Arquivos Davati Medical Supply - Canal MyNews – Jornalismo Independente https://canalmynews.com.br/tag/davati-medical-supply/ Nosso papel como veículo de jornalismo é ampliar o debate, dar contexto e informação de qualidade para você tomar sempre a melhor decisão. MyNews, jornalismo independente. Mon, 02 Aug 2021 14:44:44 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Dono da Davati diz que foi enganado por brasileiros https://canalmynews.com.br/politica/dono-da-davati-diz-que-foi-enganado-por-brasileiros/ Mon, 02 Aug 2021 14:44:44 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/dono-da-davati-diz-que-foi-enganado-por-brasileiros/ Herman Cardenas afirmou que representante comercial da empresa utilizou foto antiga para fingir proximidade com o Bolsonaro

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Em entrevista ao programa Fantástico neste domingo (1), o dono da Davati Medical Suply, Herman Cardenas disse ter sido enganado por parceiros brasileiros na transação envolvendo a compra de 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca. Segundo ele, o representante de vendas no Brasil Cristiano Carvalho usou uma foto antiga para simular proximidade com o presidente Jair Bolsonaro.

Herman Cardenas em entrevista ao programa 'Fantástico'.
Herman Cardenas em entrevista ao programa ‘Fantástico’. Foto: Reprodução (Redes Sociais)

“Cristiano demonstrava estar numa reunião com o presidente do Brasil. Hoje a gente sabe que a foto deve ser fake. Eu mal posso acreditar que alguém usaria uma imagem de 2019 para dizer que estava presente ali, como se fosse em 2021″, declarou ao programa. 

O empresário também relatou que Carvalho teria enviado um currículo informando ter doutorado em Harvard e assinava suas mensagens como “professor-doutor”.

Ele evitou explicar de onde viriam as 400 milhões de doses prometidas. Justificou que teria a “alocação”, ou seja, uma reserva destinada a outra companhia. “A empresa detentora de uma alocação de vacinas não nos passou o contrato que tinha com o fabricante. Então não sei como conseguiram essa alocação. Mas nos mostraram documentos e comunicações que nos convenceram que eles tinham a alocação”, explicou.

O empresário disse não ter desconfiado da transação, nem ter achado estranho o número tão grande de intermediários na negociação com o governo brasileiro. Explicou ao programa porque continuou com a oferta. “Por confiança e por querer seguir em frente. Mas de agora em diante, vamos conhecer melhor os nossos parceiros antes de fazer negócios com eles”.

Por meio de seu advogado, Cristiano afirmou ao Fantástico desconhecer o e-mail citado por Cardenas e negou ter assinado qualquer comunicação como “professor doutor”. Sobre a foto, disse ter sido enviada em um grupo de WhastApp como brincadeira, em um momento de descontração, e não para parecer proximidade com o presidente.

Foto utilizada por Cristiano Carvalho para simular proximidade com o presidente Jair Bolsonaro.
Foto utilizada por Cristiano Carvalho para simular proximidade com o presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução (Redes Sociais)

US$ 1 por dose

A Davati Medical Supply entrou na mira da CPI da Pandemia após o policial militar e representante da companhia Luiz Paulo Dominguetti ter dito ao jornal ‘Folha de S.Paulo’ que teria recebido uma oferta de propina de US$ 1 por dose de vacina. O episódio teria acontecido em um shopping em Brasília durante um jantar com o diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias.

Mensagens reveladas pela revista ‘Veja’ mostram Domingiuetti festejando a negociação. Em uma conversa com uma pessoa identificada como “Andrei compra vacina”, ele diz “Últimos dias de pobre! kkk”.

Dias foi ouvido pela CPI e negou o pedido de propina. Segundo ele, o encontro com Dominguetti foi acidental, versão na qual o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), não acreditou. Foi decretada a prisão em flagrante do ex-diretor.

Cristiano também depôs à CPI. Ele contradisse Dominguetti e afirmou ter sido procurado pelo policial militar já com a intenção de vender vacinas. Ele também relatou conversas com oito representantes do Ministério da Saúde para agilizar a aquisição de vacinas da Jansen e AstraZeneca.

