.

Sem falar em mais de uma dezena de agressões ao da Justiça, Flávio Dino, eleito pelos bolsonaristas como inimigo número dois (o um é Moraes). Essa tática vem desde a derrota eleitoral e torna-se mais intensa pela frustração de o governo começar sua gestão, ainda na fase da transição, pela pauta econômica em detrimento da ideológica, uma possível surpresa para os extremistas.

O pouco barulho do governo com a inelegibilidade de Bolsonaro contribuiu favoravelmente para o avanço de um acordo político e para a maior intensidade da reação do ativismo como contraponto ao isolamento da extrema-direita.

“É um problema da Justiça”, disse Lula sobre a decisão do TSE que tira Bolsonaro das duas próximas disputas eleitorais, dando tratamento menor ao fato político mais significativo para a interrupção da polarização.

Há cálculo e certa dose de desespero na reação dos radicais. A perspectiva de a aliança em curso atrair parlamentares do PL e contribui para o isolamento ainda maior do núcleo do ex-presidente dentro da legenda.

É preciso, no entanto, atenção com um aspecto embutido nesses ataques a ministros: trata-se, antes de tudo, de um desafio ao Poder Judiciário quando ocorre na forma de agressão aos seus mais altos representantes na hierarquia da Justiça.

Um ataque solitário a um juiz, que se repete e ganha escala substantiva, multiplica o comportamento miliciano que se resume na prevalência da vontade individual sobre a coletiva, pela imposição da força sobre o direito, – na contramão da isonomia constitucional e democrática.

É preciso consequência para os infratores. Sem choro, nem vela.

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Barroso é vaiado e diz que derrotou o bolsonarismo em congresso da UNE https://canalmynews.com.br/politica/barroso-e-vaiado-e-diz-que-derrotou-o-bolsonarismo-em-congresso-da-une/ Thu, 13 Jul 2023 18:41:13 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38496 Apoiadores do ex-presidente reagiram contra a fala do ministro e STF divulgou nota

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Na última quarta-feira, 12, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, participou do 59° Congresso da UNE (União Nacional dos Estudantes), onde fez uma declaração em que disse que derrotou o bolsonarismo. O discurso foi feito em meio a vaias de estudantes com faixas que chamavam Barroso de “inimigo da enfermagem e articulador do golpe de 2016”.

O ministro disse “nós derrotamos o bolsonarismo para permitir a democracia e a manifestação livre de todas as pessoas” em resposta às reações de protesto dos estudantes. A fala, além de gerar grande repercussão nas redes sociais, também teve reações de apoiadores do ex-presidente Bolsonaro.

Alguns deputados do Partido Liberal (PL), como Nikolas Ferreira e Julia Zanatta, disseram que vão pedir o impeachment de Roberto Barroso em decorrência da declaração.

Resposta do STF

Nesta quinta-feira o Supremo Tribunal Federal divulgou uma nota para informar que a frase dita pelo presidente interino da Corte,  Luís Roberto Barroso, durante o Congresso se referia ao voto popular e não à atuação de qualquer instituição. Na nota, o STF ainda diz que o ministro, junto a Flavio Dino e o deputado federal Orlando Silva, que também estiveram no evento, foram aplaudidos.

Leia a nota na íntegra:

O Ministro do STF Luís Roberto Barroso, o Ministro da Justiça, Flavio Dino, e o Deputado Federal Orlando Silva estiveram juntos, no Congresso da UNE, para uma breve intervenção sobre autoritarismo e discursos de ódio. Todos eles participaram do Movimento Estudantil na sua juventude. Apesar do divulgado, os três foram muito aplaudidos. As vaias – que fazem parte da democracia – vieram de um pequeno grupo ligado ao Partido Comunista Brasileiro, que faz oposição à atual gestão da UNE. Como se extrai claramente do contexto da fala do Ministro Barroso, a frase “Nós derrotamos a ditadura e o bolsonarismo” referia-se ao voto popular e não à atuação de qualquer instituição.

 

Assista o Almoço do MyNews com o cientista político Carlos Pereira comentando a fala de Barroso:

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Aliança pela economia isola a extrema-direita https://canalmynews.com.br/politica/alianca-pela-economia-isola-a-extrema-direita/ Mon, 10 Jul 2023 17:22:51 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=38424 Bolsonaro ficou preso à pauta ideológica e Lula controla reforma ministerial por aliança ao centro

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A aprovação da reforma tributária e do voto de qualidade no Carf, mais o arcabouço fiscal em fase final, mostram que o governo Lula começou antes de sua posse com a PEC da Transição e fechou com o tripé que devolve estabilidade à economia.

Mais que isso, a escolha da economia para a etapa iniciada no governo de transição foi decisiva para escantear a pauta ideológica e, assim, isolar os extremos, principalmente o bolsonarismo. Maior que o PT, Lula impediu que o partido caísse nessa cilada.

Bolsonaro, por sua vez, foi vítima de sua obsessão e se enfornou na corda esticada pelo adversário que combinou negociações objetivas no contexto econômico com falas ideológicas para mantê-lo preso à polarização. O ex-presidente não estava atento quando Lula mostrou indiferença a sua condenação à inelegibilidade.

Na reunião do PL em que pretendeu orientar a votação do partido contra a reforma tributária o ex-presidente despiu-se definitivamente da aura de poder que ainda o mantinha como uma possível liderança da direita e isolou-se no extremo, de onde não mais sairá.

Lula, enfim, deu o passo ao centro e à direita inaugurando a etapa da aliança pela qual foi intensamente cobrado desde a eleição em outubro. Conduziu o governo nessa direção desde que elegeu Arthur Lira para a primeira visita após a vitória e fez do Senado sua trincheira para conter a intensidade do presidente da Câmara, reeleito com apoio do PT.

Isso difere a entrada do Centrão neste governo da que a caracterizou no anterior. Bolsonaro se rendeu ao Centrão, entregou o governo e dedicou-se à campanha pela reeleição sob a pauta ideológica. Ciro Nogueira assumiu o coração do governo ao sentar-se na cadeira do ministro da Casa Civil, de onde só saiu a dois dias da posse de Lula.

O presidente administrou a liberação de emendas, delimitou as fronteiras do espaço ministerial a ser cedido nas negociações e, pelo menos por ora, mantém a integridade territorial da estrutura governamental. Saúde, Educação e as pastas de seu entorno no Palácio do Planalto permanecem sob controle seu.

