Arquivos cinema - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/cinema/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Fri, 29 Nov 2024 18:39:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Festival de Brasília do Cinema Brasileiro começa neste sábado (30) https://canalmynews.com.br/noticias/festival-de-brasilia-do-cinema-brasileiro-comeca-neste-sabado-30/ Fri, 29 Nov 2024 18:26:45 +0000 https://localhost:8000/?p=48986 57ª edição do evento contará com filmes selecionados, debates, conferências, apresentações musicais, masterclasses, encontros e premiações

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Começa neste sábado (30) um dos festivais de cinema mais tradicionais do país. O Festival de Brasília do Cinema Brasileiro terá a sua 57º edição, em 59 anos de colaborações à sétima arte brasileira. Trata-se do festival de cinema mais longevo do Brasil. 

Para a edição deste ano, estão previstas apresentações dos filmes selecionados, debates, conferências, masterclasses, apresentações musicais e encontros, além, é claro, das premiações.

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Haverá também sessões especiais, com filmes voltados ao público infantil e, também, obras cinematográficas antigas, algumas delas, restauradas. As amostras serão no Plano Piloto e, também, no Gama, em Planaltina e em Taguatinga, até o dia 7 de dezembro.

Programação, locais de exibição e outras informações sobre a 57ª edição estão disponíveis no site do festival ou nas redes sociais do evento.

O ingresso para a cerimônia de abertura é gratuito, bastando ao interessado retirá-lo presencialmente na bilheteria do Cine Brasília a partir das 14h deste sábado. Cada pessoa pode retirar no máximo dois ingressos. A cerimônia está prevista para começar às 20h.

“Conforme a tradição do Festival de Brasília de manter a sua programação amplamente acessível, praticamente todas as sessões da 57ª edição serão gratuitas”, informam os organizadores.

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As sessões também serão gratuitas em Planaltina, Gama e Taguatinga.

No Cine Brasília só será necessário comprar ingressos para a Mostra Competitiva Nacional – até 4 por pessoa -, que custarão R$ 10 a meia e R$ 20 a inteira.

“A compra e retirada de ingressos deve ser feita de forma presencial, na bilheteria do Cine Brasília, no dia da sessão pretendida, a partir das 14h. Todas as outras exibições têm entrada gratuita, por ordem de chegada e sem retirada de ingressos”, explicam os organizadores.

Abertura

Durante a abertura do festival serão feitas reverências à grande homenageada desta edição, a atriz Zezé Motta, de 80 anos de idade. Ela receberá o primeiro Troféu Candango do 57º Festival de Brasília em celebração ao conjunto de sua obra, composta por 55 filmes e mais de 50 produções para TV, além de 14 álbuns lançados.

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Na edição de 1975 do festival, a atriz recebeu o Candango de Melhor Atriz pela atuação no filme Xica da Silva, de Cacá Diegues, motivo pelo qual o filme integra a programação da atual edição.

Será também homenageado o documentarista Delvair Montagner, que receberá, da Associação Brasiliense de Cinema e Vídeo, um prêmio em reconhecimento ao seu trabalho. Já o prêmio Leila Diniz será concedido à produtora Sara Silveira, pela “extensa trajetória na produção que marcou o cinema brasileiro para sempre”.

Será também homenageado o professor, curador, autor e organizador de publicações João Luiz Vieira, que receberá a Medalha Paulo Emílio Salles Gomes por sua dedicação à pesquisa, preservação e pensamento do cinema nacional.

Debates

É também tradição do Festival de Brasília debates sobre filmes assistidos. A ideia é a de provocar reflexões para os paradigmas da sociedade contemporânea. Esses debates, gratuitos e abertos ao público, serão, em geral, nas próprias salas de exibição, exceto a do filme de abertura e da Mostra Competitiva Nacional, que serão no Hotel Grand Mercure, no Eixo Monumental.

Os debates da mostra competitiva serão transmitidos no canal do festival no YouTube . Serão, ao todo, 27 debates, todos conduzidos por mediadores.

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Nesta edição ocorrerá também a 4ª Conferência Audiovisual, um espaço para debates e proposições com o tema Soberania do Audiovisual Brasileiro em 2024.

O ambiente de mercado será abordado também nas masterclasses do festival, a serem ministradas gratuitamente pelas cineastas Rita von Hunty e Petra Costa, no Cine Brasília, nos dias 1º e 3 de dezembro, respectivamente. Será um espaço destinado a “aprendizado, trocas e debates essenciais para que o público afie o pensamento crítico e mergulhe nas narrativas e estéticas do nosso audiovisual”. A entrada é por ordem de chegada, respeitando a lotação da sala.

Segundo os organizadores, os números do 57º Festival de Brasília demonstram o bom momento do cinema brasileiro. Com 264 projetos inscritos, 102 deles foram selecionados para participar de 179 reuniões exclusivas com os 19 players convidados.