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Senadores definem calendário pós-recesso https://canalmynews.com.br/politica/senadores-definem-calendario-pos-recesso/ Mon, 26 Jul 2021 14:41:09 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/senadores-definem-calendario-pos-recesso/ Em reunião virtual realizada neste domingo, membros da Comissão elegeram os próximos depoentes

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O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz (PSD-AM), o vice-presidente Randolfe Rodrigues (REDE-AP), o relator Renan Calheiros (MDB-AL) e os senadores Eduardo Braga (MDB-AM), Eliziane Gama (Cidadania-MA), Simone Tebet (MDB-MS), Otto Alencar (PSD-BA) e Humberto Costa (PT-PE) participaram de uma reunião virtual neste domingo (25), e definiram quais os próximos passos da Comissão após o recesso parlamentar.

CPI da Pandemia - espaço coletiva de imprensa
A Praça das Abelhas, local destinado às coletivas de imprensa da CPI da Pandemia, também aguarda o fim do recesso parlamentar. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Os trabalhos recomeçam na próxima semana, dia 3 de agosto, quando os parlamentares devem ouvir o reverendo Hamilton Gomes de Paula – ele teria sido autorizado pelo governo federal a negociar 400 milhões de doses da Astrazeneca com a Davati. A negociação está sob suspeita.

No dia seguinte, 4 de agosto, é a vez de Francisco Maximiano, sócio da Precisa Medicamentos; e no dia 5, Túlio Silveira, advogado e representante da empresa.

Lembrando que a Precisa era uma intermediária do contrato do Ministério da Saúde com o laboratório indiano Bharat Biotech, fabricante da vacina Covaxin. Depois das denúncias de corrupção envolvendo a empresa, o contrato foi suspenso. Na sexta-feira (23), a Bharat anunciou o fim do memorando de entendimento com a Precisa. E a Anvisa, em resposta, suspendeu a autorização para os testes clínicos e encerrou a análise do pedido de uso emergencial das doses no Brasil.

Um dos depoimentos mais aguardados na CPI é o do líder do governo na Câmara, deputado federal Ricardo Barros (PP-PR). o nome dele teria sido citado pelo presidente Jair Bolsonaro em reunião fechada sobre as supostas irregularidades no Ministério da Saúde.

Barros vai falar na segunda semana de agosto, juntamente com representantes da empresa VTCLOG. Na terceira semana, os senadores irão focar na disseminação de fake news ligadas à covid, e na quarta semana, na gestão dos hospitais federais do Rio de Janeiro.

Os técnicos da Comissão estão analisando quase dois terabytes (dois mil gigabytes) de documentos. Eles trabalham divididos em sete núcleos de investigação. A previsão é que a CPI finalize o relatório em meados de setembro.

Íntegra do programa ‘Café do MyNews‘ desta segunda-feira (26), que abordou o calendário da CPI pós recesso.

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Representante da Davati lista autoridades que teriam atuado na negociação de vacinas https://canalmynews.com.br/politica/representante-da-davati-lista-autoridades-que-teriam-atuado-na-negociacao-de-vacinas/ Tue, 20 Jul 2021 17:39:26 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/representante-da-davati-lista-autoridades-que-teriam-atuado-na-negociacao-de-vacinas/ Dentre os oito apontados, seis são militares. Grupo ligado ao Ministério da Saúde encaminhou as tratativas para a compra de imunizantes

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Cristiano Carvalho, representante comercial da Davati Medical Supply, expôs, em depoimento à CPI da Pandemia nesta quinta-feira (15), a participação de ao menos oito superiores do Ministério da Saúde que teriam agido para agilizar as tratativas de compra e venda de milhões vacinas da Astrazeneca e da Janssen com a Davati – entre os citados, seis são militares.  

Cristiano Carvalho, representante comercial da Davati, durante depoimento à CPI da Pandemia.
Cristiano Carvalho, representante comercial da Davati, durante depoimento à CPI da Pandemia. Foto: Leopoldo Silva (Agência Senado).

As negociações entre a empresa estadunidense e a pasta da Saúde foram firmadas sem que houvesse qualquer comprovação da existência dos lotes com os imunizantes. Os laboratórios produtores já haviam informado também que não trabalhavam com qualquer tipo de intermediação nos acordos com governos.