De imediato, as mudanças deverão ocorrer nos ministérios da Agricultura, Esportes e Turismo – este incluindo a Embratur hoje dirigida pelo deputado Marcelo Freixo. O União Brasil quer o ministério com a Embratur porque os recursos estão nela. Com Daniela do Waguinho a convivência com Freixo parecia possível, mas o mesmo não ocorrerá com Celso Sabino já indicado para sucedê-la.

A agricultura entra no pacote porque a bancada do agronegócio está insatisfeita com Fávaro, apesar de ser um dos seus. Muitas queixas se acumularam contra ele e pode-se dizer que o “fogo amigo” tem no momento de mudanças uma oportunidade de acertar as contas com seu associado. A exigência teria sido feita para o apoio da bancada à aprovação do Carf.

A ministra Ana Mozer, por discrição ou inexperiência política não deu visibilidade e marca à sua gestão até aqui. Abriu assim a porta para a sua exoneração em favor do Republicanos, de Marco Pereira, vice-presidente da Câmara e candidato à sucessão de Lira. Os recursos e os programas são caros aos evangélicos pelos dividendos políticos que rendem, principalmente entre a juventude.

A especulação em torno do Ministério do Desenvolvimento Social, comandada pelo piauiense Wellington Dias, ex-governador e aliado próximo de Lula, a quem garantiu a vitória no seu Estado, deve ser vista com cuidado e uma boa dose de ceticismo.

Parece mais “fogo amigo” que algo palpável. É no MDS que repousa o programa mais caro e mais identificado com o PT – o bolsa-família, coração da legenda como a definiu a primeira-dama Janja.

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Derrota anunciada repõe governo no caminho da aliança de frente ampla https://canalmynews.com.br/politica/politica-com-bosco/derrota-anunciada-repoe-governo-no-caminho-da-alianca-de-frente-ampla/ Mon, 08 May 2023 19:48:09 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=37510 A experiência chilena, em que direita e extrema-direita se uniram contra a reforma constitucional, é didática e indica que o governo deve somar ao empenho de Lira e Pacheco pelo isolamento do bolsonarismo.

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Ulysses Guimarães dizia que em política, por vezes, até a raiva é combinada. Referia-se ao teatro da política que se socorre com frequência da dissimulação para alcançar propósitos, eliminar resistências e desobstruir caminhos.

A reflexão vem a propósito da recente votação que derrubou trechos de projeto do governo suspendendo pontos da regulamentação do marco legal do saneamento. O resultado serviu para exibir o tamanho do governo na Câmara: 136 votos.

Como nas investigações de crimes, a primeira pergunta a ser feita é a quem serve o ato. No caso, a derrota é mais aparência que realidade definitiva para o governo: ela serve também ao presidente Lula como instrumento para quebrar resistências de aliados à consolidação parlamentar da aliança que o elegeu.

O exemplo chileno, que juntou a direita e a extrema-direita contra a reforma constitucional, é didático para que o PT se alinhe ao isolamento do bolsonarismo em sintonia com os presidentes da Câmara e Senado, como sinaliza Lula. Para isso, a aliança ao centro e à direita é fundamental.

É oportuno lembrar que Lula soube da derrota na sua véspera, quando se reuniu com o presidente da Câmara, Arthur Lira, para aparar as arestas que ainda impedem a retomada da rotina legislativa. Lira cobrou a liberação das emendas devidas pelo governo e alertou que não poderia mais evitar uma sinalização mais dura dos deputados.

O parlamento tem seus meios de mandar recados ao governo e um deles é a imposição de revezes, o que faz de forma proporcional à insatisfação e ao grau de percepção quanto as intenções do Executivo. No caso, o recado foi brando. Uma espécie de alerta amarelo.

A reação de Lula após a derrota deixou entrever que já a esperava a partir da conversa com o presidente da Câmara. Não a construiu, mas demonstrou que a usará a seu favor no ambiente interno. Seu papel na ópera foi o de “assumir” a articulação política, não sem antes elogiar o titular dessa missão, o ministro Alexandre Padilha.

Padilha vinha sendo alvo do fogo amigo que debitara em sua conta o saldo negativo da articulação. Lula desagravou o seu ministro e pessoalmente cuidou de iniciar o processo de liberação das emendas, medida essencial para reverter o humor dos deputados.

A liberação das emendas abre passagem para a tramitação do arcabouço fiscal, de importância vital para o governo. Mas não só: tenta remover passivo de maior gravidade que se junta à insuficiência de votos estampada na derrota de alerta.

O governo chega ao seu quinto mês com 20 medidas provisórias editadas – e nenhuma aprovada – e quatro Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) criadas. Em um mês, ou menos, as principais MPs irão caducar, inclusive a mais básica que reorganiza a Esplanada dos Ministérios.

A morte por inação das medidas provisórias é a derrota que não pode acontecer de forma ampla e integral. Elas representam a largada do governo e foram editadas na sequência da posse de Lula, refletindo parte do arcabouço social do governo, em contraponto ao fiscal.

Lá estão, entre outras, as MPs da retomada do programa Minha Casa, Minha Vida, o Novo Bolsa Família e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além do voto de qualidade a favor da União em caso de empate em julgamentos Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

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O ataque à democracia e o desprezo pela civilidade https://canalmynews.com.br/politica/o-ataque-a-democracia-e-o-desprezo-pela-civilidade/ Tue, 10 Jan 2023 11:46:31 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=35322 O dia oito de janeiro de 2023, no ataque orquestrado aos Três Poderes da República, marcará, de forma indelével, nossa história e nossa sociedade, numa profunda cicatriz

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“E se pensas que burlas as normas penais. Insuflas, agitas e gritas demais. A lei logo vai te abraçar, infrator. Com seus braços de estivador” (Chico Buarque).

O dia oito de janeiro de 2023 marcará, de forma indelével, nossa história, nossa sociedade, numa profunda cicatriz. Foi orquestrado um ataque, simultâneo, aos três Poderes da República, um ataque, no limite, à democracia e ao nosso Estado Democrático de Direito.

As imagens mostram uma turba enfurecida depredando as instalações do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto. Não foi nosso Capitólio, foi pior, muito pior, já que foi organizado e financiado objetivando ocupar e trazer o caos não só ao Distrito Federal, mas, também, a multiplicação destas ações nos vários estados brasileiros, com fechamento de estradas, refinarias, paralisação dos caminhões, entre outras estratégias amplamente divulgadas nas redes sociais ocupadas por bolsonaristas da extrema-direita.