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Morre o cineasta Vladimir Carvalho, aos 89 anos, em Brasília https://canalmynews.com.br/noticias/morre-o-cineasta-vladimir-carvalho-aos-89-anos/ Thu, 24 Oct 2024 19:57:38 +0000 https://localhost:8000/?p=47917 Documentarista e professor referência do cinema brasileiro faleceu em decorrência de um infarto; velório será realizado nesta sexta-feira (25), no Cine Brasília

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O cinema nacional perde nesta quinta-feira (24) uma das suas principais referências. O cineasta e professor Vladimir Carvalho faleceu aos 89 anos, em decorrência de um infarto e problemas renais. O velório ocorrerá nesta sexta-feira (25), das 09h30 às 13h30, no Cine Brasília, e, em seguida, às 14h30, o cineasta será sepultado no Jazigo dos Pioneiros no Cemitério Campo da Esperança, em Brasília.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, decretou luto oficial de três dias. “Referência do cinema brasileiro, o professor Vladimir Carvalho dedicou sua arte para denunciar injustiças e dar voz aos desassistidos numa época de censura e de perseguição política. Contribuiu para mudar a linguagem cinematográfica brasileira, formou uma geração de aguerridos cineastas, levou e enobreceu o nome de Brasília no cenário cultural internacional”, afirmou o governador, por meio das redes sociais.

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A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) também se manifestou pelas redes e lembrou do legado deixado por Vladimir. “Perda irreparável. Vladimir Carvalho foi um mestre. Depois de tanto nos encantar com sua extensa obra, ele que se encantou hoje, mas seguirá eterno. Deixa grande legado na história do cinema brasileiro e um grande amor por Brasília”, ressaltou a parlamentar.

O cineasta Josias Teófilo também prestou homenagens ao cineasta: “Vladimir fez tantos documentários relevantes sobre a cultura brasileira, retratou Cícero Dias, José Lins do Rego. Ele estava no júri que premiou O Jardim das Aflições no Cine PE, o que é um dos meus maiores orgulhos. Vá em paz, amigo.”

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Paraibano, Vladimir Carvalho morou em Salvador antes de de mudar-se para Brasília e conhecer Glauber Rocha. Integrou o movimento do cinema novo e foi um dos primeiro professores da Universidade de Brasília.

Entre suas principais produções estão O País de São Saruê, O Itinerário de Niemeyer, José Lins do Rego, O Evangelho Segundo Teotônio, Barra 68 e Conterrâneos Velhos de Guerra.

Em 2015, Vladimir Carvalho foi homenageado na abertura do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, no Cine Brasília. Na ocasião, ele declarou todo o amor à capital e ao cinema: “Desembarquei em Brasília em 1964, entrei por essa porta [do Cine Brasília] com meu filme, e isso resultou numa aventura de 45 anos. Vim para ficar dois meses, e já estou há 45 anos. Não dá pra ficar aqui com hipocrisia, com falsa modéstia. Digo com toda sinceridade, sem pudor, e com humildade: eu mereço, Brasília! Obrigado!”

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Malandragem argentina como arte https://canalmynews.com.br/coluna-da-sylvia/malandragem-argentina-como-arte/ Thu, 29 Feb 2024 19:12:39 +0000 https://localhost:8000/?p=42542 "Nove Rainhas", que projetou o novo cinema argentino em 2000, ganha versão remasterizada e comemorativa, revelando muito da Argentina contemporânea

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Em primeiro lugar, é preciso dizer que “Nove Rainhas”, filme argentino de 2000 que inaugurou a chamada nova onda do cinema argentino, continua tão divertido como naquela época. A história de dois trambiqueiros que vivem de golpe em golpe nas ruas de Buenos Aires continua revelando muito da cultura, do idioma e dos costumes portenhos. A obra reestreou na Argentina agora, 24 anos depois, remasterizada e visualmente mais atraente, ainda que a trama ainda seja o melhor de tudo. 

“Nove Rainhas” foi dirigida por Fabián Bielinsky, então promissor nome entre os novos cineastas argentinos, que morreu de um infarto num hotel de São Paulo, em 2006. 

É estrelada por Ricardo Darín (Marcos) e Gastón Pauls (Juan). Antes que alguém diga “mas outra com o Darín?”, vale o aviso, este é o primeiro filme que o catapultou para o êxito retumbante que o ator possui ainda hoje.

A trama gira em torno de uma espécie de disputa entre Marcos e Juan para ver qual dos dois tem mais habilidade em truques para enganar vendedoras de quiosques, idosas que vivem sozinhas e garçons de cafés. 

A coisa se complica quando ambos se propõem a um salto maior, tentar vender a um espanhol milionário uma versão falsificada de uma coleção de selos raríssima.

Vários personagens se metem na história desde a bela Valéria (Letícia Brédice), irmã de Marcos, a falsificadores, colecionadores e vários tipos de vigaristas. 

O que ninguém espera, e que não seria um spoiler para um filme de mais de 20 anos, é que há um plot twist e se revela, ao final, um grande golpe de um dos trambiqueiros contra o outro. 

Mas, o que mais podemos interpretar a partir do filme? Uma das leituras possíveis é de que os argentinos estão acostumados a qualquer tipo de ginástica ou de truque para viver em uma crise financeira e também que estas sempre estão presentes na história recente do país. 

Outra, que Buenos Aires é uma cidade tão viva que se torna um palco por si só para diversas histórias. Mais de 90% da película ocorre na rua. 

Em terceiro lugar, que o inesperado sempre pode piorar algo que vai mal. Por exemplo, quando Marcos vai ao banco com um cheque na mão para sacar uma pequena fortuna vinda de um golpe, já começam a se fazer visíveis o que seria a crise de 2001. 