Em uma das reuniões de ajuste das transações, o policial militar Luiz Paulo Dominghetti (autodenominado representante da Davati) diz ter recebido uma demanda de propina no valor de US$ 1 por dose para, assim, viabilizar a compra de 400 milhões de vacinas da Astrazeneca.

Após ser diversas vezes questionado sobre esse episódio, Cristiano Carvalho confirmou os encontros e as cobranças de propina, coordenadas por oito autoridades da Saúde, incluindo o ex-número dois da pasta Élcio Franco.

Segundo o depoente, no dia 12 de março, ele e Dominguetti participaram de uma reunião no Ministério da Saúde intermediada pelo reverendo Amilton Gomes, da instituição privada denominada Secretaria de Assuntos Humanitários (Senah), e pelo coronel Helcio Bruno, do Instituto Força Brasil.

Já no ministério, o grupo se encontrou com o coronel Cleverson Boechat (então diretor de Planejamento da Saúde), com o coronel Marcelo Pires (então diretor de Programas da Saúde) e Élcio Franco (então secretário-executivo da Saúde).

Passados três dias, o dono da Davati, Herman Cárdenas, encaminhou a Élcio Franco um comunicado oficial oferecendo a troca do imunizante da AstraZeneca por doses da vacina produzida pela Jansen. A justificativa dada pelo empresário era de que o produto seria mais barato e poderia ser administrado em dose única.

Ainda segundo Carvalho, Blanco e Helcio Bruno eram os principais interessados no avanço dessas negociações.

Autoridades citadas

Durante seu depoimento à CPI, Cristiano Carvalho citou o envolvimento de oito autoridades. São elas:

Élcio Franco (coronel da reserva do Exército e ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde)

De acordo com o depoente, Élcio se encontrou com os representantes da Davati no dia 12 de março – nessa reunião não houve acordo de propinas. Dias depois, o coronel recebeu o comunicado enviado pela sede da empresa, que tratava a troca das vacinas AstraZeneca por doses da Jansen.

O e-mail sobre o imunizante da Janssen não foi respondido, e Élcio Franco foi exonerado do Ministério em 26 de março. Hoje, ocupa cargo no Palácio do Planalto.

“Eu acredito que, logo depois, ele foi exonerado do cargo – dez dias depois se eu não me engano –, e não teve nem tempo de ele retornar, nada mais, porque, dois dias depois dessa reunião, o próprio general Pazuello já tinha dado indícios de que ele sairia do cargo por questões médicas. Neste caso do Elcio Franco, eu acredito que não foi concluído porque realmente ele não fazia mais parte do ministério, dois ou três ou quatro dias depois”, afirmou Carvalho.


Roberto Ferreira Dias (sargento reformado da Aeronáutica e ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde)

Dias foi acusado por Dominghetti de ter cobrado propina nas tratativas envolvendo a vacina da AstraZeneca. O sargento, durante depoimento à Comissão, negou a ocorrência e chamou o PM de “picareta”.

“Comprador do Ministério da Saúde do Brasil. Comigo, [a relação] foi estritamente comercial a respeito das vacinas. […] Conforme é documentado e periciado, várias vezes ele me ligou e mandou mensagens”, declarou Carvalho.


Marcelo Blanco da Costa (tenente-coronel da reserva e ex-assessor do Departamento de Logística do Ministério da Saúde)

Carvalho confirmou que se referia diretamente a Blanco quando, em troca de mensagens com Dominghetti, interceptadas pela CPI, disse que só havia “FDP” no Ministério da Saúde.

“Peço até desculpas pelo termo, mas eram mensagens que a gente trocava. Sobre isso, acho que até me excedi. Na verdade, o que eu estava me referindo é como eu passei a negociar com o senhor [Marcelo] Blanco, aqui, eu me referia a esse tipo de negociação que tinha sido instaurada. Que aparentemente, o Roberto Dias havia indicado o Blanco para negociar comigo. Ele falava em nome do Roberto Dias o tempo todo”, disse.

Segundo o representante da Davati, Blanco avançou nas negociações com ele e com Dominghetti.