Os eventos do domingo, em Brasília, não se resumiu a uma depredação, apenas. Não foram os prédios, os móveis, documentos e obras de arte de valor incalculável destruídos; foram torpedos de ódio direcionados aos valores da democracia, da vida republicana e das leis.

O ataque foi material e imaterial, simbólico. Nada, absolutamente nada, do que ocorreu foi por acaso ou uma surpresa para os que acompanharam de perto a política brasileira e mundial nos últimos anos. A divulgação da ocupação da Praça dos Três Poderes e a invasão dos prédios, bem como a continuidade em pontos e cidades estratégicas do país foi prenunciada pelos próprios bolsonaristas e foram captadas por estudiosos e por jornalistas que se debruçam na temática da extrema direita.

A destruição assistida, ao vivo, nas televisões ou nas redes sociais, não teria como promover uma ruptura, um golpe, já que, para isso, as condições objetivas demandam mais do que ônibus, refeições, banheiros químicos e barracas. Se, objetivamente, as condições de um golpe não se apresentam; ao menos, agora, está claro que, subjetivamente, nós temos muitos indivíduos e grupos dispostos, com vontade e com influenciadores, jornalistas, empresários e pessoas comuns que se afirmam do lado oposto da democracia.

Domingo, 08/01/23, demarcou, definitivamente, uma fronteira e que foi ultrapassada. Não eram apenas manifestações de descontentamento com as urnas, com o sistema eleitoral, com o resultado das eleições. Não. O desejo é de não aceitar a democracia e suas regras; de não aceitar a convivência dos três Poderes, sendo basilar que cada poder sirva de freio e contrapeso aos demais; o desejo é de instaurar o caos e, com isso, aguardar um líder messiânico e autocrata capaz de impor ordem e submeter todos os que pensam de forma diferente à tirania.

A aposta no caos está no pensamento, na ideologia, difundida por Steve Bannon, Alexander Dugin e no falecido Olavo de Carvalho, para ficar nos mais conhecidos. São os que não apenas querem bloquear e destruir a democracia, mas que são contrários às conquistas da Modernidade, do Iluminismo e das democracias liberais.

Há autores e livros que nos indicam as facetas e as dimensões deste fenômeno, alguns, à guisa de exemplo: “Tempestade ideológica – bolsonarismo: a alt-right e o populismo iliberal no Brasil”, de Michele Prado; “Guerra cultural e retórica do ódio: crônicas de um Brasil pós-político”, de João Cezar de Castro Rocha e “Brasil em transe: bolsonarismo, nova direita e desdemocratização”, de Rosana Pinheiro-Machado e Adriano de Freixo e “Menos Marx, mais Mises: o liberalismo e a nova direita no Brasil”, de Camila Rocha.

Que fique claro, límpido, evidente: o terrorismo doméstico, nos moldes da definição do FBI está entre nós e não são aloprados, uma minoria, um punhado de fanáticos. Muitos riram do comportamento dos bolsonaristas que foram acampar nas portas dos quartéis, de suas orações, de seu choro, do pedido de intervenção militar e até do pedido de ajuda aos extraterrestres. Tudo isso formou um caldo de cultura que, há muito, se faz presente na vida politica e no cotidiano dos brasileiros.

Ao final e ao cabo da eleição, o candidato derrotado não reconhece a vitória de seu adversário e coloca-se num silêncio eloquente, num silêncio que fala muito. Rodovias foram bloqueadas, tiros desferidos contra postos operacionais de concessionárias nas estradas, um órgão que não chegou aquele que aguardava transplante, um menino que quase ficou cego e que teve um pai desesperado pedindo para seguir viagem, ônibus queimados e um quase jogado de cima de um viaduto e até uma bomba sendo colocada num caminhão tanque que seria levado ao aeroporto de Brasília e que, segundo a fala do autor, deveria desencadear a decretação de um “estado de sítio” e de intervenção militar.

Isso tudo que aqui foi descrito e que está amplamente divulgado pelos meios de comunicação é resultado – direto e indireto – de um ataque à política, aos políticos e às instituições. A violência existe, sempre existiu, mas é monopólio do Estado nas sociedades alicerçadas sobre as leis e sobre a democracia. O Estado e a política, bem como as instituições e a própria democracia não são perfeitos. A violência, em Brasília e noutras áreas de nosso país, nega a política, é o contrário da política, que visa resolver os conflitos por intermédio do diálogo, no ambiente institucional, com regras e leis.

Negar e atacar a democracia e o Estado e seus Poderes, independente de quem é o político que ocupa o poder, é apostar no caos, na anomia e no distanciamento da civilidade, do convívio e de qualquer projeto de vida coletiva.

Que os lamentáveis episódios que assistimos sejam objeto de investigação, dentro da lei. Sem vingança e sem perseguições, apenas a força da lei e das instituições. Que agentes públicos entendam que sua função é proteger o cidadão, o patrimônio público, independente de quaisquer colorações políticas. O Estado, suas instituições, como as polícias e Forças Armadas, são permanentes, não podem, jamais, ser instrumentalizadas por qualquer político, partido ou ideologia.

Fiquemos, por fim, com uma reflexão: o que queremos para nossa sociedade? Paz, tranquilidade, leis e instituições funcionando no bojo da democracia ou o vandalismo, a destruição e a violência, simbólica e concreta em nossas ruas? Em que pese que a letra de Chico Buarque, do “Hino de Duran”, foi escrita em outro contexto, mas uma das suas estrofes parece bem atual e necessária: “A lei logo vai te abraçar, infrator”.

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O voto impresso de Bolsonaro foi uma farsa do começo ao fim https://canalmynews.com.br/sem-categoria/o-voto-impresso-de-bolsonaro-foi-uma-farsa-do-comeco-ao-fim/ Tue, 28 Jun 2022 14:38:00 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=30914 Bolsonaristas mentiram antes, durante e depois da votação da PEC

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Jair Bolsonaro e os bolsonaristas mentiram durante todo o debate sobre o voto impresso. Agora mentem sobre qual foi a proposta.

Eis os fatos: públicos, verificáveis e auditáveis.

Em setembro de 2019 a deputada federal Bia Kicis (hoje no PL, partido de Valdemar Costa Neto) apresentou a PEC do Voto Impresso. O texto bem curto acrescentava um parágrafo à Constituição e não trazia detalhes sobre a proposta.