Dezenas de clientes impedidos de entrar, os bancos já fechavam suas portas, a paridade 1 dólar para 1 peso diluiu-se rapidamente rapidamente, decisão de políticos frágeis, como Fernando De La Rúa. Todos querem, e não podem, tirar dólares de suas contas, por conta do “corralito”, enquanto os bancos e suas portas de vidro eram ameaçados por hordas inconformadas em não ter acesso à moeda estrangeira em suas contas-corrente. Moeda esta que, desde há muito, reina na Argentina e leva a alguns políticos, até hoje, a enfeitiçar os argentinos com a ideia de que a dolarização é a única solução para a crise argentina.

Por fim, a inevitável visão de que, por aqui, tudo parece ser cíclico. As preocupações, os problemas, as angústias dos argentinos nas vésperas do “estallido” do ano 2001 não se diferenciam muito das de hoje. 

Neste sentido, “Nove Rainhas”, além de entretenimento, é também educativo sobre o país vizinho ao Brasil. 

Não há previsão da estréia remasterizada fora daqui, mas a versão tradicional, disponível em plataformas de “streaming” no Brasil, serve perfeitamente para esta leitura distanciada no tempo e muito mais esclarecedora hoje do que era no ano 2000.  

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Saiba quem foi Giordano Bruno https://canalmynews.com.br/maria-aparecida-de-aquino/giordano-bruno/ Mon, 14 Nov 2022 22:14:43 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=34648 "Nossa indignação deve ser a mesma que a de Giordano Bruno frente à traição de que foi vítima"

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Giordano Bruno (1548-1600), frade dominicano italiano, foi um filósofo, teólogo, matemático, poeta e escritor. Nasceu em Nola (Nápoles) e morreu em Roma, na fogueira, condenado pela Inquisição do Santo Ofício, julgado por heresia. Acreditava que as estrelas eram sóis que possuiriam seus próprios planetas, nos quais também poderia haver vida. Para ele, o universo era infinito, portanto, não se justificava a ideia da existência de um centro.

Pensando em Giordano Bruno recordo um belíssimo filme que leva seu nome, datado de 1973, dirigido pelo laureado cineasta Giuliano Montaldo (1930 – …). Foi assistente de direção de Gillo
Pontecorvo em A Batalha de Argel (1961) e dirigiu, dentre outros, Os Intocáveis (1968) e Sacco e Vanzetti (1971), ambos de Montaldo. Giordano Bruno faz parte da fase brilhante do cinema italiano entre os anos de 1960 e 1970.

O filme foi estrelado pelo magnífico ator Gian Maria Volonté, que vive o frade Giordano Bruno. Volonté (1933-1994) participou de grandes filmes como: Investigação sobre um cidadão acima de
qualquer suspeita (Elio Petri – 1970), A classe operária vai ao paraíso (Elio Petri – 1971) e o já citado Sacco e Vanzetti. Além de ator foi um ativista político pró-comunismo e, durante muitos anos, foi casado com a conhecida atriz italiana Carla Gravina. Dentre muitos prêmios, em 1987, ganhou o Urso de Prata pela atuação no filme O caso Moro, também conhecido no Brasil. Morreu de ataque cardíaco, filmando na Grécia, sob a direção de Theo Angelopoulos (Alexandre, o Grande – 1980; Paisagem na Neblina -1988).

Na época assisti a muitos desses filmes, hoje clássicos, embora em 1973, tenha ocorrido a retirada de cartaz de muitos filmes pela censura férrea da Ditadura Militar brasileira, como A classe
operária vai ao paraíso e Sacco e Vanzetti.

Quando assisti Giordano Bruno me impactou, particularmente, uma frase do filósofo: Que ingenuidade, pedir a quem tem poder para mudar o poder. Como Bruno constava da lista de
procurados pela Inquisição havia se refugiado em Frankfurt. Entretanto, atende ao pedido de Giovanni Mocenigo de uma ilustre família veneziana para acompanhá-lo a pretexto de lhe ensinar a arte de desenvolver a memória. Veneza era conhecida por proteger foragidos e Bruno acede ao convite. Logo percebe que Mocenigo tinha péssimas intenções de utilizar as artes de Giordano para obter mais poder.

Assim, o filósofo se nega a ensiná-lo. Manifesta o desejo de retornar a Frankfurt e o nobre o denunciou à Inquisição. Foi preso e acusado de heresia. Teve a oportunidade de negar – abjurar – mas não o fez sendo condenado à morte, pronunciando a célebre frase aos seus algozes: Talvez sintam maior temor ao pronunciar esta sentença do que eu a ouvi-la.

Esta longa introdução leva às nossas preocupações atuais. Parafraseando Bruno, não podemos ser ingênuos em relação ao presente. Por alguns momentos acreditou-se que o presidente de plantão, escondido no seu silêncio, após a derrota nas urnas, fosse, finalmente, reconhecê-la. Não só não o fez como seus comandados espalharam a sublevação pelo país, buscando concretizar um golpe longamente acalentado.