Cleverson Boechat Tinoco Ponciano (coronel da reserva do Exército e coordenador-geral de Planejamento do Ministério da Saúde)

“Ele era responsável pelos pagamentos dos insumos no Ministério da Saúde”, alegou Carvalho. O representante comercial da Davati disse que o encontro de 12 de março aconteceu justamente no gabinete do coronel Boechat.

“Se eu não me engano é no segundo andar. Foi lá que ele nos recebeu. E o coronel Pires e o coronel Elcio Franco também nos receberam dentro do gabinete do coronel Boechat. Dentro dessas tratativas e conversas dentro do Ministério da Saúde, não houve nada que desabonasse nenhum desses coronéis servidores públicos que estavam na reunião”, afirmou.


Marcelo Bento Pires (coronel da reserva do Exército e ex-coordenador do Plano Nacional de Operacionalização das Vacinas contra a covid-19)

Carvalho confirmou a manifestação de interessa na aquisição das vacinas por parte do coronel Pires: “Nas mensagens, ele diz que sim e faz bastante perguntas”.

“Acredito que ele era uma espécie de assistente de ordens do coronel Élcio Franco. Ele fez vários tipos de perguntas sobre a entrega, sobre o produto, não diretamente para mim. Diretamente para o coronel Hélcio Bruno, com H, que o coronel repassou para mim e eu disponibilizei”, complementou Carvalho.


Glaucio Octaviano Guerra (coronel reformado da Aeronáutica)

Segundo informações do vice-presidente da CPI Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Guerra é também assessor do adido militar da embaixada do Brasil nos Estados Unidos.

Carvalho disse que “o coronel Guerra atuou somente como o porta-voz do Herman nos Estados Unidos, não teve influência alguma na negociação. Só transmitia as informações que a ele eram passadas”.


Guilherme Filho Odilon

O depoente afirmou que uma pessoa identificada como “Odilon” seria um dos intermediadores da negociação. Randolfe disse que ele também é coronel, mas não declarou a qual das Forças Armadas ele possui ligação.

“O Odilon é coronel? Eu não tenho esse conhecimento. Ele aparece como um dos intermediadores da negociação”, rebateu Carvalho.

Posteriormente, o representante da Davati relacionou o nome “Odilon” ao suposto pedido de propina para negociar as doses da Astrazeneca – Carvalho, no entanto, utiliza a expressão “comissionamento”.

“A informação que veio a mim, vale ressaltar isso, não foi o nome propina. Ele usou comissionamento. Ele se referiu a esse comissionamento sendo do grupo do tenente-coronel Blanco e da pessoa que o tinha apresentado ao Blanco, que é de nome Odilon”, afirmou Cristiano.

As mensagens obtidas pela CPI no celular de Luiz Paulo Dominghetti mostram um contato identificado como Guilherme Filho Odilon. O PM enviou a ele a seguinte mensagem: “Estamos negociando algumas vacinas em números superiores a 3 milhões de doses. Neste caso a comissão fica em 0,25 centavos de dólar por dose”.


Laurício Monteiro Cruz (médico veterinário e ex-diretor do Departamento de Imunização e Doenças Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde)

“O Laurício foi quem apoiou a compra, através da Senah. Agendou reuniões e, inclusive, indicou que fosse copiado o Élcio Franco nos e-mails. Deu todas as credenciais necessárias para que pudéssemos avalizar que a Senah poderia concluir o negócio”, confirmou Carvalho.

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Cristiano Carvalho contradiz depoimento de Dominghetti sobre negociação de vacinas https://canalmynews.com.br/politica/representante-da-davati-contradiz-depoimento-de-dominghetti-sobre-negociacao-de-vacinas/ Mon, 19 Jul 2021 17:37:54 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/representante-da-davati-contradiz-depoimento-de-dominghetti-sobre-negociacao-de-vacinas/ Cristiano Carvalho diz que foi procurado por Dominghetti em janeiro. PM já tinha intenção de vender imunizantes

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Cristiano Carvalho, representante comercial da Davati Medical Supply, afirmou nesta quinta-feira (15), em depoimento à CPI da Pandemia, que foi procurado, em janeiro deste ano, por Luiz Paulo Dominghetti, policial militar e autointitulado “vendedor autônomo” de imunizantes. Carvalho disse que o PM iniciou os contatos já com a intenção de negociar doses da vacina.