Em regra, parlamentares não votam o texto original de um autor, mas o parecer de um relator – redigido por outro deputado.

Em 2021 foi formada na Câmara a Comissão do Voto Impresso, para discutir a PEC de Bia Kicis. Filipe Barros, hoje também no PL, foi escolhido relator.

Barros propôs primeiro que os registros impressos de voto fossem apurados eletronicamente. Sim, é isso mesmo.

“A apuração dos registros impressos de voto utilizará processos automatizados com programas de computador independentes dos programas carregados nos equipamentos de votação eletrônica”, dizia o parecer.

Em agosto de 2021 Barros apresentou outro texto. Está escrito com todas as letras:

“A apuração dos votos dar-se-á exclusivamente de forma manual, por meio da contagem de cada um dos registros impressos de voto, em contagem pública nas seções eleitorais, com a presença de eleitores e fiscais de partido”.

Ou seja: o registro do voto na urna eletrônica seria ignorado completamente. Os mesários contariam os recibos impressos de voto, na simpática presença de militantes dos partidos.

Com isso também cai por terra a ideia do “voto auditável”. A proposta era a apuração “exclusivamente de forma manual”. Portanto, nada poderia ser “auditado”, já que nenhum outro registro dos votos seria conferido.

Barros também propôs que “[o] documento que atesta o resultado da apuração deve ser publicamente disponibilizado na própria seção eleitoral tão logo a apuração seja finalizada e publicado na rede mundial de computadores”. Só que isso já existe hoje: chama-se boletim de urna.

Enfim. A proposta de Barros de contar votos “exclusivamente de forma manual” foi votada na comissão e derrubada por 23 votos a 11.

Mesmo assim, Arthur Lira decidiu levar ao Plenário o texto original – ou seja, a PEC de Bia Kicis, que não detalha como seria o voto impresso. O texto teve 229 votos a favor e 218 contra, sendo rejeitado por não atingir o mínimo de 308 votos necessário para uma PEC.

Neste sábado (25), o ministro Luís Roberto Barroso, do STF e ex-TSE, disse no Brazil Forum UK 2022 ter impedido “esse abominável retrocesso que seria a volta ao voto impresso com contagem pública, manual, que sempre foi o caminho da fraude no Brasil”.

Alguém na plateia disse “mentira”. Não deve ter auditado a fala de Barroso.

Agora, bolsonaristas, incluindo deputados, somam-se na internet ao coro da pessoa na plateia que interrompeu o ministro. Um deles é o próprio Bolsonaro.

“O Barroso mente descaradamente nessas questões. Uma mentira a gente não admite em lugar nenhum, né (…) Um ministro mentindo dentro e fora do Brasil…”, disse à Jovem Pan neste domingo (26). Bolsonaro não concluiu o raciocínio porque o apresentador o interrompeu para mostrar o vídeo de Barroso sendo interrompido.

Bolsonaristas acusam Barroso de ter interferido em outro Poder. No dia da votação da PEC no plenário da Câmara, tanques da Marinha desfilaram por Brasília. Mostraram a especialidade do bolsonarismo: cortina de fumaça.

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Armas e urnas https://canalmynews.com.br/sem-categoria/armas-e-urnas/ Tue, 31 May 2022 14:07:41 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=28803 O mesmo bolsonarismo que diz querer mais vigilância sobre as urnas quer menos vigilância sobre as polícias.

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O mesmo bolsonarismo que diz querer mais vigilância sobre as urnas quer menos vigilância sobre a polícia.

Nesta segunda (30), em coletiva de imprensa em Recife, o presidente Bolsonaro disse o seguinte sobre o caso de Genivaldo, morto em uma câmera de gás improvisada por agentes da PRF em Sergipe:

“Não podemos, é, generalizar tudo o que acontece em nosso Brasil. A PRF faz um trabalho excepcional para todos nós (…) A justiça vai existir nesse caso e, com toda a certeza, será feita a justiça, né? Todos nós queremos isso aí. Sem exageros e sem pressão por parte da mídia, que sempre tem um lado: o lado da bandidagem”.

O presidente não condenou a barbárie cometida pelos agentes da PRF, nem cobrou do diretor-geral, Silvinei Vasques, medidas para que a câmera de gás não se repita.

A carta-branca para as polícias também aparece em outras bandeiras do bolsonarismo. Em março deste ano, Bolsonaro enviou ao Congresso projeto de lei para expandir o excludente de ilicitude. O candidato de Bolsonaro ao governo de São Paulo, Tarcísio de Freitas, quer acabar com a obrigatoriedade de câmeras nas fardas dos PMs. A bancada bolsonarista na Alesp tem um projeto para extinguir a Ouvidoria da Polícia.

A orientação é sempre a mesma: vigiar menos as polícias.

Quando o assunto é eleição, a chave vira – ao menos aparentemente.

Em julho de 2021, Bolsonaro convidou a imprensa para uma ‘live’ no Palácio da Alvorada. Lá, disse, com todas as letras: “não temos prova” de fraudes nas eleições. E inverteu o ônus da prova: “Os que me acusam de não apresentar provas, eu devolvo a acusação: apresentem provas que ele não é fraudável”.

Incapaz de apresentar provas porque elas não existem, Bolsonaro insiste em semear dúvidas sobre a integridade eleitoral. Seus aliados mais fiéis na Câmara defenderam a PEC do Voto Impresso. O relator Filipe Barros apresentou um parecer espantoso: propôs que o voto impresso fosse apurado eletronicamente (sim, é isso mesmo). Depois mudou de ideia. Em um segundo parecer, propôs que “[a] apuração dos votos dar-se-á exclusivamente de forma manual, por meio da contagem de cada um dos registros impressos de voto”.

Ou seja: o papo bolsonarista de “voto impresso e auditável” era conversa para boi dormir. No mundo real, a proposta era que valesse apenas o registro impresso. Portanto, nada seria “auditado”; continuaria havendo um único registro válido de votos.

Com o fracasso da PEC do Voto Impresso, Bolsonaro passou a falar sobre “sugestões” das Forças Armadas ao TSE. No começo deste mês, anunciou que uma empresa contratada pelo partido de Valdemar Costa Neto irá fazer uma “auditoria” nas eleições.

Assim, para o trabalho do TSE, o comando bolsonarista diz querer a máxima vigilância. Para o braço armado do Estado, carta-branca. Quem vigia os vigilantes?