Nossa indignação deve ser a mesma que a de Giordano Bruno frente à traição de que foi vítima: Que ingenuidade, pedir a quem tem poder para mudar o poder. Como imaginar grandeza em quem
não a tem? O presidente e seu entorno são seres humanos – se é que se pode denominá-los assim – diminutos, em termos de caráter. Portanto, deles só se pode acreditar na promoção da iniquidade de que são dotados.

Entretanto, sua derrota foi inequívoca. A nós compete garantir a consagração da democracia da vitória nas urnas e a posse do governo, legitimamente, eleito pela vontade popular.

*Maria Aparecida de Aquino é Profa. Dra. do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciência Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Tem mestrado e doutorado pela FFLCH/USP; Pós-doutorado pela UFSCar. É especialista em estudos sobre a Ditadura Militar brasileira (1964-1985).

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Mães paralelas, um filme de Almodóvar https://canalmynews.com.br/maria-aparecida-de-aquino/mae-paralelas-um-filme-de-almodovar/ Wed, 23 Feb 2022 21:58:13 +0000 https://canalmynews.com.br/?p=24469 No novo longa de Pedro Almodóvar, indicado ao Oscar de melhor atriz com Penélope Cruz, a história gira em torno da maternidade. Mais uma vez com maestria, o cineasta espanhol traz a figura feminina ao protagonismo.

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Mães Paralelas: Sou cinéfila de “carteirinha” e, como tal, gosto e assisto aos filmes de Almodóvar. O mínimo que se poderia dizer dele é que é muito diferente de tudo que você já viu. Como muitos cineastas, ele sempre busca suas histórias na sua bagagem pessoal de vida. Mas, e aí a diferença se instaura, seus personagens centrais são mulheres que, obviamente, se relacionam com as mulheres que fizeram parte de sua vida. É sempre um pouco autobiográfico. É claro que essas mulheres se relacionam com outras mulheres e homens. Porém, sem deixar o protagonismo que a elas pertence. Só isso valeria uma visita a sua prolífica filmografia.

Por vezes seu registro resvala em questões inusitadas como no difícil “A pele que habito” (2011, com os gigantes Marisa Paredes e Antonio Banderas). Mas, talvez, ao que o público tenha mais se acostumado, seja com um de seus primeiros filmes “Mulheres à beira de um ataque de nervos” (1988, com a magnífica Carmen Maura). No novo filme de Almodóvar, “Mães Paralelas” (2021. com a excelente atriz Penelope Cruz) e em “Mulheres à beira de um ataque de nervos”, temos como pontos em comum, além do protagonismo feminino, a questão da gravidez das personagens, não muito assimiladas por seus parceiros.

Este problema que não é menor, aponta para uma temática que nos coloca brutalmente frente à diversidade contemporânea entre o mundo feminino e o masculino. A educação ocidental nos faz crer que o “homem é a cabeça” da relação.

A maior influência dessa crença vem das palavras do Apóstolo Paulo (5 d.C – 67 d.C). Dele são as frases: “…Cristo é a cabeça de todo homem; e o homem é a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo”. Foi uma das maiores bases para a divulgação entre nós dessa crença.

Assim, os homens – até pouco tempo – pensavam poder dominar tudo o mais na vida das mulheres. Eles (homens) acreditavam piamente poder dar as cartas em tudo que dizia respeito às suas companheiras, inclusive na questão da maternidade que é um atributo muito mais feminino do que masculino.

Protagonistas do filme, Janis (Penélope Cruz) e Ana (Milena Smit). Foto: El Deseo/Iglesias Mas (Divulgação)

Os homens não estão preparados – salvo honrosas exceções – para a nova mulher que tem espaço no mundo do trabalho e é independente, inclusive para dispor de seu próprio corpo e experimentar as chamadas “produções independentes” em que assumem a gravidez, o parto, a criação da prole, sozinhas, quase sempre, sem o concurso dos “príncipes consortes”.

E assim se dá em “Mães Paralelas” onde Penélope Cruz, uma bem-sucedida fotógrafa independente, leva sozinha sua gravidez, o parto e a criação de sua bebê.

Acabei selecionando somente as partes que gostaria de destacar, mas o incrível filme de Almodóvar, ainda reserva muitas reviravoltas de tirar o fôlego, o que é o convite renovado para assistir ao filme desse cineasta genial e que sempre nos coloca frente ao inesperado.

Longa e produtiva vida a um de nossos mais originais cineastas! Viva Almodóvar!


Quem é Maria Aparecia de Aquino?

Professora do Departamento de História da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH/USP). Especialista em estudos sobre a ditadura militar brasileira (1964-1985).

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O cinema, a política e a morte https://canalmynews.com.br/creomar-de-souza/o-cinema-a-politica-e-a-morte/ Thu, 05 Aug 2021 12:14:18 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/o-cinema-a-politica-e-a-morte/ Em momento que as atenções se dividem entre o incêndio na Cinemateca e a incandescente troca de farpas entre Bolsonaro e Barroso, vale refletir sobre as similitudes entre o clássico “O Sétimo Selo” e aspectos da ainda atual realidade pandêmica no Brasil

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A sétima arte oferece instrumentos singulares de interpretação dos desafios da existência humana. Vários são os filmes que ao longo do tempo foram percebidos como experiências inequívocas de interpretação de dilemas dos mais diferentes matizes. Dentre estes, chama atenção o clássico “O Sétimo Selo”, do magistral Ingmar Bergman. Nesta obra, derivada de uma peça teatral bastante consagrada, vemos a jornada de dois homens, o cavaleiro Antonius Block e seu escudeiro, Jons.