Cristiano Carvalho, representante comercial da Davati, durante depoimento à CPI da Pandemia.
Cristiano Carvalho, representante comercial da Davati, durante depoimento à CPI da Pandemia. Foto: Edilson Rodrigues (Agência Senado).

A versão do depoente, no entanto, contradiz as declarações de Dominghetti à CPI, que se justificou como designado pela companhia Davati para comercializar lotes de vacinas no Brasil.

O representante oficial da empresa alegou que, até o início do ano, sequer conhecia o policial: “Eu conheci o senhor Dominghetti através de um colega em comum, o Rafael Alves […] no início de janeiro, primeira quinzena de janeiro, aproximadamente. Que ele tinha uma demanda de vacinas do Ministério da Saúde, e até então eu não falei com ele. Eu só vim a ter contato telefônico com ele no dia 10 de fevereiro, até então ele tratava com o Rafael Alves”.

“Eu sempre fui incrédulo da situação da venda, comercialização de vacinas. Nunca dei muita atenção para isso, comecei a dar um pouco de atenção quando começaram a chegar a mim contatos oficiais do Ministério da Saúde, e-mails, telefonemas. Aí, comecei a dar maior atenção”, complementou Carvalho.

Questionado pelo relator Renan Calheiros (MDB-AL) sobre se a proposta de vender vacinas ao Ministério da Saúde chegou por intermédio de Dominghetti, o vendedor da Davati confirmou: “Sim, senhor. Ele já tinha uma parceria com a Senah, Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários, e eles estavam buscando um fornecedor no exterior para sanar essa demanda que eles tinham entre eles. Precisamente como eles se conheceram, como chegaram um ao outro, vou ser bem sincero a Vossa Excelência que não tenho como dizer”.

Em junho, Dominghetti denunciou ao jornal ‘Folha de S.Paulo’ uma suposta cobrança de propina envolvendo a pasta da Saúde durante o processo de aquisição de vacinas. Já a organização privada Senah teria autorização, concedida pelo então diretor de Imunização do Ministério da Saúde, Laurício Cruz, para negociar imunizantes com a Davati – o fundador da Senah, reverendo Amilton de Paula, seria o responsável pela mediação das tratativas entre a Davati e o presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com Dominghetti, Rodrigo Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde, pediu propina de US$ 1 por dose de vacina da empresa Astrazeneca durante a negociação do contrato de compra de 400 milhões de doses, tendo a Davati como intermediária dessa transação.

Dias, exonerado do cargo no mesmo dia em que as denúncias irromperam, afirmou em seu depoimento à Comissão que o pedido de propina inexistiu, e que Dominghetti é um “picareta”. A Davati por sua informou que o PM é um “vendedor autônomo” e negou ter convênio para venda da vacina produzida pela AstraZeneca. Em nota, a AstraZeneca afirmou que não possui intermediários no Brasil.

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Denúncias de propina pressionam governo federal https://canalmynews.com.br/politica/denuncias-de-propina-pressionam-governo-federal/ Thu, 08 Jul 2021 13:48:38 +0000 http://localhost/wpcanal/sem-categoria/denuncias-de-propina-pressionam-governo-federal/ Líder do governo na Câmara, Ricardo Barros é citado em dois casos de suborno envolvendo a negociação de vacinas contra a covid-19

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A madrugada desta quarta-feira (30) foi considerada a mais fria do ano em todo o País, mas parece que em Brasília a temperatura subiu um pouco. Duas denúncias de propina vieram à tona nesta terça-feira (29) à noite, ambas envolvendo a negociação de vacinas contra a covid-19 e o governo federal – mais precisamente o Ministério da Saúde e o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP/PR).

Líder do governo na Câmara, Ricardo Barros
Líder do governo na Câmara, Ricardo Barros. Foto: Antonio Cruz (Agência Brasil)

O primeiro relato é do representante de uma vendedora de vacinas, que afirmou ao jornal ‘Folha de S.Paulo’ ter recebido o pedido de suborno de US$ 1 por dose da AstraZeneca em troca de fechar contrato com o Ministério da Saúde.

Luiz Paulo Dominguetti Pereira, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, disse que o então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Ferreira Dias, cobrou a propina durante um jantar em Brasília, no dia 25 de fevereiro.