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Nós, os invisíveis https://canalmynews.com.br/voce-colunista/nos-os-invisiveis/ Mon, 21 Feb 2022 19:32:51 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=24150 Em ano de eleição presidencial em um país polarizado, a saída é buscar propostas que visem o bem coletivo e não o nome de um candidato ou partido.

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Nós, brasileiros nascidos antes da copa de 1970, vivemos por vários anos algumas polarizações. Mas, diferentemente do que acontece hoje, essas eram polarizações folclóricas, de assuntos até irrelevantes para a vida de cada um de nós. Posso citar algumas que, em um exercício de túnel do tempo mental, consegui me lembrar.

As famosas polarizações de times de futebol de cada estado, como Corinthians x Palmeiras, Flamengo x Fluminense, Guarani x Ponte Preta, Inter x Grêmio… Ainda no campo dos esportes tivemos a polarização de Senna x Piquet. Apesar da balança pender muito mais para o lado de Senna, já ouvi muita discussão sobre a qualidade e a falta dela nesses dois personagens.

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Havia a polarização sobre os apreciadores de cerveja, muitos gostavam da Brahma e outros muitos da Antarctica. Pois é, acreditem os mais jovens, essas marcas eram rivais até serem compradas e serem colocadas em um balaio de gato que deixa tudo com a mesma cara por uma gigante nacional multibilionária.

Era engraçado ver pessoas no bar tomando cerveja, alguns sabiam até qual a melhor cidade que fabricava a sua cerveja do coração. A Brahma de Agudos era a melhor, enquanto a Antarctica de Joinville era a que tinha a melhor água. Eu tive um amigo inclusive que só bebia a Antarctica de garrafa de 600 ml e só a de faixa azul no rótulo. Tentamos enganá-lo diversas vezes tendo até o trabalho de comprar Brahma e trocar o rótulo. Ele no primeiro gole percebeu e disse: – Ahhhh! Isso é Brahma!

Existiam em nosso dia a dia várias polarizações: Levi’s x Lee, Caetano x Chico, Elis x Nara, Globo x Tupi, Folha x Estadão… Sempre encontrávamos o diferente em nosso cotidiano, mas nós sabíamos que existia vida além da polarização, que existia o São Paulo e o Santos de Pelé, o Vasco da Gama no Rio, que existia a Skol, a US Top, o Milton Nascimento, a Rede Manchete, o Jornal da Tarde… As terceiras vias das polarizações simples do cotidiano.

Hoje, a polarização tem se dado no campo da política e tem se tornado algo irritante.

Urna de votação. Foto: Fábio Pozzebom/Agência Brasil

Se você fala para um bolsonarista que é contra o Capitão, na hora você é taxado de petista, e o mesmo acontece se falar mal do Lula ou da Dilma para um petista. Fale para um simpatizante do Bolsonaro sobre a rachadinha, prática muito usada pelo Messias em seus gabinetes e transmitida aos filhos com louvor, e você vai ouvir: “Ah!,mas vai me dizer que no governo do Lula não tinha corrupção?”, “E os filhos do Lula?”. Ou ainda, se você defende a vacina você é de esquerda, petista ou psolista, se tem dúvidas e diz que não sabe quais serão as reações e que não sabe o que tem dentro você é bolsonarista. Nesse caso a pessoa que diz isso, no meu modo de ver, é simplesmente ignorante, mas isso é outra conversa.

Explicar que você não é de lado nenhum e que prefere uma outra opção é tão ou mais chato do que ter que explicar piada para o amigo meio lentinho e, o pior, não convence. É como se não existissem outras opções. Todos foram apagados, Ciro, Dória, Moro, D’Ávila, Tebet, Janones. E nós, aqui eu me incluo nessa lista, somos invisíveis.

Votar deixou de ser uma escolha em benefício da coletividade. Os eleitores desses dois lados não pensam na melhor proposta de governo, aquela que priorizará o ensino fundamental, pensando no futuro do país. Ou na proposta que será atenta e rígida no controle fiscal e na execução de uma boa reforma tributária que simplificará a vida do pequeno, médio e grande empresário. Nem mesmo uma proposta que olhará para a grande massa de miseráveis que têm insegurança alimentar ou que buscará trazer investimentos de fora para recolocar os catorze milhões de desempregados novamente no trilho do emprego e da dignidade. Essas pessoas querem apenas que seu lado vença. Para essas pessoas a proposta se ajeita depois de vencer o adversário.

No tempo das polarizações folclóricas que citei acima, existia uma diferença muito importante: a grande maioria do povo queria o bem do país e o bem do país naquele momento era se livrar dos governos militares ditatoriais. Basta olhar para nosso passado recente e para o nosso presente hediondo para saber que nenhum desses dois candidatos será o melhor para o Brasil e para nós brasileiros.

Se fosse fazer uma explanação dos motivos contrários a ambos, este texto se transformaria em um livro, talvez dividido em alguns volumes. Por isso peço a você, leitor e eleitor, que disponha de um tempo para pesquisar nos próximos meses o que cada candidato propõe para tirar nosso país da crise em que se encontra e da situação internacional vergonhosa que vivemos.

Se desapegue das verdades calcificadas existentes na sua cachola, deixe de se informar pelo WhatsApp e Facebook e busque informações na imprensa séria, inclusive pesquisando diversas fontes e diferentes opiniões. Pense no que você quer melhorar na sua vida e, principalmente, no Brasil que você quer deixar para seus filhos e netos. Tenha a humildade de se abrir para algo diferente e melhor e entender que quem tem que vencer é a coletividade e não seu candidato.

*As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews.


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Chile flerta com seu bolsonarismo: parece que não aprendeu nada com o Brasil https://canalmynews.com.br/voce-colunista/chile-flerta-com-seu-bolsonarismo-parece-nao-aprendeu-com-brasil/ Mon, 15 Nov 2021 20:06:38 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/chile-flerta-com-seu-bolsonarismo-parece-nao-aprendeu-com-brasil/ Como dizem por aí, o mundo não gira, ele capota, e a história sempre teima em se repetir. É impressionante como o cenário no Chile caminha igual ao do Brasil pós manifestações de 2013

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“No Chile, assim como no Brasil, a democracia renasceu sob vias institucionais e pacíficas, com muita paciência. Sua Constituição democrática, ao contrário, está sendo forjada de forma abrupta e selada sob sangue.”
O Chile vai viver suas eleições presidenciais este mês, um fato que deve ser acompanhado com peculiar interesse, pois é um decisivo pleito que ocorre logo após a ebulição social que tomou conta do país em 2019 e culminou com a elaboração de uma nova constituição, um processo mais que necessário, uma vez que, ao contrário do Brasil, os chilenos nunca haviam posto fim ao legado constitucional de sua respectiva ditadura.