Ao retornarem para casa após a participação em uma das Cruzadas, os protagonistas são surpreendidos por uma Europa devastada pela Peste Bubônica. A estupefação diante do fato de que a morte os persegue, dá espaço para o vislumbre das formas distintas com que cada um deles enxerga suas existências e o possível final de jornada na Terra. Aqui, ressaltam-se dois elementos importantes de contraste. Enquanto Jons tem um olhar cético sobre a vida e o pós-vida, encarando-a apenas como um vazio que decorre do sofrimento encarnado, Block é atormentado pelas incertezas de suas escolhas e de um certo desespero contido no fato de que o único ente sobrenatural que se manifesta para si é a morte.

Clássica cena representativa da obra 'O Sétimo Selo' (1957), do diretor sueco Ingmar Bergman.
Clássica cena representativa da obra ‘O Sétimo Selo’ (1957), do diretor sueco Ingmar Bergman. Foto: Reprodução (Redes)

Diante de todo o poder e majestade com que um cavaleiro é criado, Block assume uma atitude de aferrar-se à vida com unhas e dentes. Esta posição, manifesta na partida de xadrez entre o Cavaleiro e a Morte, não deixa de demonstrar uma certa covardia diante do futuro. O desalento que caracteriza Jons é uma demonstração do estado de desamparo em que o subordinado se sente diante da realidade. Traçando um paralelo com o país que vivemos, é possível dizer que uma parte considerável da sociedade, principalmente os mais pobres, sente-se conformada e desamparada diante da morte que se tornou uma variável cada dia mais forte no cotidiano nacional.

O Brasil mata muito e a mãe gentil dos filhos deste solo é pródiga em prover meios para que seus frutos possam viver em prosperidade. A percepção desta prodigalidade em momento de tempestade perfeita, tem transformado o cidadão médio brasileiro em uma caricatura mixada de Antonius e Jons. Pois, ao mesmo tempo que busca apoio do Leviatã diante das monstruosidades representadas pela pandemia, a fome e o desemprego, internaliza que este não se preocupa com nada que não sejam seus próprios interesses.

Neste aspecto, não deixa de ser interessante observar os últimos desdobramentos da cena política. Ao mesmo tempo em que se desenvolve a passos largos uma série de elementos críticos para o futuro da República e da democracia nacional, questões prioritárias são postas em segundo plano, tais como o aceleramento da vacinação, a criação de uma lógica de doses de reforço contra a covid-19 e a retomada econômica. Com o debate público permeado por enorme confusão, resta aos cidadãos apelarem a si mesmos e rogarem ao universo a melhoria de seus destinos.

Diante da inércia da tomada de decisão em focar suas energias no principal, percebe-se uma enorme dificuldade destes de compreender os desafios que a realidade impõe para milhões que estão neste exato momento sendo vitimados por fome, desemprego, ou pela pandemia. Cabe ressaltar que este imobilismo é fruto do choque de vaidades de homens preocupados em jogar xadrez com a morte alheia e a tempestade perfeita em que estamos inseridos resguarda um futuro sombrio. A incapacidade dos cavaleiros da pós-modernidade, investidos de poderes políticos, de compreender o verdadeiro sentido de sua missão, é, portanto, prenúncio do aprofundamento de uma tragédia que se consolida a cada dia.

A partida de xadrez sem fim que este país joga com a morte, cujo diagnóstico até aqui soma mais de 550 mil derrotas para cada um de nós, é o sinal de que é necessário iniciarmos agora aquilo que desejamos. Caso contrário, o resultado de nossos esforços será, em futuro próximo, apenas aquele de tentar cobrir nossos rostos da vergonha de termos falhado não apenas com aqueles que se foram de maneira fútil, mas, sobretudo, com aqueles que sobreviveram à covid-19, mas foram consumidos pela sua onda de choque.


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Incêndio na Cinemateca Brasileira revela descaso com acervo cultural do país https://canalmynews.com.br/mais/incendio-cinemateca-brasileira-descaso-acervo-cultural/ Fri, 30 Jul 2021 21:02:12 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/incendio-cinemateca-brasileira-descaso-acervo-cultural/ Cinemateca Brasileira está fechada há mais de um ano e acervo está sem manutenção. Ainda não é possível dizer o que foi perdido no incêndio

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O incêndio que atingiu o galpão da Cinemateca Brasileira na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, nesta quinta-feira (29), está destruindo parte do acervo e documentos em papel da entidade. Se ainda não é possível dizer exatamente o quanto da história do cinema brasileiro foi perdida, pode-se dizer, entretanto, que essa era uma tragédia anunciada – já que a Cinemateca está fechada desde julho do ano passado e o acervo está sem manutenção adequada desde então.

O contrato de gestão com a Organização Social (OS) Associação Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) terminou em 31 de dezembro de 2019 e apesar de promessa do governo federal de abrir uma nova licitação, esta não aconteceu até o momento.

