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OPINIÃO

Os eternos barões e “baroas” do Brasil

A CPI escancarou uma luta entre um Brasil atrasado, cruel e arrogante versus um país democrático, civilizado e inclusivo que a maioria atua para alcançar
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Acompanhando a CPI da Covid percebi comportamentos, ainda, tão arcaicos e arraigados em alguns senadores, todos governistas. Surpresa? Nenhuma. Mas não deixa de ser triste e incômoda tal constatação. É justo dizer, no entanto, que esta mesma CPI também apresentou gratas surpresas. Senadoras e senadores preparados, atentos, combativos e educados.

Mas, voltando aos comportamentos defasados de alguns, percebi neles o apego ao título, ao cargo, porque não dizer ao rótulo de senador. Vale lembrar que estão ocupando esse lugar privilegiado e importante porque receberam os votos digitados nas urnas pelos eleitores de seus respectivos estados, o que para estes parece ser um mero detalhe. Ostentam exagerado apego à posição, ao status que o título de senador tem e oferece.

A atual novela das seis da Rede Globo, “Nos Tempos do Imperador”, retrata o período em que o Brasil era governado por D. Pedro II e vemos a formação de uma elite brasileira, cafona, inautêntica, risível, qualquer semelhança com os dias de hoje não é, infelizmente, mera coincidência.

Na trama há um casal de ricos produtores de café – que o são porque possuem escravizados para fazer o trabalho, por óbvio – do interior de São Paulo, que estão em busca de integrar a corte imperial e, para tanto, precisam de um título de nobreza. Mas o que lhes sobra de dinheiro, falta em educação, bons modos e um mínimo de civilidade. Tanto é assim que a candidata a nobre senhora repete a todo tempo que não terá sossego enquanto não comprar o “titulo de baroa” e realizar o sonho de poder “tomar chá com a imperadora”.

A CPI escancarou uma luta entre um Brasil atrasado, cruel e arrogante versus um país democrático, civilizado e inclusivo que a maioria, eu quero crer, almeja e atua pra alcançar. Mas, para muitos senadores, o legal é ser amigo do rei, fazer parte do clube e poder soltar vez ou outra a famosa frase “você sabe com quem está falando?”.

Mesmo que para isso, os nobres senadores paguem um preço alto diante das câmeras, fazendo um papel ridículo, deprimente, digno de um canastrão de novela ou personagem de humor sagaz. Porque, de fato, se consideram superiores aos demais, cidadãos que de tão empobrecidos parecem ainda escravizados. Mas precisam deles, esses tão necessários e, ao mesmo tempo, irrelevantes eleitores.

Na monarquia mantinham seus privilégios e mordomias explorando os pobres, os escravizados e assim podendo comprar sues títulos de nobreza tosca, na República exploram a cada eleição a boa fé e a ingenuidade de muitos eleitores, mas também a malandragem de outros tantos que se acham “espertos” por venderem seus votos por alguns trocados. Maldita Constituição Cidadã! Devem praguejar os nobres candidatos a cada eleição.

O que a CPI revela do nosso presente é o que a novela exemplifica usando o passado. Ser barão, conde ou “baroa” é o mesmo que ser vereador, deputado, senador ou ministro. Usam de forma equivocada um cargo ou título pra camuflar a ignorância, os preconceitos e a falha de caráter, pior ainda, não querem aprender e ter a consciência do que é fazer parte de uma Nação.


Quem é Rosilene Soares da Silva?


Rosilene Soares da Silva é microempresária, formada em comunicação social, com pós-graduação em Relações Internacionais

* As opiniões das colunas são de responsabilidade do autor e não refletem necessariamente a visão do Canal MyNews



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