Se a decisão por uma nova Constituição se mostrou mais que acertada, e ela foi aprovada com 80% dos votos, o que vem se desenrolando desde aí parece denotar uma saída de pista do processo, e não era difícil imaginar isso. Se no Brasil resolvemos pôr fim às lembranças da Ditadura Militar de modo rápido após o seu término, utilizando a política institucional e de modo pacífico, a demora dos chilenos para se livrarem do legado de Pinochet cobrou um preço caro: a nova Constituição chilena está nascendo sob sangue, foi forjada sobre uma verdadeira e violenta revolução popular, onde se notaram excessos tanto de manifestantes quanto do governo na repressão dos mesmos.

Chile - eleições 2021
Imagem da eleição para a Assembleia Constituinte do Chile, em maio de 2021. No próximo domingo (21) haverá 1º turno das eleições presidenciais/Foto: Fotos Públicas/Alejandra De Lucca V. / Minsal

Radicalização gera radicalização. Na eleição para a Assembleia Constituinte a esquerda ganhou de lavada, era natural, já que a revolta se deu dentro de um governo de centro-direita, mas não foi aquela esquerda tradicional, a chamada Concertación, que tem como principais partidos o Socialista de Bachelet e a Democracia Cristã (este, um caso que considero peculiar no mundo, uma vez que tradicionalmente partidos que carregam a denominação cristã são associados à direita), que venceu a ditadura Pinochet sem derramamento de sangue e governou o Chile em praticamente todo período democrático desde então, a exceção dos dois mandatos de Piñera, mas sim uma versão mais jovem e radicalizada, bem de acordo com o cenário predominante que se via nas ruas.

Era natural que a esquerda colhesse os frutos de modo imediato, mas não era garantido que isso durasse para sempre. O cenário das explosões sociais é sempre incerto. Vejamos o que ocorreu no Brasil em 2013: manifestações que começaram pela convocação de um movimento radical de esquerda, desses que vemos quase toda a semana e têm absolutamente pouca repercussão e menos ainda gente, se transformaram em uma aglutinação de milhões de pessoas com pautas difusas e revolta contra tudo e todos.

O centro mais radical das manifestações talvez até tenha continuado com os que haviam iniciado tudo, mas o corpo já havia ficado grande demais e totalmente sem controle. E a esquerda quem pagou o pato, já que era ela que governava, e paga até hoje.

Como dizem por aí, o mundo não gira, ele capota, e a história sempre teima em se repetir. É impressionante como o cenário chileno caminha igual ao do Brasil pós manifestações de 2013, com os mesmos erros. O descrédito dos partidos tradicionais chilenos está a olhos vistos, independentemente da ideologia dos mesmos, tanto nas eleições constituintes como agora, nas presidenciais, assim como a desilusão com a política tradicional reverberou por aqui em 2018, ajudada pelos efeitos da Lava Jato. Se por estes lados nós parecemos sofrer com a catarse coletiva de 2013 até hoje, mesmo mais de oito anos depois, imagine lá, onde o cheiro de pólvora é sentido com toda a força e os paralelepípedos ainda estão mornos.

E aí que vem a chave do bingo: assim como cá, lá a direita populista de repente surgiu e começou a colher os frutos do desequilíbrio social! Os jovens radicais que queimavam igrejas podem até ter aplaudido os resultados iniciais de sua revolta, mas agora devem estar atordoados com os efeitos adversos que um cenário sem controle pode trazer. O Chile é um país mais bem educado que aqui, com uma consciência política maior, feridas muito mais abertas em relação a seu período militar e uma qualidade de vida de nos fazer inveja, mas não deixa de ter uma população média com características parecidas com a nossa, embora em um processo de evolução.

Seria inútil pensar que uma população que quatro anos atrás elegeu Piñera, de repente havia virado de extrema-esquerda, ou que a aprovação esmagadora do referendo constitucional implicava uma pureza e homogeneidade ideológica dos que votaram assim, apesar da extrema direita de apoiado o “não”. A questão constitucional era uma página que o Chile precisava virar e tenho certeza que ia muito mais além do que disputas ideológicas entre campos distintos, inclusive a direita tradicional também apoiou a mudança.

O que era fácil de se prever é que boa parte da população comum, também revoltada com a situação vigente, mas menos por ler Marx e mais por não ter dinheiro no bolso, de repente começou a ficar assustada com os valores dos que lideravam aquele processo e resolveu se voltar para alguém que exprime os seus desejos de mudança, mas ao mesmo tempo parece ter muito mais relação com os seus valores pessoais.

E assim cresceu José Antonio Kast, o novo fenômeno eleitoral chileno, que deve ir para o segundo turno, talvez até em primeiro lugar, contra Gabriel Boric, outrora e ainda favorito, e o representante dessa nova esquerda mais radical, numa espécie de aliança entre o que seria o PSol e o Partidão (PCB). São eles e não a antiga Concertación, ou o partido de Piñera, que vão antagonizar o pleito chileno e, um ou outro, governar o Chile nos próximos quatro anos.

Os candidatos tradicionais definharam completamente, engolidos pelo radicalismo do momento. Kast, que quatro anos atrás não teve nem 10% dos votos, agora cresce de forma assustadora. É um pinochetista convicto, e ganhou a degradante alcunha de Bolsonaro chileno. Aliás, foi um dos primeiros que visitou o presidente brasileiro após sua vitória. Os dois têm muito em comum e certamente seguem cartilhas parecidas de campanha, como é de praxe nessa direita populista.

O ultradireitista chileno parece se aproveitar de fatores parecidos que elegeram Bolsonaro: além de colher da insatisfação da população, também pode ser ajudado pelo contrário – um efeito de reação conservadora e também de voto útil das elites tradicionais chilenas, que migram para ele como alternativa menos pior do que ter um radical de esquerda no governo.

Boric, que derrotou um comunista mais radical ainda nas prévias de sua coalização partidária (aliás, bom de ser observar também o exemplo das federações que o Chile segue a tanto tempo e será adotado aqui a partir do ano que vem), parecia ter a vitória garantida, mas já não lidera com folga no primeiro turno; em alguns casos está até em segundo e vê sua vantagem na segunda volta se estreitar a passos cavalares. O cenário parece incerto.