Incêndio no galpão da Cinemateca Brasileira/Foto: Reprodução Redes Sociais
Incêndio atingiu galpão da Cinemateca Brasileira, na Vila Leopoldina, nesta quinta-feira (29)/Foto: Reprodução Redes Sociais/@abpreservacaoaudiovisual

Luciana Correia Araújo, professora do Curso de Imagem e Som da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e que já trabalhou na cinemateca, explica que no galpão do incêndio desta quinta estariam filmes da Escola de Comunicação e Artes da USP e curtas-metragens das décadas de 1920 e 1940, além de documentos da antiga Empresa Brasileira de Filmes S.A. (Embrafilme) e do Conselho Nacional de Cinema (Concine).

“Se isso tiver se perdido é um desastre. É um material muito importante para se fazer pesquisa sobre a produção e a distribuição do cinema brasileiro. É uma mistura de tristeza e revolta. Já vai fazer um ano que não tem nenhum trabalhador especializado atuando na cinemateca, cuidando do acervo, que precisa ser constantemente revisado e monitorado”, explica a professora.

Segundo Luciana, as pessoas que trabalhavam no arquivo tinham uma rotina diária de controle de umidade e temperatura, com conferência de muitos detalhes que garantem a conservação do acervo. Ela lembra que em fevereiro de 2020 houve uma inundação nesse mesmo galpão que pegou fogo hoje e até agora não se sabe oficialmente o que foi perdido ou danificado nessa ocasião.

Em entrevista por telefone ao site do Canal MyNews, a professora titular do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP) e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual (Socine), Maria Dora Mourão, lamentou mais um incêndio “com perda de memória para a cultura brasileira”.

“É uma perda bastante importante. O galpão da Cinemateca é praticamente um anexo da Cinemateca. A maioria do acervo está na Vila Mariana. Nesse galpão tem muita documentação, cópias de filmes e materiais importantes. Ainda não dá pra saber exatamente o que tinha porque há muito tempo que não estamos acompanhando o dia a dia da Cinemateca. São materiais importantes, uma perda enorme, porque mesmo que só tivessem cópias de filmes, para fazer cópias são necessários recursos e, em muitos casos, as cópias estavam com melhor conservação do que os originais. É uma dor muito grande”, lamentou a pesquisadora, ressaltando que há um ano tenta-se resolver a questão do fechamento da entidade.

Maria Dora Mourão ressalta que o descaso com a cultura não é algo recente e que a cinemateca vem enfrentando problemas desde 2013. “Acho que não se dá tanta importância à cultura. Começou há vários anos e as coisas vão sendo feitas sem nenhuma política pública adequada e com continuidade. Esse é o grande problema, a não continuidade, e a cultura se ressente demais”, ressaltou a professora, que integra a Sociedade Amigos da Cinemateca – um dos movimentos organizados para encontrar uma solução para a reabertura da entidade.

Material sensível e que precisa de conservação especial

Professor do curso de Cinema da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o pesquisador Rodrigo Carreiro destaca que o acervo da Cinemateca demanda cuidados e conservação especiais – por ser altamente inflamável – e que o incêndio de hoje, infelizmente, era previsível. “Infelizmente, previsível, porque o acervo estava sem manutenção e ninguém sabia o que estava acontecendo lá dentro. Os rolos de filme são de celuloide, um material muito inflamável, e quando não tem manutenção, ele vai avinagrando. É uma situação que favorece esse tipo de ocorrência. É uma tragédia para a memória do cinema brasileiro”, ressaltou o pesquisador.

Ex-coordenador do Cinema da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), no Recife, o jornalista e crítico cultural Luiz Joaquim lamenta o abandono do acervo audiovisual e da história cultural brasileira. “É triste, mas quem é da área sabe que era uma questão de tempo. Que sirva como um alerta. Quem é da área está revoltado e incrédulo com o descaso e sabedor de que essa desgraça iria acontecer”, lamenta Luiz Joaquim, ressaltando que a Cinemateca tem um acervo reconhecido mundialmente e que diversas entidades se pronunciaram a respeito da situação que a entidade vem enfrentando há mais de um ano.

Situação da Cinemateca Brasileira vinha sendo denunciada há mais de um ano

Criada em 1940, a Cinemateca Brasileira é considerada o maior acervo de imagens em movimento da América do Sul, com mais de 200 mil rolos de filmes, entre outros itens e documentos da história da produção audiovisual brasileira.

Depois que o contrato de gestão com a Acerp foi encerrado, os cerca de 150 funcionários da entidade passaram vários meses sem receber salários, até que a Cinemateca Brasileira foi fechada – situação na qual se encontra desde a segunda metade de 2020. O Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) chegou a entrar com uma ação judicial contra o abandono da Cinemateca, alegando diversos problemas, como risco de incêndio, atraso no pagamento de contas e salários e falta de manutenção do acervo.

No início do mês de julho, na abertura do Festival de Cannes de 2021, o cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho, membro do júri do festival, denunciou durante a entrevista coletiva oficial do evento a situação da cinemateca: “(A cinemateca) está fechada há cerca de um ano; 95 mil títulos, 230 mil rolos de filmes e fitas de televisão, todos os técnicos e peritos foram demitidos. Essa é uma demonstração muito clara de desprezo pela cultura e pelo cinema. Alguns dos meus amigos estrangeiros perguntam: ‘o que podemos fazer’? Eu respondo: fale sobre isso, discuta, escreva sobre isso”, destacou.