Roberto Dias teria sido indicado ao cargo pelo líder do governo de Jair Bolsonaro na Câmara, Ricardo Barros. Barros nega que a indicação tenha sido dele.

Segundo a Folha, a empresa Davati buscou o Ministério da Saúde para negociar 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca, com uma proposta feita de US$ 3,5 por cada (depois disso passou para US$ 15,5). Aqui, um parênteses: não se tem a confirmação de que a Davati tinha autorização para negociar o imunizante da AstraZeneca.

Ao jornal, Dominguetti afirmou que naquela ocasião, “o caminho do que aconteceu nesses bastidores com o Roberto Dias foi uma coisa muito tenebrosa, muito asquerosa”. Ele deu detalhes: “eu falei que nós tínhamos a vacina, que a empresa era uma empresa forte, a Davati. E aí ele [Roberto Dias] falou: ‘olha, para trabalhar dentro do Ministério, tem que compor com o grupo’. E eu falei: ‘mas como compor com o grupo?”. Dias teria respondido que existe um grupo que só trabalhava dentro do Ministério, então se a empresa Davati conseguisse aumentar o valor da vacina, colocar um valor diferente do que a proposta original, a pasta fecharia o contrato.

“Pensa direitinho, se você quiser vender vacina no Ministério tem que ser dessa forma”, teria dito o então diretor ao representante da empresa. A Folha então perguntou qual seria essa “forma”. “Acrescentar um dólar”, respondeu Dominguetti. Segundo ele, US$ 1 por dose.

Essa reunião teria acontecido um dia após o Brasil ter atingido a marca de 250 mil mortos por covid-19.

Seis centavos de dólar por dose de Covaxin

Outra denúncia foi feita pela ‘Revista Crusoé’. Segundo o veículo, interlocutores afirmam que o deputado federal Luis Miranda (DEM/DF) teria recebido oferta de propina de Ricardo Barros e de um lobista, para não atrapalhar as negociações da Covaxin.

O deputado teria sido convidado para uma reunião em Brasília pelo lobista Silvio Assis, 11 dias depois dele e seu irmão – servidor do Ministério da Saúde – terem alertado o presidente Jair Bolsonaro sobre as supostas irregularidades no processo de compra da vacina indiana. Assis é conhecido da Polícia Federal por envolvimento em outros esquemas de corrupção, e é amigo de longa data de Ricardo Barros.

Na ocasião, o lobista teria explicado a Miranda que nada poderia dar errado no negócio da Covaxin e tentou persuadi-lo a convencer o irmão a parar de criar embaraços para o negócio. Teria dito, inclusive, que o deputado poderia ser recompensado caso topasse ajudar na empreitada – sem falar em valores, disse que, se tudo desse certo, a reeleição do parlamentar estaria garantida.

Pouco mais de um mês depois deste primeiro encontro, já em maio, Luis Miranda teria sido procurado novamente. A reunião foi no mesmo lugar, uma casa no Lago Sul, em Brasília. Desta vez, Ricardo Barros estava presente. A pauta era a mesma também, mas agora envolvia valores. Silvio Assis prometeu ao parlamentar uma participação sobre cada dose da vacina que seria vendida ao Ministério da Saúde: seis centavos de dólar. Ou seja: se aceitasse a “parceria”, Miranda poderia levar um milhão e duzentos mil dólares – ou seis milhões de reais –, caso a venda das 20 milhões de doses da Covaxin fosse formalmente concluída.

O deputado teria negado a proposta e disse aos interlocutores não acreditar que a oferta de propina que recebeu tenha relação com a conversa que teve, dias antes, com o presidente da República para denunciar irregularidades no processo de compra da vacina.

O que disse Luis Miranda

À ‘Revista Crusoé’, o deputado disse que prefere não se manifestar sobre as conversas que teve com o lobista e com o líder do governo. Ele afirma que prefere falar sobre o assunto para a Polícia Federal, se for chamado.

O MyNews entrou em contato com a assessoria do parlamentar nesta quarta-feira (30) pela manhã, mas ele disse que não irá comentar o assunto.

Íntegra do programa ‘Café do MyNews‘ desta quarta-feira (30), que abordou o suposto esquema de corrupção na compra de vacinas.

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