Eu ainda acredito, ao contrário daqui, na vitória do esquerdista. Como disse, o Chile é mais bem educado e tem experimentado um grande avanço de valores sociais progressistas nos últimos tempos, mas nunca duvide da massa conservadora, que também é grande. Além disso, é difícil imaginar que um país que deu uma guinada tão grande à esquerda recentemente, se volte ao seu extremo oposto de forma tão rápida e abrupta. E lá ainda há o fator da votação não ser obrigatória, o que coloca como crucial a questão de mobilização e participação de cada setor social.

Porém, o fato de existir alguém a lá Bolsonaro com chances reais de vitória já diz muito sobre o processo, de como mudanças necessárias feitas por vias exclusivamente institucionais tendem a serem mais exitosas, duradouras e menos traumáticas, embora possam demorar mais. O Brasil mesmo e sua Constituição de 1988 são um exemplo vivo, embora tenha acabado por cair nas garras do populismo, devido a fatores já tanto citados.

O Chile, ao contrário, flerta com o seu bolsonarismo e mostra como o que começa radical não tende a terminar bem. Espero que consigam consertar a tempo e não cometam o erro crucial que cometemos e tanto tem nos custado nos últimos anos.


Quem é Manoel Martins da Costa Júnior?

Manoel Martins da Costa Júnior é paraibano, formado em Administração pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e pós-graduado em Gestão Empresarial pela Estácio de Sá

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Não se deve subestimar o Bolsonarismo https://canalmynews.com.br/creomar-de-souza/nao-se-deve-subestimar-o-bolsonarismo/ Thu, 14 Oct 2021 13:17:56 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/nao-se-deve-subestimar-o-bolsonarismo/ Em um ambiente político marcado por crise e uma eventual fragilidade do governo, a maior ilusão para aqueles que fazem oposição a Bolsonaro e seu projeto é a percepção de que isoladamente cada um pode derrotar o Presidente em sua reeleição

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O professor Dawisson Belém certa vez definiu que o Bolsonarismo é o Trumpismo com dois dias de atraso. Tal reflexão, fruto de observações empíricas e de uma métrica refinada, tornou possível compreender os impactos de Trump e de sua narrativa política sobre o jogo de forças eleitorais no Brasil em 2018. Porém, para além disto, o processo de emulação de uma forma de fazer política resultou em outra característica bastante particular do atual governo brasileiro, a campanha cotidiana.

Desde o seu primeiro dia de governo, Bolsonaro sempre buscou reproduzir de maneira tropicalizada o esforço construído por Trump de fazer cada ato de governo um ato de campanha. Na América, Trump se utilizava de redes sociais como o Twitter e o Facebook para alimentar seus seguidores com todo tipo de informação que tivesse a capacidade de gerar engajamento e repulsa aos rivais.

No Brasil, por sua vez, Bolsonaro, com ao auxílio prestimoso daqueles que estão em seu entorno, conseguiu criar algo mais eficaz; grupos de Telegram e WhatsApp que criaram um canal paralelo de comunicação entre o Presidente e seus seguidores. O envio constante de mensagens, vídeos e outras informações dão ao Chefe do Executivo a base de apoio e o respiro necessários para cumprir dois objetivos: sobreviver a quaisquer ações ou intenções de impeachment e manter-se minimamente competitivo em termos eleitorais.

Presidente Jair Bolsonaro utiliza grupos de mensagens como um canal paralelo de comunicação com seus apoiadores.
Presidente Jair Bolsonaro utiliza grupos de mensagens como um canal paralelo de comunicação com seus apoiadores. Foto: Reprodução (Redes Sociais)

O “nó górdio” para Bolsonaro, contudo, não está na manutenção dos votos de seus apoiadores, e sim na aquisição de votos entre aqueles que hoje avaliam o governo de forma negativa. Para estes, sobretudo aqueles que se declaram órfãos de uma terceira via, o Planalto aposta que o caminho é um mix entre entregas de agendas importantes em âmbito econômico e uma diminuição no tom do Presidente. Não se trata aqui de moderação, afinal, no terceiro ano de mandato já está claro que Bolsonaro não irá assumir nenhum tipo de comportamento com vernizes institucionais.

Diante desta constatação, surge uma pergunta: o que cabe ao núcleo de apoio do Presidente para atrair votos que hoje não estão em sua cesta? Basicamente, a construção de uma agenda mínima de resultados econômicos com um silêncio obsequioso do Presidente em temáticas importantes. Além disso, a peculiaridade do momento que o país atravessa mostra que é mais fácil a obtenção de resultados em agendas que diminuam o estresse econômico do que a realização de ações individuais do Chefe da República em evitar confrontos.

E a resposta a isto está ligada à lição apreendida pelos Bolsonaristas com ideólogos de Trump: a ideia de capturar o debate político custe o que custar. Diferentemente de outros políticos, a Bolsonaro não importa que se fale bem ou mal, o importante é que se fale dele. Esta capacidade de monopolizar o debate político dá ao Presidente e ao seu grupo a possibilidade de retirar voz, minutos, espaços e cliques de quaisquer adversários. E como isto tem sido feito de maneira eficaz até aqui, não importando o que se fala, se tem falado de Bolsonaro o tempo todo.

A resultante disto é que, ao mesmo tempo em que a rejeição ao Presidente é muito alta, a sua resiliência eleitoral não é desprezível. E diante de um cenário em que aqueles que apoiam Bolsonaro tendem a não mudar de opinião até o dia da eleição, a questão reside em saber se o Presidente terá a capacidade de reverter as avaliações negativas que recebe. E aqui, dois elementos são importantíssimos, o primeiro é a distância temporal do pior momento da pandemia para o momento da eleição.  E o segundo, a possibilidade de que, a partir de um avanço na vacinação, a economia apresente sinais de recuperação que entusiasmem aqueles que não querem um retorno do Partido dos Trabalhadores ao poder.

O fato, portanto, é que se de um lado não é possível menosprezar a rejeição que Bolsonaro sofre, de outro, não se deve deixar de lado o potencial de sua estratégia de comunicação via redes sociais de aumentar sua capacidade de angariar votos. E soma-se a isto o fato de que não se percebe entre os antagonistas do Presidente, até aqui, nenhum movimento concreto de construção de um compromisso mínimo em derrotar Bolsonaro. Os sonhos hegemônicos dos rivais são a melhor oportunidade do Presidente.