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Governo ataca a cultura por “questão ideológica”, diz Laís Bodansky https://canalmynews.com.br/mais/governo-ataca-a-cultura-por-questao-ideologica-diz-lais-bodansky/ Fri, 04 Jun 2021 17:33:11 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/governo-ataca-a-cultura-por-questao-ideologica-diz-lais-bodansky/ Cineasta diz que Cinemateca está abandonada e pode perder seu acervo: “É uma tragédia não só no audiovisual”

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Laís Bodansky analisa o que vem acontecendo na Agência Nacional de Cinema (Ancine) como uma grande crise. A cineasta e ex-presidente da SPCine falou ao MyNews e comentou a atual situação do setor audiovisual no Brasil. Ela também falou do seu novo longa metragem, “Pedro”, que está em finalização.

“Antes da pandemia, todo o setor audiovisual, como todos os setores da cultura, e aí eu digo até mais, toda área de educação, toda área de ciências, vem sendo atacada de forma absurda por este governo e por uma questão ideológica, o que é uma pena, porque o setor audiovisual representa uma parcela importante do PIB brasileiro, ou seja, uma parcela importante de empregos, além justamente da gente nos reconhecer enquanto sociedade, enquanto expressão cultural. Toda a sociedade tem as suas características, é importante que a gente se veja, se olhe no espelho e que a gente se reconheça”, argumenta a cineasta.

A ex-presidente da SPCine relata que a Cinemateca, por exemplo, está abandonada. Que ali, onde está armazenado todo o acervo da TV Tupi, o acervo do Canal 100 e que precisa de tratamento específico, ar-condicionado em temperatura correta para manter as películas que ainda não foram digitalizadas. Esse material estaria se perdendo com a falta de interesse do Governo Federal em preservá-lo. “É uma tragédia não só no audiovisual”.

Bodansky está finalizando seu próximo longa metragem, o filme “Pedro”, que conta a história de Dom Pedro I, quando o país está em uma crise política e ele resolve voltar para Portugal para se resolver com seu irmão, Miguel. O filme que teve suas filmagens feitas antes da pandemia, tem Cauã Reymond como ator principal.

“Foi uma filmagem bem complexa, uma coprodução Brasil e Portugal. Filmamos em alto mar, a história de Dom Pedro I quando ele parte do Brasil e retorna para Europa, a história da viagem dele nessa fragata, uma fragata Inglesa, então nós filmamos uma parte em alto-mar, com parceria com a tripulação do Cisne Branco da Marinha Brasileira e outra parte no estúdio”, conta cineasta.

Um dos seus filmes mais conhecidos, o “Bicho de Sete Cabeças”, completou 20 anos de lançamento nesse ano. Bodansky destaca que a obra segue relevante e atual.

“Olha, a gente ainda tá no processo de comemoração, na verdade eu chamo mais de reflexão, porque Bicho de Sete Cabeças é um filme que nasceu já com o projeto engajado, um filme denúncia, para falar sobre a questão da saúde mental no Brasil. Fizemos esse evento de comemoração dos 20 anos, foi muito emocionante com a participação do Rodrigo Santoro, do Gero Camilo, dos produtores e também de militantes do movimento antimanicomial. Infelizmente, nesse momento a gente tem um governo que não valoriza as questões humanitárias, os Direitos Humanos, não valorizam a ciência, a questão da saúde mental no Brasil hoje, infelizmente, continua com uma fotografia muito parecida com a de 20 anos atrás”, relata a cineasta.

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Malta: uma ilha de cinema! https://canalmynews.com.br/gabriela-lisboa/malta-uma-ilha-de-cinema/ Sat, 06 Feb 2021 20:01:50 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/malta-uma-ilha-de-cinema/ Arquipélago no Mediterrâneo já foi cenário para mais de uma centena de filmes e séries

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Eu adoro cinema! E quem não gosta? Imagine, então, a minha surpresa quando cheguei em Malta e descobri que a dona da casa onde eu iria me hospedar tinha sido figurinista de Gladiador, Tróia e outros 22 filmes e séries entre 1972 e 2014.

Dona Yvonne Cousin é uma viúva de 81 anos e tem um álbum de fotografias de dar inveja. No primeiro dia ela me mostrou fotos com Joaquin Phoenix, Angelina Jolie e dezenas de astros. Foi só aí que eu descobri que a ilha já foi cenário para mais de 100 filmes e séries!

Muita gente com quem eu converso nunca ouviu falar sobre Malta, então me deixa falar um pouco sobre esse pequeno paraíso antes de falar de cinema… Malta é uma ilha, na verdade um arquipélago, bem pequena, pouco mais de 300km² e com 400 mil habitantes. Hoje é um país independente, parte da União Europeia, mas foi colônia britânica até 1964. Por isso, o inglês é a língua oficial, junto com o maltês.

Vista da capital Valeta, a partir da vila Sliema, na costa leste da ilha mediterrânica.
Vista da capital Valeta, a partir da vila Sliema, na costa leste da ilha mediterrânica. Foto: J. Victor (Flickr – Domínio Público).

Em mais de 7 mil anos de história, a ilha foi dominada por diferentes povos: fenícios, árabes, romanos, franceses, espanhóis e, claro, britânicos, entre outros.  Por todos os lados existem construções e ruínas de todas essas culturas, prato cheio para quem procura cenários de época, isso sem contar nas praias… Acho que dizer que são cinematográficas é uma pieguice permitida!

As principais praias já foram bem exploradas pelo cinema. Quem não se lembra do filme A Lagoa Azul, clássico dos anos 80? Pois bem, algumas cenas foram gravadas na Blue Lagoon, em Comino, uma ilha que faz parte do arquipélago. Acredite: a água é exatamente como aparece no filme, transparente, com areia branca, um sonho! Para chegar lá você só precisa pegar o ferry no porto de Cirkewwa. Dá uns 30 minutos de viagem e o meu conselho é chegar cedo. A praia fica lotada perto do meio-dia. Eu peguei o primeiro ferry, às 9 horas no verão, e fiquei praticamente sozinha lá a manhã toda. Comino também foi cenário de outro filme: O Conde de Monte Cristo, de 2002. A bastilha onde o conde ficou preso continua lá.

Voltando a falar em dona Yvonne, uma das figuras recorrentes no álbum de fotografias é Brad Pitt, que esteve por lá em 2004 para gravar Tróia. O cenário foi o Fort Ricasoli, um complexo militar do século 17. Muitas construções na região são até mais antigas que Tróia, mas a produção achou melhor construir uma cidade cenográfica em uma área de 40.500m² dentro do forte.  Esse forte é quase um vilarejo e quem também apareceu por lá foi Rusell Crowe, no ano 2000, para gravar cenas do Gladiador.

Brad Pitt ainda voltou à Malta – e encontrou D. Yvonne – para gravar Guerra Mundial Z e À Beira Mar, filme dirigido pela então esposa Angelina Jolie, em que os dois fazem o papel de um casal em crise. Durante as filmagens, a família toda ficou na ilha de Gozo, em uma casa de pedra alugada perto das 3 locações: um restaurante, um hotel e uma praia chamada Mgarr ix-Xinin Bay. Inclusive, essa praia foi fechada para as gravações. Gozo é uma ilha menor do que Malta, mas maior do que a vizinha Comino – as duas são bem próximas e você chega em Gozo do mesmo jeito que chega em Comino.

Se você perguntar para D. Yvonne qual é o filme em que ela mais gostou de trabalhar, ela nem pisca antes de responder, é O Expresso da Meia-noite, de 1978. E ainda conta, toda orgulhosa, que ficou amiga do diretor, Alan Parker. E isso é verdade, ele esteve na ilha durante minha viagem para um festival de cinema e ficou feliz em reencontrá-la.

Yvonne Cousin ao lado do cineasta Alan Parker.
Yvonne Cousin ao lado do cineasta Alan Parker. Foto: Reprodução (Redes Sociais).

Provavelmente você não lembre, mas em 1979 uma jovem promessa chamada Robin Williams gravou seu primeiro longa metragem, Popeye. E adivinha onde foi construída a pequena cidade em que os personagens viviam? Exatamente, em Malta. A Popeye Village ainda existe. Os próprios moradores assumiram a conservação das casinhas coloridas feitas em madeira, uma vila de pescadores que virou um parque aquático com entrada gratuita. E você ainda pode encontrar os personagens da turma do Popeye e assistir filmes e desenhos animados. Tem até um documentário que conta como o lugar foi construído.  O interessante é que a ilha não tem madeira, o material foi importado e tudo foi feito em 6 meses. A vila só não abre no inverno, no mês de dezembro. O filme não foi um sucesso, mas a vila merece uma visita.

Malta foi cenário para muitas outras produções, como o Código Da Vinci, Fúria de Titãs e The Crown. Mas os lugares que eu mais gostei de ver foram os que serviram de cenário para Game of Thrones. Dá pra se sentir uma Stark andando pelas ruas estreitas da cidade medieval Mdina, a antiga capital da ilha. A emoção já começa no portão da cidade, cenário de Porto Real. Do lado de dentro você ainda vai encontrar uma casa bem familiar… É o bordel do Lord Baelish, que fica na Piazza Mesquita. Mdina parou no tempo. A cidade, que tem o melhor bolo de chocolate da ilha, é chamada de cidade silenciosa, e é silenciosa mesmo! Tive a impressão que todo mundo sussurra por lá. Eu fui à tarde e fiquei até a noite, quando a iluminação dá um charme especial às casas de pedra. Se você pretende jantar por lá, prepare-se! Os restaurantes são ótimos, mas caros.

A produção de GOT também usou o Fort Ricasolli e o Convento Dominicano. Mas a locação mais bonita, sem dúvidas, é a Azure Window, que fica em Gozo. Lá foi gravado o casamento de Daenerys Targaryen e Khal Drogo. A má notícia é que a rocha de 50 metros em forma de arco, uma janela para o mar, entrou em colapso e desabou em 2017. Mesmo assim, ainda vale a visita, apesar da água ser absurdamente gelada.

E se você ainda tiver tempo, pode tentar descobrir onde foram gravados tantos outros filmes nessa pequena ilha. Ou simplesmente escolha uma praia para relaxar antes do jantar típico maltês: coelho com vinho branco produzido na região.

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