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Fundamento neopentecostal no bolsonarismo. Salomonismo de ocasião e antídoto. https://canalmynews.com.br/voce-colunista/fundamento-neopentecostal-bolsonarismo-salomonismo-de-ocasiao-e-antidoto/ Sat, 11 Sep 2021 16:10:09 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/fundamento-neopentecostal-bolsonarismo-salomonismo-de-ocasiao-e-antidoto/ Os evangélicos do tipo neopentecostal supostamente seguem por princípio os ensinamentos dos evangelistas. Mateus, Marcos, Lucas e João. Entre esses não há indicação qualquer acerca de prevalência da riqueza em relação à pobreza como distinção

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O neopentecostalismo brasileiro baseia-se na famosa teologia da prosperidade em que, na pressa pelo Paraíso, mundanizam a salvação pela riqueza. Vire-se o Sermão da Montanha (Mateus 5 – 7) ao avesso e teremos tal tipo de teologia.

Os evangélicos do tipo neopentecostal, dominante em nosso país, supostamente seguem por princípio os ensinamentos dos evangelistas. Mateus, Marcos, Lucas e João. Entre esses evangelhos não há indicação qualquer acerca de uma prevalência da riqueza em relação à pobreza como distinção moral ou de benesse divina aos seus escolhidos.

Jesus identifica a pobreza com a perfeição (Mateus 19:21) e afasta a riqueza da possibilidade de salvação (Lucas 18: 24 – 25). Esses são alguns dos trechos mais conhecidos da Bíblia e claro que os quatro superpastores do juízo final (Malafaia, Soares, Macedo e Santiago) o conhecem.

Mas por que o minimizam ou o ignoram? Por que Jesus pode até ser mais comentado, mas não é seguido. As falas de Jesus são pouco aproveitadas nos sermões desses superpastores e quando são utilizadas, são aquelas falas que se referem ao Antigo Testamento. Então… quem seguem?

Seguem O cara!

Não vou gastar nossos tempos com a teologia estrita – que nos importaria pouco – mas podemos identificar no texto bíblico outros livros em que o discurso da teologia da prosperidade é bastante defensável. O Velho Testamento. Old but Gold. Ali está o filé tribal, primitivista, grandiloquente em que a água não se torna vinho, coisa de comunistas bêbados, lá a água do Nilo vira sangue, mares se abrem, inundações mundiais, animais falantes, a criação do mundo, o pecado humano da ira é nada comparado à virtude divina da ira, Moisés, Jó, Davi, Salomão.

Pausa. Salomão, eis o homem!

O cara do neopentecostalismo é Salomão. Rei, poderoso, rico, devasso e abençoado. Escreveu poemas “gospel”, não elogiava a pobreza, fama de sábio, teve muitas, muitas, mulheres… Era o cara! Nada de jejum no deserto e o céu para os pobres. Apesar de não ser o mais referido dos personagens bíblicos é este o mais seguido.

A “imitação de Cristo” não é mais um imperativo, deve-se imitar Salomão. Assim um cristianismo pouco ou nada paulino, torna-se salomônico, quase um salomonismo. Cristo é convidado a ser um antimodelo, salvador num futuro incerto, mas não líder verdadeiro do presente. Seria então o neopentecostalismo um salomonismo de ocasião? Exagero meu. Não é.

Neopentecostalismo baseia-se em mais que Salomão e menos que no Cristianismo, por basear-se somente no Velho Testamento é no máximo um judaísmo degradado, sem os séculos de história dos judeus, sem o Talmude. Sem a reflexão e a profundidade dos protestantes históricos, o estudo e a hermenêutica dos rabinos ou o apego à pobreza dos franciscanos.

O estereótipo pré-cristão de rei é o modelo neopentecostal e não as pregações de Cristo. Assim ficamos menos perplexos ao constatar que parte aparentemente bem grande dos neopentecostais brasileiros consideram certas torturas justas, ditaduras democráticas, ditadores o grande líder tribal da pátria e que o sangue dos impuros pode ser derramado em favor da tribo dos escolhidos.

Quando o atual presidente, ao vencer as eleições do longínquo 2018, disse que o ideal seria que o Brasil voltasse a ser o que era 40 ou 50 anos atrás não foi necessário mais para identificar seu reacionarismo. O reacionarismo dos superpastores é mais radical, pois desejam muito mais.

O retorno do reacionarismo neopentecostal não é aos anos quarenta do século XX, mas talvez aos anos quarenta de algum século pré-Cristo em que Javé condenava populações por vingança (Gênesis 7). Não se pode entender o fenômeno Bolsonaro à luz pós-iluminista. É olhando pro deserto que ele fala, não como um messias, mas como um líder tosco de tribo fanática. Tanto faz o conteúdo estrito da fala, o que importa é que é ele quem fala.

Portanto, amigos, não gastemos nossos argumentos pós-modernos, contemporâneos, líquidos-baumanianos. Eles são inúteis. Os superpastores e seus rebanhos passaram a rosnar em eco à voz de Bolsonaro não por concordarem com seus argumentos, mas por amarem sua mística de líder tribal tosco, ganhando no grito, usando o patrimônio da tribo como seu, colocando os de sua família acima dos desígnios da tribo, amando a vingança e a violência como justiça, pregando castidade e escondendo a própria devassidão. Não haverá debate!

O que adianta então? Essa aura mística foi conquistada com falácias toscas e muito, mas muito ad hominem. O antídoto infelizmente é pré-iluminista, pré-cristão e até pré-escolar. Não vou prescrever o ad hominem de quinta série referindo-se à pouca virilidade que pode se supor de tão grandes compensações de gritaria e autoelogio.

O antídoto não requer grandes eloquências e complexidades de raciocínio. A solução é gritar mais alto! Nas ruas, nas redes sociais e na imprensa! Para que o presidente da Câmara nos leve a sério, para que os bozonaristas se assustem, para que o presidente recue frente e para que olhando ao nosso lado vejamos a multidão de democratas que há no Brasil.

Oitenta por cento de nós!

Outro 7 de setembro acontecerá novamente! Participaremos dele nas ruas ou mesmo sem agir e assim seremos todos culpados se nossa democracia ruir.


Quem é Valdinéli Ribeiro Martins?

Pai, graduado em Filosofia – UFPR, fotógrafo amador, aficionado por política, literatura e afins.

* As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews


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